“A FORTUNA DESAMPAROU OS ALGARVIOS”

Campo de Portimão

Árbitro – José Luís Tavares, de Setúbal

PORTIMONENSE – Sebastião (62m – Daniel); Lino, Carlos, Hélio e António Luís; Arquimínio e Marinho; Ramos, Afonso, Mateus e Pacheco (64m – Miranda)

U. TOMAR – Nascimento; Fernandes, Cardoso, Barnabé e Totói; Cravo e Raul; Pavão, Tito, Manuel José e João Carlos

1-0 – Afonso – 11m
1-1 – Raul – 30m
1-2 – Tito – 54m
1-3 – Fernando – 60m

«Ao intervalo: 1-1.

Marcadores: Afonso, aos 11 minutos, pelo Portimonense; Raul, aos 30, Tito, aos 54 e Fernando, aos 60 minutos, pelo U. Tomar.

A equipa algarvia tinha absoluta necessidade de arrecadar mais dois pontos. Quem não acreditava nessa possibilidade após o comportamento francamente positivo da equipa contra o Oriental, no passado domingo?

Não nos esquecemos que a equipa visitante entrou na prova com grandes credenciais, sendo um dos mais sérios candidatos ao título, mas atrasou-se e, de momento, deve estar arredia do retorno à Divisão Maior.

Nem por esse facto deixaria de ter-se em conta as dificuldades que os donos do campo iriam experimentar, podendo, apesar de tudo, a vitória sorrir-lhes no termo da contenda.

Era esse o desfecho que todos acreditavam e que os primeiros 30 minutos bem o justificaram.

O Portimonense começou por ver-lhe negado, logo no primeiro minuto, uma grande-penalidade por «mão» nítida de um defensor nabantino. Desta forma o árbitro começou mal o seu trabalho, e como os juízes de campo revelam a sua categoria nos lances desenrolados dentro das grandes-áreas, o sr. José Luís Tavares, revelou-se um apitador vulgar. Nas áreas da verdade é que os árbitros têm de ter coragem e autoridade para se imporem aos jogadores e ao público.

Dez minutos depois, novo erro do juiz da partida, que transformou em «livre-indirecto» um «penalty» feito pela defensiva unionista, por rasteira sobre Mateus. O «livre» resultou, no entanto, no primeiro e único golo dos donos do campo.

O tento e as jogadas muito perigosas e intencionais dos algarvios, até se colocarem em vencedores e a continuidade da boa movimentação, rapidez e querer, fizeram passar a equipa de Tomar por momentos aflitivos, mas o «score» não foi aumentado até à meia-hora, em que num contra-ataque conseguiram estabelecer a igualdade.

A jogada partiu do extremo-esquerdo Fernando que, ao pretender centrar, fez a bola embater na base do poste mais longe e, no ressalto, Raul, sobre o risco, limitou-se a confirmar. Lance de sorte mas influente nos ânimos das duas equipas. O Portimonense passou para uma toada de repelões e incaracterística, desmoralizada.

Euforia, no Tomar, crença de que nada estava perdido, rapidez e entusiasmo para maiores cometimentos.

A segunda metade começou com o segundo golo dos visitantes, pois não eram decorridos 9 minutos, quando Tito, ante a lentidão do defensor António Luís, conseguiu passar a bola em arco sobre a cabeça de Sebastião.

Seis minutos depois, Fernando, recebendo um centro rasteiro da direita, com largas possibilidades do guardião local intervir, com êxito, só teve que encostar o pé para servir de tabela e ver a bola seguir para o fundo da baliza e colocar a marca em 1-3. Daniel, logo a seguir, substituiu o seu colega.

Mais tarde, Pacheco, um avançado, foi substituído por um defesa, quando se fosse possível, a equipa da «casa» necessitava de dez avançados para conseguir chegar ao empate. Com a saída de Pacheco todos os restantes componentes do sector ficaram desamparados e não mais conseguiram criar perigo às balizas de Nascimento, que se limitou, a defender bolas passadas pelos seus colegas, pois os descrentes avançados da «casa» não lhe davam grande trabalho.

O resultado está certo. O «penalty» perdoado, se fosse apontado e convertido, poderia determinar um outro desfecho.

Já dissemos algo sobre o comportamento do árbitro. Resta-nos realçar a correcção da equipa de Tomar, e lamentar a forma apática e conformista como o Portimonense encarou a situação quando os ventos da fortuna lhes viraram as costas.»

(“A Bola”, 21.12.1970 – Crónica de Jorge Santos)

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