Boa noite a todos e um enorme bem haja, por se terem predisposto a partilhar este memorável momento connosco.

O União Futebol Comércio e Indústria de Tomar, o nosso União, faz 100 anos e eu encontro-me aqui, com a enorme responsabilidade de dizer alguma coisa que faça justiça a um século de história de um clube, que quando eu nasci era já “homem feito”.

Confesso-vos que não me sinto com grande competência para o fazer, porque falar do União de Tomar é falar de milhares de histórias dentro da história e o risco de dar mais ênfase a uma vertente do que a outra é um risco enorme e que eu não quero, de todo, correr.

Por outro lado, falar do União de Tomar e de Centenário acaba por ser redundante, quando no âmbito das comemorações temos eventos representativos das modalidades actualmente existentes no Clube; temos uma exposição absolutamente espantosa, onde novos e menos novos podem aprender, vivenciar, reviver, sonhar, ver o que foi, ou melhor o que é este enorme clube; e temos um livro escrito com amor, dedicação e paixão, onde quase tudo o que diz respeito ao clube está compilado.

Fico portanto, aparentemente com a tarefa facilitada, mas só aparentemente, porque ter a responsabilidade de tentar partilhar convosco a parte intangível, aquela que os olhos não vêem e as mãos não tocam, mas que é a identidade do nosso clube, é tarefa árdua e à qual as palavras poderão dar, apenas, uma pequena ajuda.

Porque é de Paixão e de Amor que eu vos quero falar. Paixão e Amor por um clube, que orgulhosamente ostenta o nome desta terra que me viu nascer e crescer e que eu vi crescer e quase morrer. Vou, portanto, falar-vos de afectos.

Começo por vos dizer que foi na fase de quase morte, que alguns de nós que hoje estamos aqui e outros tantos que por cá passaram, assumiram que deixar morrer o União de Tomar, era permitir que uma parte da memória colectiva deste Concelho morresse também e resignarmos-nos, seria sermos coniventes com essa morte, por inércia e cobardia.

Felizmente a família Unionista não é das que se resigna, pelo que agarrámos nas palavras do poeta, atreve-mo-nos a sonhar e metemos mãos à obra.

Pois bem…em boa hora o fizemos, pois se não o tivéssemos feito, certamente não estaríamos hoje aqui a desfrutar deste momento único e estou certa, inesquecível para a maioria dos presentes.

Pessoalmente, tenho dificuldade em falar do União de Tomar sem me emocionar e quem me conhece sabe que se tal acontecer hoje, não será a primeira vez. Nada de que me envergonhe, antes pelo contrário.

Manter ao longo dos anos a capacidade de nos emocionarmos é sinal que sentimos, de que temos a alma e o coração à flor dos olhos. Sentir, é sinal de vida, do pulsar dos sentidos, força motriz do agir.

Falar deste clube sem nos emocionarmos é não ser digno de o fazer, porque o União é obra, sem dúvida, mas é sobretudo amor, arrepio, devoção, sentimento, paixão

Mas, como se mede a paixão ou o amor por um clube?

Pelo tempo que lhe dedicamos?

Pela forma como celebramos as vitórias e choramos as derrotas?

Quando sentimos aquele delicioso aperto no peito ao vermos os atletas beijar a camisola, numa demonstração de orgulho e respeito pelo emblema que trazem no peito?

Pela tristeza que sentimos quando o vemos humilhado e injustamente maltratado?

Tudo isto vejo diariamente neste clube e só por isso tenho a certeza de que o clube está vivo e tem futuro.

Porque o União de Tomar não é só um emblema, é uma marca, é carisma e estes 100 anos de história são a prova viva disso mesmo.

Para além do inestimável serviço público que presta à comunidade do concelho, carrega em si o peso de uma história que se funde com a da terra que lhe serviu de berço e a ternura que nos envaidece quando noutras paragens o seu nome é reconhecido e proferido com solenidade, respeito e consideração.

Por tudo isto e o muito mais que fica por dizer mas que se intui nas minhas palavras, permitam-me que assuma o enorme orgulho por ter nascido no mesmo dia deste enorme clube, que me viu crescer e que cedo aprendi a amar pelas mãos e voz do meu pai.

Por tudo isto e o muito mais que fica por dizer, permitam-me que vos lance o desafio de se deixarem emocionar.

Este centenário, tem o sabor de batalha vencida e nunca como hoje o grito de “guerra” que os nossos atletas evocam antes de cada jogo fez tanto sentido. Para os que não sabem, o “grito de guerra “ é simples mas significativo – Unidos venceremos…União, União, União.

Este centenário é obra do esforço, do amor e da dedicação de muitas dezenas de pessoas.

Não esquecemos, obviamente e agradecemos desde já, todo o apoio do Município de Tomar, do Instituto Politécnico de Tomar e de todas as entidades que, de forma directa ou indirecta, contribuíram, a maioria graciosamente, para que os eventos que fazem parte das comemorações do nosso Centenário, ganhassem vida.

Mas, perdoem-me a imodéstia, os verdadeiros heróis deste centenário são os sócios, os atletas, os dirigentes e os amigos deste enorme clube que ousaram desafiar o destino e não se poupando a esforços, olharam para estes 100 anos de história e decidiram que ela tinha que ter uma imagem de marca e que esta apenas podia ter um nome – DIGNIDADE.

Sei que este é um valor em vias de extinção, no mundo insane em que vivemos, mas para nós é um valor indissociável do marco que hoje celebramos.

Porque é de dignidade e respeito que se trata quando se restaura uma taça, se limpa uma medalha, se recupera uma foto, se coze um estandarte, se evoca um nome, se compila em livro 100 anos de vida.

Porque é de dignidade e respeito que se trata quando se monta uma exposição que permita aos mais jovens beber com os olhos a grandeza do clube que representam e que desconheciam; e aos mais velhos, reviver momentos que certamente marcaram as suas vidas.

Podem ter-nos tirado quase tudo, mas não conseguiram tirar-nos a identidade, a paixão e o sentir; no fundo o alimento que nos faz continuar a caminhar e que sentimos diariamente em todos os que, a troco de nada nada, dão tudo para manter o União vivo – atletas, pais, dirigentes, sócios e amigos…tantos amigos.

No dia 4 de Maio de 1914 cumpria-se o sonho de fundar em Tomar um Clube que, trazendo na matriz do seu nome o que de grande o Concelho tinha na época, o Comércio e a Indústria, trazia também a vontade de, através do desporto, levar o nome de Tomar, até onde a alma, a coragem e o orgulho Tomarenses fossem capazes.

Agora, 100 anos volvidos, depois de glórias e tormentas, quisemos mostrar aos tomarenses e ao país a alma Unionista, de forma simples, mas com a Dignidade a que nos propusemos desde o início.

Modestamente, creio termos conseguido cumprir o objectivo.

Na Gala de encerramento das comemorações do Centenário, no próximo Setembro, tudo faremos para, com chave de ouro, fechar este capítulo da história do clube, que é nosso e de todos vós.

Obrigada pela vossa presença e por se terem associado a este dia histórico para o União de Tomar, para a Cidade, para o nosso Concelho e um até sempre.

Viva o União de Tomar.

A Presidente da Assembleia Geral do União de Tomar

Graça Costa

Tomar, 4 de Maio de 2014

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