Após uma jornada (3.ª) sem surpresas, o Distrital da I Divisão apresenta-se ainda extremamente equilibrado, com nada menos do que seis clubes igualados na 3.ª posição, a um único ponto do 2.º classificado (Samora Correia), sendo a única equipa que começa já a destoar, a do Coruchense, único concorrente que ganhou todos os três jogos já realizados no campeonato, agora com um impressivo “score” global de 11-0.

Para além do grupo do Sorraia, só os samorenses mantêm a invencibilidade; ao invés, At. Ouriense e Benavente somaram terceiro desaire sucessivo, com a particularidade de a formação benaventense – aliás, como a do Torres Novas – ainda não se terem estreado a marcar na prova.

Na última ronda começa por destacar-se a goleada imposta pelo União de Tomar frente ao Torres Novas, repetindo aliás o 3-0 que se verificara já, na pré-época, no Torneio da cidade torrejana. Curiosamente, não se verificava uma vitória unionista por margem tão dilatada frente ao seu rival histórico há mais de 40 anos: as últimas vezes que o União tinha ganho por 3-0 ao Torres Novas foram em 1973-74, em partida do campeonato nacional da II Divisão; e em 1964-65, em jogo da III Divisão – por coincidência, em ambas as temporadas, o União de Tomar viria a sagrar-se Campeão Nacional do respectivo escalão!

Este encontro teve bastantes similitudes com o da ronda inaugural, face ao U. Almeirim, com os tomarenses a entrar novamente a ganhar, tendo marcado o golo inaugural bem cedo, perdendo depois, até final do primeiro tempo, outras oportunidades para ampliar o marcador. Numa segunda parte mais de contenção, os nabantinos sentenciariam o desfecho da partida com mais dois tentos, apontados já na parte final do desafio.

Os candidatos Coruchense e Riachense confirmaram o favoritismo, nas difíceis deslocações que tiveram: de forma mais categórica, no caso da turma de Coruche, ganhando por 2-0 em Ourém; com maior dificuldade, no caso do conjunto dos Riachos, vencendo por 2-1 na Ribeira de Santarém, perante os “Caixeiros”, mas tendo de operar reviravolta no marcador, depois de começar por se ver em desvantagem.

Noutro jogo de grande cartaz, o Fazendense, reagindo positivamente ao desaire sofrido no Pego, ganhou na recepção ao Cartaxo (2-1), o que, para já, lhe permite integrar o extenso lote de 3.ºs classificados.

Também o Mação, visitado pelo Pego, confirmou o favoritismo, voltando a triunfar, agora por margem concludente (3-0), impondo aos pegachos a primeira derrota na prova, depois de duas vitórias nas duas jornadas iniciais.

Precisamente pelo mesmo marcador (3-0), o Amiense bateu o “lanterna vermelha”, Benavente, num jogo em que a sua superioridade nunca esteve em causa.

Por fim, igualmente expectável, tal como aqui deixara antever, por poder satisfazer ambos os conjuntos, foi o desfecho do Samora Correia-U. Almeirim, a saldar-se por uma igualdade a uma bola  – não obstante o tento do empate do Samora ter surgido já em período de compensação –, o que proporciona aos samorenses, por agora, isolar-se num excelente 2.º lugar da pauta classificativa, ainda sem perder.

Avançando para a projecção da 4.ª ronda, as atenções estarão especialmente focadas em Coruche, onde se desloca o Fazendense, equipa que poderá oferecer boa réplica ao líder (recorde-se que, na última vez que se defrontaram no referido terreno, a turma de Fazendas de Almeirim obteve surpreendente goleada por 5-0, numa época – 2014-15 – em que o Coruchense acabaria por vir a sagrar-se Campeão Distrital). Mais, nas três vezes em que ambos os clubes se defrontaram em Coruche nos últimos seis anos, nunca o conjunto da casa conseguiu alcançar a vitória, tendo perdido por duas vezes; o melhor que obteve foi um nulo, em 2013-14. De qualquer forma, os visitados parecem revelar, desta feita, algum favoritismo.

Outro encontro de interesse será o Torres Novas-Samora Correia, com os torrejanos, ainda sem marcar, e contando um único ponto, a necessitarem de pontuar, pelo que a invencibilidade samorense poderá ser colocada à prova. O histórico recente é curto, apenas um jogo entre ambos, e já em 2010-11, então com vitória do Torres Novas por tangencial 1-0. Poderá repetir-se agora desfecho similar.

O Pego-União de Tomar terá também o aliciante de saber se os nabantinos, numa difícil saída, conseguirão, de alguma forma, começar a fazer esfumar-se o bom arranque dos pegachos, após os dois triunfos iniciais, a que se seguiu o desaire em Mação. Nas últimas duas partidas disputadas entre os dois clubes no Pego, ambas já na temporada de 2010-11, curiosamente, registou-se uma vitória para cada lado, ambas por 3-1; a formação da casa ganhou na 1.ª fase, tendo os unionistas conseguido desforrar-se na 2.ª fase. Hoje, o empate poderá ser um cenário de elevada probabilidade.

Outro encontro tradicionalmente de elevada importância é o que opõe Cartaxo e Mação, dois emblemas de topo no Distrito, com os cartaxenses esta época aparentemente menos fortes (somando já duas derrotas), enquanto os maçaenses, depois da derrota inicial nas Fazendas de Almeirim, obtiveram duas vitórias sucessivas. O histórico recente aponta para um claro favoritismo do conjunto da casa, com 4 vitórias e um empate; contudo, uma eventual igualdade não surpreenderia.

Por curiosidade, defrontam-se, também nesta jornada, os dois últimos classificados, Benavente e At. Ouriense, numa partida que começa já a assumir contornos de importância para o respectivo futuro na prova, dado que ambos os conjuntos estarão à procura do primeiro ponto. Nas últimas seis vezes que se defrontaram em Benavente, três vitórias para os visitados, dois empates, e apenas um triunfo para os oureenses, mas que ocorreu precisamente no último encontro, em 2013-14 (época em que o At. Ouriense se viria a sagrar Campeão Distrital). Desta vez, parece ser mais um jogo a tender para o equilíbrio.

O pretendente ao título Riachense recebe o Amiense, com o passado recente a dar-lhe total favoritismo, com três vitórias em outros tantos jogos em que estas equipas se cruzaram nos Riachos. Pese embora o categórico triunfo da formação de Amiais de Baixo na ronda anterior, não deverá, hoje, evitar a derrota.

Resta-nos falar do U. Almeirim-Empregados do Comércio, encontro de historial muito curto e recente, dado que apenas no ano passado se encontraram, então com empate a duas bolas. O que até se poderá repetir hoje; contudo, a suceder, tal não deixaria de constituir uma surpresa, considerando que os almeirinenses reúnem maior favoritismo, atendendo não só os argumentos de que dispõem a nível de plantel, a par também do facto de actuarem no seu terreno.

(Texto da rubrica da Rádio Hertz, com o balanço e perspectiva da jornada – 02.10.2016)