Pulsar - 7

(“O Templário”, 29.10.2015)

Com o primeiro quarto de prova já ultrapassado, confirma-se o grande equilíbrio no Distrital da I Divisão, com nada menos de nove concorrentes agrupados num intervalo de apenas quatro pontos (entre o 4.º classificado, Empregados do Comércio, e o trio que ocupa o 10.º a 12.º lugares, formado por clubes tão ilustres como Fazendense, U. Almeirim e At. Ouriense).

A destoar, na frente, o Fátima, que somou a sexta vitória consecutiva – e a que apenas um tento sofrido no termo da ronda inaugural impediu o pleno – e o sensacional Cartaxo, única equipa que roubou pontos ao líder, do qual se mantém a curta distância de dois pontos; para além do Torres Novas, em posição intermédia, a fazer a ligação com o tal “pelotão compacto”, apenas dois pontos acima dos Caixeiros, mas já a três dos cartaxenses. Na cauda da tabela, começam a ser inquietantes as posições de U. Abrantina, com cinco pontos de atraso do trio referido, e, sobretudo, do Amiense, que enfrenta já um fosso de sete pontos face à “linha de água”.

Destaques – A primeira nota de destaque vai, necessariamente, para a aparente naturalidade com que o Fátima continua a superar adversário após adversário, indo, desta feita, vencer (2-0) ao terreno do At. Ouriense, outro dos despromovidos dos Nacionais na temporada finda. Uma formação (fatimense) que, conhecedora da sua qualidade intrínseca, parece não se deslumbrar, encarando de forma séria cada desafio, como mais uma etapa no concretizar desta longa caminhada para o título de Campeão, que lhe estará como que antecipadamente “prometido”.

A impedir que tal supremacia seja, por agora, ainda mais vincada, o Cartaxo continua a confirmar o seu elevado potencial, derrotando sem apelo nem agravo o Mação (3-1), que era apontado, à partida, como um dos principais candidatos aos lugares de topo. Foi o terceiro triunfo sucessivo dos cartaxenses, que continuam a afirmar a sua capacidade goleadora (mantendo média superior a 3 golos/jogo, nunca tendo ficado abaixo de tal registo nas cinco vitórias que averbam já).

Por fim, saliência à atitude evidenciada pelo União de Tomar, que, com um grupo que continua a ser sujeito a diversas contingências, compelido a sucessivas adaptações no posicionamento dos elementos em campo, em função dos jogadores (in)disponíveis – por exemplo, neste encontro, sem poder contar com nenhum dos centrais que constituíram o esteio da defesa no ano anterior –, obteve mais um resultado positivo, empatando em Fazendas de Almeirim (1-1).

Depois de ter começado por se colocar em vantagem, com um excelente remate de cabeça de Diogo Moreira, ainda antes dos dez minutos, teve depois a capacidade de sofrimento necessária para suster a pressão contrária (principalmente após o golo da igualdade, numa primorosa execução técnica de Tiaguinho), frente a um conjunto de grande poderio, no qual se nota ainda alguma intranquilidade, mas que, começando a encarrilar, ascenderá decerto muitas posições na pauta classificativa (até porque está apenas a seis pontos do 3.º posto…). Uma palavra para a actuação decisiva do jovem guardião unionista, Fábio Silva, com um punhado de grandes intervenções, culminando com a defesa de uma grande penalidade já perto do final da partida, a salvaguardar o resultado, com a curiosidade de esta ter sido a sexta vez consecutiva que Fazendense e U. Tomar empatam nos confrontos entre si, desde a época de 2012-13.

Surpresas – Esta foi uma ronda em que não se poderá dizer, após o seu termo, que tenha havido qualquer grande surpresa, mas, paradoxalmente, ela começou por estar bem presente, em Torres Novas, e uma vez mais protagonizada pelo Moçarriense, quando, logo aos nove minutos, ganhava por 2-0! Porém, os torrejanos, não se descompondo, reagindo com serenidade, não demorariam a restabelecer a igualdade, acabando por impor-se pela categórica marca de 4-2.

Confirmações – Nos outros encontros, triunfos expectáveis do Rio Maior sobre a U. Abrantina (2-1) e do Riachense na recepção ao Amiense (3-1) – o que permitiu à turma de Riachos o maior pulo na classificação, posicionando-se já em 6.º, a um ponto do U. Tomar; assim como dentro da lógica ficou também o desfecho do U. Almeirim – Empregados do Comércio (2-2).

II Distrital – Após a disputa da quarta jornada, o Benavente, ganhando no derby, em Samora Correia (1-0) somou o quarto êxito, dispondo agora já de cinco pontos de vantagem sobre o seu mais imediato perseguidor, Glória do Ribatejo (com uma boa vitória na Barrosa, por 2-0). A Norte, o Ferreira do Zêzere, folgando, viu-se ultrapassado pelo Pego (vencendo por 4-0, frente ao Caxarias), que assumiu a liderança, com dez pontos, um a mais que os ferreirenses, que, não obstante, venceram os três jogos que já realizaram.

Campeonato de Portugal Prio – A partir de agora com nova denominação, nesta prova de índole nacional, promovida pela Federação Portuguesa de Futebol, o Alcanenense soube superar a traumática eliminação da Taça de Portugal, empatando a zero em Cernache do Bonjardim; curiosamente, o mesmo resultado averbado pelo Coruchense, visitado pelo Torreense. Assim, o conjunto de Alcanena partilha com o adversário desta jornada e com o Peniche, o 6.º lugar, mas já a quatro pontos de Sertanense e Naval; enquanto o grupo do Sorraia, mantendo-se na última posição, está agora a dois pontos de Eléctrico de Ponte de Sôr e Sacavenense.

Antevisão – O desafio de maior cartel deste fim-de-semana na I Divisão é, necessariamente, o União de Tomar-Fátima, com os unionistas a aspirar a poder colocar travão à senda triunfal dos fatimenses. Destaca-se, também, o Empregados do Comércio-Fazendense, a par da natural curiosidade perante o desfecho do Moçarriense-Cartaxo, atenta a trajectória destas duas equipas.

Na II Divisão Distrital, destaque para o confronto entre os dois primeiros da série mais a Norte, Ferreira do Zêzere-Pego; e, a Sul, para novo derby municipal, agora Benavente-Barrosense.

No Campeonato de Portugal, o Alcanenense recebe outro dos seus parceiros de classificação, Peniche, enquanto o Coruchense terá uma difícil visita à Casa Pia (actual 3.º classificado).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 29 de Outubro de 2015)