“VITÓRIA À TANGENTE E VIVA O VELHO (EUSÉBIO)…

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro – Armando Paraty, do Porto

BENFICA – José Henrique (3); Artur (0), Malta da Silva (1), Messias (1) e Adolfo (1); Vitor Martins (1), Toni (2) e Simões (3); Nené (1), Artur Jorge (1) e Eusébio (3)

U. TOMAR – Silva Morais (2); Kiki (1), João Carlos (3), Faustino (3) e Fernandes (2); Cardoso (3), Pedro (2) e Manuel José (3); Pavão (2) (69m – Bolota (1)), Camolas (2) (45m – Raul Águas (1)) e Fernando (3)

1-0 – Eusébio – 22m
1-1 – Fernando – 48m
2-1 – Eusébio – 78m

Cartão vermelho – Artur (28m)

Pode ver aqui o golo do U. Tomar, por Fernando, entre o 1:10 e 1:45 minutos do vídeo.


«Substituições – Só no União de Tomar e ambas na segunda parte: logo após o intervalo, Raul Águas (1) rendeu Camolas e, aos 24 minutos, Pavão deu o lugar a Bolota (1).

Ao intervalo: 1-0.

Aos 22 minutos, na execução de um «livre», junto à grande área, por carga sobre ele próprio, feita por Fernandes, Eusébio, com um violento pontapé, levou a bola a tabelar na barreira e a seguir para as redes pelo lado contrário àquele para onde Silva Morais se lançou.

Aos 28 minutos, por agressão a Fernando, Artur foi expulso, reduzindo a sua equipa a dez unidades.

No segundo tempo: 1-1.

Quando iam decorridos, apenas três minutos, na segunda incursão que o ataque nabantino levou até à grande área contrária, Fernando, do lado esquerdo, arrancou um forte remate ao ângulo superior esquerdo da baliza de José Henrique, estabelecendo a igualdade.

Aos 33 minutos, por carga sobre Simões, perto da grande área, Eusébio, também de «livre» e com um pontapé em «folha seca», fez a bola passar sobre a barreira e surpreender Silva Morais, obtendo o golo da vitória do Benfica.

Resultado: 2-1.

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O momento atravessado actualmente pela equipa dos campeões nacionais, como ontem se viu na Luz e como certamente se observou nos dois anteriores jogos (Porto e Leixões), não constitui nenhum fenómeno do futebol. É natural a má «forma» que a equipa atravessa, pese, embora, não poder alinhar com os seus dois magníficos «centrais» (Humberto e Rui Rodrigues, que, num plantel de jogadores do melhor que existe no País, não serve, no entanto, como justificação para a deficiente maneira com[o] a equipa actuou ontem. E vamos lá. Até porque o União de Tomar, ao invés do que se poderia esperar, nunca se propôs lutar pela conquista dos pontos, agarrado a um sistema defensivo que pudesse contribuir para a exibição descolorida dos campeões nacionais. Não. Os nabantinos, talvez persuadidos de que não teriam grandes hipóteses de arrancar pontos, devem ter pensado mais em agradar sob o aspecto exibicional do que pela possibilidade de cometerem qualquer surpresa. Assim, sem receios, os tomarenses cedo demonstraram certo pendor para discutir a partida de de igual para igual, jogando taco-a-taco com os consagrados adversários.

No entanto, para que as coisas lhes corressem de certo modo bem, três factos podem ter contribuído para isso, se atendermos a que os factores psicológicos pesam, por vezes, mais do que as deficiências técnicas.

O jogo, neste aspecto, começou da pior maneira. Quando já as duas equipas estavam no rectângulo, para se iniciar a partida, o árbitro obrigou José Henrique a mudar de camisola, por ser da mesma cor (roxa) da de Silva Morais.

Seguidamente, para não ser só José Henrique, todos os companheiros deste tiveram de regressar à cabina para se equiparem de branco, a fim de não estabelecer confusão com o equipamento do União de Tomar.

Tudo isto acabou por levar o começo da partida a registar uma demora de 12 minutos. Não se compreende que tal suceda por motivos desta natureza, pois há obrigação, da parte do clube da casa de saber qual o equipamento utilizado pelos visitantes. Esta demora, obviamente, foi agravar ainda mais o estado de espírito da massa associativa, ainda inconformada com a recente actuação da equipa nos dois jogos disputados no Norte.

Por outro lado, por não ser possível a equipa apresentar fisicamente a frescura que lhe deu a possibilidade de conquistar, com tão grande antecipação, o título, também a exibição não podia corresponder àquilo que se esperaria como rectificação dos dois resultados anteriores.

Neste aspecto, só quem não conhece as oscilações de «forma» que todas as equipas têm de sofrer no decorrer de cada temporada, não compreenderá que esta equipa do Benfica, já com mais do dobro de jogos do que quaisquer adversários do «Nacional», portanto sobrecarregada por um exaustivo trabalho, com jogos desde o Verão, além de ser, diariamente, submetida a uma assídua e intensa preparação, que também deixa «marcas» nos jogadores, algumas mais graves do que as ocasionadas por lesões naturais, já não nos ofereça a mesma desenvoltura que uma grande maioria dos seus elementos exteriorizavam há uns bons meses.

Não surpreende, de facto, tudo que de anormal esta equipa do Benfica apresentou ontem, quer em concepção do jogo, quer em movimentação. Será estultícia de quem pensar que os campeões nacionais ainda deveriam estar no zénite que a categoria do seu plantel lhes permite alcançar em determinada altura da temporada.

Artur agravou o que já estava mal

É certo ser mais fácil jogar contra dez do que contra onze. Isto considerando o jogo de ontem pelas incidências que conheceu. Mas, há meia-dúzia de meses, talvez os nabantinos nem contra nove, desses mesmos adversários, que encontraram na partida de ontem, conseguissem auferir vantagem de tão nítida superioridade numérica.

E tanto assim que, quando ambas as equipas estavam completas, a superioridade do Benfica era só em valores, nunca havia sido em futebol-jogado, até ao momento em que Artur (irreflectidamente), procurou a expulsão, de tal modo que se apressou a abandonar o rectângulo antes de ver a cor do cartão que o árbitro lhe iria apresentar.

Simplesmente, Artur, com a sua retirada do jogo, veio agravar o muito mau já existente. E, até aí, de facto, o mal teria sido pior, sobretudo se Camolas, aos 15 minutos, houvesse sabido aproveitar uma magnífica «chance» para abrir o marcador, quando Malta da Silva, por falta de sincronização de movimentos, lhe ofereceu a baliza. Mas Camolas, talvez surpreendido com a benesse, ingenuamente atirou ao lado. Foi esta a grande primeira oportunidade de golo entre muitas que os nabantinos vieram a criar.

Essa «chance» teve, no entanto, o condão de personalizar mais os visitantes que, sabendo tirar partido das deficiências nítidas na estruturação e movimentação da equipa adversária, passaram a mandar no jogo, como se fossem eles os visitados.

Calmos, bem discernidos, com uma defesa sempre bem escalonada em todas as zonas do terreno onde houvesse de operar, da grande área até á linha do meio-campo, os nabantinos raramente perdiam as disputas de bola. E quando dela se apossavam não a largavam sem, antes, saberem para onde a deviam endossar. Daí resultou que, Nené, Eusébio e Artur Jorge, lutando contra cinco adversários, poucas vezes tiveram possibilidades de evitar, pela superioridade numérica da defesa, que esta iniciasse as jogadas de contra-ataque, não obstante na frente só andarem Camolas e Pavão, ainda que bem auxiliados por Manuel José, que, actuando atrás deles, aparecia com frequência a aproveitar-se das deixas que lhe proporcionavam as hesitações de Malta da Silva e Messias, quase sempre batidos nas jogadas de choque com Camolas, ou pelos dribles desconcertantes de Pavão.

Simões, porque Toni, no meio-campo, e Vitor Martins denunciavam  falta de força para recuperação, em auxílio dos defesas ou para auxílio aos três companheiros da frente, foi forçado a arrumar a casa, o que, não obstante todo o seu esforço, não conseguiu.

Depois de reduzida a dez unidade[s], o talentoso jogador apareceu em todo o lado, desde defesa-direito até extremo-esquerdo, tentando, de todas as formas, modificar a cariz da partida. Mas não o conseguiu, pois não encontrou número suficiente de companheiros que o coadjuvassem nessas suas vãs tentativas.

De tal maneira assim sucedeu que, quando chegou o intervalo, o Benfica tinha unicamente a sua superioridade exteriorizada no marcador. Mas, em contra-partida, José Henrique já era o guarda-redes mais em acção. Se não fora ele, talvez que o golo de Eusébio, nessa altura, não constituísse saldo favorável para a equipa.

Sobranceria a mais e antecipação a menos

Não obstante o Benfica estar com um elemento a menos, esperou-se que a equipa reagisse, até porque Toni passou a defesa-direito, mas com prejuízo para o meio-campo, onde Simões e Vitor Martins viram avolumadas as dificuldades encontradas no primeiro tempo, dado o povoamento de nabantinos nessa zona crucial do jogo.

Contra dois avançados, a defesa do Benfica continuou com quatro elementos na defesa, quando mais teria sido de aconselhar atirar com Malta da Silva para defesa, permanecendo Toni no meio-campo. Assim, com três defesas, contra um «4-4-2» que nunca se desmanchou nos visitantes, o Benfica poderia ter procurado compensar, com melhor distribuição de pedras, o equilíbrio numérico de jogadores existentes entre as equipas. Assim não sucedeu. Não admirou, pois, sobretudo após o estabelecimento da igualdade do «score», que a equipa nabantina ainda mais se fixasse numa toada de futebol de salão, escamoteando a bola de modo a poder metê-la na grande área para os seus dois «aríetes» aparecerem, em bom número de vezes, na zona frontal da baliza de José Henrique, numas ocasiões para a ver passar, sobre a barra transversal; outras a ser ele a ter de se arriscara ser batido em saídas, se não houvesse tido reflexos para, no momento oportuno, obrigar Águas, Pavão e Manuel José a chutar contra ele.

Com efeito, era tão grande a vulnerabilidade dos «centrais», que se não fosse José Henrique, talvez o Benfica houvesse perdido, no seu próprio campo, a invencibilidade que tem sido, ultimamente, um dos atractivos de maior interesse deste «Nacional».

De tal modo o perigo da queda dessa invencibilidade se visionava, que não compreendemos que a equipa não se apercebesse que todos os seus elementos teriam de tentar a antecipação, não deixando que os adversários dominassem a bola a seu belo prazer, para com trocas sucessivas e desmarcações apropriadas, tirassem nítida superioridade numérica de que desfrutavam. Ora, pelas facilidades encontradas nas discussões pela posse da bola, o União de Tomar esteve com o segundo golo mais cedo à vista do que o do Benfica, que lhe deu a vitória.

Mas mesmo quando Eusébio pôs ao serviço da equipa o talento de jogador excepcional, que ainda é, a equipa visitante continuou à procura do empate, tendo ainda José Henrique, mais uma vez, a remate de Manuel José, evitado que o terceiro anel voltasse a estremecer, como quando do golo de Fernando.

Enfim, pelas razões apontadas, o Benfica não actuou com aquela superioridade (nem se fala em superioridade) que se lhe exigia, até por ser incomensurável a diferença que separa o nível de jogo de ambas as equipas: uma há muito senhora do ceptro do futebol nacional; outra tentando evitar o abismo em que parece condenada a cair.

Absolutamente desmembrada, com alguns elementos fora do ritmo a que nos habituaram, com passes incertos e, consequentemente, processados para as zonas menos indicadas pelas posições dos companheiros, aguardando que a bola lhes aparecesse por encanto nos seus pés, esta equipa do Benfica deu-nos a ideia de ter olhado nos seus adversários com demasiada sobranceria.

Daí o nunca ter modificado o seu processo de jogo para contrariar a melhor disposição e inspiração dos adversários.

Da primeira à última jogada, realizadas pela equipa, neste de jogo de ontem, viu-se antecipadamente a frustração dos seus objectivos.

Tanto assim que a defesa nabantina, pode dizer-se que não teve grandes problemas a resolver, pois apercebeu-se cedo qual a solução que todos os seus componentes teriam.

Os que foram postos em equação por Eusébio, nas transformações de os livres que deram os dois golos, esses é que não tiveram soluções adequadas, felizmente para o Benfica e mau grado para os nabantinos.

Eusébio com os olhos em Müller

Já se disse o suficiente para se inferir não ter a equipa dos campeões nacionais jogado à altura das suas possibilidades. E também aqui se fixou qual a ideia que temos sobre essa decepção, que pode ter constituído, para todos os presentes na Luz, a descolorida exibição da maioria dos jogadores integrados na formação de ontem.

Para mal do futebol nacional, com compromissos de monte na campanha internacional que se avizinha, com efeito os elementos-base da «equipa de todos nós» já passaram o seu melhor momento na actual temporada.

Para que recuperem a tempo, será necessária uma boa recuperação, quer física, quer psíquica.

No jogo de ontem, só três elementos estiveram em evidência, número muito limitado numa equipa com as responsabilidades da do Benfica.

José Henrique, com um punhado de defesas, mostrou-se em boa forma. O que não admira, sendo um lugar de menos dispêndio físico; até por estar numa equipa que joga, normalmente, ao ataque.

Simões continua dinâmico e discernido, à altura dos grandes centro-campistas. Foi ele quem tentou tudo quanto lhe foi possível para organizar o pouco futebol bem recortado da equipa. Está até a levar longe demais a sua actividade como estratega. Mete-se em terrenos que lhe não pertencem, obrigando-o a um desgaste físico de tal modo acentuado que pode começar a abreviar-lhe a extinção das inegáveis qualidades que identificam os grandes «armadores» de jogo.

Eusébio, já com um rendimento inferior ao que se lhe conheceu nos seus bons velhos tempos, ainda é Eusébio! Evidentemente que aquelas suas irresistíveis arrancadas, que lhe proporcionaram inesquecíveis golos, já são menos frequentes. Ou os anos não contassem! Ontem, não teve só por adversário o União de Tomar, na sua retina terá andado a silhueta de Müller, o seu mais forte competidor para a «Bota de Ouro», do «France-Football». E, ao fim e ao cabo, os dois conseguiu vencer. O primeiro para manter a invencibilidade da sua equipa; o segundo para lhe fugir mais na tabela dos «goal-scores».

Perdeu-se, por vezes, em desnecessários dribles, na ânsia de bater Silva Morais, mas acabou por o bater, na execução de dois livres. Se no primeiro pôs toda a força do seu remate, no segundo retratou com exuberância o seu extraordinário talento de futebolista. Simulando um chuto em força, com os olhos fixados no poste contrário da baliza, Eusébio em «folha-seca», colocou a bola no lado oposto da baliza, deixando aturdidos todos os adversários e estupefacta toda a assistência. Mas que grande golo! Valeu o espectáculo!

Toni, só no segundo tempo, como defesa, se evidenciou, tendo realizado uma excelente jogada de infiltração, que só foi pena não ter sido concluída por Artur Jorge, da forma que desejou, ao meter a cabeça à bola. Teria sido um golo espectacular.

De resto, da defesa já ficou atrás tudo dito, ainda que se anote a menor insistência de Adolfo nas suas entradas na zona de ataque, mas também, de certo modo, por responsabilidade de Pedro, que lhe cobriu muitas vezes o caminho, bem acolitado por Kiki.

Vitor Martins e Nené terão sido, na construção de lances de ataque, os menos produtivos. Nené está pouco versátil na maneira de fugir aos adversários. Nos centros, continua a pecar, mandando a bola para o barulho, com prejuízo nítido para os companheiros chamados ao choque. Raramente centra atrasado, com os defesas em corrida para a baliza, forma mais eficiente de ocasionar remates frontais, aos elementos saídos do meio-campo, onde aparecem, inúmeras vezes, Toni, Simões e Vitor Martins e, até, Eusébio, quando vem de trás.

Artur Jorge, muito desamparado contra uma defesa bem escalonada, viu-se anulado automaticamente por carência de entregas de bola ao seu jeito. Quase passou despercebido, ainda que dois remates de cabeça ficassem a assinalar a sua presença na equipa.

Uma equipa no seu melhor jogo

A equipa nabantina, que não correspondeu finalmente às previsões de Medeiros, o astuto treinador que até há pouco esteve à sua frente, pareceu-nos estimulada por dois motivos, que iam resultando em cheio:

Primeiro: a «chicotada psicológica», que levou Enrique Vega a substituir Medeiros; segundo, o estímulo que para equipas da província sempre constitui jogar em Lisboa, contra os colossos do futebol nacional.

Daí em regra resulta todos os jogadores da equipa, dada antecipadamente como vencida, se valorizarem extraordinariamente. Foi o que sucedeu ontem com os tomarenses. E, por isso mesmo, tão certos pareceram os seus jogadores, que vimos a equipa no melhor jogo da temporada. Não obstante todos esses elementos de valorização referidos, não a considerávamos capaz de tanto.

Se Manuel José, com a sua regularíssima exibição, tendo sido das maiores figuras do jogo, não desmerecendo em confronto com a maioria dos adversários, até superando muitos em técnica e talento, confirmou em absoluto aquilo que há muito pensamos do magnífico jogador, só é pena que não tenha sido observado, para maiores voos, com olhos de ver, pois estamos perante um elemento de muito rendimento como centro-campista. De defeitos, só terá um, muito grande, pertencer a um clube modesto, dos que lutam pela sobrevivência.

Mas Pedro, João Carlos e Fernando estiveram mais em evidência numa equipa que, no entanto, primou pela homogeneidade. Dando-se o caso de todos terem contribuído para a agradável impressão que a equipa deixou ontem na Luz.

Poder-se-ão queixar os tomarenses de terem tido «chances» para tornarem mais frutuosa a sua exibição, podendo regressar a Tomar com mais alguns louros do que aqueles que conquistaram perante o público, mesmo afecto ao Benfica. Mas levaram a certeza da injustiça que constitui, actualmente, a sua periclitante posição na tabela.

Alergia aos «penalties»

Já o temos dito, por várias vezes, e não nos cansaremos de repetir, ser necessário o maior cuidado na nomeação de determinados árbitros para certos jogos.

Ontem, mais uma vez, uma deficiente arbitragem poderia ter criado mais um «caso» no futebol. E ele esteve à vista.

O sr. Armando Paraty, vindo do Porto, não se revelou com personalidade suficiente para conduzir uma partida em que possam surgir problemas.

Logo aos 10 minutos, sem compreendermos bem o motivo, mostrou o cartão amarelo a Manuel José. Julgamos que a sua decisão teria por objectivo pôr todos os jogadores em «sentido». Mas tal não sucedeu. Acabou por expulsar Artur (muito bem), mas, em contrapartida, não ligou a outros faltosos de ambas as equipas, nem sequer lhes mostrando o cartão amarelo.

Por outro lado, ao invés do que sucedeu com a aplicação da Lei para faltas inexistentes, mostrou-se de uma alergia impressionante aos «penalties».

Enquanto castigou indevidamente João Carlos, marcando-lhe falta rigorosa, o que deu ensejo ao primeiro golo do Benfica, logo de seguida admitiu que Pavão, dentro da área, em perseguição de uma bola que escapara a José Henrique, fosse ostensivamente desviado de ir ao lance.

Pouco depois, foi ainda Eusébio que, então, se viu absolutamente travado, dentro da grande área, por Fernandes, sem que se registasse a respectiva punição.

Mas para não ficarmos por aqui, já na segunda parte, Eusébio, metido na grande área, com a bola preparada para o remate, em plena corrida, voltou a ser ostensivamente derrubado, passando novamente a falta em claro.

Mas houve mais: quando o marcador ainda estava por funcionar, Camolas, num fora-de-jogo de mais de dez metros, esteve quase a desfeitear José Henrique, só não o conseguindo por saída oportuna do guardião nacional.

Além do dito, também na primeira parte, observando a Artur a necessidade de trocar de camisola, de costas absolutamente viradas para o jogo, deixou que o ataque do Benfica processasse a entrada na grande área adversária, felizmente com o remate de Artur Jorge a sair junto a um poste.

No entanto, o sr. Paraty, ao contrário do que manda a Lei, recomeçou o jogo com o pontapé de baliza, sem ter mandado executar o livre a meio-campo que precedeu a dita jogada.

Ficamos por aqui. Por onde também ficou o jogo…».

(“A Bola”, 16.04.1973 – Crónica de Severiano Correia)



(Imagens – “A Bola”, 16.04.1973)

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