Agosto 2010


“…MAS SÓ NO RESULTADO ACONTECEU IGUALDADE”

Estádio Conde Dias Garcia, em S. João da Madeira

Árbitro – Francisco Lobo, de Setúbal

U. TOMAR – Nascimento; Kiki, Faustino, João Carlos e Barnabé; Manuel José (89m – Raul), Calado e Cardoso; Pavão, Bolota e Fernando (71m – Camolas)

VARZIM – Sousa; Vicente, Quim, Salvador e Murraças, Nelson, Gamboa, Gomes e Duarte; Ademir (74m – Chico) e Manuel Duarte

1-0 – Calado – 17m
1-1 – Kiki (p.b.) – 81m

«Ao intervalo: 1-0.

O golo, que aconteceu aos 17 minutos, nasceu de uma imperdoável demora da defesa varzinista, com o esférico a viajar entre os pés de Murraças, Duarte e Salvador. Na sequência deste lance, e após um lançamento lateral para os tomarenses, Pavão, bem na extrema direita, centrou rápido para cima da grande área, onde Calado, elevando-se bem, cabeceou por alto e para o lado direito de um Sousa, ligeiramente adiantado.

No segundo tempo: 0-1.

Faltavam nove minutos para o termo do encontro quando Kiki restabeleceu a igualdade. A jogada teve início em Quim que, completamente rodeado de adversários, deu o esférico a Chico, e este, na circunstância descaído sobre o lado direito, fez o cruzamento largo, na tentativa de solicitar qualquer companheiro. Mas o facto é que nenhum varzinista apareceu, falhando Faustino o corte de cabeça, de forma a não deixar hipóteses ao lateral direito nabantino, que de surpresa viu a bola bater-lhe no pé direito e encaminhar-se, sobre a relva, para o lado esquerdo de Nascimento, batido já pelo erro do seu camarada.

Nestes últimos quarenta e cinco minutos houve três substituições: assim, no União de Tomar, aos 26 e 44 minutos, Camolas e Raul renderam respectivamente Fernando e Manuel José, enquanto no Varzim, aos 29 minutos, Chico ocupou o lugar de Ademir.

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Muita gente no airoso anfiteatro da Sanjoanense. Poder-se-à dizer que o Campo Dias Garcia esteve nos seus dias grandes, apenas no topo norte se notando raras clareiras. O mais, era público entusiasta, torcidas mais ou menos numerosas e mais ou menos barulhentas, dos tifosos do Varzim e do União de Tomar.

A tornar mais belo esta já maravilhoso cenário, juntaram-se o colorido das bandeiras e a luminosidade de um Sol, a quem foram marcadas muitas faltas no mês que passou.

Logo de início, e atendendo que aos varzinistas só servia a vitória, algo não se passou como se aguardava e seria mais que lógico aguardar. Foi o seguinte: os poveiros deixavam apenas dois homens na dianteira, Ademir e Manuel Duarte, pois que, quando todo o mundo previa um rompante, breve que fosse dos homens do Varzim, pode observar-se que eram os nabantinos os mais afoitos.

Não vamos, de modo nenhum, criticar o sistema táctico que Germano Figueiredo idealizou para o jogo de ontem à tarde. Não, apenas diremos, pelo que vimos, que o União de Tomar, ao longo dos quarenta e cinco minutos iniciais, foi a melhor equipa sobre o terreno, o onze melhor estruturado e com melhores executantes.

Pondo em prática um «4x3x3» sempre sujeito a alterações de circunstância, os nabantinos sempre deram a ideia de se superiorizarem largamente a um adversário nervoso, falho de imaginação, sem capacidade ofensiva.

Logo aos 2 minutos, no seguimento de um centro de Fernando, Calado, em golpe de cabeça, rematou com defeito. Era este lance a primeira jogada a causar «frisson», a primeira hipótese de golo para os pupilos de Fernando Cabrita.

Dentro ainda dos primeiros quinze minutos, quarto de hora este sempre favorável aos tomarenses, melhor em todos os aspectos, e à parte um tiro de João Carlos que obrigou Sousa a estupenda defesa, o jogo desenvolvia-se sobre o centro do relvado, onde ao esclarecimento do União de Tomar, se opunha, como quem diz, um meio campo poveiro complicativo, lento, a valer-se unicamente da capacidade técnica de Edmundo Duarte e Eduardo Gomes.

Mas, bem vistas as coisas, a culpa do inêxito poveiro não deve assacar-se aos seus médios, antes a um ataque que não existiu. Ademir e Manuel Duarte, desacompanhados, sempre em inferioridade numérica em relação aos seus antagonistas, apenas lutavam, embora o primeiro tivesse jogado mal de mais, para se poder fé da sua exibição.

Do lado contrário, tudo era bem diferente. Em lucidez, em apoio, havia futebol.

O lance vindo da defesa, seguia os seus trâmites, tinha seguimento em todos os sectores. Nada era fruto do improviso.

Com a bola sempre rente ao solo, jogada ao primeiro toque, os nabantinos adregavam vantagem em todas as zonas do rectângulo. Na defesa, os problemas quase não existiam. No meio campo, Manuel José, Calado e Cardoso, levavam vantagem e, na frente, Bolota, Fernando e Pavão eram sempre, em todas as eventualidades, sinónimo de perigo.

Ninguém se espantou, portanto, com a inauguração do marcador à saída do primeiro quarto de hora, pois isso não era mais que o coro[lário] […] companheiro da retaguarda, dava mais futebol nos pés.

A perder, quando só lhe interessava ganhar, o Varzim empertigou-se, arregaçou as mangas e tentou mudar a face dos acontecimentos. No entanto, fê-lo de modo errado, como que a dar todas as possibilidades ao seu adversário, caindo nas mesmas pechas de que quando contra o Marinhense: bola pelo ar e afunilamento da frente de ataque. Atingiu foros de péssima a exibição dos poveiros nesta altura, até porque, depois de relativo domínio territorial, continuava a ser o Varzim um onze sem norte, sem eira nem beira, uma equipa em que os jogadores pareciam não se conhecerem de lado nenhum, cada qual a jogar a seu modo.

Sobressaiu, nesta altura do prélio, Kiki, um defesa que, com a bola, fazia muito eficazmente a catapultagem do jogo. De resto, Pavão, certíssimo nas tabelas com o seu companheiro da rectaguarda, dava a continuidade necessária ao esforço do lateral-direito nabantino. Mesmo neste pormenor, era o União de Tomar superior ao seu adversário, um adversário que já nesta altura parecia irremediavelmente na Segunda Divisão.

Só aos 42 e 43 minutos a baliza de Nascimento passou por transes de certa aflição. Primeiro, num remate de longe de Salvador, depois numa oportunidade de golo feito, que Manuel Duarte desperdiçou por falta de equilíbrio. Todavia, estes lances nasceram do acaso e não fruto de jogadas com princípio, meio e fim.

E chegou a segunda parte. Com ela, a evidente preocupação dos nabantinos de defenderem o resultado. Cabrita, por certo, aconselhara cautela e caldos de galinha. Procuraram os tomarenses deterem o mais possível a bola em seu poder. Ao mesmo tempo, na retaguarda, era notória a presença de duas cortinas de quatro homens.

Atacava o Varzim, agora com Nelson na frente. Defendia, sempre com facilidade, o União de Tomar. Os minutos passaram e a fisionomia do jogo não se alterava. De quando em quando uma finalização dos poveiros suscitava um crescendo de emoção. Recordamo-nos, por exemplo, de uma jogada Duarte-Nelson-Ademir e que este, após falhanço de João Carlos, desperdiçou. Mas foi esta, unicamente, antes do 1-1, a hipótese solitária da igualdade.

As substituições nada trouxeram de novo. Camolas quase não tocou o esférico e Chico, só, nada podia fazer.

Já muita gente abandonava o estádio, quando Kiki, em lance infeliz, traiu Nascimento.

Sucederam-se, então, nove minutos verdadeiramente espectaculares. Carregava o Varzim, defendia agora nervosamente o onze das margens do Nabão. E faltava um minuto, talvez menos, quando Barnabé, entre os postes, mandou para canto um cabeceamento de Murraças, com rótulo de golo. Foi o último cartucho de que dispunha ainda o Varzim.

O resultado acaba por não traduzir a verdade dos acontecimentos no concernente à produção futebolística, pois o 1-1 pode apenas ter apenas ter justificação na maneira briosa e nada mais com que se bateu o onze da Póvoa.

O União de Tomar, de longe melhor no primeiro tempo, teve em Nascimento um guarda-redes sempre certo. A defesa, com Kiki mais notado pelas suas incursões, formou um sector pendular. No meio-campo, todos afinaram pelo mesmo diapasão, enquanto, na dianteira, Fernando e Pavão, deram ajuda aos companheiros do «miolo», sempre a propósito, pelo que estiveram mais em evidência que Bolota, um jogador muito esforçado e não menos útil.

No que diz respeito ao Varzim, pouco há a acrescentar. Ninguém, dentro do naufrágio colectivo, e excluindo Sousa, merece destaque. A defensiva, que pareceu teimar em não entregar uma única bola jogável, teve em Salvador o elemento menos mau. Na linha média, Gomes e Duarte, cada um em sua parte tentaram remar contra a maré, ao passo que, no ataque bem… o Varzim ontem não teve ataque.

Francisco Lobo esteve certo. Podíamos, efectivamente, imputar-lhe erro num lance da primeira parte, em que Ademir fez falta sobre João Carlos – e, conquanto que o juiz-de-linha assinalasse a irregularidade, o jogo continuou até que o brasileiro foi derrubado dentro da área, na altura em que o árbitro setubalense assinalou para a primeira falta. Apenas apitou tardiamente. Pena foi que o juiz não prolongasse o jogo por mais alguns minutos. Interrupções houve que justificavam o desconto. No entanto, este assunto é do âmbito do seu critério e nada mais.»

(“A Bola”, 20.09.1971 – Crónica de Oliveira e Castro)

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                      Jg     V     E     D       G       Pt
 1º U. Tomar           3     1     2     -     4 -  1     4
 1º Leixões            3     1     2     -     4 -  1     4
 3º Marinhense         3     1     -     2     2 -  7     2
 4º Varzim             3     -     2     1     1 -  2     2

Leixões – Marinhense – 4-1 (Coimbra)
Varzim – U. Tomar – 1-1 (S. João da Madeira)

U. Tomar promovido à I Divisão Nacional; Leixões manteve-se na I Divisão; Varzim despromovido à II Divisão; Marinhense manteve-se na II Divisão.

(Imagem – “A Bola”, 20.09.1971)

A ler, também, o testemunho de João Lima sobre a época de 1970-71 (Época de 70-71 na “primeira pessoa”), em que o União de Tomar garantiu pela segunda vez – imediatamente após as duas épocas de “estreia” – a promoção ao Campeonato Nacional da I Divisão.

“DO MAU AO MUITO BOM – AS DUAS FACES DOS NABANTINOS”

Campo da Tapadinha, em Lisboa

Árbitro – Henrique Silva, de Lisboa

MARINHENSE – Manuel Joaquim; Anacleto, Virgílio, Artur, Leitão e Jacinto; Vitalino (55m – Vitor Manuel), Parada («cap.») e Ribeiro; Osvaldo (60m – Carlos Alberto) e Naftal

U. TOMAR – Nascimento; Kiki, Faustino («cap.»), João Carlos e Barnabé; Manuel José, Calado e Cardoso; Pavão, Bolota e Fernando (60m – Camolas)

0-1 – Bolota – 49m
0-2 – Calado – 63m
0-3 – Pavão – 68m

«Ao intervalo, 0-0.

O União de Tomar abriu o activo aos 49 minutos. Bolota, aproveitando um passe-centro de Pavão e beneficiando da passividade de Manuel Joaquim e Artur, introduziu a bola nas redes marinhenses.

Aos 63 minutos, excelente golo de Calado, a dar continuidade a uma solicitação de Pavão.

O resultado foi fixado aos 68 minutos. Bom passe de Calado, a solicitar a corrida de Pavão, que se libertou de Artur e, calmamente, bateu Manuel Joaquim.

Ambas as equipas efectuaram substituições. Pelo Marinhense entraram Vitor Manuel e Carlos Alberto, em detrimento de Vitalino e Osvaldo, respectivamente aos 55 e 62 minutos. O U. Tomar fez sair Fernando, aos 62 minutos, entrando Camolas.

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Ambas as equipas encararam este encontro como se algo de decisivo se tratasse. Não se estranhe, por isso, se dissermos que este estado de espírito teve uma influência extraordinária no rendimento de todos os jogadores, muito principalmente no 1.º tempo. O Marinhense, na situação de «guia» da «poule», deu logo de início a indicação de que o empate lhe servia às mil maravilhas. Efectivamente, os marinhenses deram a iniciativa de jogo aos tomarenses, limitando-se a dispor as suas «pedras» em autêntica cobertura da área. Quando os nabantinos atacavam, quase sempre Anacleto recuava para a posição de «tranca», enquanto que os três homens de meio-campo, em autêntica missão desgastadora, se incorporavam na sua defesa. Lá à frente, apenas Naftal e Osvaldo, presas fáceis para Faustino e seus pares.

Valeu à turma da Marinha Grande a maneira nervosa e nada esclarecida como actuavam os pupilos de Cabrita. «Afunilamentos» pelo centro da área, muita lentidão e tentativas individuais, eram disposições que os marinhenses «agradeciam» e iam anulando com relativa facilidade. Faltou-lhes a dose de coragem suficiente para aproveitarem esse desacerto dos tomarenses, procurando com maior insistência a área contrária. Mas o pavor era tão grande que apenas os dois avançados pareciam ter autoridade de ultrapassar a linha divisória do relvado.

Na segunda parte, com os nabantinos mais calmos, com a consciência da sua superioridade, quer táctica, quer técnica, quer como conjunto mais trabalhado fisicamente e mais explanificado, o jogo melhorou como da noite para o dia.

Aconteceu então o que o União de Tomar mostrou ao numeroso público da Tapadinha a sua outra face. Face que o pode guindar à I Divisão e discutir ou terçar armas de igual para igual com outras equipas que lá moram.

Uma melhor disposição táctica, com dois extremos mais «agarrados» à linha e… mais avançados, casos de Pavão e Fernando, maior esclarecimento de Cardoso, Manuel José e sobretudo Calado, mais lestos a desembaraçarem-se do esférico em vistosas e apropriadas solicitações aos seus companheiros da frente, uma maior calma e coligação de esforços e uma velocidade muito maior foram factores decisivos que renderam três golos e poderiam até ter rendido mais, se os nabantinos, alcançado o 3-0, não resolvessem abrandar o ritmo, enveredando pelos preciosismos. Contribuiu também para esta facilidade tomarense, a medida adoptada por António Pedro, retirando o «líbero», passando a actuar em «4x4x2». Com [o] meio-campo completamente esgotado, praticamente inexistente, a defesa a abrir brechas, mormente pelos «centrais» Artur e Anacleto, com um guarda-redes pouco inspirado, a batalhadora equipa da Marinha Grande viu ruir todas as esperanças de alcançar o premeditado objectivo.

Num cômputo geral, devemos dizer que a vitória do U. Tomar não sofre a mínima contestação. Foi a melhor equipa no terreno, em todos os capítulos, mesmo na «face má», ao longo do 1.º tempo. O Marinhense apenas se limitou a lutar e a regatear a vitória até ao primeiro golo adversário. É uma equipa que sabe lutar, em que os jogadores dão o máximo, mas em que a técnica não se entrosa.

O sr. Henrique Silva errou bastante durante o 1.º tempo e subiu no segundo. Teve um caso que nos deixou fortes dúvidas, quando, aos 10 minutos de jogo, a bola ressaltou da barra para o solo, na baliza marinhense. Os tomarenses reclamaram golo, mas o fiscal-de-linha e o próprio árbitro estavam bem colocados, como bem colocados estavam quando, por várias vezes, assinalavam ou transformavam pontapés de baliza em «cantos» ou marcavam bolas-fora quando estas não haviam transposto a linha-limite por completo. Valeu-lhe a disciplina dos jogadores.»

(“A Bola”, 16.09.1971 – Crónica de Coelho Figueiras)

(Imagem – “A Bola”, 16.09.1971)

(Imagem – “A Bola”, 18.09.1971)

                      Jg     V     E     D       G       Pt
 1º U. Tomar           2     1     1     -     3 -  0     3
 2º Leixões            2     -     2     -     0 -  0     2
 3º Marinhense         2     1     -     1     1 -  3     2
 4º Varzim             2     -     1     1     0 -  1     1

Leixões – Varzim – 0-0 (Guimarães)
Marinhense – U. Tomar – 0-3 (Lisboa – Estádio da Tapadinha)

“FORAM LIQUIDADOS OS SECTORES ATACANTES”

Estádio de Mário Duarte, em Aveiro

Árbitro – Mário Alves, de Beja

U. TOMAR – Nascimento; Kiki, Faustino, João Carlos e Barnabé; Manuel José, Calado e Cardoso (45m – Camolas); Pavão, Bolota e Fernando

LEIXÕES – Tibi; Celestino, Adriano, Nicolau I e Raul; Esteves, Geraldinho e Fernando; Horácio, Joaquinzinho (45m – Vaqueiro) e Neca

Cartão vermelho – Celestino (77m)

«Após o intervalo, Joaquinzinho, magoado, cedeu o lugar a Vaqueiro e Cardoso, no União de Tomar, foi substituído por Camolas.

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A época de futebol abriu em Aveiro com chave de metal nobre. Se não de oiro, pelo menos de prata. E, assim, porque o Leixões e o União de Tomar fabricaram uma excelente partida, com um futebol algo harmonioso, viril, alegre e mesclado de lances emotivos. Os golos, valha a verdade, não surgiram. Sob tal aspecto, as culpas podem assacar-se aos compartimentos defensivos que, compenetradamente, lucidamente, souberam bater o pé aos atacantes contrários, enérgicos, pletóricos de vontade, mas inoperantes.

Aos 6 e aos 29 minutos da segunda parte, o Leixões ainda desfeiteou as redes de Nascimento e de ambas as vezes por intermédio de Horácio, mas outros tantos «foras de jogo», claros e logo assinalados pelo árbitro, invalidaram logicamente os lances. De resto, os golos, raramente estiveram à vista. Em tal capítulo, o Leixões, é exacto, viu gorado maior número de hipóteses ou oportunidades. Pelo menos e mais abertamente em dois casos contra um, pormenor a sugerir que, a haver um vencedor, ele poderia ser o Leixões…

Com efeito, a 16 minutos do início da partida, um livre de Raul, marcado a meio do meio campo tomarense, levou a bola, como uma flecha, a esbarrar na trave das balizas de Nascimento e, aos 24, Joaquinzinho, a dois passos das redes nabantinas, rematou por alto. Para cúmulo, o guardião achava-se tombado, já que momentos antes, detivera um remate forte e a recarga não menos poderosa de Neca. Por seu turno, Pavão, depois de fintar e driblar vários adversários, entre eles o próprio Tibi, atirou pela linha de cabeceira aos 18 minutos.

Poderá inferir-se que, na segunda parte, não houve ocasiões de tento à vista – assim aconteceu realmente, apesar, acentue-se, dos tomarenses, volvido o intervalo, passarem a utilizar um bem perceptível «4 x 2 x 4» ou seja, após a entrada de Camolas no terreno. Este, realmente, que substituíra Cardoso, não passou a figurar como médio, mas a fazer parte integrante do ataque. A táctica, porém, não resultou, dado as contra medidas temperadas, sem deixarem de ser eficientes, da equipa do Leixões, solerte e experiente, a lembrar a todo o instante que possui o hábito da primeira divisão.

Acentue-se, todavia, que a equipa do União de Tomar também trouxe à lembrança, em numerosos momentos, a sua ainda recente passagem pela divisão mais alta. A exibição alicerçou-se, incontroversamente, em conhecimentos técnico-tácticos e não em ardores mais ou menos susceptíveis de mascarar a ausência de autêntico mérito futebolístico. A equipa, efectivamente, e num contraste com o jogo mais miúdo e quiçá mais bonito do Leixões, executou um futebol sóbrio e com rasgadas ou fundas aberturas. No fim de contas, planificações contrastantes e, como se sabe, qualquer delas com ferverosos adeptos. Só que neste jogo nada resultou porque, a respeito de golos escorreitos, válidos, cristalinos, nada se viu no constante fluxo e refluxo da bola, de um ou outro lado do campo.

Referido como já ficou que as defesas «meteram no bolso» os sectores atacantes opostos, implícito se torna que elas brilharam neste encontro disputado perante uns dez mil espectadores, dos quais quatro mil seriam de Matosinhos e um largo milhar das margens do Nabão.

Menções individuais cabem a Nicolau I, Geraldinho, Tibi, Celestino, Adriano, Joaquinzinho e Vaqueiro, no Leixões, e a Pavão, Kiki, Faustino, Barnabé, Calado, João Carlos e Manuel José, no União de Tomar.

A arbitragem teve dois casos, mas merece nota largamente positiva. No primeiro, aos 22 minutos, as mãos de Adriano e a bola estabeleceram contacto na grande área. Os tomarenses pediram castigo máximo, mas Mário Alves, dentro do lance, terá considerado auto-defesa instintiva do jogador, uma vez que o remate fora violentíssimo e desferido de perto e nunca «mão» intencional. O segundo, quando estavam jogados 77 minutos, Celestino foi expulso por agressão a Manuel José. O árbitro não viu a falta. O jogo prosseguiu por instantes, mas o «bandeirinha» Acácio Caraça logrou chamar a atenção do juiz de campo – e o castigo foi decretado. No entanto, os leixonenses não deixaram de se lamentar abertamente, queixando-se de que, segundos antes da picardia de Celestino, este fora vítima de outra semelhante de Manuel José. Em suma, insignificante tempestade num[a] tarde alagada de Sol, incapaz de toldar o trabalho do árbitro de Beja.»

(“A Bola”, 13.09.1971 – Crónica de João Sarabando)

                      Jg     V     E     D       G       Pt
 1º Marinhense         1     1     -     -     1 -  0     2
 2º U. Tomar           1     -     1     -     0 -  0     1
 2º Leixões            1     -     1     -     0 -  0     1
 4º Varzim             1     -     -     1     0 -  1     -

U. Tomar – Leixões – 0-0 (Aveiro)
Varzim – Marinhense – 0-1 (S. João da Madeira)


(“A Bola”, 15.07.1971)

(Imagem – “A Bola”, 15.07.1971)

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