Mais uma jornada decorrida, e o equilíbrio parece voltar a imperar, com os quatro primeiros classificados separados por apenas dois pontos, tendo entretanto o Coruchense voltado a isolar-se no comando, ascendendo de novo o Samora Correia ao 2.º lugar, somente a um ponto do líder. E, ao quarteto da frente, segue-se um trio, também concentrado num intervalo de apenas dois pontos, com destaque para a subida na tabela do Amiense, agora 5.º classificado, a três pontos da turma do Sorraia.

Preocupantes começam a ser já as campanhas negativas que At. Ouriense e Torres Novas (cada um acumulando já cinco derrotas em seis jogos no campeonato) – para além do Benavente (que ainda não se estreou a pontuar) –, vêm protagonizando.

Na jornada passada o principal destaque vai para o empate cedido pelo Riachense na recepção ao Fazendense (2-2), com o grupo das Fazendas, agora a partilhar o 6.º posto com o União de Tomar, a perfilar-se também como candidato aos lugares da frente, enquanto a formação dos Riachos voltou a deixar escapar o Coruchense.

Realce ainda para a goleada obtida pelo U. Almeirim sobre o At. Ouriense (4-0), permitindo aos almeirinenses, que, à partida, se apresentavam com aspirações, começar a subir na tabela, depois de um arranque algo titubeante.

Também o Samora Correia prossegue a sua excelente campanha, mantendo a invencibilidade no campeonato, tendo ganho por categórico 4-1 frente aos Empregados do Comércio, retomando assim a posição de vice-líder.

A equipa de Coruche venceu com naturalidade o Pego (2-0), reagindo prontamente ao desaire da jornada anterior, tendo beneficiado do referido empate do Riachense para se voltar a isolar na frente.

Em Benavente, a equipa da casa continua a sua senda de derrotas, tendo sido batida pelo Mação, por tangencial marca de 1-0, o que possibilitou aos maçaenses ascender ao 3.º lugar, a par do Riachense.

A maior surpresa da jornada foi o desaire caseiro do Torres Novas ante o Amiense, perdendo por 1-2, no que constitui já a quarta derrota sucessiva dos torrejanos (quinta, se somarmos o jogo da Taça do Ribatejo), mantendo-se na penúltima posição, ainda sem ganhar – só o Benavente não conseguiu igualmente alcançar ainda o triunfo –, e tendo obtido somente um ponto em seis jornadas.

Por fim, não se esperaria também que o União de Tomar voltasse a baquear no Cartaxo, perdendo por pesada marca de 0-3, resultado de vários erros defensivos, de um conjunto que, curiosamente, se cotara, nas cinco primeiras rondas, com uma das melhores defesas (apenas com dois tentos sofridos). No passado domingo, tudo correu mal aos unionistas, sofrendo três golos algo caricatos, muito consentidos, a resultar de infelizes ressaltos, num desfecho que, sem contestar a vitória dos visitados, se afigura excessivamente penalizador para os tomarenses.

Disputa-se hoje a 7.ª ronda do campeonato, repleta de aliciantes encontros, com primazia para o Mação-Riachense, com ambas as equipas de olhos postos na possibilidade de chegar ao 1.º lugar, em caso de eventual deslize do líder (e do Samora Correia)… e desde que uma delas consiga vencer este desafio. Curiosamente, o histórico recente aponta para uma igualdade absoluta, com três empates nos três últimos jogos realizados em Mação entre ambas as equipas, um desfecho que não surpreenderia caso voltasse a repetir-se.

Quanto ao Coruchense, depois da desfeita sofrida na última saída, a Mação, terá mais um difícil teste, na deslocação ao Cartaxo, equipa que surgirá moralizada pela vitória sobre o União de Tomar. Curiosamente, também neste caso, nos dois confrontos disputados entre estes clubes nos últimos seis anos, verificaram-se também dois empates. Não há duas sem três?

Mas há bastantes mais motivos de interesse. Desde logo um “derby” Fazendense-U. Almeirim, de desfecho sempre imprevisível. O historial recente é muito curto, com apenas um jogo na I Divisão Distrital, na temporada passada, então com vitória da turma das Fazendas, por 2-0. Hoje, os visitados voltarão a reunir ligeiro favoritismo, nomeadamente por actuarem no seu ambiente.

De notar ainda o confronto entre os dois clubes que maior sensação têm provocado até agora, Amiense-Samora Correia, cujos últimos encontros datam já de 2010-11, então com um empate e uma vitória para a formação de Amiais de Baixo, que, depois do triunfo alcançado em Torres Novas (onde, aliás, os samorenses também venceram) se apresentará igualmente como favorita, a colocar à prova a invencibilidade dos visitantes.

No extremo oposto, At. Ouriense e Torres Novas (respectivamente antepenúltimo e penúltimo classificados) enfrentam mais uma partida determinante para poderem adquirir confiança e alguma tranquilidade para o respectivo futuro na prova. As duas equipas defrontaram-se já por seis vezes em Ourém, nos últimos seis anos, com a tendência a pender para os donos da casa, que registam três vitórias e dois empates, apenas tendo perdido em 2011-12. Veremos se a “chicotada psicológica” que se verificou no Torres Novas poderá ter já efeitos positivos no imediato.

No Pego-Benavente, não será expectável que possa ser ainda desta feita que os benaventenses venham a obter a primeira vitória, podendo eventualmente considerar-se positivo um desfecho que lhes permita averbar o primeiro ponto. De facto, nas duas vezes que se encontraram (ambas na já distante época de 2010-11), os pegachos venceram então os dois desafios.

Por fim, temos ainda o União de Tomar-Empregados do Comércio, em que uma possível vitória unionista seria igualmente de grande importância para reforçar os níveis de confiança da equipa, que vem sendo assolada por diversos contratempos, nomeadamente a nível de lesões e outros impedimentos de alguns dos habituais titulares. Os dois clubes já se cruzaram por três vezes na cidade do Nabão, nos três últimos anos, inicialmente com dois nulos, a que se seguiu, na época transacta, o triunfo unionista por clara margem de 4-2. Em qualquer caso, atendendo à carreira de ambas as formações nesta fase inicial da prova, e pese embora a recuperação dos “Caixeiros”, o União surge como natural favorito, o que, não obstante, necessitará confirmar dentro das quatro linhas.

(Texto da rubrica da Rádio Hertz, com o balanço e perspectiva da jornada – 23.10.2016)