Junho 2010


Realiza-se no próximo dia 2 de Julho de 2010 (Sexta-feira, pelas 19 horas), no Estádio Municipal de Tomar, a Festa dos Campeões do União de Tomar, com a entrega das respectivas faixas de Campeão, nomeadamente às duas equipas de Juniores, assim como as de Iniciados e de Infantis.

O que faz com que sejam cada vez mais a rumarem a Peniche para a nocturna Corrida das Fogueiras ou Fogueirinhas?

A corrida e o percurso em si, com as fogueiras a iluminarem os 15 quilómetros de distância, além da sardinhada final oferecida a todos os atletas e acompanhantes, são factores importantes, mas um que não se esquece é a dívida de gratidão dos atletas para com a população penichense que vive a pleno esta prova e não se cansa de, ao longo de todo o trajecto, incentivar os corredores, sejam os de elite ou o mais anónimo atleta de pelotão.

Esta mítica prova nasceu em 1980 e contou com 78 atletas, número que aumentou para 150 na 2ª edição e logo de seguida para 537, chegando ao milhar em 1984.

Depois de em 2009 ter batido novo record de participação, 1.762 atletas, este ano registou novo máximo, 1.849 classificados. A estes se juntaram mais uns milhares nas Fogueirinhas (6 kms).

E foi no meio deste extenso pelotão que correu um atleta do União de Tomar, André Filipe Saldanha Ferreira, que concluiu a prova num brilhante 82º lugar (46º sénior) com um óptimo tempo de 56.30.

Pode consultar aqui a classificação desta prova.

(informação de João Lima)

Nem só as confeitarias usaram os rebuçados para venderem as suas colecções de cromos (ou vice-versa). Também as Pastilhas elásticas serviram de veiculo para algumas colecções. As mais conhecidas foram as colecções da May e da Pajú. A May editou várias colecções no final dos anos 60 e início dos 70 (tanto em Portugal como em Espanha). Haverá pelo menos umas 6 colecções diferentes. Dada a sua semelhança gráfica e, certamente, a dificuldade que havia em completar estas colecções (pois as pastilhas eram mais caras que os rebuçados) por vezes é dificil identificar os cromos.

(via Colecção de cromos da bola)

“ALMEIRIM NÃO FOI PROBLEMA E A «LÓGICA» ACONTECEU”

Campo Novo, em Almeirim

Árbitro – Rogério Moreira, de Braga

U. TOMAR – Conhé; Kiki, Caló, Faustino e Barnabé; Santos (60m – Dui), Ferreira Pinto (cap.) e Cláudio; Lecas, Alberto e Totoi

SPORTING – Damas; Pedro Gomes, Armando, Alexandre Baptista (cap.) e Hilário; Gonçalves, José Morais e Pedras; Chico, Marinho e Oliveira Duarte (45m – João Carlos)

0-1 – Pedras – 60m

«Ao intervalo: 0-0.

O único golo da partida ocorreu ao quarto de hora do segundo tempo.

Falta contra os tomarenses, que estes protestaram (e ficaram a protestar mesmo depois da bola ter sido movimentada), cobrada por Chico que tocou a bola na direcção de José Morais. Este, utilizando o calcanhar, solicitou a entrada de Pedras, que entrou na grande área do União, sem adversário a impedir-lhe a movimentação, teve tempo de parar e atirar, aliás muito bem para o canto esquerdo da baliza de Conhé, sem dar ao «keeper» quaisquer possibilidades de defesa.

Substituições: uma para cada lado. No União de Tomar, Dui entrou para o lugar de Santos, aproveitando a interrupção de jogo, quando do golo sportinguista. No Sporting, Oliveira Duarte foi substituído por João Carlos durante toda a segunda parte.

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Na planície ribatejana, jogou-se a segunda «mão» dos quartos-de-final da Taça de Portugal, entre o Sporting e o União de Tomar, jogo que não se efectuou na também ribatejana cidade do Nabão pelos motivos que são de todos conhecidos – o rectângulo do Estádio Municipal está em obras que o aprontarão para receber relva.

Planície toda verde, iluminada e aquecida por um sol que quis deixar boa recordação de um Maio antipático, quase todo ele feito de chuvas, frio e ventania.

Como ilha no meio de árvores de fruto, cultura de ervilhas vinhedos, que se perdiam até a vista topar com a linha azulada dos montes, o campo do Almeirim, chamado de novo, porque naquele local, ainda em Agosto, nada havia que fizesse supor a construção de um parque desportivo de certo interesse, com o seu rectângulo alizado e regado, a bancada impecável de limpeza, com capacidade para setecentas pessoas, mas onde se meteram muitas mais, e o peão areoso a transbordar, sugeria dia grande.

A bancada, com uma nota de modernismo nas instalações, foi, de facto, feita para outro escalão de jogos e daí se ter enchido de forma a duvidarmos se teria havido o necessário respeito pela sua lotação. E os bilhetes eram bem caros, pois, duas horas antes do encontro começar, não havia uma bancada nas bilheteiras e os «contratadores (?) vendiam-nas a oitenta escudos, para as aumentar para cem poucos minutos antes das quatro horas.

O rectângulo mereceu a nossa atenção. Fomos pisá-lo, muito antes dos jogadores, e não temos em dúvidas em afirmar que é melhor do que era o do União de Tomar, coberto de areia do rio.

Quanto às dimensões as de qualquer estádio: 105×74.

É claro, teria sido melhor para todos se o jogo se tivesse realizado num relvado, mas já que eram aquelas as condições em que as duas equipas tinham de actuar, ao menos que não se encontrasse como solução um terreno de dimensões mínimas e com o público em cima dos futebolistas.

E não vamos também admitir que toda a falta de qualidade que especificou o jogo teve origem no facto do rectângulo ser pelado. Bom jogador, joga também na terra batida. Pode é não jogar tão bem. Mas sempre terá oportunidade de mostrar o que sabe e o que vale, começando até por se ambientar ao campo.

Um exemplo? José Morais. Para ele não houve problemas. Jogou, correu, foi útil a médio, foi útil na frente, teve actividade que justifica chamada especial. Outro?? Pois bem, temos Caló, porventura o melhor no terreno.

A actuação de uma equipa pode depender do valor do desafio que vai disputar e do adversário, como é evidente.

Esta ideia foi-nos sugerida pelo comportamento dos «leões». Comportamento que nos trouxe algumas dúvidas sobre o «momento da equipa». Pensávamos (e tínhamos motivos para isso) que o Sporting tinha encontrado, neste fim de época, um caminho para grandes cometimentos, que podiam culminar com o triunfo na Taça. Os jogadores mantinham (mesmo nos treinos) certa frescura e, nesta altura da temporada, esse trunfo é muito importante. Ao fenómeno físico, tinha-se juntado a moralização que os resultados conseguidos também justificavam.

Ontem, a turma «leonina» pouco fez para confirmar o que dela se tem dito. E daí a dúvida que nos assaltou sobre o seu grau de possibilidades, agora que vai entrar nas meias-finais.

Bem sabemos que as circunstâncias em que se actua, tem o seu quinhão de influência na produção de jogo, no empenho dos futebolistas e, por reflexo no trabalho global da equipa. Exigir que o Sporting se tivesse batido ontem como, de certo, lutaria se precisasse forçosamente de ganhar, é utopia. O tempo em que uma equipa entrava para o campo para ganhar, sempre para lutar, sempre para correr, já passou. A economia de esforços e a sua utilização têm de fazer parte da bagagem de um «team», se ele quer ser grande e saber competir nas bases em que, actualmente, se joga: épocas sobrecarregadas com desafios oficiais, do calendário interno e do internacional, partidas nos «espaços livres», que começam logo a seguir ao descanso obrigatório de vinte dias, ou até antes das férias, se for necessário.

Equipa económica pode durar mais do que a que não se preocupa com economias, porque não tem mais do que cumprir o seu calendário oficial, porque, por norma não tem um lote de jogadores com técnica suficiente para se desempenharem a contendo de um papel que não é nada fácil de representar.

Para os jogadores das equipas de ….. lidade da descida –  o que conseguiu com certo brilhantismo.

Portanto, tudo o que lhe está sucedendo, tem a lógica das coisas inevitáveis.

Verdadeiramente, a turma de Tomar nunca se impôs por um fio de jogo, por um esquema, por um conteúdo revelador de organização. O União de Tomar de ontem não foi o mesmo dos jogos do «Nacional», o mesmo que defrontou e venceu o Sporting, em Tomar, e empatou em Lisboa. Está, como se diz na gíria futebolística, nas «lonas».

Fez, realmente, um esforço gigantesco para salvar as aparências. E conseguiu salvá-las até certo ponto. A sua resistência valeu, afinal, o jogo. Sem ela, o desafio ter-se-ia tornado de uma monotonia difícil de suportar.

Quando lhe faltou o estimulante, que representava o golo (um golo alcançado com o marcador em branco, entenda-se), faltou-lhe tudo. O ponto dos «leões» a alargar ainda mais o fosso que ao espectador neutral já parecia enorme antes dele, o conjunto desmoronou-se. Ficaram apenas de pé os que ainda mantinham uma réstea de força alimentada pelo temperamento.

Todavia, a equipa soube valorizar o espectáculo e manter durante uma hora certinha umas certas dúvidas quanto ao desfecho da partida. Já não foi nada mau.

Numa análise ao trabalho dos jogadores, diremos que Conhé esteve bem, não se lhe podendo assacar responsabilidades no golo sofrido. O mesmo não se pode dizer de Santos que fez grande parte do primeiro tempo em missão impossível de sustentar e que até ao golo, altura em que saiu, não destoara.

Kiki e Barnabé não jogaram mal. Melhor, o segundo. Mas, no sector defensivo, esteve o melhor elemento do União e talvez o melhor em campo. Trata-se de Caló. Grande jogo. Autoridade, poder físico, excelente visão e tempo de entrada nos lances. Boas entregas também. Índice magnífico, realmente.

Ferreira Pinto foi o jogador mais lento do conjunto. Não conseguiu ter influência. Cláudio esteve uns furos acima dele e foi exímio nas jogadas em que fazia a bola correr. O seu segundo tempo foi, porém, muito mais fraco.

Os dianteiros não estiveram felizes. Alberto, muito combativo, desperdiçou oportunidades e destruiu, por isso mesmo, toda a sua aparente utilidade como lutador. Lecas também não foi feliz. Totoi alternou jogadas bem executadas com outras menos perfeitas.

Dui jogou pouco tempo e quando entrou já o Sporting tinha marcado o golo. Já era um jogo sem interesse.

Quanto ao Sporting, a opinião já manifestada. E onde está a verdade? Pouca iniciativa, pouca velocidade, por interesse próprio? Ou porque alguns jogadores não colaboram mesmo numa melhor produção de jogo? Talvez, realmente, no meio termo esteja a verdade.

E a verdade é que os «leões» tiveram defeitos e erros de palmatória. Que nada têm a ver com uma possivelmente projectada economia de esforços.

Damas, no entanto, jogou bem, se lhe descontarmos aquela saída, na primeira parte, que deixou a bola nos pés de Lecas para um golo que este não soube marcar. De resto, fez um jogo regular, sem grandes rasgos, mas sempre atento e seguro.

Não foi correcto quando, no findar do encontro, chutou uma bola contra o público. Calculamos, porém, que parte desse público (atrás da baliza) também não tenha sido muito simpático para com ele. De qualquer forma, devia limitar-se a solicitar ao árbitro que pusesse as autoridades ao corrente do que se passava e não agir, por sua conta, numa demonstração de força absolutamente dispensável.

Os defesas do Sporting brilharam e comprometeram. Brilhou Pedro Gomes, o defesa mais em forma, andou pela regularidade Hilário, ainda longe do Hilário normal, comprometeram Alexandre e Armando, que não se entenderam e perderam lances que defesas têm obrigação de ganhar. Alexandre Baptista ainda logrou subir. Armando é que não.

Médios a jogar, na maior parte do tempo, a meio gás. Pedras alternou o bom com o mau. No entanto, sempre que punha mais um pouco de alma no seu jogo, tudo melhorava. Excelentes o golo e o passe que fez a Chico e que também teria dado golo se…

Gonçalves ainda não está em forma. Tem de jogar. José Morais é hoje, o grande motor da equipa. Jogou bem a médio e jogou bem na linha dianteira. Onde ele está, há vida.

Chico não tomou iniciativas. Deu seguimento a parte do jogo que lhe foi endossado. Não foi muito além. Marinho também não esteve em dia feliz. Oliveira Duarte, ainda menos. Mas o extremo-esquerdo do Sporting não pode ainda encontrar-se em perfeita forma física.

Finalmente, João Carlos não teve actuação que o destacasse dos colegas mais mal classificados.

Ficámos com dúvidas

Ficámos com dúvidas sobre o valor do trio de arbitragem. A primeira parte foi mesmo um desastre: foras-de-jogo sem motivo justificado, decisões erradas, um golo mal anulado, marcação de faltas com a bola em movimento. Enfim, tudo muito mau.

A segunda parte foi melhor. Por que não surgiram problemas? Por que tudo foi mais fácil. Ou por que o árbitro soube dirigir os últimos quarenta e cinco minutos como não conseguira dirigir os primeiros? Ficámos na dúvida. E ainda a temos.»

(“A Bola”, 02.06.1969 – Crónica de Homero Serpa)

(Imagens – “A Bola”, 02.06.1969)

“DAMAS NÃO EXECUTOU NEM UMA ÚNICA DEFESA”

Estádio de Alvalade, em Lisboa

Árbitro – Rosa Nunes, de Faro

SPORTING – Damas; Pedro Gomes, Armando, Alexandre Baptista e Hilário; José Morais e Pedras; Chico, Lourenço (7m – Gonçalves), Marinho e Oliveira Duarte

U. TOMAR – Conhé; Kiki, Caló, Faustino e Barnabé; Ferreira Pinto, Cláudio e Santos (45m – Dui); Leitão, Alberto e Totoi (63m – Lecas)

1- 0 – Chico – 43m
2-0 – Pedras – 47m

«Lourenço esteve em campo escassos sete minutos. Vítima de uma lombalgia, deu lugar a Gonçalves, que entrou para a posição de José Morais, avançando este para o do companheiro lesionado. No começo do segundo tempo, Santos foi substituído por Dui. Oito minutos após o recomeço, Leitão foi expulso. Aos 18 minutos da segunda parte, Totoi foi substituído por Lecas.

Ao intervalo, 1-0.

Faltavam dois minutos para o termo da primeira parte, quando o Sporting obteve o seu primeiro golo. No flanco esquerdo do ataque «leonino», José Morais esgueirou-se com a bola até próximo da linha final, de onde executou um centro primoroso, por alto, para a grande área tomarense. Em dificuldade, Conhé limitou-se a desviar a bola, ligeiramente, com a palma da mão, acabando por colocá-la nos pés de Chico, que, com um pequeno toque, a enviou para dentro das redes unionistas.

Aos dois minutos do segundo tempo, 2-0.

Pedro Gomes, a jogar à boa maneira dos defesas laterais modernos, executou um centro, por alto. Antecipando-se a Conhé, Pedras «voou», e, de cabeça, marcou um golo espectacular.

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Pela primeira vez, esta época, o Sporting venceu a equipa do União de Tomar. O acontecimento só merece registo por isso mesmo, por ter acontecido que, nos dois encontros do «Nacional», a equipa «leonina» não tivesse logrado bater o grupo tomarense, que, não obstante a sua meritória carreira na prova maior do futebol português, está muito longe de poder comparar-se, seja qual for o ângulo de apreciação, ao seu poderoso adversário lisboeta.

O triunfo sportinguista de ontem teve, pois, o cunho da mais absoluta normalidade. Verdadeiramente, não se trata de uma rectificação, porque, para vencer o União de Tomar, o Sporting nem precisa de rectificar o quer que seja. A categoria individual dos seus jogadores, a capacidade global do seu conjunto, a força psicológica da sua grandeza histórica no ângulo do futebol nacional e internacional, têm de constituir, habitualmente argumentos e factores decisivos na luta entre os dois adversários de ontem, em Alvalade.

Com efeito os «leões» não careceram, sequer, de realizar aquilo a que soe chamar-se uma grande exibição, para alcançarem a vitória.

E, todavia, o resultado não foi assim tão expressivo que exclua uma certa sugestão de dificuldade, especialmente para quem, não tendo assistido ao encontro, estivesse à espera de uma diferença mais expressiva.

Terá sido assim? Terá o Sporting passado por tantos embaraços e dificuldades como a vantagem (relativamente escassa) parece sugerir?

Em nossa opinião, não, embora devamos acrescentar que nós próprio esperávamos bastante menos do União de Tomar, que se dizia «estar de gatas» nesta fase final da época, e bastante mais da equipa sportinguista, que nos garantiam encontrar-se em «forma» transcendente. E pensamos que não, que o resultado não significa aquilo que parece sugerir, por várias razões.

Em primeiro lugar, porque o Sporting marcou «apenas» dois golos, mas construiu e desperdiçou oportunidades para muitos outros, na linha, aliás, de um «mau hábito» que nas últimas épocas, tem vindo a afirmar-se como uma deplorável tradição do ataque «leonino». Em segundo lugar, porque a fraca produtividade dos dianteiros lisboetas não foi, apenas, mera consequência de erros e desacertos dos jogadores «leoninos», no capítulo de remate ao golo, pois importa esclarecer, desde já, que a equipa nabantina nos deu a sensação de não pensar noutra coisa que não fosse o objectivo de… «perder por poucos». E sabe-se como é difícil para qualquer equipa, quando topa pela frente com um adversário mentalizado e preparado para aquele fim, marcar muitos golos.

Enfim e em suma, este resultado vale pelo que vale e não por aquilo que possa sugerir a quem não presenciou a partida. O Sporting não se «rectificou» nem se transcendeu, ao vencer o União de Tomar por dois golos de diferença; a equipa tomarense não se «desmentiu» nem se diminuiu, mesmo em relação ao que lograra no decurso do «Nacional», ao sair derrotada de Alvalade.

«Perder, sim… mas devagar»

Temos escrito, várias vezes, que os esforços de uma equipa no sentido de evitar uma derrota copiosa são tão legítimos e tão respeitáveis como os daquela que concentre todas as suas energias e faculdades no objectivo de alcançar uma vitória expressiva, desde que, evidentemente, os meios utilizados para esse fim não infrinjam as regras do jogo e os preceitos da boa ética desportiva.

É claro que, num encontro com as características daquele a que nos referimos, em que o resultado deve ser encarado como se fosse, apenas, o da primeira parte de uma partida de 180 minutos, a legitimidade e a justificação de tais esforços são ainda maiores. Sob esse aspecto, portanto, não parece que haja algo a censurar no comportamento do União de Tomar, que, com o pensamento da segunda «mão», em que poderia (e poderá) arriscar tudo por tudo, veio a Alvalade, não para tentar o triunfo, mas apenas para não comprometer, em excessos de audácia e de imprudência, as suas (magras) probabilidades futuras. Para a equipa nabantina, o essencial era que o encontro do próximo domingo ainda «valesse a pena». Se, com os dois golos de desvantagem, esse objectivo foi alcançado, é o que nos parece muito duvidoso, sem que isso invalide, todavia, a oportunidade e o bom funcionamento das cautelas tomadas na partida de Alvalade.

De resto, também sob o ponto de vista estritamente desportivo, os tomarenses não incorreram, salvo duas ou três excepções lamentáveis (uma das quais, a mais grave, passou impune), em atitudes que merecessem reparo ou reprovação.

Não deixa de ser curioso e digno de realce o facto de o União, embora fidelíssimo ao seu propósito de «perder, sim, mas devagar», haver adoptado um dispositivo de jogo algo diferente do que é habitual nestes casos. Efectivamente, os visitantes não procuraram defender-se pela colocação de uma cerrada cortina defensiva nas imediações da sua grande área, mas sim pelo «povoamento» do seu meio-campo, confiado a um grupo de quatro ou cinco jogadores nabantinos.

Que pretendia o União com tal estratagema táctico? Em primeiro lugar, evitar que os centrocampistas adversários dispusessem do tempo e dos espaços necessários à «montagem» e ao lançamento das suas jogadas de ataque, na convicção (lógica) de que, secada a fonte, seca ficaria a corrente das avançadas sportinguistas; em segundo lugar, ter sempre à mão os reforços indispensáveis à segurança da sua defesa, nos momentos em que, rota e ultrapassada «primeira linha» (a linha do meio-campo), se tornasse necessário conter o adversário na «última barreira».

Forçoso é reconhecer que os planos da equipa visitante alcançaram relativo êxito. Com efeito, não só o meio-campo do Sporting sentiu inelutáveis dificuldades para cumprir as missões que lhe competiam, faltando ao ataque com os «fornecimentos» e apoios que deveriam ser da sua iniciativa e responsabilidade, como também os dianteiros lisboetas, atingida a zona mais próxima das balizas tomarenses, raramente puderam gozar da liberdade de movimentos indispensáveis a uma concretização adequada aos lances de remate ao golo. Por outras palavras: o Sporting foi, pelo menos até ao intervalo, uma equipa pouco e mal organizada a meio-campo e, como força de ataque, viu-se constrangida a «viver» dos rasgos de talento e de iniciativa pessoal deste ou daquele jogador, em especial de Oliveira Duarte, cuja «forma», depois de vários anos de árdua permanência em África temos de considerar verdadeiramente sensacional. Tudo isto – ou quase tudo – foi, afinal, em nossa opinião, consequência do dispositivo táctico adoptado pelos jogadores do União e da maneira hábil e delicada como eles souberam executá-lo.

É verdade, por outro lado, que o Sporting, não obstante todos os contras e dificuldade referidas, esteve, mais de uma vez, com o golo nos pés de um ou de outro dos seus avançados (Marinho, José Morais, Chico), antes de, no penúltimo minuto da primeira parte, haver logrado «adiantar-se no marcador». Essas foram, porém, as excepções que confirmavam a regra.

Desta sorte, ao atingir-se o intervalo, com os «leões» a vencerem por 1-0, poderia afirmar-se, com propriedade, que o União estava a obter relativo êxito no seu plano de «perder, sim, mas devagar».

«Goleada» prometida…e falhada

Ficámos com a sensação de que só o facto de o primeiro golo do Sporting ter aparecido a dois minutos do intervalo impediria que o União de Tomar se deixasse perturbar e desmoronar pelas consequências psicológicas, que pensávamos, dele teriam, forçosamente, de resultar.

Ora aconteceu que os «leões» alcançaram o segundo tento quando iam decorridos apenas dois minutos da segunda parte. Foi um golo bonito, desde o desenho do lance, a cargo de Pedro Gomes, até à sua conclusão, da autoria de Pedras.

Cremos que, a partir daí, se terá generalizado na assistência a ideia de que o Sporting ia partir, finalmente, para a «goleada». Nós próprios partilhámos dessa opinião, que tínhamos por tanto mais lógica e fundamentada quanto era certo que os jogadores tomarenses já davam nessa altura, iniludíveis sintomas de cansaço físico. O União, com efeito, já não era (nem voltaria a sê-lo) a mesma equipa da primeira parte. O seu meio-campo, de um modo especial, perdera a elasticidade de movimentos e a capacidade de recuperação, que, antes, lhe haviam permitido desdobrar-se, rápida e constantemente, entre a tarefa da marcação aos centro-campistas adversários e o encargo de correr, nos momentos difíceis, em auxílio dos seus companheiros da defesa.

Na impossibilidade de cumprir as duas missões, os jogadores visitantes desse sector decidiram (ou foram forçados a isso) reservar as energias de que ainda dispunham para a segunda, isto é, para darem apoio aos colegas do reduto defensivo – ainda e sempre na mira de perderem o jogo, sim, mas pela diferença mínima possível.

É fácil de imaginar o que se passou depois. A bola, que, na primeira parte, já se demorava por longos períodos no meio-campo defendido pelo União, quase não voltou a sair dele, até ao fim do encontro. A expulsão de Leitão, oito minutos após o intervalo, mais viera agravar as dificuldades da equipa visitante, até porque os próprios defesas «leoninos», libertos das preocupações (relativas) que lhes dava a proximidade daquele avançado nabantino, chegaram a «estabelecer-se com armas e bagagens» para lá da linha divisória central, tornando ainda mais premente e avassaladora a ofensiva da equipa lisboeta.

O facto registado no título desta crónica dá, aliás, uma ideia exacta da forma como decorreu o jogo, de um modo especial o segundo tempo: «Damas não executou, nem uma só defesa!» Aí está um pormenor bem significativo. Em muitos anos de futebol, não nos lembramos de ter visto um guarda-redes limitar a sua actividade a receber passes dos companheiros e a executar pontapés de saída. Aconteceu ontem, em Alvalade.

Apesar de tudo o que atrás se refere, o Sporting não logrou aumentar o seu avanço de dois golos. Porquê? Porque o União de Tomar contou com um guarda-redes extremamente seguro, brilhante e feliz; porque, em frente das balizas deste, houve, sempre, uma quase impenetrável «floresta» de corpos e de pernas; finalmente, porque… os dianteiros do Sporting estão demasiado «habituados» a falhar golos…

Em grande «forma»

Já dissemos (e repetimo-lo) que o Sporting não realizou uma grande exibição. Alguns dos seus jogadores, porém, deram-nos a sensação de se encontrarem em «forma» notável.

Sabemos ser esse, também, o caso de Damas, mas, como já esclarecemos, este não teve, ontem, a mínima oportunidade de o demonstrar. Pedro Gomes também não teve muito que fazer, no que respeita, especialmente, ao seu papel de defesa lateral. Mas o discernimento e o a-propósito com que se deu à iniciativa de ataque, à maneira dos grandes defesas modernos, apontam-no como uma das «figuras» da equipa. É, com efeito, um jogador que, depois de um começo de época cheio de problemas e de frustrações, atinge o final da temporada em grande «forma», tanto física, como técnica, como psicologicamente. Algo de semelhante se passa, aliás, com Armando e Hilário, homens em plena posse de todos os seus recursos. Alexandre Baptista, outro defesa que «sobe», colocou-se quase ao nível dos seus colegas de sector. Não foi por acaso, nem apenas porque o União de Tomar atacou pouco, que Damas não teve de efectuar uma única defesa. O quarteto defensivo dos «leões» é que não «quis» que o seu guarda-redes chegasse a ser incomodado.

Já manifestámos o nosso pouco entusiasmo pela actuação do meio-campo sportinguista. Sabemos que era difícil, com tão pouco espaço para manobrar e tantos adversários ao seu redor, jogar muito melhor. Mas Pedras (que, aliás, melhorou muito, na segunda parte) e Gonçalves já têm conseguido, mesmo em circunstâncias idênticas, realizar trabalho de mais alto nível e eficiência. Quanto a José Morais, que, no sector intermediário, acusava as mesmas dificuldades, notabilizou-se bastante mais no ataque, onde teve períodos, até, de verdadeiro fulgor.

Chico alternou o óptimo com o menos bom. Julgamos que poderia colher largos benefícios, para si e para a equipa, [s]e, em certos momentos, moderasse um pouco a sua «sofreguidão», que o leva a querer executar a jogada com maior rapidez do que aquela com que pode pensar. Não andem as pernas mais depressa do que o raciocínio. A velocidade é uma das grandes armas do futebol. Conserve-a mas colocando-a, sempre, ao serviço das necessidades de cada lance e momento.

Sensacional, para nós, que ainda não o tínhamos visto jogar desde o seu regresso de África, a exibição de Oliveira Duarte. Depois de alguns anos de ausência, chega a Lisboa, regressa à sua equipa e torna-se, logo, o melhor avançado do Sporting. É um ambidestro notável, um género de extremo que fazia falta ao seu clube e ao próprio futebol nacional.

Lourenço esteve em campo seis ou sete minutos. E foi pena (para ele e para a sua equipa), pois temos para nós que, em especial durante a primeira parte, a sua presença no eixo do ataque «leonino» poderia ter ficado assinalada por mais um golo.

A equipa tomarense valeu, especialmente, pelo seu espírito de companheirismo, pela sua homogeneidade, pela fidelidade demonstrada na execução do plano que lhe havia sido confiado. Tal não impede, todavia, que se faça uma referência especialíssima à actuação de Conhé, supremo responsável pela «magreza» do triunfo sportinguista.

Acrescentaremos apenas mais duas notas pessoais: em referência a Santos, para verberarmos a sua agressão (sem bola e sem razão) a Oliveira Duarte; em relação a Leitão, para estranharmos que não tenha sabido ou querido pôr ao serviço da equipa as suas magníficas aptidões de futebolista. Foi o único e desnecessário «solista» do União de Tomar.

O sr. Rosa Nunes, quando errou, fê-lo por iniciativa ou por omissão dos seus auxiliares. No primeiro caso, marcando um ou outro «off-side» em desfavor do Sporting, sem motivo para isso; no segundo, deixando sem o devido castigo uma agressão a Oliveira Duarte, facto que o árbitro não deve ter visto, por estar longe e de costas voltadas para o incidente, mas do qual julgamos ter-se apercebido o seu auxiliar. Quanto à expulsão de Leitão, não temos dúvida em que este entrou em falta sobre Armando, mas não nos pareceu esta revestir-se da gravidade que o Sr. Rosa Nunes lhe atribuiu.»

(“A Bola”, 26.05.1969 – Crónica de Alfredo Farinha)

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