O União de Tomar voltou à mesa de trabalhos da Câmara Municipal. Os Independentes sublinharam a urgência em tentar obter uma forma de ajudar o clube a ultrapassar a grave crise financeira que o assola, nomeadamente pela dívida às Finanças, que até já motivou uma penhora do subsídio atribuído pela autarquia. E enquanto este cenário se verificar, o clube não tem qualquer tipo de receitas, logo as hipóteses de sobrevivência são nulas.

Dessa forma, o executivo ficou de agendar uma reunião com a direcção do U. Tomar para, conjuntamente, se chegar à realidade dos factos e das contas e, depois, avançar para um acordo com o Fisco, com o objectivo de colocar fim à penhora. Pedro Marques, vereador dos Independentes, colocou o assunto em cima da mesa: «Não se trata de dar subsídios para pagar dívidas, mas sim estabelecer contra-partidas à actividade de uma associação. E isto serve não só para o U. Tomar mas também para as restantes colectividades. Mas neste caso concreto, está em causa um conjunto de dívidas que resultaram de negligência… Mas, atenção, quando se realiza uma Festa da Cerveja e se é tributado em IRC pelos lucros, enfim, se o Fisco fizesse isso em relação às festividades do concelho, qualquer dia não tínhamos festividades! Todas elas se organizam para ter lucros, para realizar obras sociais, pelo que esta situação não se entende».

Luís Ferreira: «Terá que ser o U. Tomar a apresentar um plano de viabilização»

Por sua vez, o vereador Luís Ferreira, do Partido Socialista, concordou com a necessidade de encontrar uma solução, mas quis sublinhar que terá de ser o clube a apresentar um plano de viabilização financeira: «Não podemos continuar a tratar estas coisas com o amadorismo que acontecia no século XX. Concordo totalmente em reunir com a direcção do U. Tomar mas tenho que referir que compete ao clube apresentar um plano de viabilização financeira. O U. Tomar, que tem os dados todos, é que tem de apresentar esse plano, onde diga que o Município terá que fazer isto ou aquilo. Todos queremos resolver esta situação».

Carlos Carrão: «Está em causa a falência do U. Tomar»

O vereador com o pelouro do desporto, Carlos Carrão, alertou para o grande obstáculo que consiste a penhora sobre receitas do U. Tomar, pelo que é fundamental chegar a acordo com o Fisco: «Independentemente da responsabilidade desta ou daquela pessoa ou direcção, estamos confrontados com uma situação real e objectiva de que, a curto prazo, tudo seja colocado em causa com a falência do clube. E em nome dos interesses do U. Tomar, da cidade e do concelho, isso não pode acontecer. Há que dar uma oportunidade para resolver esta situação. Temos que ter em consideração uma grave condicionante, ou seja, para além da dívida existe uma penhora que impede o clube de receber um euro seja de quem for. E o clube, por aquilo que sei, tem despesas de cinco mil euros por mês».

(Rádio Hertz)