Está de volta o Campeonato Distrital da I Divisão da Associação de Futebol de Santarém e, com o arranque da competição, a Rádio Hertz estreia um novo espaço, no qual, semanalmente, será apresentado um breve balanço da jornada anterior, assim como uma antevisão da ronda do dia.

Nesta edição inaugural, aqui ficam algumas pistas sobre o que poderá ser, em termos gerais, o campeonato deste ano, a par das perspectivas para a 1.ª jornada, que daqui a poucos minutos terá o seu início, com o recurso a alguns dados estatísticos históricos.

À partida, não será expectável que o campeonato deste ano possa ter um vencedor “pré-anunciado”, como sucedia na temporada anterior com o Fátima, que, confirmando amplamente o seu favoritismo – tendo cedido, ao longo de toda a prova, apenas dois empates –, se sagrou Campeão com uma larga vantagem, de 15 pontos, sobre o 2.º classificado, Cartaxo.

Ainda assim, depois de uma efémera e mal sucedida passagem pelo Campeonato de Portugal, o Coruchense, retornando ao Distrital, parece perfilar-se, sobretudo pela forma como se reforçou durante o “defeso”, como o principal candidato ao título.

De facto, num movimento não isento de controvérsia, a formação do Sorraia recrutou o anterior técnico dos cartaxeiros, André Luís, o qual se faz acompanhar de cerca de metade dos seus anteriores pupilos, de entre os habituais titulares na formação do Cartaxo na época passada. O Coruchense foi ainda buscar elementos ao Fazendense (com o regresso de Joel) e aos Caixeiros, de Santarém.

Mas a turma de Coruche não estará, certamente, sozinha na disputa do título, numa prova que se antevê possa ser bastante mais competitiva e muito mais aberta que a do ano precedente.

Com o vice-campeão Cartaxo necessariamente ainda algo fragilizado, necessitando tempo para voltar a reorganizar o seu plantel (que vinha sendo trabalhado há alguns anos, desde os escalões de formação), o papel de principal desafiante caberá provavelmente ao Riachense, também bastante activo na pré-temporada (por exemplo em Tomar, onde foi buscar dois jogadores), a pretender melhorar a classificação da época passada (5.º lugar), de forma a voltar ao plano que lhe proporcionou a conquista de 3 títulos de Campeão nas suas três participações anteriores na prova (2009, 2010 e 2013).

Continuando a arriscar neste exercício de antecipação do que poderá vir a ser o campeonato, num patamar imediato, mas a espreitar também a possibilidade de chegarem o mais acima possível na classificação, surgem alguns históricos do futebol regional.

De entre eles começo por destacar o União de Tomar (2.º classificado em 2015 e 3.º em 2016), cujo desempenho estará contudo dependente de eventuais reforços adicionais que possam chegar ainda do Brasil.

Assim como, no mesmo plano, outros três tradicionais pretendentes aos lugares cimeiros, como o Fazendense (que registou, no campeonato anterior, com o 8.º posto, a sua pior classificação da última década, em que, em geral, ocupa uma das cinco posições de topo da tabela); o Mação (a par do União de Tomar e do Amiense, o clube com mais presenças na competição nos últimos 15 anos, tendo, cada um deles, falhado a participação apenas por uma vez), um clube que se pauta por extrema regularidade competitiva, posicionando-se sempre entre o 4.º e o 7.º lugar; ou, ainda, o Torres Novas, com uma tendência similar à da equipa das Fazendas, tendo igualmente registado a sua pior classificação em 2016 (6.º lugar), dado que integra geralmente o quarteto da frente.

Menos previsível será o comportamento que poderão vir a ter clubes como o Amiense, At. Ouriense ou o U. Almeirim, os quais deverão ambicionar alcançar uma posição na primeira metade da tabela, ou, pelo menos, garantir, o mais rapidamente possível, a tranquilidade, no que respeita à permanência.

Que será também, em primeira instância, o objectivo primordial dos Empregados do Comércio, que, no ano passado, assegurou “in-extremis” a manutenção, assim como dos recém-promovidos Pego e Samora Correia (ambos regressados ao principal escalão após cinco anos de ausência) e Benavente (este, apenas com duas falhas na I Divisão nos últimos 15 anos, em 2010 e 2016).

Avançando para a projecção da jornada inaugural, começamos logo por ter alguns embates de sensação, de desfecho imprevisível, em especial com os “derbies” Torres Novas-Riachense – um desafio sempre de “tripla”, pese embora o conjunto dos Riachos tenha ganho os dois jogos da época passada, ambos por tangencial 2-1 –, assim como, por outo lado, entre os agora novos primodivisionários, Samora Correia e Benavente (com uma vitória para cada lado, nas duas últimas vezes que se defrontaram em Samora, na I Divisão, na época de 2010-11, ambas por igual resultado de 3-1).

Mas não menos interesse terá o Fazendense-Mação, dois sistemáticos candidatos, com ligeiro favoritismo a pender para o conjunto da casa, conforme indica o histórico, com três vitórias do Fazendense, três empates (dois deles nos últimos dois anos) e dois triunfos do Mação, nos encontros realizados em Fazendas de Almeirim, nas últimas seis temporadas.

Por seu lado, o favorito Coruchense começa por ter uma primeira dificuldade no seu trajecto, com a visita à Ribeira de Santarém, para defrontar os Empregados do Comércio, onde empatou em 2014, tendo ganho em 2015, ano em que conquistou o título.

Em Amiais encontram-se duas equipas que apontam para lugar tranquilo na tabela, com o Amiense a receber o Cartaxo, igualmente com tendência indefinida: uma vitória para cada lado e dois empates, nas últimas quatro vezes em que se defrontaram em Amiais de Baixo, inclusivamente com igualdade no total de golos marcados e sofridos nesses jogos: 8-8.

O At. Ouriense, recebendo o Pego, reúne maior dose de favoritismo; não obstante, no único confronto que opôs as duas equipas em Ourém nos últimos seis anos, o desfecho foi um empate a um golo.

Por fim, o União de Tomar tem a visita do União de Almeirim, esperando-se que – embalado com os categóricos triunfos alcançados nos torneios de Torres Novas e Fernando Matias – possa confirmar o favoritismo que a história lhe concede: três vitórias e um empate nas partidas em que estiveram frente a frente em Tomar nos últimos 15 anos, com um “score” global de 9-2 a favor dos tomarenses.

Os dados estão lançados… Têm a palavra os jogadores de cada equipa, prestes a entrar em campo…

(Texto da rubrica da Rádio Hertz, com o balanço e perspectiva da jornada – 11.09.2016)