Agora já com um quarto de campeonato decorrido, após a disputa das sete primeiras jornadas, e à medida que a prova parece ir ficando cada vez mais disputada na parte cimeira da tabela – com o 2.º e 6.º classificados separados por apenas três pontos –, paralelamente, os dois principais candidatos ao título vão confirmando esse estatuto, superando as difíceis provas que lhe vêm sendo colocadas.

Começando pelo líder, Coruchense, obteve um importante triunfo no difícil terreno do Cartaxo, pese embora por tangencial 1-0, num desafio de cariz muito especial, com o retorno, agora na condição de adversários, de vários dos jogadores (e, também, do treinador) que aí tinham alinhado na época passada, entretanto transferidos para a formação do Sorraia. Enfrentando o superior potencial do oponente, os cartaxenses não conseguiram aproveitar a embalagem da vitória ante o União de Tomar.

Mas, mais surpreendente terá sido a forma categórica como o Riachense foi vencer a Mação, por 3-0, ultrapassando com aparente facilidade um adversário que, duas semanas antes, tinha batido o grupo de Coruche (depois de ter ganho já também ao União de Tomar); a turma dos Riachos mantém assim a diferença de dois pontos em relação ao guia.

Merece também especial realce a campanha que o Amiense vem realizando – em contraponto com a registada na fase inicial da temporada passada –, tendo ascendido ao 3.º lugar, ultrapassando assim o Samora Correia, a quem bateu igualmente por convincente marca de 3-0, impondo-lhe assim o primeiro desaire na prova, tendo os samorenses sido os últimos a ver quebrada a sua invencibilidade.

Prosseguindo pela ordem da classificação, o União de Tomar, partilhando agora o 5.º posto com o Mação, obteve uma justa vitória ante os Empregados do Comércio, por 2-0, depois de, uma vez mais, praticamente ter entrado a ganhar (abrindo o marcador logo aos três minutos), cedo fixando o resultado final, mas continuando a desperdiçar oportunidades para ampliar o marcador. O que continua a amplificar-se é a magnífica sucessão de jogos consecutivos sem sofrer golos em Tomar, em partidas do campeonato, agora já num total de 11 – transitando desde a época precedente –, tendo, curiosamente, sofrido os últimos tentos, precisamente na anterior recepção aos “Caixeiros”, já a 20 de Dezembro de 2015 (há mais de dez meses, portanto!), ganhando na altura por 4-2.

Numa prova que, em 49 jogos disputados, registou apenas sete empates, dois deles ocorreram precisamente nesta ronda, constituindo desfechos que não terão agradado plenamente a nenhum dos quatro contendores envolvidos.

Efectivamente, no “derby” Fazendense-U. Almeirim, a igualdade registada, a uma bola, vem atrasar ambos os clubes, agora classificados exactamente a meio da tabela, no 7.º e 8.º postos, já a sete e a nove pontos da liderança, respectivamente.

Por seu lado, no At. Ouriense-Torres Novas, o nulo que subsistiu até final dos 90 minutos mantém as duas equipas em situação aflitiva, na cauda da pauta classificativa, posições nada condizentes com o historial dos dois clubes, no 12.º e 14.º lugares. Para os torrejanos, nem o facto de terem interrompido uma sucessão de quatro desaires consecutivos, evitou que caíssem num inimaginável último lugar, situação em que porventura jamais se tinham visto nesta fase da temporada…

E isto porque, contrariando as expectativas, o Benavente – após seis derrotas nas seis jornadas iniciais – conseguiu mesmo estrear-se finalmente a vencer, e em terreno alheio, no Pego, por disputado marcador de 3-2, com os pegachos, após um arranque positivo, a começar a baixar gradualmente na tabela, já na 9.ª posição, somente com dois pontos a mais que o 11.º classificado, que continua a ser o grupo dos “Caixeiros”.

Na jornada de hoje, a oitava, o jogo de maior cartaz, onde estarão focadas as atenções, é o Coruchense-União de Tomar, em que os unionistas poderão ter bastante a ganhar, caso consigam alcançar um resultado positivo. Isto apesar de o histórico recente ser favorável à formação do Sorraia que ganhou três dos quatro desafios disputados entre ambas as equipas em Coruche nos últimos seis anos.

De especial interesse, na medida em que poderá contribuir para definir tendências de evolução futura neste campeonato, será o U. Almeirim-Mação, com os maçaenses certamente a procurar reagir ao desaire sofrido em casa. Os dois clubes apenas se encontraram no ano passado, tendo então empatado, um desfecho que poderá eventualmente repetir-se hoje.

Igualmente definidor poderá revelar-se o Torres Novas-Fazendense, com os torrejanos a necessitar urgentemente, não apenas de pontuar, mas, inclusivamente, de obter a primeira vitória, dado serem agora a única equipa que ainda não se estreou a ganhar. Pelo histórico, a formação das Fazendas até poderá ser a “ideal” para tal desiderato, tendo em consideração que, nos últimos seis encontros entre ambos, o Torres Novas venceu por cinco vezes, cedendo um único empate, já em 2010-11. Nada é garantido, mas poderá ser um bom augúrio…

Os Empregados do Comércio, também a necessitarem de aumentar o seu ainda escasso pecúlio pontual, recebem um dos clubes que está a fazer sensação, o Amiense, num jogo de desfecho imprevisível. Nas três vezes que se defrontaram em Santarém, os “Caixeiros” ainda não conseguiram ganhar, tendo averbado um empate (na época passada), depois de dois desaires nos anos precedentes. Será desta?

O Riachense, recebendo o Pego, estará de “ouvidos à escuta” do que se poderá ir passando em Coruche, já que se posiciona como claro favorito ao triunfo neste jogo… desde que não volte a sofrer um deslize caseiro. Curiosamente, este é um confronto sem histórico precedente nos seis anos mais recentes.

O Samora Correia recebe o At. Ouriense, numa partida em que a intuição me diz que não será inviável que possa vir a haver alguma surpresa. Aliás, na única vez que se defrontaram nos últimos seis anos, em 2010-11, a vitória sorriu mesmo aos oureenses, pese embora então num contexto diverso, se atendermos a que, nessa temporada, os samorenses finalizaram a prova na última posição do campeonato.

Por fim, o Benavente procurará, ante o Cartaxo, bisar o êxito da semana passada, o que, contudo, não se afigura fácil. Por curiosidade, nos três encontros que disputaram entre ambos nas seis últimas épocas, regista-se uma “perfeita” igualdade: uma vitória para cada lado e um empate, com um “score” de 3-3 em golos.

(Texto da rubrica da Rádio Hertz, com o balanço e perspectiva da jornada – 30.10.2016)