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(“O Templário”, 22.09.2016)

O que faz do futebol um jogo tão aliciante é (também) a sua frequente falta de lógica, com as equipas favoritas a serem superadas por outras teoricamente menos apetrechadas. O campeonato será tão mais interessante quanto mais tempo se mantiver o equilíbrio, nomeadamente a nível da disputa pelos lugares de topo da classificação.

Pois, se foram enriquecedores para a competição os triunfos do Samora Correia (em Riachos) e do Pego (frente ao Fazendense) – e, em certa medida, também a vitória do Mação, pese embora contrária aos interesses dos tomarenses –, já não será tão aprazível a forma como o Coruchense parece começar a impor-se, logo nesta fase de arranque da prova. Mas o campeonato é longo, e a “procissão ainda vai no adro”.

Isto, sem esquecer também que, por agora, o grupo do Sorraia partilha a liderança precisamente com o Pego e Samora Correia, os três clubes que conseguiram vencer os dois jogos já disputados, com a curiosidade de nenhum deles integrar este escalão na época anterior.

Destaques – O principal destaque da 2.ª ronda vai para a inesperada vitória do Samora Correia em Riachos, ante o favorito Riachense, por 2-1, a atrasar desde já um candidato, a parecer repetir a pecha que tanto o penalizou na temporada passada, por via da perda de pontos no seu terreno. Por seu lado, os samorenses, recém-chegados do escalão secundário, iniciam esta época sob os melhores auspícios, porventura a pensar em projectar-se para maiores aspirações que aquelas que, à partida, lhe seriam atribuídas.

Na mesma linha, para já totalmente vitorioso, segue o Pego, que, depois de ter começado por surpreender, ganhando em Ourém, bisou a surpresa, impondo-se ao favorito Fazendense (1-0), não obstante ter actuado no seu terreno. Os pegachos começam a amealhar pontos que lhes possibilitem resguardo em tempos menos férteis…

Realce ainda para o desfecho do desafio entre Mação e União de Tomar, com os maçaenses a vencerem por 2-1. Ao invés do que sucedera na jornada inicial, o União entraria, desta feita, praticamente a perder, tendo sofrido o primeiro tento ainda antes de decorridos dois minutos. Não abdicando de ir em busca dos pontos em disputa, os unionistas chegariam ao empate, ainda no primeiro tempo… mas mal teriam tempo para festejar, porque, de imediato, seriam sancionados com uma grande penalidade, de que resultou o golo do triunfo dos visitados. Na segunda metade – e procurando tirar partido da inovação introduzida neste campeonato, que permite até cinco substituições –, Lino Freitas faria, logo ao intervalo três alterações no “onze”; porém, à medida que o tempo ia decorrendo, o Mação ia-se fechando mais, com os tomarenses, paralelamente, a perder discernimento, não tendo conseguido evitar o primeiro desaire.

Confirmações – Para além do triunfo do Coruchense face ao Amiense, por convincente marca de 3-0 (ampliando o seu “score” global para 9-0, em apenas dois jogos), tiveram também resultados expectáveis o Cartaxo-At. Ouriense (1-0), e, pese embora algum favoritismo que seria atribuído aos almeirinenses, o nulo entre U. Almeirim e Torres Novas (curiosamente, o precedente e o próximo oponentes do União de Tomar).

Surpresa – Para além da maior surpresa – que se constitui paralelamente no principal destaque desta ronda (a vitória do Samora Correia em Riachos) –, não seria talvez previsível que, depois de terem sido “cilindrados” na partida inicial, no seu próprio terreno, os Empregados do Comércio tivessem reacção tão positiva, indo vencer ao campo do Campeão da II Divisão, Benavente (e por 2-0), o que coloca desde já os benaventenses, a par do At. Ouriense, na desconfortável posição de “lanterna vermelha”, únicas duas equipas que perderam os dois jogos.

Campeonato de Portugal Prio – À 4.ª jornada, o Fátima manteve a sua carreira triunfal, somando terceira vitória em outros tantos encontros disputados, “esmagando” uma exaurida equipa da Naval, por contundente 8-0 (passando o “score” geral da turma da Figueira da Foz, que acumula já quatro desaires, para arrepiante 0-18); os fatimenses, recém-promovidos do Distrital seguem num excelente 2.º posto, apenas superados pelo Sertanense (já com quatro vitórias). Quanto ao Alcanenense, recebendo uma equipa despromovida da II Liga, Mafra, não evitou ser desfeiteado, em casa, por 1-2, repartindo agora o 3.º lugar precisamente com este adversário (o qual, contudo, regista um jogo em atraso) e com o surpreendente Gafetense, numa série com liderança destacada (somando igualmente quatro triunfos) pelo Praiense.

Antevisão – Na próxima jornada do Distrital da I Divisão, destaca-se o clássico União de Tomar-Torres Novas, que coloca frente a frente os dois clubes com maior historial do Distrito, esperando-se que os unionistas possam confirmar a sua condição de favoritos neste confronto.

Também particularmente aliciante se afigura o desafio entre Fazendense e Cartaxo, duas das equipas tradicionalmente de topo neste escalão. De interesse será igualmente o Samora Correia-U. Almeirim.

Os principais candidatos à disputa do título têm saídas de grau de dificuldade similar, nas quais reúnem favoritismo, mas em que um imprevisto pode “estar à espreita”: o Coruchense desloca-se a Ourém, enquanto o Riachense visita a Ribeira de Santarém, restando saber qual a “cara” com que se apresentarão os “Caixeiros” (a da primeira jornada, ou a da segunda?).

O Campeonato de Portugal terá, no próximo fim-de-semana, uma breve pausa, para disputa da 2.ª eliminatória da Taça de Portugal, com as duas equipas do Distrito que se mantêm em prova a defrontarem dois clubes repescados, após terem sido derrotados na ronda inaugural, pelo que assumirão a condição de favoritas: o Fátima recebe o Pampilhosa (penúltimo na sua série do Nacional), enquanto o Alcanenense é visitado pelo Sendim, de Miranda do Douro, a militar no Distrital de Bragança (que fora goleado por 1-8 pela A. D. Oliveirense na eliminatória anterior).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 22 de Setembro de 2016)