Outubro 2010


FERREIRA DO ZÊZERE – João Ferreira, Cigano, Flávio Dinis (86m – Filipe Barnabé), Hélder Marques, Tiago Joaquim, Filipe Caldeira, Pretto, Cláudio Rato, Marquito (54m – Rui Silva), Gonçalo (64m – Francisco Gomes) e António Marques

U. TOMAR – André Costa, João Marinheiro, André Roriz, Fábio Marques, Fábio Dias, Paulo Godinho, Hugo Melo, Paulo Sanches, Thiago Favero (58m – Mauro Santos), Nuno Veríssimo (55m – André Ferreira) e Nélson Santos (81m – Fred Du Val)

(suplentes – João Pedro Lopes, Pedro Figueiredo, Bruno Trindade e João Carvalheiro)

1-0 – Gonçalo – 25m
1-1 – Thiago Favero – 41m
1-2 – André Ferreira – 62m
2-2 – Cláudio Rato – 75m
3-2 – Filipe Caldeira – 88m
3-3 – André Ferreira – 90m

Cartões amarelos – Flávio Dinis (57m) e Tiago Joaquim (69m); Paulo Godinho (23m)

Cartão vermelho – Paulo Godinho (51m)

Árbitro – José Morgado

Série 1

Pego – Tramagal – 0-2 (folgou U.Chamusca)

1º Tramagal, 3; 2º U. Chamusca, 0; 3º Pego, 0

Série 2

Amiense – Mindense – 5-3 (folgou At. Pernes)

1º Amiense, 3; 2º At. Pernes, 0; 3º Mindense, 0

Série 3

Emp. Comércio – Moçarriense – 0-1 (folgou Ouriquense)

1º Moçarriense, 3; 2º Ouriquense, 0; 3º Emp. Comércio, 0

Série 4

Ferreira Zêzere – U. Tomar – 3-3 (2-3 g.p.) (folgou Cid. Ferroviária)

1º U. Tomar, 1; 2º Ferreira Zêzere, 1; 3º Cid. Ferroviária, 0

Série 5

U. Abrantina – Alferrarede – 5-0 (folgou Mação)

1º U. Abrantina, 3; 2º Mação, 0; 3º Alferrarede, o

Série 6

Torres Novas – Assentiz – 7-1 (folgou Meiaviense)

1º Torres Novas, 3; 2º Meiaviense, 0; 3º Assentiz, 0

Série 7

Goleganense – Atalaiense – 1-0 (folgou Alcanenense)

1º Goleganense, 3; 2º Alcanenense, 0; 3º Atalaiense, 0

Série 8

Vasco da Gama – At. Ouriense – 0-3
Caxarias – Cercal – 2-1

1º At. Ouriense e Caxarias, 3; 3º Cercal e Vasco da Gama, 0

Série 9

Barrosense – Glória Ribatejo – 3-2 (folgou Benavente)

1º Barrosense, 3; 2º Benavente, 0; 3º Glória Ribatejo, 0

Série 10

Salvaterrense – Porto Alto – 2-1 (folgou Samora Correia)

1º Salvaterrense, 3; 2º Samora Correia, 0; 3 Porto Alto, 0

Série 11

U. Almeirim – Fazendense – 0-2 (folgou Coruchense)

1º Fazendense, 3; 2º Coruchense, 0; 3º U. Almeirim, 0

Série 12

Pontével – Marinhais – 0-2 (folgou Cartaxo)

1º Marinhais, 3; 2º Cartaxo, 0; 3º Pontével, 0

“PROGRESSO EM LIBERDADE – ESTRATÉGIA DOS ÚLTIMOS”

Estádio Municipal de Tomar

Árbitro – Melo Acúrsio, do Porto

U. TOMAR – Nascimento (2); Kiki (1), Cardoso (2), Faustino (2) e Fernandes (2); Raul (2); Manuel José (3) e Fernando (3); Raul Águas (3), Bolota (3) e Pavão (3)

BEIRA-MAR – Domingos (0); Ramalho (0) (45m – Cléo (0)) (53m – Bragança (1)), Inguila (0), Soares (0) e Severino (0); Colorado (1), Marques (0) e Almeida (1); Adé (1), Edson (1) e Alemão (1)

1-0 – Pavão – 7m
2-0 – Fernando – 21m
3-0 – Raul Águas – 48m
3-1 – Alemão – 51m
4-1 – Fernando – 70m
5-1 – Raul Águas – 73m
6-1 – Pavão – 79m
7-1 – Raul Águas – 84m
8-1 – Bolota – 90m


«Substituições – Duas, e ambas na equipa de Aveiro; ao intervalo Ramalho cedeu o seu lugar a Cléo (0) o qual, lesionado ao[s] 53 m, acabou por sair, sendo então substituído por Bragança (1).

Resultado ao intervalo: 2-0.

1-0 aos 7 m: passe de Manuel José para Pavão que, à entrada da área, disparou forte batendo Domingos.

2-0 aos 21 m: Raul Águas fez chegar a bola a Fernando que a recebeu parado, e parado arranca forte pontapé, mesmo de fora da área, que leva a bola a anichar-se no ângulo superior direito da baliza de Domingos.

Na 2.ª parte: 6-1.

3-0 aos 48 m: lançamento de Manuel José para Bolota, este recebe a bola mesmo à entrada da área e na impossibilidade de vencer a oposição de um defesa de Aveiro que lhe barra a passagem volta a cedê-la a Raul Águas que na passada atirou obtendo um golo de excelente efeito.

1-3 aos 51 m: fuga de Alemão, sai-lhe Nascimento ao caminho, voa-lhe aos pés, mas o brasileiro furtou-lhe a bola, desviou-a para a esquerda na procura de melhor ângulo, e atirou depois fazendo golo.

4-1 aos 70 m: passe de Bolota para Fernando que remata de pronto acabando a bola por sofrer um ligeiro desvio de trajectória ao embater em Inguila, o suficiente, todavia, para iludir Domingos e levá-la ao fundo das balizas.

5-1 aos 73 m: centro da esquerda, de Fernandes, tirado mesmo de cima da linha de cabeceira, a defesa do Beira-Mar, apática, não tenta o corte, e Raul Águas saltando de cabeça faz o golo.

6-1 aos 79 m: fuga de Bolota pelo lado direito, concluída com um centro bem medido para Pavão já de cima da linha de cabeceira, o qual, em posição frontal à baliza não teve dificuldade em fazer o golo.

7-1 aos 84 m: lançamento por alto de Pavão para Raul Águas e cabeceamento em voo do angolano, mesmo à boca da baliza, batendo Domingos.

8-1 aos 90 m: lançamento de Manuel José para Bolota que corre lesto para a baliza, dribla o guarda-redes, que entretanto lhe sai ao encontro e faz o golo atirando quase de cima da linha de baliza.

———-

Existia ali, vagamente, um risco para o Beira Mar. Que, se perdesse, poderia ganhar um lugar na «Liguilla», coisa que não constituiria prémio que interessasse sobremaneira aos aveirenses… Enfim, mesmo essa possibilidade era um tanto ou quanto extrema, como afinal acabou por se ver.

Extremismo, todavia, em que se não fiaram os jogadores de Aveiro. Em futebol, por vezes, o Diabo tece-as. Não fosse acontecer ali em Tomar uma surpresa com que ninguém contava…

Terá sido essa insegurança, essa intranquilidade que lhe advinha, afinal, da própria posição que ocupava aliada por outro lado à convicção da debilidade do adversário, que empurrou abertamente para o ataque uma equipa que como o Beira Mar perfilha abertamente os sistemas defensivos não costumando dispensar, mesmo a jogar no seu terreno, a recusa ao «libero».

Ali, em Tomar, não existia nada para defender. O que importava, isso sim, era assegurar a vitória no jogo, garantir os dois pontos, resolver, enfim, aquela malfadada questão da «Liguilla». Se possível sem a ajuda de ninguém. É que as vezes as desajudas aparecem de onde menos se as espera. E senão veja-se o resultado alcançado pelo Benfica, há uma semana, na Tapadinha. Não fosse o Montijo…

Depois, para espevitar os de Aveiro estavam os de Tomar do outro lado. Tomar que vinha somando resultados maus em cima de maus resultados. Pois agora era chegada a altura de o Beira Mar tirar o partido devido dessas facilidades de que de resto já tinham beneficiado muitas outras equipas.

Que era atacar, fazer golos, ganhar o jogo a preocupação dos de Aveiro foi facto que ficou patente logo desde os primeiros minutos. E isso porque:

– O Beira Mar, contrariamente à estratégia que costuma utilizar nos jogos fora, renunciou desta vez ao «libero»;

– Por outro lado utilizou sistematicamente durante a primeira metade do jogo as descidas dos «laterais» Ramalho e Severino, não alternativamente, tal como manda a boa prudência, mas cumulativamente.

Que consequências resultaram daqui? Muitas, e nenhuma delas favorável à equipa aveirense que frequentemente se via na situação de ter de defender com três (Marques recuava a dar cobertura a Inguila e a Severino) em lugar dos cinco que constituem o processo habitual.

A partir daqui facilmente se poderá inferir da desorganização e depois desorientação que chegou a grassar na defesa de Aveiro. De princípio ainda o sistema funcionou bem, com o Beira Mar a atacar e a carregar sobre a baliza de Nascimento. Mas esse funcionar bem não resistiu mais do que uns escassos minutos. Porque logo o União descia em rápido contra-ataque e obtinha o seu primeiro golo, facilitado, aliás, pela defesa adversária e mesmo pelos homens do meio do campo, que não procuravam marcar os avançados de Tomar. A bem dizer todo o espaço de terreno compreendido para além da grande área constituía zona livre. Só se esqueceram que também de fora da grande área se podem fazer golos…

Aos 7 m já havia 1-0, golo obtido por Pavão, com forte remate disparado (sem estorvo) de fora da área. Aos 15 m o resultado mantinha-se mas com manifesta dose de sorte por parte dos de Aveiro, que tinham visto dois remates de Tomar (disparados de fora da área, claro…) passarem ao lado da sua baliza.

Não se davam, todavia, por convencidos – e continuavam na sua, insistindo lá à frente, procurando o golo com quanta energia tinham. – mal podendo imaginar ainda que seria esse entusiasmo, esse afã de ganhar, e por outro lado uma certa dose de excesso de confiança, de que por muito tempo fizeram alarde , que lhes viria a custar uma vitória que em princípio se reputava ao seu alcance. Tem destas coisas o futebol!

Aos 21 minutos veio o segundo golo – que, enfim, bem poderia ter chegado um bocado mais cedo. E a partir daí, sim, as coisas complicaram-se decisivamente para os de Aveiro, que nunca mais conseguiram atinar com o futebol que já se lhes tem visto jogar.

Tudo começou por um equívoco de estratégia – não resultando as incursões de Ramalho e de Severino, aliás dois «laterais» cheios de boa vontade (só que boa vontade não faz golos) esses adiantamentos vinham criar cá atrás «brechas» que os seus companheiros nunca se mostraram capazes de tapar. Daí os sucessivos e desesperados recuos de Inguila, de Marques e de Soares, daí o à-vontade, a liberdade de acção de que gozaram praticamente durante todo o jogo Fernando, Bolota, Raul Águas e Pavão. Tanta liberdade, necessariamente, não poderia conduzir a nada de bom…

Depois do intervalo as coisas precipitaram-se com o terceiro golo dos tomarenses, obtido logo no minuto terceiro, aqui também com responsabilidades para a defesa de Aveiro. E foi o estado de sítio que mais e mais se acentuava à medida que o jogo caminhava para o fim.

Ali já ninguém mais pensava em virar o resultado. Ou melhor: terão pensado nisso quando Alemão fez 1-3. Mas foi sol de pouca dura porque ao 3-1 sucedeu o 4-1 e dpois o 5-1 e o 6-1… até ao 8-1. Enfim, não apareceu nem o 9.º nem o 10.º golo porque o jogo tinha só 90 minutos. Porque se metesse prolongamento por certo que a contagem não ficaria por ali…

De tudo isto, de todo este rosário de golos (houve-os para todos os gostos) uma coisa (inesperadamente) ressaltou: a capacidade da equipa de Tomar.

É evidente que exibições como a de agora e como a da Luz vai para algumas semanas não podem acontecer sempre durante um campeonato. Mas mesmo encarando-a pelo prisma da excepção, mesmo tomando em linha de conta que foi também excepcionalmente negativa a exibição da equipa de Aveiro, sem qualquer espécie de dúvidas capaz de produzir mais e melhor, ainda assim há que valorizar devidamente o triunfo dos homens do Nabão, aplaudir sem regateio este último brilharete na I Divisão e enfim, admitir que se não fossem certas circunstâncias que em determinados momentos bastante pesaram no rendimento da equipa havia ali madeira não já (é evidente) para garantir os tais lugares do topo que o meirinesco Medeiros reivindicava mas pelo menos para tornar possível a presença entre os grandes.

Em trinta jogos de campeonato o União encontrou apenas um domingo de tranquilidade – o último, pois qualquer que fosse o resultado que adregasse no jogo com o Beira Mar isso não teria a mais leve influência na sua classificação. Pois foi precisamente nessa jornada derradeira, jogando sob tais auspícios, que os tomarenses deram um ar da sua graça, construiram um resultado que não oferece margem para dúvidas, e quase marcaram mais golos do que ao longo das 29 jornadas de Campeonato. Isto é sintomático!

Quanto ao Beira-Mar, perdendo, sofrendo mesmo uma goleada, garante a permanência na I Divisão sem necessidade de recurso à «Liguilla», e esse era afinal, o grande objectivo da equipa.

Foi muito «mau» aquilo em Tomar? Foi. Foi tudo muito mau. Tão mau que apenas dois homens, a espaços (muito espaçados…) escaparam ao descalabro geral: Colorado e Alemão. É pouco, Muito pouco. Mas para o Beira Mar assim mesmo foi quanto bastou. E como, afinal, em futebol ainda são os resultados que contam…

Dirigiu a partida o árbitro portuense Melo Acúrsio. Erros? Teve-os alguns, sim senhor, mas simples questões de pormenor, nada afinal que comprometesse ao de leve que fosse o seu bom trabalho. E, que Diabo, num jogo daqueles, em que uma equipa derrota outra por margem tão pesada, quem é que consegue sair comprometido, quem?

Oito golos dão para tudo…»

(“A Bola”, 12.06.1973 – Crónica de Carlos Sequeira)


(Imagem – “A Bola”, 12.06.1973)

                            Total               Casa            Fora
                   Jg  V  E  D    G    Pt   V  E  D   G     V  E  D   G
 1º SL Benfica     30 28  2  - 101-13  58  15  -  - 66- 6  13  2  - 35- 7
 2º CF Belenenses  30 14 12  4  53-30  40  11  3  1 33-14   3  9  3 20-16
 3º VFC Setúbal    30 16  6  8  65-26  38  12  2  1 46- 4   4  4  7 19-22
 4º FC Porto       30 15  7  8  56-28  37   9  3  3 33-12   6  4  5 23-16
 5º Sporting CP    30 15  7  8  57-31  37  11  -  4 34-11   4  7  4 23-20
 6º VSC Guimarães  30 11 11  8  38-38  33   8  6  1 24-11   3  5  7 14-27
 7º Boavista FC    30 12  7 11  41-47  31   9  4  2 27-16   3  3  9 14-31
 8º GD CUF         30 11  8 11  38-37  30   7  3  5 22-17   4  5  6 16-20
 9º Leixões SC     30 11  8 11  32-45  30   7  6  2 24-16   4  2  9  8-29
10º FC Barreirense 30  9  7 14  43-64  25   6  5  4 27-28   3  2 10 16-36
11º SC Farense     30  8  8 14  27-53  24   8  4  3 20-19   -  4 11  7-34
12º SC Beira-Mar   30  5 13 12  27-57  23   2  9  4 13-15   3  4  8 14-42
13º Montijo        30  9  5 16  29-47  23   7  3  5 15-11   2  2 11 14-36
14º U. Coimbra     30  5  7 18  22-54  17   5  4  6 15-20   -  3 12  7-34
15º Atlético CP    30  4  9 17  27-52  17   3  6  6 17-21   1  3 11 10-31
16º UFCI Tomar     30  6  5 19  35-69  17   6  3  6 25-29   -  2 13 10-40

Belenenses – Barreirense – 4-2
Setúbal – Sporting – 2-0
Porto – U. Coimbra – 3-0
U. Tomar – Beira-Mar – 8-1
Farense – Boavista – 2-0
Guimarães – Leixões – 2-1
Benfica – Montijo – 6-0
CUF – Atlético – 2-1

Despromovidos à II Divisão – Atlético e U. Tomar
Torneio de competência (liguilla) – Montijo e U. Coimbra (despromovido); Oriental (promovido) e Varzim
Promovidos da II Divisão – Académica e Olhanense

Apurado para a Taça dos Campeões Europeus – Benfica
Apurados para a Taça UEFA – Belenenses e Setúbal
Apurado para a Taça dos Vencedores de Taças – Sporting (vencedor Taça Portugal)

(Imagem – “A Bola”, 14.06.1973)

U. Tomar – Casa Pia – 0-3
Sertanense – Cultural Pontinha –  1-5
Sacavenense – B. C. Branco – 3-1
Marinhense – Odivelas – 2-1
Torreense – Ac. Santarém – 4-1
Alverca – Loures – 4-0

1º Casa Pia, 19; 2º Torrense e Ac. Santarém, 15; 4º Odivelas, Sacavenense e Alverca, 14; 7º Cultural Pontinha e Marinhense, 11; 9º Loures, 10; 10º B. C. Branco, 9; 11º U. Tomar, 3; 12º Sertanense, 0

“TRÊS GOLOS DE MOINHOS «ARRUMARAM» OS NABANTINOS”

Estádio do Bessa, no Porto

Árbitro – Ismael Baltasar, de Setúbal

BOAVISTA – Vitor Cabral (2); Bernardo da Velha (1), Mário João (2), Barbosa (2) e Lobo (3); Branco (3), Taí (3) e Acácio (3); Moinhos (3), Moura, «capitão» (1) e Salvador (2)

U. TOMAR – Nascimento (2); Faustino (2); Kiki (1), Cardoso (1), Raul (1) (45m – Bolota (2)) e Fernandes (1); Pavão (2), Raul Águas (2) e Manuel José, «capitão» (1); Camolas (1) e José do Carmo (1) (62m – Caetano (1))

1-0 – Moinhos – 27m
2-0 – Moinhos – 33m
2-1 – Bolota – 52m
3-1 – Moinhos – 68m


«Substituições: duas apenas, ambas efectuadas pelo União de Tomar e ambas no segundo tempo. A primeira, quando a equipa regressou da cabina, saindo Raul e entrando Bolota (2), a segunda aos 17 minutos, saindo José do Carmo e entrando Caetano (1).

Resultado do primeiro tempo: 2-0.

1-0 aos 27 minutos, por Moinhos. Golo bem preparado, com a bola a correr de Moinhos para Acácio e deste para Salvador. Salvador embrulhou-se com [o] esférico, mas acabou por o empurrar para a baliza. Acorreu um defensor, mas Moinhos mais lesto, foi quem veio a empurrar a bola para o golo.

2-0 aos 33 minutos, por Moinhos. Moinhos foi lançado que correu com a bola, flectiu para dentro, passando por entre dois defesas e quando Nascimento se adiantou, com um toque suave, bateu o guardião contrário.

Resultado do segundo tempo: 1-1.

2-1 aos 7 minutos, por Bolota. Pavão, depois de ser lançado, efectuou um centro do lado direito. Camolas, na passada, tocou o esférico para Bolota e este, com um toque ligeiro, alcançou o tento.

3-1 aos 23 minutos, novamente por Moinhos. Branco recebeu o esférico de Acácio e lançou Moinhos, o qual, isolado pelo passe do companheiro, rematou forte, da direita para a esquerda, obtendo o seu terceiro golo e fixando o resultado da partida.

———-

Em situação delicada na tabela da classificação, a equipa do União de Tomar tingiu de cautelas o começo da partida que ontem disputou, contra o Boavista, no Estádio do Bessa. Com Faustino jogando liberto de marcação a qualquer adversário, entre Nascimento e quatro defesas, e Raul Águas no miolo do campo, para se meter entre Camolas e João do Carmo, os dois jogando junto das linhas laterais, bem abertos, a clara intenção do processo nabantino era a de impedir o golo adversário, procurando chegar a ele em contra-ataques rápidos. O caso, porém, é que o «onze» forasteiro não passou da intenção, sem embargo de chegar quase à meia-hora com o resultado inicial, a despeito do domínio territorial «axadrezado», de antemão oferecido pelo antagonista, que fechara, todavia, todos os caminhos que poderiam levar até à baliza de Nascimento.

Na equipa da casa, Acácio foi então quem mais lutou para vencer a tenacidade defensiva dos visitantes, adiantando-se pelo seu corredor ou metendo-se para dentro, mas toda a sua lúcida actuação acabou por fracassar antes do remate final ou já neste, transviado em demasia.

Com o Boavista ao ataque, não surgiram, também, ensejos para o contra ataque adversário, lento em demasia a passar das suas cautelas defensivas para um contra-ataque que, sem rapidez, não lograva fazer oscilar a defensiva local onde o poder atlético de Mário João e de Barbosa ganhava os lances sem dificuldade.

Durante mais de vinte minutos, o futebol praticado foi pobre, sem emoção e sem beleza, pese embora toda a acção de Acácio, vivo e azougado, pisando bem o terreno, reagindo francamente ao ataque.

De repente, porém, o Boavista carregou no acelerador e deu cabo da sistematizada e reforçada defesa de Tomar. Aos golpes de Acácio juntou-se a velocidade de Moinhos e a isso ainda se somou a boa visão dos lances por parte de Branco, que sabe de sobra como enfunar as velas de Moinhos, pondo-lhe a bola a correr na sua frente.

Moinhos iniciou o lance do primeiro golo, que depois de ter estado à vista parecia já impossível. Mas a sua velocidade de pernas permitiu-lhe ir ainda aproveitar o lance e marcar o tento.

Subiu claramente o Boavista, mais rápido, mais versátil e de muito maior imaginação. Acácio perdeu o segundo golo, concluindo com um remate ao lado uma jogada toda ela feita ao primeiro toque. Mas o novo tento tardou pouco. Branco lançou Moinhos e este, em corrida e com a bola controlada, na sua jogada típica, passou por dentro do central que o marcava e por fora o companheiro que dobrava o defesa batido, culminando o seu vertiginoso «slalon» com um toque pleno de subtileza, quando Nascimento se adiantava desesperadamente para a tentativa de defesa, que não resultou.

Ainda houve outro lance de golo, quando um corte de Barbosa levou o esférico a Salvador. O cruzamento deste levou a bola a Moinhos, que passou Nascimento, de novo a adiantar-se, tocando o esférico para dentro mas de forma a bater na base do poste mais próximo, precisamente ao lado de fora.

Embora adiados, os golos do Boavista acabaram por aparecer, não surgindo, porém, qualquer contra-ataque perigoso do União de Tomar, que o conduzisse ao golo ou pelo menos a situação de apuro para a baliza de Vitor Cabral.

Daí que os forasteiros regressassem para o segundo tempo com outro sistema, assente em menos cautelas defensivas e visando já um maior poder atacante. A saída de Raul levou Faustino para o grupo dos quatro defesas e a entrada de Bolota deu outra dimensão ao ataque, acompanhada também pelo avanço de Pavão no lado direito.

Daqui resultou um despique mais amplo, já a todo o comprimento do terreno e não só em metade do campo, como sucedera inicialmente. E como o «onze» visitante cedo chegou ao golo, aliás em lance bem esquematizado, com solicitação ao extremo, centro recuado deste e toque de Camolas para a frente, apanhando a defesa nos dois golpes, sempre em contra-pé, a partida ganhou outro interesse.

Todavia, a superioridade do Boavista não chegou sequer a ser posta em dúvida, a despeito deste perder, de imediato, dois golos. No primeiro lance, a bola foi a Branco e o centro, com o esférico rente à relva, chegou a Moura, o qual, a dois metros da baliza, e com o pé de dentro acabou por levantar excessivamente o esférico. No segundo, perdeu-se o que era capaz de ter sido o mais espectacular dos golos do encontro. Acácio, com Moinhos a internar-se a solicitar o passe, pôs-lhe a bola a correr à frente. Passado o defesa, na corrida, e driblando Nascimento, que se adiantara, o remate de Moinhos veio a sair ao ladinho do poste, com a baliza desguarnecida.

O terceiro golo apareceu mais tarde, aliás com naturalidade. Branco «viu» outra vez o lance mais aconselhável e pôs o esférico em Moinhos, isolando-o na área. Desta feita, Moinhos não perdoou e fez o seu terceiro golo.

O vencedor estava achado, aliás com todo o mérito. A solidez defensiva, assente na autoridade de Mário João e Barbosa, começara por justificar mais merecido e mais meritório ainda em função de toda a tarefa catalizadora de Branco, Taí e Acácio, um meio-campo hábil, talentoso, sempre em movimento, que se fartou de empurrar o ataque, onde Moura andou um pouco perdido e Salvador não conseguiu atingir o nível habitual. Moinhos, porém, marcou por todos, ainda que tivesse a ficado a dever golos a si próprio.

É certo que, à entrada do quarto de hora final, na sequência de um desentendimento da defesa contrária, Bolota acabou por ficar só diante da baliza, apenas com Vitor Cabral na sua frente. O remate fez subir por demais o esférico e a hipótese dos 3-2, claríssima, veio a perder-se, perdendo-se também, por certo, um final mais emotivo. Mas nos nabantinos, sem força de ânimo para superar as contrariedades, vencidos já por toda uma série de maus resultados anteriores, a que se juntava em definitivo a derrota evidentemente, ficou ainda a coragem para lutar, lutar sempre, com afinco e determinação mas sem a convicção que resultaria de uma situação mais tranquila na tabela da classificação.

Não houve outra hipótese de golo, com o Boavista a actuar já em jeito de tranquilidade e o adversário a lutar «à pressão», aplicado mas sem serenidade e também sem forças.

Assentou a acção mais certa dos vencedores no meio-campo, através do qual Mário João e Barbosa foram quase impecáveis, e à frente dos quais Moinhos foi simplesmente demolidor.

Nos vencidos, a acção de Pavão e Bolota esteve na base dos melhores lances ofensivos do segundo tempo, que foi o período em que Tomar atacou de facto.

Certa e facilitada pela correcção da luta, a arbitragem de Ismael Baltasar, que não teve qualquer problema durante toda a partida.»

(“A Bola”, 04.06.1973 – Crónica de Álvaro Braga)


(Imagem – “A Bola”, 04.06.1973)

                            Total               Casa            Fora
                   Jg  V  E  D    G    Pt   V  E  D   G     V  E  D   G
 1º SL Benfica     29 27  2  -  95-13  56  14  -  - 60- 6  13  2  - 35- 7
 2º CF Belenenses  29 13 12  4  49-28  38  10  3  1 29-12   3  9  3 20-16
 3º Sporting CP    29 15  7  7  57-29  37  11  -  4 34-11   4  7  3 23-18
 4º VFC Setúbal    29 15  6  8  63-26  36  11  2  1 44- 4   4  4  7 19-22
 5º FC Porto       29 14  7  8  53-28  35   8  3  3 30-12   6  4  5 23-16
 6º VSC Guimarães  29 10 11  8  36-37  31   7  6  1 22-10   3  5  7 14-27
 7º Boavista FC    29 12  7 10  41-45  31   9  4  2 27-16   3  3  8 14-29
 8º Leixões SC     29 11  8 10  31-43  30   7  6  2 24-16   4  2  8  7-27
 9º GD CUF         29 10  8 11  36-36  28   6  3  5 20-16   4  5  6 16-20
10º FC Barreirense 29  9  7 13  41-60  25   6  5  4 27-28   3  2  9 14-32
11º SC Beira-Mar   29  5 13 11  26-49  23   2  9  4 13-15   3  4  7 13-34
12º Montijo        29  9  5 15  29-41  23   7  3  5 15-11   2  2 10 14-30
13º SC Farense     29  7  8 14  25-53  22   7  4  3 18-19   -  4 11  7-34
14º U. Coimbra     29  5  7 17  22-51  17   5  4  6 15-20   -  3 11  7-31
15º Atlético CP    29  4  9 16  26-50  17   3  6  6 17-21   1  3 10  9-29
16º UFCI Tomar     29  5  5 19  27-68  15   5  3  6 17-28   -  2 13 10-40

Barreirense – CUF – 3-2
Sporting – Belenenses – 1-0
U. Coimbra – Setúbal – 0-0
Beira-Mar – Porto – 1-1
Boavista – U. Tomar – 3-1
Leixões – Farense – 1-1
Montijo – Guimarães – 1-1
Atlético – Benfica – 0-0

Página seguinte »