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(“O Templário”, 03.11.2016)

Contrariando o que, em determinada fase (inicial) da competição, se chegou a recear – que o Coruchense pudesse, de alguma forma, vir a replicar o desempenho do Fátima na época anterior, distanciando-se da concorrência –, o campeonato surge agora, a cada jornada que passa, cada vez mais empolgante, com um lote de várias equipas separadas por escassa margem pontual, com os cinco primeiros concentrados num intervalo de apenas três pontos.

Isto, numa ronda em que, mercê do sensacional triunfo do União de Tomar em Coruche, temos mudança de líder, com o Riachense a assumir agora, de forma isolada, o comando da prova.

Destaques – O grande destaque desta jornada vai para a inesperada vitória do União de Tomar no terreno da formação do Sorraia, até então líder do campeonato, somando por triunfos os jogos que havia disputado em casa.

Entrando em campo de forma personalizada, respeitando mas sem temer o adversário, o grupo unionista começou, desde cedo, a “enervar” o conjunto visitado, o que se intensificaria quando, ainda antes dos 20 minutos, na primeira ocasião que dispôs, Diogo Moreira, isolado na cara do guardião, não perdoaria, pleno de eficácia, a inaugurar o marcador. A partir daí, a pressão do “onze” do Sorraia intensificar-se-ia, remetendo a formação tomarense para a sua zona mais recuada, onde ia procurando contrariar as investidas contrárias. Viria contudo a ser surpreendido, já próximo do intervalo, com um forte remate, a restabelecer a igualdade.

Na segunda metade do desafio, à medida que o tempo ia decorrendo, mais o Coruchense denotava a pressão e a intranquilidade que começava a sentir, de forma a tentar evitar a perda de pontos. E, embora de forma mais atabalhoada, não tão organizada como na primeira parte, beneficiando de alguns ressaltos de bola, os comandados de André Luís criariam então algumas ocasiões soberanas de golo; desde logo, começando com uma grande penalidade, em que o guardião unionista, Telmo Rodrigues, brilhou a grande altura, com uma soberba estirada, a evitar o tento; depois, com uma bola na trave, e, numa fase em que o jogo estava já “partido”, sem táctica definida, com a equipa da casa então a dar “o tudo por tudo”, a rematar de qualquer forma, muitas vezes a despropósito, sem qualquer nexo, uma ou outra vez com muito perigo.

Foi feliz então o União de Tomar, e mais felicidade teria ainda quando, já no derradeiro minuto do tempo de compensação, na conversão de um livre, ainda em posição afastada da baliza, Espadinha, com um remate seco, que passou pela barreira, viu o guarda-redes contrário, o conceituado Nuno Carrapato, deixar escapar a bola entre as mãos, anichando-se no fundo das suas redes. Uma vitória inesperada, fruto do trabalho, esforço e entrega dos jogadores do União, e, também, de uma boa dose de sorte… que é parte integrante do jogo.

Pelos números alcançados, é digno de menção especial o triunfo averbado pelo Amiense – com excelente campanha, atingindo a quarta vitória consecutiva, a igualar agora o Coruchense na 2.ª posição, somente a um escasso ponto do novo guia – na Ribeira de Santarém, impondo-se por categórica marca de 3-0 aos “Caixeiros”, que continuam a denotar grandes dificuldades em sair da parte baixa da tabela.

Realce também para a vitória do U. Almeirim – em fase ascendente, agora já no 7.º posto – frente ao Mação (1-0), paralelamente o segundo desaire sucessivo dos maçaenses.

Por seu lado, o Cartaxo rectificou, de alguma forma, a derrota caseira ante o Coruchense, ao ir vencer a Benavente (2-1), voltando a empurrar os benaventenses para o último lugar da tabela.

Por fim, uma nota de apreço pelo primeiro triunfo (1-0) alcançado pelo histórico Torres Novas e logo frente a um adversário sempre cotado como é o Fazendense.

Confirmações – Beneficiando do deslize da turma de Coruche, o Riachense não deixou de fazer “a sua parte”, goleando o Pego por 4-1, com os pegachos aparentemente em trajectória descendente, tendo somado cinco derrotas nas últimas seis jornadas.

Já o Samora Correia, reagindo também de forma positiva ao desaire sofrido em Amiais de Baixo, que interrompeu o seu ciclo de invencibilidade, confirmou o favoritismo na recepção ao At. Ouriense, ganhando por 2-0, mantendo-se no topo da pauta classificativa, agora no 4.º lugar.

II Divisão Distrital – Na quarta jornada do distrital da II Divisão, o principal destaque vai, na série A, para a derrota sofrida pelo líder, Ferreira do Zêzere, no seu próprio terreno, ante a U. Abrantina, por categórico 3-0. Na série B, para além da vitória do Marinhais no Porto Alto (1-0), de notar o triunfo (2-0) do Glória sobre o Benfica do Ribatejo, assim como o inesperado empate cedido pelo Moçarriense, na recepção ao Vale da Pedra, que ainda não havia pontuado.

Campeonato de Portugal – Num jogo com sucessivos cambiantes na marcha do marcador, o Fátima cedeu um inesperado empate caseiro ante o V. Sernache (2-2), que resultou já na demissão do treinador que conduzira a equipa ao título de Campeão Distrital na época passada, o tomarense João Henriques, apesar de os fatimenses manterem o 4.º lugar, e registarem ainda um jogo em atraso. Por seu lado, o Alcanenense venceu de forma categórica o Gafetense, goleando por 4-1, isolando-se também na 4.ª posição da sua série.

Antevisão – Na próxima jornada do Distrital da I Divisão destaca-se o Cartaxo-Riachense, uma “prova de fogo” para os novos líderes. O União de Tomar terá no Amiense um difícil visitante.

Na II Divisão Distrital, destacam-se os seguintes confrontos: Atalaiense-Caxarias (respectivamente 3.º e 2.º classificados); Benfica do Ribatejo-U. Santarém e Marinhais-Moçarriense, com os guias (U. Santarém e Marinhais) a enfrentar sérios desafios à liderança.

No Campeonato de Portugal, o Fátima tem uma difícil deslocação ao terreno do guia, Sertanense, enquanto o Alcanenense visita as Caldas da Rainha (clube que partilha o 5.º posto).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 3 de Novembro de 2016)