A ronda inaugural do Distrital da I Divisão parece vir confirmar – porventura demasiado cedo – o que aqui deixara antever na passada semana, em particular no que respeita ao favoritismo atribuído ao Coruchense e ao Riachense, como principais concorrentes ao título de Campeão desta temporada.

Com um arranque a todo o gás, a equipa de Coruche impôs uma excepcional goleada, por 6-0, na visita à Ribeira de Santarém, frente aos Caixeiros, que, na verdade, nem chegaram a constituir obstáculo de monta para a formação do Sorraia, tal a facilidade com que os visitantes superaram este primeiro desafio. Uma diferença tão grande suscita, porém, e por agora, a dúvida sobre se tal traduzirá um altíssimo potencial dos vencedores, ou uma grande fragilidade dos donos da casa, o que apenas mais à frente será possível avaliar de forma mais fundamentada.

Mas, a par da impressionante entrada em prova do Coruchense, terá sido possivelmente mais relevante o triunfo alcançado pelo Riachense no “derby”, em Torres Novas, ganhando por clara margem de 2-0, repetindo aliás as vitórias que registara já, na época passada, nos dois encontros do campeonato entre estes dois clubes. Um início bem afirmativo do grupo dos “Riachos”, como que a dizer “presente”, na disputa que se prevê venha a manter, a par e passo, com o Coruchense.

Para além destes dois resultados mais destacados, realce ainda para a principal surpresa da jornada, com a vitória do recém-promovido Pego, por 2-1, na visita a Ourém, frente a um At. Ouriense, eventualmente sem as aspirações de outros anos. Como que a demonstrar que tal não sucedeu por acaso, após ter começado por inaugurar o marcador e já depois de a equipa da casa ter, próximo do final, empatado, o Pego acabaria por repor a vantagem, confirmando o seu triunfo.

É também digna de menção a derrota imposta pelo Amiense ao vice-campeão Cartaxo, ganhando por 1-0, com a equipa visitante este ano provavelmente menos forte, enquanto a turma da casa confirma a dificuldade que constitui – qualquer que seja o adversário – a deslocação a Amiais de Baixo.

Nos restantes jogos, resultados mais ou menos expectáveis, com o União de Tomar, com um começo promissor, ganhando por 1-0 a uma equipa reforçada como é a do U. de Almeirim, que ambiciona melhorar o 7.º lugar que registou no ano anterior. Efectivamente, os tomarenses, começando por ter a felicidade de marcar o golo que lhe proporcionaria a vitória, logo aos três minutos, viriam a criar, ainda na primeira parte, uma série de outras ocasiões de perigo, que, contudo, não conseguiriam materializar em golo. Na segunda metade, procurando sobretudo manter a preciosa vantagem, tal permitiu aos almeirinenses registar algum ascendente em termos de posse de bola e de oportunidades, mas, também, sem que o resultado se alterasse até final.

Por seu lado, o Fazendense obteve igualmente um importante triunfo sobre o Mação, por 2-0, num jogo em que estiveram frente a frente dois permanentes candidatos aos lugares de topo da classificação.

Finalmente, noutro “derby”, do município de Benavente, entre dois recém-promovidos ao principal escalão do futebol distrital, o Samora Correia levou de vencida o rival, Benavente, também por tangencial 1-0.

Uma curiosidade: numa competição que se antevê possa ser pautada por significativo equilíbrio, esta foi uma primeira jornada sem qualquer empate… do que resulta começarmos com sete equipas igualdas com três pontos.

Avançando então para a projecção do que poderá ser a 2.ª ronda do campeonato, o encontro de maior cartaz é o que opõe Mação e União de Tomar, com os tomarenses a enfrentar uma saída de elevado grau de dificuldade, perante um adversário que quererá começar a recuperar algum do terreno perdido. O histórico recente das partidas entre os dois clubes – nas últimas seis temporadas – dá-nos nota de uma tendência geral de equilíbrio, pese embora algum ligeiro pendor para a equipa da casa: efectivamente, nesses seis jogos, registam-se duas vitórias para o Mação, e apenas uma para o União (já em 2010-11), para além de três empates (dois dos quais nas três últimas épocas).

Outros desafios de interesse, nos quais, teoricamente, poderá imperar também o equilíbrio, serão o U. Almeirim-Torres Novas, o Pego-Fazendense e o Benavente-Empregados do Comércio.

No primeiro caso, entre almeirinenses e torrejanos, o historial recente é curto, respeitando exclusivamente à temporada passada, na qual os visitantes se impuseram tangencialmente, ganhando por apertado 3-2. Poderão ter, igualmente neste jogo, um ligeiro favoritismo, atendendo ao comportamento de ambos os conjuntos na jornada inaugural.

No que respeita ao Pego-Fazendense, pese embora a surpresa causada no primeiro jogo, não deixo de crer num ligeiro favoritismo a pender para os visitantes, mais rodados a este nível do principal escalão. Tal é, aliás, o indício que nos dá o resultado do único confronto entre estes clubes nos últimos anos, no Pego, em 2010-11, então com vitória do Fazendense por 2-1.

Em relação ao Benavente-Empregados do Comércio, duas equipas que começaram o campeonato a perder – no caso dos Caixeiros, com uma goleada que “doeu” bastante –, este será um jogo que nos poderá proporcionar uma melhor ideia da efectiva valia destes dois conjuntos. Pese embora as duas vitórias registadas pelo Benavente, nos dois jogos que realizaram nos anos mais recentes, ambas por 1-0 (em 2013-14 e 2014-15), o empate será uma forte possibilidade.

Nas restantes três partidas que integram esta jornada, o favoritismo é notório para as equipas da casa, pelo que seria grande a surpresa se não vencessem os clubes visitados.

De facto, no Coruchense-Amiense, um jogo entre dois vencedores na jornada de abertura, a formação de Coruche pretenderá manter a embalagem adquirida, sendo que, nos dois jogos mais recentes entre estas equipas, se registaram duas goleadas, a favorecer a formação do Sorraia, por 5-2 (em 2014-15) e por 4-1 (na época anterior); isto sem esquecer contudo que, em 2012-13, foi o grupo de Amiais de Baixo a surpreender, tendo ganho então por 1-0 em Coruche.

Já no Riachense-Samora Correia – também duas equipas que somaram os três pontos do primeiro jogo –, não havendo histórico recente de encontros entre estas duas equipas, o Riachos não estará disposto a conceder, desde já, qualquer vantagem ao concorrente Coruchense, sendo portanto amplamente favorito.

Por fim, no Cartaxo-At. Ouriense, a tendência histórica aponta para uma repartição de triunfos: dois para cada lado, nas quatro vezes em que se encontraram, nos últimos seis anos, no Cartaxo, curiosamente de forma intercalada: primeiro ganhou o conjunto de Ourém, depois a formação visitada, de seguida, novamente o Ouriense, para, no ano passado, ter sido o Cartaxo a golear por 4-0. Este ano antecipo que possa voltar a vencer, provavelmente por margem mais escassa.

Dentro de minutos começaremos a ver, em campo, a concretização prática destas conjecturas teóricas…

(Texto da rubrica da Rádio Hertz, com o balanço e perspectiva da jornada – 18.09.2016)