Janeiro 2011


(foto enviada por Luís Ribeiro, a quem agradeço a gentileza)

“SETÚBAL PÔDE GOLEAR E TOMAR SOUBE REAGIR”

Estádio do Bonfim, em Setúbal

Árbitro – Rosa dos Santos, de Beja

SETÚBAL – Joaquim Torres (3); Lino (2) (67m – Leonardo (1)), Carlos Cardoso, «capitão» (2), Sabu (2) e Rebelo (3); Caíca (1), Matine (2) e Vagner (2); Lito (3), José Maria (2) e Arcanjo (1) (45m – Formosinho (1))

U. TOMAR – Silva Morais (3); Romão (1), Florival (1), Faustino, «capitão» (2) e Zeca (1); Barrinha (2), Raul (1) (20m – Caetano (2)), Sarmento (1) e José Luís (1) (50m – Pinto (1)); Camolas (2) e Bolota (1)

1-0 – Arcanjo – 11m
2-0 – José Maria – 20m
2-1 – Camolas – 69m
2-2 – Caetano – 73m

«Duas substituições, ambas na segunda parte: logo de entrada, Arcanjo por Formosinho (1) e, aos 22 minutos, Lino por Leonardo (1), passando Rebelo para defesa-direito e recuando Caíca para defesa-esquerdo.

Um único suplente não utilizado: Vaz, o guarda-redes, após largo tempo de ausência, por lesão.

Duas substituições, uma em cada parte: aos 20 minutos, Raul por Caetano (2) e, cinco minutos após o intervalo, José Luís, por Pinto (1).

Substitutos não utilizados: Quim Pereira, Cardoso e Fernando.

Incidências: Aos 23 minutos, cartão amarelo para Arcanjo, por entrada irregular (pelas costas) sobre Faustino.

Ao intervalo: 2-0.

1-0, por Arcanjo, aos 11 minutos. Cerca do meio-campo, José Maria cortou um passe deficiente de um antagonista e colocou a bola na frente de Arcanjo, que, sobre a meia-esquerda, evitou Silva Morais (na saída) e, de ângulo apertado, visou as balizas (muito mal protegidas) com o pé esquerdo.

2-0, por José Maria, aos 20 minutos. Vagner desceu pela esquerda, onde evitou duas tentativas de desarme de José Luís e acabou por centrar raso, fora do alcance do mergulho de Silva Morais e de modo a que José Maria chutasse, na passada, sem dificuldade, nem oposição de qualquer espécie.

No segundo tempo: 0-2.

1-2 por Camolas, aos 24 minutos, na conversão de um «livre», por falta (que não descortinámos) sobre ele próprio, perto da grande área. Batida com força e rasteira, a bola tabelou num colega ou num adversário e traiu Joaquim Torres, passando-lhe pelas costas, quando ele se deslocava para a direita.

2-2 por Caetano, aos 28 minutos. Lance rápido e bem gizado, com a bola a seguir de Camolas para Bolota e deste para a frente de Caetano, que beneficiou de certa «cerimónia» dos «centrais» sadinos para acabar por atirar bem, com força, rasteiro, para a direita de Joaquim Torres.

Resultado: 2-2.

———-

Agora, conhecendo-se o que aconteceu nos outros jogos em que participaram clubes da zona dos «aflitos», sabe-se que o União de Tomar não podia ter outro destino do que aquele que tem (disputa da «Liguilla»), qualquer que fosse o resultado que obtivesse no Estádio do Bonfim. Mas, às 16 horas de ontem, tudo podia acontecer nos tais outros jogos, nada garantia que os nabantinos não tivessem necessidade de empatar (pelo menos) em Setúbal e compreende-se, por isso, o estado de espírito com que os seus jogadores iniciaram o duelo com o Vitória.

A necessidade, porém, se umas vezes aguça o engenho e faz das fraquezas forças, também noutras é bem capaz de diminuir possibilidades. E admitimos que tenha sido esse o caso dos tomarenses, tão mal actuaram em toda a primeira parte e tão incapazes se mostraram (até) de disfarçar e contrabalançar com «elan» o que lhes faltava em capacidade futebolística. Uma equipa triste, amorfa, como que tolhida no raciocínio e nos movimentos e, por isso, a ampliar as suas debilidades e a dar todas as hipóteses aos antagonistas – inclusivamente, na obtenção dos dois golos.

Soube o Vitória aproveitar muito bem as circunstâncias, não só para marcar aqueles dois golos, mas também para exibir um futebol vistoso e simples, por vezes mesmo muito bem jogado, bola e jogadores em movimentação constante, num ritmo que nem necessitou ser muito rápido para explorar e resultar nos largos espaços deixados abertos pela deficientíssima organização global dos tomarenses – quer no «4x2x4» inicial, quer no «4x3x3» em que passaram a formar após a saída de Raul e a entrada de Caetano, certamente (e acertadamente) para tentar com «mais ataque» o que não conseguira com «mais meio-campo».

É certo que, pouco depois da meia hora, Caetano teve um remate perigoso (o primeiro da sua equipa) e que, perto do intervalo, Barrinha foi derrubado por Sabu (em circunstâncias duvidosas) e obrigou Torres a mergulhar-lhe aos pés; mas tão exacto como isso é que tais lances nada alteraram na grande distância que separava o rendimento das duas turmas. E, entre uma bola que se escapou ao peito de Formosinho (isolado, 3 minutos após o descanso) e uma outra que Lino atirou à barra (20 minutos), podia muito bem ter surgido o 3-0 (pelo menos), o Vitória continuou a actuar quase a seu bel-prazer (justificando os aplausos do seu público) e, a meio da segunda parte, cremos que ainda ninguém podia deixar de admitir como única hipótese, o avolumar da diferença no marcador.

Os jogos, porém, têm hora e meia. E num lance, muitas vezes, podem mudar de rumo. Sobretudo, se esse lance corresponde a um golo e esse golo gera a tangente no resultado. E Camolas (que já aos 18 minutos tivera um «tiraço» ameaçador) fez o 2-1 num «livre» (ainda que em pura consequência da tabela que a bola encontrou no seu caminho) e, a partir daí, se não pode dizer-se que as posições se inverteram (evidentemente que não, por todas as razões), bem pode afirmar-se que ambas as equipas se transformaram muito.

Logo a seguir ao 2-1, uma «cabeça» de Caetano só não deu o 2-2 porque foi mal aplicada; dois minutos após, o mesmo Caetano fez o empate, resgatando bem aquela falha; dentro do último quarto de hora, dois lances de Bolota e um de Camolas estiveram perto de dar o triunfo aos tomarenses – excelentes, até, na forma como «seguraram» (a jogar e a bater-se) um curto período de «forcing» dos sadinos, pouco depois da igualdade.

Depois de ter podido golear e de se exibir em grande plano, o Vitória quedou-se por um empate que acaba por ser «castigo» injusto, pese a quebra na parte final do encontro. Acontece, o futebol é mesmo assim.

Rebelo e Lito foram os melhores os que menos cederam e deve juntar-se-lhes Torres, por não haver cometido qualquer erro de vulto. Houve, no entanto, bem mais quem jogasse bem do que mal – até porque mal, mesmo mal, ninguém esteve.

O União de Tomar acabou por ter um «prémio» que começou a merecer quando decidiu acreditar um pouco mais em si próprio e na parte final do encontro, mostrou que as suas fraquezas não são tão grandes quanto o haviam parecido antes. Nem podiam ser, francamente…

Silva Morais foi vítima dos lapsos registados à sua frente – onde Faustino sobressaiu, tal como Barrinha. Camolas e Caetano algo se destacaram no «miolo» ou na frente.

Muita correcção e duas dúvidas na actuação da arbitragem: o mencionado derrube de Sabu a Barrinha e a existência da falta que deu o «livre» e o primeiro golo do Tomar. Apenas dúvidas, porém, já que Rosa dos Santos se confirmou o excelente árbitro que é, realmente.»

(“A Bola”, 31.05.1976 – Crónica de Cruz dos Santos)

(Imagem – “A Bola”, 31.05.1976)

(Imagem – “A Bola”, 29.05.1976)

(E assim aproveito a oportunidade para recordar o meu tio e a sua dedicação ao União de Tomar, participando também nesta iniciativa, com um dos locais de venda de bilhetes!)

                            Total               Casa            Fora
                   Jg  V  E  D    G    Pt   V  E  D   G     V  E  D   G
 1º SL Benfica     30 23  4  3  94-20  50  11  3  1 56- 9  12  1  2 38-11
 2º Boavista FC    30 21  6  3  65-23  48  12  1  2 46-15   9  5  1 19- 8
 3º CF Belenenses  30 16  8  6  45-28  40  12  3  - 26- 6   4  5  6 19-22
 4º FC Porto       30 16  7  7  73-33  39   9  4  2 42-15   7  3  5 31-18
 5º Sporting CP    30 16  6  8  54-31  38  11  2  2 34-13   5  4  6 20-18
 6º VSC Guimarães  30 13 10  7  49-32  36   9  4  2 36-17   4  6  5 13-15
 7º SC Braga       30  9 10 11  35-43  28   6  6  3 21-12   3  4  8 14-31
 8º Estoril-Praia  30 10  8 12  31-45  28   8  3  4 15-13   2  5  8 16-32
 9º VFC Setúbal    30  8 10 12  39-42  26   8  4  3 31-19   -  6  9  8-23
10º Atlético CP    30  9  5 16  26-49  23   5  4  6 12-15   4  1 10 14-34
11º Académico      30  7  9 14  32-47  23   6  3  6 20-18   1  6  8 12-29
12º Leixões SC     30  8  6 16  30-65  22   6  5  4 19-16   2  1 12 11-49
13º SC Beira-Mar   30  6  9 15  28-47  21   6  4  5 21-19   -  5 10  7-28
14º UFCI Tomar     30  7  7 16  32-61  21   6  4  5 19-21   1  3 11 13-40
15º SC Farense     30  8  3 19  33-65  19   7  2  6 25-25   1  1 13  8-40
16º GD CUF         30  4 10 16  15-50  18   2  7  6  7-18   2  3 10  8-32

Boavista – Sporting – 3-1
Leixões – CUF – 3-2
Beira-Mar – Braga – 2-2
Atlético – Farense – 3-1
Estoril – Belenenses – 1-1
Guimarães – Académico – 3-3
Setúbal – U. Tomar – 2-2
Benfica – Porto – 2-3

Despromovidos à II Divisão – Farense e CUF
Torneio de competência (liguilla) – Beira-Mar e U. Tomar (despromovido); Montijo (promovido) e Salgueiros
Promovidos da II Divisão – Varzim e Portimonense


(Imagem – “A Bola”, 29.05.1976)

TORRES NOVAS – René, Caju, Renato Moreno, Paulo Nuno, Ayrton, Nélson Rato (c.), Miranda (75m – Sá), Pereira, Mário Nélson (59m – Pedro Graça), Nélson Ramos (83m – Rúben Fróis) e Pedro Pelarigo

U. TOMAR – Ricardo (c.), João Marinheiro, André Roriz, Fred Du Val (69m – Nélson Santos), Quim, Paulo Godinho, Paulo Sanches (45m – Rui Ferreira), André Ferreira, China, Mauro Santos e Thiago Favero (45m – Gabriel Pereira)

(suplentes – André Costa, Pedro Figueiredo, Fábio Marques e Nuno Veríssimo)

1-0 – Renato Moreno – 8m
2-0 – Mário Nélson – 24m
3-0 – Pereira – 55m
4-0 – Ayrton – 72m
5-0 – Pedro Graça – 87m

Cartões amarelos – Nélson Rato (30m), Mário Nélson (32m) e Pedro Pelarigo (43m); Ricardo (24m), João Marinheiro (26m), André Ferreira (32m) e Paulo Godinho (77m)

Árbitro – José Sequeira

Samora Correia – Ouriquense – 1-2
Alcanenense – Benavente – 1-2
Fazendense – Mação – 3-1
Torres Novas – U. Tomar – 5-0
Amiense – At. Ouriense – 0-2
Cartaxo – Pego – 7-0

                      Jg     V     E     D       G       Pt
 1º Cartaxo           19    10     6     3    30 - 12    36
 2º At. Ouriense      19     9     8     2    22 - 17    35
 3º Torres Novas      19     9     7     3    32 - 11    34
 4º Alcanenense       19     9     4     6    23 - 17    31
 5º Fazendense        19     9     4     6    31 - 25    31
 6º Mação             19     8     5     6    29 - 18    29
 7º Benavente         19     7     7     5    19 - 17    28
 8º Pego              19     6     6     7    16 - 28    24
 9º U. Tomar          19     6     4     9    24 - 28    22
10º Amiense           19     4     5    10    11 - 24    17
11º Ouriquense        19     2     5    12    15 - 37    11
12º Samora Correia    19     2     5    12    15 - 33    11

“COM ALGUMA SURPRESA MAS COM A MAIOR JUSTIÇA”

Estádio Municipal de Tomar

Árbitro – Manuel Vicente, de Vila Real

U. TOMAR – Silva Morais (2); Romão (3), Florival (3), Faustino, «capitão» (3) e Zeca (3); Barrinha (3), Sarmento (3) e José Luís (3); Caetano (3) (77m – Raul (2)), Camolas (3) e Bolota (3)

GUIMARÃES – Sousa (1); Ramalho (1), Rui Rodrigues «capitão» (1), Torres (1) e Alfredo (1); Ferreira da Costa (1) (45m – Almiro (2)), Abreu (1) e Pedroto (1); Pedrinho (3), Tito (2) e Rui Lopes (1) (67m – Abel (1))

1-0 – Bolota – 30m
2-0 – Barrinha – 65m
3-0 – Sarmento – 90m

«Substituição: Caetano por Raul (2), aos 77 minutos.

Substituições: Ferreira da Costa por Almiro (2), ao intervalo, e Rui Lopes por Abel (1), aos 67 minutos.

Ao intervalo, 1-0.

Meia hora de jogo. Camolas, de longe, meteu muito bem a bola no espaço entre os defesas de Guimarães. Bolota adiantou-se para a receber e caiu-lhe em cima Alfredo. Lutaram pela posse do esférico, que Bolota desviou para a grande área onde entrou para bater Sousa. Um-zero.

Segunda parte, 2-0.

Aos 65 minutos, Bolota foi carregado por Torres, à margem das leis, no meio-campo da sua equipa e a meia dúzia de metros da linha lateral do lado direito. Camolas prontificou-se a apontar o livre e deu logo a ideia de querer atirar à baliza apesar da distância a que estava. Atirou, a bola passou pela barreira, Sousa mergulhou, mas não segurou o esférico e Barrinha, antecipando-se a qualquer adversário, fez o golo.

No último minuto, 3-0. O árbitro assinalou «mão» de Torres (não nos pareceu) sensivelmente no local de onde Camolas arrancara, há vinte e cinco minutos, o seu excelente pontapé. Romão marcou o livre, Camolas, na linha limite da grande área, zona frontal, levantou-a. Todo o mundo ficou parado e Sarmento, arrancando de trás, surgiu isolado junto do guarda-redes Sousa. À segunda tentativa, a bola passou por sobre o «keeper» e caiu na baliza sem tocar as redes. O juiz de linha, sr. Joaquim Fonseca, assinalou o ponto.

No final, 3-0.

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Pois foi uma surpresa, sim, senhor. Mas também foi uma grande justiça. O União ganhou e deve ter deixado nos seus adeptos o sabor da frustração porque se sempre tivesse jogado assim, simplesmente, correctamente e entusiasticamente, não estaria agora a fazer difíceis contas para, somando aqui, subtraindo ali, ver se o seu computador lhe dá uma alegria.

As perspectivas não eram boas para os homens de Tomar e pouca gente na bancada terá apostado francamente na sua equipa. Com uma certa lógica porque os vimaranenses têm-se portado como uns senhores: vitória sobre o Belenenses, duplo triunfo sobre o F. C. Porto, enfim, mesmo jogando em casa, são assinaláveis êxitos. Por isso, o pequeno Tomar tinha fortes motivos para pensar o pior numa altura em que os seus parceiros da zona aflita também jogavam tudo por tudo.

Afinal, as coisas acabaram por não sair mal aos nabantinos, até saíram muito bem, mas não se pense que tudo quanto aconteceu de bom se ficou a dever à sorte do jogo ou coisa parecida, aconteceu, essencialmente, porque o União de Tomar acreditou na vitória, vencendo-se a si próprio, e o Vitória de Guimarães terá pensado que o jogo podia ser ganho sem esforço de maior.

Assistimos de facto a uma partida vivamente disputada, com os vimaranenses a quererem dominar o jogo pelo domínio técnico e táctico de todo o campo, sistema que, contudo, encontrava nos jogadores do «team» da casa uma firme oposição. Como? Ora, quando uma equipa, caso do União de Tomar, precisa de ganhar a outra de maior valia (no caso, o V. Guimarães), tem de encontrar um sistema que contrarie tanto quanto possível a manobra adversária ao mesmo tempo que perturbe o seu último sector, muito em especial se esse sector tem um jogador chamado Rui Rodrigues capacíssimo de «fazer da bola o que quer».

O União de Tomar sabia que tinha de lutar acima de ter de jogar. Escolheu, em vez de uma táctica fechada, a antecipação, uma antecipação que não deixava o Vitória organizar-se. E isso aconteceu em todo o terreno. Portanto, à partida, a equipa de Tomar possuía esse trunfo para jogar; depois, a consciência de que tinha constantemente de jogar em dobras, precisamente porque o adversário tinha mais categoria e, às vezes, um jogador não chega para resolver um lance, e, finalmente, o União, conhecendo-se muito bem, precisava de saber utilizar a técnica do contra-ataque.

Condição física

Tínhamos a informação de que os jogadores de Tomar não se encontravam em bom momento de «forma». Se assim é, onde foram eles encontrar forças para estragar o jogo do Vitória e impor o seu? A um especial «élan» que faz das tripas coração, na hora da escorregadela para o abismo? Mistérios que, em muitas ocasiões, a natureza acaba por explicar na força de vontade dos homens. Seja como for os de Guimarães não puderam concentrar-se, o seu futebol acabou por perder a tranquilidade que os jogadores lhes dão com a certeza do passe, o tempo certo na entrada, o cerzido do meio-campo até a bola aparecer ao jeito do remate. Não aconteceu nada disto a não ser de tempos a tempos, ao Vitória, que, do ponto de vista colectivo, se sumiu na «tempestade» desencadeada pelos donos do campo… que até jogaram futebol. Num estilo diferente, menos rendilhado, mais suado, menos subtil, mais «em força», todavia eficiente e, até, bonito! Palavra que sim.

É claro, a partida teve os seus momentos cruciais e deles dependeram os golos e dos golos dependia de facto o estado de espírito dos homens que faziam o jogo. Antes do União ter marcado, o Vitória teve uma oportunidade. Não foi flagrante, mas foi uma oportunidade que até foi oferecida. Mas foi só essa, até ao golo de Bolota, primorosamente preparado por Camolas (que ainda acabaria por estar nos outros dois), em lance de contra-ataque a contrariar aliás o jogo que a equipa estava fazendo (em todo o campo) contra os seus hábitos, pois conhece-se o seu pendor para jogar em contra-ataque como de resto acabou por fazer na segunda parte, com incontestável brilho.

Depois do golo, os vimaranenses tiveram ensejo de marcar quando Faustino falhou a intervenção de cabeça. Silva Morais saiu mal e a bola fez negaças aos do Norte acabando por não entrar na baliza.

Entretanto, a boa disposição dos homens de Tomar agora reforçada pela vantagem de um precioso golo, impunha um estilo ao Vitória enquanto matava, pelo estoicismo, pela velocidade, pela antecipação, as tentativas de dirigir do trio Ferreira da Costa, Abreu, Pedroto, reforçado por Pedrinho, o mais útil e esclarecido da equipa. Naquele constante fluxo e refluxo, acabou por ser mais feliz o Vitória de Guimarães por contra as suas balizas foram enviadas as bolas mais perigosas depois de executadas as jogadas mais intencionais.

O Vitória quis mudar

O Vitória quis mudar o rumo dos acontecimentos. Colocou Pedrinho na ponta direita e formou a linha média com Pedroto, Almiro e Abreu. Almiro mexeu os cordéis no centro do terreno, mas notava-se a falta de Pedrinho, que tinha sido o melhor médio, até ao intervalo. Enquanto isto, os outros componentes do sector, perdiam, por sistema, as jogadas na discussão com os homens de Tomar, agora, decididamente, com Bolota e Camolas na frente e todos os outros num desdobrar de tarefas que acabaram por justificar a surpresa. E ampliá-la.

Oito homens entre a baliza de Silva Morais e o meio-campo, jogando, lutando, dobrando-se e animando-se. Com um defeito, para quem pretende jogar em contra-ataque: o despacho imediato da bola para a frente quando, quase sempre, é preciso, primeiro, gerar a jogada. Neste aspecto, o defesa direito Romão foi precipitado. Acabaria, porém, por remediar o mal, mais tarde, talvez por já se encontrar cansado – é um fenómeno natural nos futebolistas.

No entanto, curiosamente, algumas jogadas perigosas de Bolota nasceram desses endossos precipitados que acabaram por se tornar numa espécie de táctica para gente semi-rebentada. Voava a bola, não corriam os jogadores. Manda, porém, a verdade dizer que o segundo e terceiro golos, saídos de livres, nasceram de incursões bem delineadas dos médios de Tomar.

Só duas palavras: triunfo merecido

O Vitória não tem de se queixar, o União jogou com muito empenho e acerto e ganhou com merecimento. Equipa que foi mesmo equipa, teve, como já dissemos, na manobra de conjunto e no trabalho de grupo, os grandes méritos. Silva Morais não foi totalmente feliz, daí a nota abaixo da média geral. E o «três» surge à frente de todos os jogadores precisamente porque os homens foram um bloco. E nem a inteligência de jogo de Camolas, a força muito bem aproveitada (por ele próprio) de Bolota, a oportunidade de Barrinha e a feroz resistência dos centrais e laterais têm força para destruir a força do conjunto.

Vimaranenses sem defesa (foi um desastre), com uma linha média em tarde de «tropeções» e dianteiros desastrados (Tito sempre a rematar mal embora a jogar razoavelmente e Rui Lopes a perder, espectacularmente, o empate, quando o difícil era mesmo falhar o golo), não estiveram iguais a si próprios. Alguma coisa por sua culpa, muito porém por culpa alheia. Pedrinho foi o jogador mais influente até passar para uma zona de menor influência na organização do jogo.

Arbitragem aceitável

O público reclamou muito, quase sempre, sem razão. Queria um «penalty» porque Camolas caiu desamparado entre dois adversários. Não foi «penalty».

Também queria que valessem jogadas de «off-side». De modo geral, os «foras-de-jogo» foram bem assinalados (apenas um mal, a Bolota a passe magnífico de Camolas). Só um erro, na nossa opinião: Torres não terá metido a mão à bola na jogada que, ao ser considerada faltosa, deu o terceiro golo ao União de Tomar.

Assinala-se a decisão do juiz de linha do lado da bancada, Joaquim Fonseca, ao assinalar o terceiro golo quando muita gente estava na dúvida se a bola teria ou não ultrapassado a linha de baliza. Ao assumir a respectiva responsabilidade, deu ao árbitro a indicação precisa.»

(“A Bola”, 24.05.1976 – Crónica de Homero Serpa)

(Imagem – “A Bola”, 24.05.1976)

                            Total               Casa            Fora
                   Jg  V  E  D    G    Pt   V  E  D   G     V  E  D   G
 1º SL Benfica     29 23  4  2  92-17  50  11  3  - 54- 6  12  1  2 38-11
 2º Boavista FC    29 20  6  3  62-22  46  11  1  2 43-14   9  5  1 19- 8
 3º CF Belenenses  29 16  7  6  44-27  39  12  3  - 26- 6   4  4  6 18-21
 4º Sporting CP    29 16  6  7  53-28  38  11  2  2 34-13   5  4  5 19-15
 5º FC Porto       29 15  7  7  70-31  37   9  4  2 42-15   6  3  5 28-16
 6º VSC Guimarães  29 13  9  7  46-29  35   9  3  2 33-14   4  6  5 13-15
 7º SC Braga       29  9  9 11  33-41  27   6  6  3 21-12   3  3  8 12-29
 8º Estoril-Praia  29 10  7 12  30-44  27   8  2  4 14-12   2  5  8 16-32
 9º VFC Setúbal    29  8  9 12  37-40  25   8  3  3 29-17   -  6  9  8-23
10º Académico      29  7  8 14  29-44  22   6  3  6 20-18   1  5  8  9-26
11º Atlético CP    29  8  5 16  23-48  21   4  4  6  9-14   4  1 10 14-34
12º Leixões SC     29  7  6 16  27-63  20   5  5  4 16-14   2  1 12 11-49
13º UFCI Tomar     29  7  6 16  30-59  20   6  4  5 19-21   1  2 11 11-38
14º SC Beira-Mar   29  6  8 15  26-45  20   6  3  5 19-17   -  5 10  7-28
15º SC Farense     29  8  3 18  32-62  19   7  2  6 25-25   1  1 12  7-37
16º GD CUF         29  4 10 15  13-47  18   2  7  6  7-18   2  3  9  6-29

Sporting – Benfica – 0-3
CUF – Boavista – 0-1
Braga – Leixões – 5-0
Farense – Beira-Mar – 2-0
Belenenses – Atlético – 1-0
Académico – Estoril – 1-0
U. Tomar – Guimarães – 3-0
Porto – Setúbal – 2-0

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