Dezembro 2010


(“A Bola”, 29.05.1975)

(“A Bola”, 26.05.1975)

(“A Bola”, 19.05.1975)

“PALMAS A SÉRIO SÓ PARA PAVIC E SIMÕES”

Estádio da Luz, em Lisboa

Árbitro – Porém Luís, de Leiria

BENFICA – Bento (1) (72m – José Henrique (1)); Artur (2), Humberto (2), Messias (2) e Barros (1); Toni (2), Vitor Baptista (2) e Simões, «cap.» (2) (72m – Jordão (1)); Moinhos (2), Nené (1) e Diamantino (2)

U. TOMAR – Silva Morais (2); Kiki (1), Calado (2), Zeca (2) e Fernandes (1); Pavão (3), Cardoso (1) (72m – Fernando (1)), Raul Águas, «cap.» (3) e Florival (1) (64m – Barrinha (1)); Camolas (1) e Bolota (1)

1-0 – Nené – 10m
2-0 – Moinhos – 20m
2-1 – Raul Águas – 50m
3-1 – Diamantino – 84m

«Suplentes: José Henrique, Sheu, Bastos Lopes, Ibraim e Jordão.

Suplentes: Quim Pereira, Raul, Barrinha, Fernando e Sarmento.

Substituições (todas na segunda parte): aos 19 minutos, o U. Tomar trocou Florival por Barrinha (1), e, no minuto 27, três alterações de uma assentada, Cardoso por Fernando (1), no U. Tomar e, no Benfica, Simões e Bento por Jordão (1) e José Henrique (1). Estrondosa a ovação a Simões que, naquele momento, dez o seu adeus ao Benfica… E nem se daria por isso, se o público não estivesse atento…

Ao intervalo: 2-0.

1-0, aos 10 minutos. Excelente lance, com Simões a «abrir» para a direita, Toni a cruzar, Vitor Baptista, na grande-área, a amortecer, de cabeça, Simões a aparecer, a atrair o guarda-redes, a entregar para a boca da baliza, onde Nené, à vontade, não podia falhar…

2-0, aos 20 minutos, por Moinhos, com um remate frontal, de fora da grande área, muito bem colocado, quase rente ao solo, a um canto. A bola tabelou num poste e anichou-se nas redes.

Na segunda parte: 1-1.

2-1, aos 5 minutos, num lance entre Pavão e Raul Águas, como não poderia deixar de ser… tratava-se dos dois mais inspirados jogadores em campo. Na extrema direita, Pavão fugiu a Barros (uma vez mais), centrou e Águas, na grande-área, sozinho (zona de marcação de Artur) rematou muito bem de cabeça, de cima para baixo, bem colocada a bola a um canto, mas levando pouca força, pelo que Bento tinha tempo e mais do que tempo de «ir lá». Não foi, ficou a ver, ter-se-á fiado no golpe de vista… deu um «frango».

Aos 16 minutos, Pavão, rapidíssimo, voltou a fugir a Barros, Artur foi à «dobra» e rasteirou, claramente, Pavão – e, claramente, dentro da grande-área. «Penalty» que Florival falhou, permitindo fácil defesa a Bento, tão denunciado e tão frouxo saiu o remate.

3-1, aos 39 minutos. Centro largo, sobre a baliza, de Toni, no flanco direito, toda a defesa tomarense se preocupou com Humberto, o guarda-redes Silva Morais falhou a intercepção que sobretudo a ele competia, e, do lado de lá, Diamantino, entrando de rompante, fez o golo, quase sobre o risco de baliza.

———-

A festa benfiquista pela conquista do título aconteceu… antes do jogo. Sobretudo, o enorme prazer de ver toda aquela miudagem, no relvado dividido em três partes, a praticar futebol, râguebi e andebol. E houve a entrega das faixas, claro. E houve, sobretudo, a homenagem a Pavic. Homenagem que partiu do público. Espontaneamente. De repente, em coro, o público desatou a gritar: «Pavic! Pavic! Pavic!» – e os jogadores seguiram a vontade do público, erguendo Pavic em ombros. Homenagem na »hora H» porque, como se sabe, o Sindicato dos Treinadores portugueses de futebol acaba de tomar a decisão de vetar a permanência de qualquer técnico estrangeiro de futebol em Portugal, indiscriminadamente, sem se ater à qualidade (muita, pouca, nenhuma…) desses técnicos, ao seu passado de reconhecida valia internacional – e a qualidade, a competência profissional, meus caros, não tem fronteiras. Decisão incrível (na nossa opinião), decisão grave, e, por isso mesmo, histórica.

…Incrível (na nossa opinião) porque, na hora em que os povos de quase todo o mundo se esforçam por abrir fronteiras e não mais viverem em compartimentos estanques, há, em Portugal (e não só a nível do Sindicato dos Treinadores de Futebol – antes, aqui, talvez como reflexo de outros níveis…) quem defenda que «fechemos a cancela»… e, pelos vistos, continuemos «orgulhosamente sós». Será isto uma desdita, uma obrigatória condenação, neste País?

…Decisão grave (e, por isso, histórica) porque (não) gostaríamos de saber o que acontecerá se outros Sindicatos, de tantos outros países, tomarem idêntica posição e um milhão de trabalhadores portugueses forem postos na fronteira…

Bom, íamos em que a festa benfiquista pela conquista do título aconteceu… antes do jogo. Com o ponto mais alto na espontaneidade com que o público homenageou Pavic…, que já não cumprirá o segundo ano de contrato que tinha com o Benfica. Depois, hora e meia de futebol tremendamente insípido, quase sempre mal jogado, sobretudo por banda da equipa que tinha mais responsabilidades no espectáculo, por ser o campeão, por a festa ser sua. Mas o Benfica só jogou menos mal na primeira meia hora – e o público que até queria festa, queria «calor», queria um bom espectáculo, às tantas, entrou a bocejar que não era brincadeira nenhuma e a desabafar para o vizinho do lado que era bem melhor ter(em) ficado em casa.

…E, aqui, cabe uma chamada de atenção aos jogadores profissionais de futebol: se se quer, realmente, que o futebol profissional sobreviva no Portugal Novo (e, caramba, parece que serão precisamente os jogadores os principais interessados nisso…), não há só que rever estruturas e toda uma maneira de estar na sociedade, há que começar a pensar em que já não chega ganhar jogos e campeonatos, mas que será fundamental que se propiciem bons espectáculos a quem paga o bilhete.. Que é quem no futuro vai pagar os ordenados dos jogadores – porque o futebol vai, forçosamente, ter que passar a bastar-se a si próprio, isto é, a estar (exclusivamente) dependente das receitas que cria ou não. E as receitas baixarão (e o profissionalismo não poderá sobreviver) se o público deixar de ir aos estádios como tem ido. E, hoje (e, no futuro, mais ainda), o povo português já tem muito mais que fazer e que pensar do que o futebol. Já não vai (e, no futuro, menos ainda) ao estádio para se esquecer dos seus recalcamentos, para, ali, «explodir» as suas frustrações. Hoje, o público começa a ir aos jogos de futebol apenas para se distrair, para ver um bom espectáculo. De que, no entanto, mais tarde ou mais cedo, se desgostará, se lhe acontecer muitas vezes sair de lá a bocejar…

…Como ontem. Em que se tornou gritante que também os jogadores terão de rever mentalidades, se quiserem que a sua profissão sobreviva. Claro, houve excepções – e até há jogadores que são sempre excepções neste aspecto, para os quais todos os jogos são «a sério». E, em qualquer espectáculo pago, todas as actuações têm sempre de ser «a sério». Porque é sempre «a sério» que o espectador paga o seu bilhete. E, ontem (por exemplo), o que se viu por banda dos jogadores, sobretudo os benfiquistas (com a agravante de serem os campeões, de ser a sua festa, se ser seu o público, em esmagadora maioria, que foi lá para ver jogar o Nené e não o Bolota…), foi, passados os primeiros 20-30 minutos, displicência ao mais alto grau, no jeito de «o jogo está ganho, o campeonato está ganho, «isto» já não interessa a ninguém…». Só faltou, ao intervalo, chegar ao pé do árbitro e propor-lhe: «e se a gente acabasse já com isto?…». Só que o espectáculo não estava dado. E o espectáculo acabou por ter péssima qualidade.

Simões – o público não deixou que o seu adeus acontecesse… como se nada acontecesse

Entre as poucas excepções, por banda dos «encarnados», em matéria de aplicação e acerto, esteve Simões. Que quase sem dar por isso, fez, ontem, o seu último jogo pelo Benfica, depois de uma brilhante carreira que durou 15-16 anos. Claro, os tempos não estão para festas de homenagem, profissional é profissional, cumpre a sua missão, mas, caramba, nem «oitenta», nem «oito», e Simões não foi um jogador qualquer, no Benfica e no futebol português. O certo é que,  por mais um bocadinho, Simões tinha dito, ontem, adeus ao Benfica e ao futebol português, sem ninguém dar por isso… Mas o público não deixou. O público que, nos últimos tempos, aqui e ali, por isto e por aquilo, até se «zangou» com Simões, soube ser justo no último momento, no derradeiro segundo não se esqueceu da brilhante carreira de Simões e não deixou que ele seguisse para a cabina (substituído, a dezoito minutos do fim) como se nada de especial acontecesse… O público, de súbito, acordou do seu «bocejo» e tributou a Simões estrondosa ovação, obrigou-o a voltar atrás e ir receber os quentes aplausos, na hora do adeus ao Benfica e a uma carreira de que poucos futebolistas portugueses se poderão orgulhar.

Temos, pois, que, na hora da festa da conquista do título, as palmas a sério foram só para Simões e Pavic, e, em ambos os casos, o público foi espontâneo, prestou-lhes a homenagem que entendeu dever prestar-lhes.

O regresso de Jordão

O resto foi uma quase permanente monotonia, apenas parcialmente salva pelo esforço do União de Tomar, no primeiro quarto de hora do segundo tempo, quando esteve à beira de «virar» o resultado de 0-2 para 2-2. Com os campeões a «assistirem»… E só a entrada de Jordão, no derradeiro quarto de hora, «acordou» o público para o jogo propriamente dito, ficando, então, toda a gente «sintonizada» para o que o regressado Jordão fazia ou não fazia, claro, um quarto de hora deu para muito pouca coisa, no tocante a saber-se a condição do jogador após a grave lesão que o obrigou a  meses de afastamento. Mas ainda se lhe viram um forte «disparo» e, sobretudo, uns «toques» na passada, de quem tem muito futebol «lá dentro»…

…Como Simões também mostrou continuar a ter, fazendo, aliás, compreensivelmente, «ponto de honra» de finalizar a sua carreira no Benfica com uma das melhores actuações que terá rubricado nos últimos tempos. Bons passes, boa movimentação (começou e continuou o lance do primeiro golo, que ofereceu «em bandeja»a Nené) a deixar bem claro que até ao seu último jogo não foi titular por favor…

Ainda no Benfica, Artur teve uma excelente primeira parte, para, aqui e ali, após o intervalo, perder o norte posicional, vindo, até, a cometer um «penalty» claríssimo, por muito que tenha ficado a protestar que a falta fora fora da grande-área. O outro «lateral», Barros, que já no último domingo, em Alvalade, exibira grandes dificuldades, voltou, ontem, a transmitir a ideia de que a sua grande «forma» desapareceu. Sobretudo no segundo tempo, Pavão passou por ele como quis… Humberto e Messias também pareceram menos pujantes, mas lá foram dando conta do recado. Bento nem por isso, pois deu um «frango», enquanto, no «miolo», Vitor Baptista esteve «mexido» e com força e Toni jogou bem quando o quis fazer, para se «eclipsar» quando entendeu que «a obrigação estava feita»… No ataque, Moinhos com um pontapé inspirado (segundo golo) e com mais três ou quatro lances bem imaginados, Diamantino pouco «servido» pelos companheiros, dando quase sempre bom seguimento aos lances, mas «esquecido» durante largos períodos, e Nené… que quase sempre tratou ele de se «fazer esquecido».

Pavão e Raul Águas

Neste União de Tomar que, ontem, até teve à vista o empate (Florival falhou o «penalty» que faria o 2-2), quando reagiu após o intervalo, depois de ter feito os primeiros 45 minutos em toada muito «morna» (efeitos de a equipa ter oito ex-benfiquistas e de ser dia de festa na Luz?), dois jogadores acabaram por rubricar as melhores exibições (de longe) da tarde; Raul Águas e Pavão. Águas foi o «dono» do meio-campo, todo um «senhor» a jogar à bola, a «mexer os cordelinhos», a «meter» o esférico lá na frente e a aparecer ele próprio lá na frente, para bons disparos e… um golo, de cabeça, uma «cabeça» muito bem aplicada, de cima para baixo, a um canto «lá em baixo», como mandam as regras. Por muito que Bento tenha ficado a ver, fiado no «golpe de vista»… Pavão foi… o Nené (não o de ontem…) do União de Tomar, velocíssimo a arrancar do meio-campo pela extrema-direita, causando, desde o princípio, valentes «dores de cabeça» a Barros e, após o intervalo, acabando por desatar a passar por ele, qual «foguetão», sempre que quis – e quis muitas vezes. De um desses lances resultou o centro para Águas fazer o golo e o «penalty» foi cometido precisamente sobre Pavão, que viera lá de trás com a bola, passara por Barros, deixara-o a uns bons dez metros de distância, entrara na grande-área e ia a fugir também a Artur…, que o rasteirou.

Depois de Raul Águas e de Pavão…, o guarda-redes Silva Morais, com excelentes intervenções pelo tempo fora, sempre expedito, afoito e seguro, mas vindo a falhar no terceiro golo, pois não interceptou o cruzamento por alto na sua pequena área.

No ataque, Camolas «meteu-se» bem nos lances, só que estava com a pontaria completamente desafinada… E foi isso o que valeu ao Benfica.

Boa actuação do árbitro Porém Luís e seus auxiliares. Nenhuma hesitação no «penalty» contra o Benfica, aliás tão flagrante que até o «terceiro anel» (o lado onde foi cometida a falta) quase nem tugiu nem mugiu…»

(“A Bola”, 12.05.1975 – Crónica de Santos Neves)

(Imagem – “A Bola”, 12.05.1975)

                            Total               Casa            Fora
                   Jg  V  E  D    G    Pt   V  E  D   G     V  E  D   G
 1º SL Benfica     30 21  7  2  62-12  49  12  2  1 41- 6   9  5  1 21- 6
 2º FC Porto       30 19  6  5  62-30  44   9  4  2 32-14  10  2  3 30-16
 3º Sporting CP    30 17  9  4  59-25  43  12  2  1 42-10   5  7  3 17-15
 4º Boavista FC    30 16  6  8  58-32  38  11  3  1 38-10   5  3  7 20-22
 5º VSC Guimarães  30 16  6  8  64-36  38   9  4  2 31- 8   7  2  6 33-28
 6º CF Belenenses  30 14  7  9  45-37  35   8  4  3 27-19   6  3  6 18-18
 7º VFC Setúbal    30 11  7 12  48-36  29   7  4  4 34-17   4  3  8 14-19
 8º GD CUF         30 10  9 11  41-41  29   7  5  3 27-16   3  4  8 14-25
 9º Leixões SC     30 10  9 11  29-42  29   8  3  4 18-11   2  6  7 11-31
10º Atlético CP    30 10  6 14  38-69  26   7  2  6 17-20   3  4  8 21-49
11º SC Farense     30 11  3 16  38-52  25   9  -  6 29-26   2  3 10  9-26
12º UFCI Tomar     30  9  5 16  39-59  23   7  2  6 25-25   2  3 10 14-34
13º Oriental       30  5 10 15  21-51  20   3  9  3 16-14   2  1 12  5-37
14º Académico      30  7  6 17  33-47  20   5  3  7 20-20   2  3 10 13-27
15º SC Olhanense   30  6  5 19  41-70  17   5  3  7 22-22   1  2 11 19-48
16º SC Espinho     30  4  7 19  25-64  15   4  4  7 19-27   -  3 12  6-37

Belenenses – Sporting – 2-0
Olhanense – Oriental – 2-0
Académico – CUF – 1-2
Porto – Espinho – 4-0
Guimarães – Boavista – 1-2
Setúbal – Leixões – 8-0
Atlético – Farense – 2-1
Benfica – U. Tomar – 3-1

Despromovidos à II Divisão – Olhanense e Espinho
Torneio de competência (liguilla) – Oriental (despromovido) e Académico; Beira-Mar (promovido) e Barreirense
Promovidos da II Divisão – Braga e Estoril

Apurado para a Taça dos Campeões Europeus – Benfica
Apurados para a Taça UEFA – FC Porto e Sporting
Apurado para a Taça dos Vencedores de Taças – Boavista (vencedor Taça Portugal)

“MAIS DEMÉRITO DAS DEFESAS QUE MÉRITO DOS AVANÇADOS”

Estádio «25 de Abril», em Tomar

Árbitro – João Gomes, do Porto

U. TOMAR – Silva Morais (1); Kiki (1), Zeca (2), Faustino (1) (45m – Barrinha (1)) e Fernandes (2); Calado (2), Raul Águas, «cap.» (2) e Florival (3); Pavão (0), Bolota (2) e Camolas (2)  (70m – Fernando (1))

ATLÉTICO – Lapa (1); José Eduardo (1), Luís Horta (1), Candeias, «cap.» (1) e Esmoriz (3); Jailson (1), Fernando Martins (3) e Belchior (2); Vasques (2), Amaral (1) (25m – Prieto (2)) e Arcanjo (1) (70m – Guerreiro (1))

1-0 – Candeias (p.b.) – 3m
1-1 – Fernando Martins – 6m
2-1 – Camolas – 29m
3-1 – Florival – 53m
3-2 – Vasques – 58m
4-2 – Florival (pen.) – 67m
5-2 – Bolota – 89m

«Substituições: no Atlético aos 25 minutos, Prieto (2), rendeu Amaral e aos 70 minutos, Arcanjo cedeu o lugar a Guerreiro (1); nos nabantinos, ao intervalo, entrou Barrinha (1) e saiu Faustino; aos 70 minutos, Fernando (1) ocupou o lugar de Camolas.

Resultado da 1.ª parte: 2-1.

1-0, aos 3 minutos, na conclusão de um livre marcado por Florival. Camolas entrou no «barulho» para rematar, tendo a bola tabelado em Candeias, sem possibilidades para Lapa.

Fernando Martins, aos 6 minutos aproveitando um cruzamento executado por Esmoriz, metido no ataque, fez o empate com uma cabeça espectacular, fazendo a bola entrar no ângulo superior esquerdo da baliza, não dando qualquer chance a Silva Morais.

2-1, Camolas, concluindo da melhor maneira um excelente centro de Bolota, aos 29 minutos, passou a sua equipa para vencedora, perante a hesitação de Silva Morais.

Segunda parte: 3-1.

Aos 53 minutos, um centro longo de Camolas, que Lapa não conseguiu segurar, deixando que a bola seguisse para Bolota, deu ensejo que este, entregasse com precisão a Florival, que, com Lapa fora da baliza chutou para as redes desertas, tendo a bola ainda tabelado num poste.

3-2, Esmoriz, numa das suas muitas insistências pelo lado esquerdo, centrou com conta e medida para Vasques que, de cabeça, com Silva Morais a lançar-se lentamente, reduziu a diferença, aos 58 minutos.

Aos 67 minutos, na transformação de uma grande penalidade, Florival, aumentou o «score», a castigar falta (?) dentro da grande área, de Luís Horta sobre Bolota.

Escapando-se a toda a defesa alcantarense, aos 89 minutos, Bolota, lançado por Florival, não teve dificuldades de encerrar o marcador.

Resultado final: 5-2.

———

Os nabantinos mostraram ontem, no seu reduto, excelente disposição, embora os seus adeptos tivessem tomado o caminho do Estádio «25 de Abril» muito preocupados, naturalmente, uma vez que a fuga à «Liguilla» não dependia somente de uma vitória sobre o Atlético, mas também da forma como os acontecimentos se desenrolassem em Espinho. No entanto, logo aos três minutos, o «capitão» do Atlético, Candeias, tranquilizou-os mais um pouco introduzindo a bola nas suas próprias balizas. Pareceram, efectivamente, os nabantinos encaminhados para a vitória mas, quatro minutos depois, Fernando Martins, ao estabelecer a igualdade, restituiu o «suspense» ao jogo.

Precisamente no período em que a igualdade subsistiu, os alcantarenses tiveram a supremacia do jogo, o que os levou a despreocuparem-se de certo modo com o reduto defensivo, facto que não demorou a sair-lhes caro. Realmente, numa jogada de contra-ataque, Bolota escapou-se a Kiki e ofereceu a Camolas a «chance» do desempate conseguido perante uma defesa que, mal escalonada na zona frontal da baliza, se limitou a ver o seu guardião ser batido, pela segunda vez.

Incitados por esse golo e muito melhor acompanhados pelo seu público, os nabantinos lançaram-se, abertamente, ao assalto da baliza de Lapa. Águas, após o jogo ter entrado no seu terceiro quarto-de-hora, não foi feliz ao ver um remate seu esbarrar contra a figura de Lapa. O lance, realmente, merecia melhor sorte visto o «capitão» nabantino ter driblado os dois «centrais» alcantarenses para surgir, isolado, em frente da baliza. Em seguida, num excelente lance, bem desbobinado por Arcanjo e Vasques, este teve uma magnífica oportunidade para empatar novamente o jogo, mas a bola saiu rente ao poste.

Como consequência desse susto, os nabantinos, cuidando mais da defesa, passaram a usar o contra-ataque como que convidando os seus adversários para o assalto às suas próprias balizas. Com efeito, com Fernando Martins, Belchior e Vasques a desbobinarem jogadas sucessivas na zona central do terreno, o Atlético parecia não querer sair facilmente derrotado do jogo de ontem, pois o futebol que apresentava, muito mais esclarecido do que o dos visitados, quase lhe garantia isso.

Portanto, quanto mais os alcantarenses dominavam, mais perigo passaram a correr, especialmente a partir do momento em que se notou que a sua defesa não sabia defrontar um ataque, que, embora em inferioridade numérica, sempre que pretendia invadir o seu sector, o levava de vencida com relativa facilidade visto que Águas e Bolota, bem secundados por Camolas, quando ultrapassavam a linha do meio-campo, punham sempre em perigo a baliza de Lapa.

Era notório realmente o desequilíbrio verificado entre os sectores defensivo e atacante dos alcantarenses. O futebol desenvolvido pelos visitantes, do meio campo para a frente, não encontrava no seu compartimento defensivo o mesmo nível. Daí ser muito difícil ao Atlético segurar o jogo, uma vez que o futebol, menos ordenado mas muito mais incisivo, dos nabantinos, poderia resultar perniciosamente para a sua defesa se não lhe fossem rectificados alguns pormenores deficientes no escalonamento de pedras.

O intervalo foi, pois, decisivo. O União de Tomar, substituindo Faustino por Barrinha, fortificou o seu meio-campo, na mesma medida em que, recuando Calado para o centro da defesa, lhe deu também mais ordem, pois só Zeca se revelava com autoridade naquele sector, sendo chamado com frequência, como «libero», a «dobrar» todos os seus colegas de sector.

Escapada à «Liguilla»

O segundo tempo foi, realmente, a confirmação da má actuação da defesa do Atlético no primeiro. Aparecimento de terceiro golo dos nabantinos. Camolas, em «sprint» longo, levou toda a defesa alcantarense, para lançar para o lado oposto Bolota, pôs a descoberto nitidamente a deficiente colocação utilizada pelo quarteto defensivo de Alcântara que, por mais uma vez, havia de ser batido por um só adversário.

Com este golo, embora na altura ainda as coisas em Espinho não se apresentassem favoráveis aos nabantinos, visto o Académico estar com vantagem, veio imprimir mais alento à equipa de Artur, que, assim, não obstante Silva Morais ter oferecido a Vasques todas as possibilidades para reduzir o marcador, se lançou abertamente ao ataque, não se preocupando com preciosismos, mas simplesmente tentando bater uma defesa que denunciava vulnerabilidades às carradas e, por isso, poucas hipóteses tinha de se impor a um ataque que, sempre em sentido rectilíneo, procurava chegar à baliza de Lapa.

O lance que precedeu o golo de «penalty», embora muito discutível, visto Bolota ter solto de mais a bola à saída do drible, portanto fora já do seu alcance, ainda que derrubado por Horta, foi mais uma «fotografia» da deficiente acção defensiva dos alcantarenses que, mais uma vez, se havia de deixar ultrapassar, na totalidade, por um só adversário. E o último golo, já para garantir definitivamente a presença dos nabantinos no próximo «Nacional», uma vez que pouco antes havia também surgido o empate em Espinho, só foi possível por Bolota haver resistido a um «sprint» de mais de 50 metros, sem que nenhum adversário houvesse tido pernas (ou colocação) para obstar à sua concretização.

Deste modo, enquanto os alcantarenses tiveram na forma correcta como aceitaram a derrota, uma das mais agradáveis virtudes do jogo, os nabantinos tudo fizeram, com muita determinação, para se livrarem definitivamente das preocupações que os dominaram durante muito tempo, receando terem de se envolver na «Liguilla».

Avançados melhores que os defesas

Na equipa de Tomar, no cômputo geral, Florival foi o melhor. Mas Águas, Zeca, Bolota e Camolas também estiveram bem. E não será exagero dizer-se que a equipa nabantina, por Pavão se ter apresentado muito complicativo, nada produzindo de útil, quase jogou com um elemento a menos. Silva Morais e os restantes companheiros da defesa, excepto Zeca, comprometeram muito a equipa.

Nos alcantarenses, com Fernando Martins em grande plano, revelando-se elemento de futuro promissor, só Esmoriz teve actuação ao mesmo nível. Vasques e Belchior, embora jogando com intermitências, também tiveram jogadas de considerar. Na defesa, como já disse,  esteve a razão da goleada, mais consentida do que conseguida por mérito dos avançados nabantinos.

Um «amarelo» que faltou

João Gomes, embora a certa altura da partida haja sido derrubado por um forte pontapé de Florival, não teve má actuação. Na aplicação do «penalty», ainda que se nos afigure demasiado rigoroso, pode ter tido as suas razões, para não hesitar na aplicação da lei, até por estar em cima do lance.

No entanto, foi demasiado contemporizador quando não apresentou o cartão amarelo a Candeias, que, ao evitar que Águas se lhe escapasse, em corrida, o atirou para a pista…»

(“A Bola”, 05.05.1975 – Crónica de Severiano Correia)

(Imagem – “A Bola”, 05.05.1975)

                            Total               Casa            Fora
                   Jg  V  E  D    G    Pt   V  E  D   G     V  E  D   G
 1º SL Benfica     29 20  7  2  59-11  47  11  2  1 38- 5   9  5  1 21- 6
 2º Sporting CP    29 17  9  3  59-23  43  12  2  1 42-10   5  7  2 17-13
 3º FC Porto       29 18  6  5  58-30  42   8  4  2 28-14  10  2  3 30-16
 4º VSC Guimarães  29 16  6  7  63-34  38   9  4  1 30- 6   7  2  6 33-28
 5º Boavista FC    29 15  6  8  56-31  36  11  3  1 38-10   4  3  7 18-21
 6º CF Belenenses  29 13  7  9  43-37  33   7  4  3 25-19   6  3  6 18-18
 7º Leixões SC     29 10  9 10  29-34  29   8  3  4 18-11   2  6  6 11-23
 8º VFC Setúbal    29 10  7 12  40-36  27   6  4  4 26-17   4  3  8 14-19
 9º GD CUF         29  9  9 11  39-40  27   7  5  3 27-16   2  4  8 12-24
10º SC Farense     29 11  3 15  37-50  25   9  -  6 29-26   2  3  9  8-24
11º Atlético CP    29  9  6 14  36-68  24   6  2  6 15-19   3  4  8 21-49
12º UFCI Tomar     29  9  5 15  38-56  23   7  2  6 25-25   2  3  9 13-31
13º Oriental       29  5 10 14  21-49  20   3  9  3 16-14   2  1 11  5-35
14º Académico      29  7  6 16  32-45  20   5  3  6 19-18   2  3 10 13-27
15º SC Olhanense   29  5  5 19  39-70  15   4  3  7 20-22   1  2 11 19-48
16º SC Espinho     29  4  7 18  25-60  15   4  4  7 19-27   -  3 11  6-33

Sporting – Benfica – 1-1
Oriental – Belenenses – 1-1
CUF – Olhanense – 7-2
Espinho – Académico – 1-1
Boavista – Porto – 1-2
Leixões – Guimarães – 0-3
Farense – Setúbal – 0-1
U. Tomar – Atlético – 5-2

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