“HOUVE MAIS FORÇA E QUERER DO QUE JEITO E SABER”

Campo «Abel Figueiredo», em Santo Tirso

Árbitro – João Nogueira, de Setúbal

TIRSENSE – Barrigana (2); Albano (3), Luís Pinto (2), Cristóvão (2) e Viana (2); Francisco Baptista (3), Amaral (4) e Ernesto (3); António Luís (2), Chico Gordo (2) (Evaldo (1)) e Carlos Manuel (1)

U. TOMAR – Nascimento (3); Kiki (2), Faustino (2), João Carlos (3) e Barnabé (2); Manuel José (3), Dui (1) (Fernando (1)) e Cardoso (2); Pavão (1), Bolota (1) e Camolas (1)

1-0 – Amaral – 42m

«Substituições: No Tirsense, Evaldo (1) substituiu Chico Gordo; Dui e Camolas foram rendidos por Fernando (1) e Bolota (1).

1-0 – Por Amaral, aos 42 minutos, a aproveitar um «balão» na área de Nascimento.

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O tal «forcing» dos últimos, a fugirem nas últimas jornadas às últimas posições e que o Tirsense, em hora e meia de querer havia de deixar bem expresso frente ao seu público – pouco… – em tarde superior do seu meio-campista Amaral todo ele uma dávida e verdadeira entrega ao tipo de jogo que a equipa apostou em impor e que o adversário consentiu. Assim mesmo: iniciando o jogo com claras preocupações defensivas, francamente evidenciadas pela actuação de Faustino como «libero», a equipa nabantina fez um autêntico convite à «avalanche» contrária. Não enjeitando a oferta, os pupilos de António Medeiros só pecaram, entretanto, pelo pouco esclarecimento com que desciam ao meio-campo tomarense: mais em força do que em jeito, mais em nervo do que com a cabeça fria, os tirsenses não tiravam o melhor sentido prático dum domínio que com outra objectividade os podia ter conduzido a outros (ou outro…) resultado. Entretanto, nesse desnível de jogo-jogado – ou de campo ocupado… – as grandes responsabilidades recaíam na abnegação do seu duo de meio-campo onde a extraordinária voluntariedade de Amaral, pujante de força e de sacrifício, era nota  relevante e bem secundada pela que, ao mesmo tempo, era dada pelo seu companheiro Ernesto a aproveitar com frequência e com a propósito as infiltrações e descidas constantes do colega. Disparos de longe eram tentativas de romper uma muralha, eram índice de quem seguia, atento, as deambulações do mais que abnegado Amaral.

Corrigindo o sistema ou optando por outro – mais agressivo – no segundo tempo, os tomarenses tentaram, nesse período complementar, a compensação daquilo que, entretanto, lhes fugira ou que deixaram fugir. Assim, foi nítido o balanceamento da equipa para uma toada mais atacante nos derradeiros minutos e que seria ainda mais evidente a partir da altura em que os locais começavam a ceder por um débito de energia – ou de cansaço de massacre em ferro frio… – que, na ponta final podia ter atraiçoado o «onze» do Tirsense. Com Manuel José a desempenhar da melhor maneira a ligação defesa-ataque, a procurar os melhores espaços para os companheiros melhor colocados, aquele médio nabantino abria vazios numa defesa agora assoberbada e um tanto inquieta mas que nunca deixou de cumprir com relevo para Barrigana sempre atento, decidido e seguro. No entanto e neste período faltou ao «onze» de Fernando Cabrita a acutilância dos seus pontas-de-lança, normalmente a não perdoarem já que o sentido de golo salta-lhes durante o jogo. Com essa falta e porque às últimas forças os tirsenses souberam conjugar esforços, os dois pontos deixados em St.º Tirso pela equipa tomarense se não chegaram para castigar a sua inoperância ofensiva não deixam, contudo, de constituir aviso de que talvez tivesse sido melhor para a equipa ter começado como acabou: no ataque.

Entre os tirsenses merecem realce as actuações de Barrigana, Albano e Cristóvão quase a nivelarem-se ao grande Amaral que depois de uma noite a tratar-se de intoxicação deu tudo por tudo na hora e meia de jogo – um belo exemplo. Depois dele e daqueles colegas da defensiva não deixou também de ser notória a acção de Ernesto um médio de feição atacante.

No União de Tomar, Nascimento, Faustino e João Carlos, foram os de melhor inspiração num «onze» que apenas – mas bem – teve em Manuel José a percepção do ataque. É que Pavão, Bolota e Camolas formaram um terceto atacante só de nome… O que foi muito pouco.

Num jogo sem dificuldades o sr. João Nogueira, como os colegas, estiveram em bom plano.»

(“Record”, 29.02.1972 – Crónica de Gomes de Sousa)

(Imagem – “Record”, 29.02.1972)