“A FALTA DE INSPIRAÇÃO JUSTIFICOU O RESULTADO”

Estádio Municipal de Tomar

Árbitro – Carlos Dinis, de Lisboa

U. TOMAR – Nascimento (3); Kiki (2), Faustino (3), João Carlos (4) e Barnabé (3); Manuel José (3), Cardoso (2) e Calado (2); Pavão (2), Bolota (2) e Camolas (1) (65m – Fernando (2))

FARENSE – Rodrigues Pereira (4); Conceição (2), Almeida (3), Caneira (2) e Assis (2); Valdir (2), Testas (2) e Sério (3); Ernesto (3), Mirobaldo (3) e Sobral (1) (65m – Sitoe (1))

«Substituições – Entrou Sitoe (1) e saiu Sobral, e Fernando (2) ocupa o lugar de Camolas, aos 65 minutos.

Perante razoável assistência defrontaram-se no Municipal de Tomar, duas equipas de aspirações idênticas e com um recorte de jogo semelhante, o que veio a transformar o jogo numa boa partida de futebol, à qual só faltaram golos, aliás a finalidade do futebol.

Os avançados de ambas as equipas, em tarde positivamente desastrada, não conseguiram levar a melhor sobre as defesas, tendo, no entanto de se realçar o maior pendor atacante da equipa tomarense, que viu no guarda-redes Rodrigues Pereira o seu maior inimigo, pois foi a grande figura do encontro, com uma exibição de grande nível, frustrando, portanto, todos os possíveis lances de golo aos tomarenses.

Com um sistema idêntico – «4x3x3» – ambas as equipas faziam o seu jogo cautelosamente, tendo os primeiros quinze minutos pertencido inteiramente à equipa tomarense, que viu perderem-se alguns remates, a maioria dos quais marcaram o início da bela exibição do guardião farense, que se mostrou seguro e de reflexos amplos, o que contribui de sobremaneira para a segurança do sector defensivo. A este período de assédio unionista o Farense respondia em contra-ataques «venenosos» e, assim, aos 20 minutos, Mirobaldo isolou-se e se Nascimento não foi rápido a sair aos seus pés, quase permitindo um golo que poderia ter dado um cunho diferente à partida.

Sensação de golo feito surgiu aos 32 minutos, quando Calado, a cerca de 30 metros da baliza, marcou um «livre» que levou a bola a bater no canto direito da baliza de Rodrigues Pereira, quando este se encontrava já fora do lance.

Até final do primeiro tempo o jogo foi mantendo o mesmo cariz, tendo pertencido, no entanto, mais uma ocasião de golo ao União de Tomar, quando Manuel José rematou forte, mas muito por alto.

Com o início do segundo tempo, o Farense quis dar o sinal de predisposição atacante, mas a pressão a que sujeitou a defesa unionista nos primeiros minutos não teve continuação e em breve os contra-ataques se repartiam nos dois campos.

Assim os tomarenses continuaram a ser a equipa mais em evidência, sem, contudo, os seus lances serem concretizados pela inépcia dos seus atacantes.

Cerca dos 65 minutos, o Farense, apercebendo-se do facto do União estar a carregar sobre a baliza de Rodrigues Pereira faz a sua única substituição, com o nítido desejo de reforçar o sector defensivo, enquanto o União fez entrar mais um atacante.

Mirobaldo teve outro remate fulgurante, que saiu à figura de Nascimento e aos 43 minutos, novamente Mirobaldo atirou ao lado, com Nascimento fora do lance. Estes minutos finais foram extraordinários, pois surgiram oportunidades que, a serem concretizadas, levariam a resultado expressivo.

Em resumo, uma boa partida de futebol, que só pecou por lhe faltarem os golos, e em que a correcção foi imperativo, não criando quaisquer problemas à arbitragem.

Analisando a equipa farense, diremos que Rodrigues Pereira foi a sua maior figura, e o seu quarteto defensivo soube aproveitar-se da bela exibição do seu guarda-redes.

Os restantes cumpriram a sua missão, sendo de realçar o brasileiro Mirobaldo.

O União de Tomar, com o conjunto muito afinado quando a defender, não foi feliz na concretização dos lances de golo, mas a equipa realizou uma boa exibição para o qual melhor contribuíram Nascimento, João Carlos, sempre certo nos cortes, e Manuel José na sua posição de médio livre, que foi inexcedível em presença física.

Quanto à arbitragem de Carlos Dinis, classificamo-la de boa, tendo, no entanto, para isso contribuído os jogadores que estiveram em campo.»

(“Record”, 25.01.1972 – Crónica de Luís Santos)

(Imagem – “Record”, 25.01.1972)