O Distrital da I Divisão vai gradualmente cumprindo o seu calendário, já com quatro jornadas disputadas, após as quais subsistem apenas dois clubes ainda invictos (Coruchense e Samora Correia) – ocupando consequentemente as duas primeiras posições – sendo que a formação do Sorraia é a única que continua a contar por vitórias todos os jogos disputados.

O grande equilíbrio que se notava na ronda anterior parece ter começado a desfazer-se: o Coruchense, com o pleno de 12 pontos somados tem agora já o dobro dos pontos dos 6.º classificados; apenas os quatro primeiros se mantêm num intervalo de três pontos, com União de Tomar e Riachense a partilhar o 3.º posto.

No passado fim-de-semana, destaque para o quarto triunfo sucessivo do Coruchense, na recepção ao Fazendense, apesar da tangencial marca de 1-0, denotando as dificuldades colocadas pelo adversário, ao qual, aliás, não conseguira derrotar nas três vezes anteriores em que se encontraram em Coruche.

Mas a surpresa da jornada foi a registada em Torres Novas, com a equipa da casa, com uma campanha irreconhecível (já com três derrotas em quatro jogos, e ainda sem conseguir ganhar), a perder por 1-2 ante um muito personalizado grupo de Samora Correia, chegado da II Divisão Distrital, mas a revelar qualidade, ainda invicto, e já com duas vitórias em terreno alheio, dado ter ganho também nos Riachos.

Por falar em Riachense, continua a recuperar desse “passo em falso”, obtendo a sua terceira vitória, recebendo o Amiense, ganhando talvez com maior dificuldade que o esperado, também graças a um solitário golo (tal como o líder).

Com uma campanha similar, tendo igualmente somado o terceiro triunfo – com a atenuante do único desaire ter sido sofrido em Mação – segue o União de Tomar, que foi ganhar ao Pego, igualmente por 1-0, num terreno difícil, o único campo pelado da I Divisão. Mais uma vez os unionistas voltaram a ter entrada bastante forte, criando sucessivos lances de ataque, mas continuando a ser bastante perdulários, demorando a chegar ao golo da vitória, o que permitiu inclusivamente ao clube da casa, em determinada fase, começar a pensar na obtenção de um resultado positivo. O desfecho verificado afigura-se de justiça, dada a superior exibição do guardião pegacho.

Continuando a seguir a hierarquia da tabela classificativa, o Mação – um clube tradicionalmente de grande regularidade, ocupando agora o 5.º lugar – continua a manter uma boa cadência, de resultados positivos, tendo averbado um nulo na sempre difícil deslocação ao Cartaxo.

Em Almeirim, o União local, que se perfila como candidato aos lugares cimeiros, procurando encetar uma recuperação pontual, recebeu e venceu os Empregados do Comércio por 2-1, no que constitui o seu primeiro triunfo no campeonato, mas num jogo que talvez se esperasse algo mais desequilibrado.

Por fim, no confronto entre os dois clubes que até então repartiam a “lanterna vermelha”, realce para a vitória do At. Ouriense em Benavente, numa partida empolgante, como atesta o marcador final de 3-4, a possibilitar aos oureenses começar a “respirar” um pouco melhor, ao mesmo tempo que a formação benaventense se parece começar a “afundar” em posição de risco, com derrotas em todos os quatro encontros disputados. Não obstante, ainda com muito tempo para inverter a situação, até porque o atraso em relação à “linha de água” – traçada precisamente pelo At. Ouriense e pelos “Caixeiros” – é, por agora, apenas de três pontos.

Pese embora estarmos ainda no início da prova, o que talvez ninguém pudesse prever seria que o Torres Novas, com um único ponto alcançado, estivesse também abaixo de tal fronteira, nesta altura em posição de despromoção…

Depois de “horas extra” a meio da semana, no feriado de 5 de Outubro, para disputa da 1.ª jornada da fase de grupos da Taça do Ribatejo – com encontros tão aliciantes como o Samora Correia-Coruchense (os dois primeiros do campeonato, com mais um êxito para o grupo de Coruche) ou o derby Riachense-Torres Novas (com outro desaire torrejano) –, regressa o campeonato, já na sua 5.ª ronda.

O “jogo grande” opõe, em Tomar, os actuais 2.º e 3.º classificados, com o União a receber o surpreendente Samora Correia, num teste importante às suas capacidades. Apesar de o historial lhe conceder vantagem teórica (duas vitórias, nas duas últimas vezes que as equipas se cruzaram na cidade do Nabão, ambas na já algo distante temporada de 2010-11), os unionistas não deixarão de estar de sobreaviso…

Merece igualmente especial atenção o Mação-Coruchense, onde o líder poderá ser seriamente colocado à prova – ocasião para recordar que, na época pretérita, os maçaenses impuseram ao Fátima um dos dois únicos empates que o Campeão viria a registar em toda a prova –, atendendo inclusivamente ao histórico recente, sem que o grupo do Sorraia tenha conseguido ganhar nos três últimos jogos em Mação, não indo além de dois empates e uma derrota. Veremos se, tal como sucedeu nos confrontos com o At. Ouriense e Fazendense, o Coruchense conseguirá novamente superar o seu historial.

O Riachense enfrenta também uma difícil deslocação, a Ourém, onde será igualmente colocado à prova; de facto, nos três jogos aí disputados nos últimos seis anos, registo para duas vitórias do At. Ouriense e apenas um triunfo para o grupo do Riachos, curiosamente na última época. Hoje, a igualdade será uma forte possibilidade.

Passando para outro extremo da tabela classificativa, na Ribeira de Santarém, estarão em confronto directo dois clubes actualmente a passar por algumas “aflições”, com os Empregados do Comércio a receberem o Torres Novas, num confronto onde já aconteceu quase “de tudo”: desde uma goleada por 7-0 a favor dos torrejanos, a outra goleada, no ano imediato, por 4-0, desta feita a favor dos “Caixeiros”, que repetiram a vitória na temporada passada… está a faltar, portanto, um empate.

Em Amiais de Baixo, o Amiense tem a visita do U. Almeirim, numa partida desafiante para ambos os clubes, dadas as respectivas aspirações no campeonato. Nos anos mais recentes encontraram-se apenas na época precedente, não tendo então conseguido desfazer o nulo. Num campeonato, até agora, muito pouco pródigo em empates (apenas 3 em 28 jogos), este pode ser outro jogo com essa perspectiva de equilíbrio.

O Fazendense recebe o “lanterna vermelha” Benavente, sendo pouco expectável que os benaventenses possam dar hoje início à sua tão necessária recuperação, ou sequer, que consigam marcar o primeiro ponto… Nos últimos seis jogos entre ambos, três vitórias para os visitados e dois empates, tendo o Benavente conseguido somente um triunfo, em 2012-13.

Por fim, o Pego volta a actuar no seu terreno, recebendo o Cartaxo. Na única vez que se defrontaram nos últimos anos, já em 2010-11, o desfecho foi uma igualdade a uma bola. Poderá repetir-se também hoje?

(Texto da rubrica da Rádio Hertz, com o balanço e perspectiva da jornada – 09.10.2016)