“«CABEÇA FRIA» E LUCIDEZ OS TRUNFOS DOS TOMARENSES”

Almonda Parque, em Torres Novas

Árbitro – Mário Mendonça, de Setúbal

TORRES NOVAS – Casimiro (85m – Sousa); Tuna, Carvalho, Correia e Simões; José Bruno e Nogueira; Hugo (cap.), Brás, Gamboa e Maia

U. TOMAR – Conhé; Cabrita, Faustino, Alexandre e Santos I; Bilreiro e Cláudio; Lecas, Alberto (cap.), Djunga e Totoi

0-1 – Totoi – 28m
0-2 – Alberto – 73m
1-2 – Gamboa – 84m

«Jogo de nervos (alguns bem excessivos e escusados) de princípio ao fim, bem próprio de «derby» regional, para mais tratando-se dum embate onde ficaria decidida (como ficou) a sorte de um dos contendores já com ingresso marcado na Divisão maior.

E o jogo propriamente dito o que foi? Um encontro pleno de vibração mas onde andou arredada a boa técnica já que as duas equipas preocuparam-se mais em jogar depressa (tendo como grande aliado as reduzidas dimensões do rectângulo de jogo) do que em fazer prevalecer as suas intenções em lances esclarecidos e de bom «association». E, já que ambas se equivaleram em vontade e bravura, postos na luta, os tomarenses acabaram por se superiorizar graças à sua «cabeça-fria» e à sua maior lucidez de processos, trunfos naturais em face da sua maior tranquilidade na tabela classificativa em contraste com o seu opositor para quem o jogo era realmente de «vida ou de morte».

À maior sagacidade e clareza dos pupilos de Oscar Tellechea, opôs o Torres Novas um futebol todo coração e pernas, feito com garra e frenesim, mas onde faltou a tal «cabeça fria», do seu adversário. E, como os atacantes locais não estavam em tarde «sim», faltando-lhes talento e potência de remate para transformar em golo uma ou duas oportunidades surgidas, quando o marcador ainda estava em branco (Gamboa foi o mais desastrado e infeliz), o desfecho premeia a equipa que menos jogou em quantidade mas a mais hábil na sua qualidade.

Os melhores – Tuna, Carvalho e Nogueira entre os torrejanos e Conhé, Faustino, Cláudio, Lecas e Bilreiro nos tomarenses.

A arbitragem – Firme e autoritária «segurou» o jogo… e alguns jogadores…»

(“Record”, 23.04.1968 – Crónica de Carlos Arsénio)


(Imagem – “Record”, 23.04.1968)


(Imagem – “Diário de Lisboa”, 22.04.1968)

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