Depois de 12 vitórias e 5 empates (em jogos do Campeonato e da Taça do Ribatejo), desde 1 de Novembro do ano passado, o União de Tomar voltou a ser batido no seu reduto, vendo, paralelamente, quebrado também o excelente ciclo de inviolabilidade das suas redes, que mantinha há já 12 jogos no campeonato, neste caso, desde 20 de Dezembro de 2015.

Recebendo o antepenúltimo classificado, At. Ouriense – por curiosidade, um clube que defrontara e vencera, precisamente há um ano, em terreno alheio – os tomarenses perderam por 0-2, tendo ainda o guardião unionista defendido mais uma grande penalidade (tal como sucedera em Coruche), numa decisão bastante controversa do árbitro. Surpreendido pelo contra-ataque do adversário, o União procurou, insistentemente, chegar ao golo do empate, arriscando, expondo-se, acabando por sofrer o segundo tento já em período de compensação. No final da partida, o técnico dos nabantinos, Lino Freitas, expressando a sua revolta face à arbitragem, viria mesmo a declarar que renunciava ao cargo.

Na 11.ª ronda, destaque também para o triunfo do Fazendense sobre o Amiense (2-1), com o conjunto das Fazendas também a completar um ano sem perder no seu terreno, desde que, a 29 de Novembro do ano transacto foi batido pelo… Amiense. Com a derrota agora sofrida, a turma de Amiais de Baixo deixou escapar o duo da frente, registando agora um atraso de quatro pontos em relação ao líder, Riachense. Por seu lado, o Fazendense prossegue a sua caminhada ascensional, tendo subido mais um posto na classificação, para o 5.º lugar, afinal apenas a dois pontos do adversário que defrontou nesta jornada.

Realce igualmente para a notável recuperação que o Torres Novas vem realizando, com mais um importante e difícil triunfo, no Cartaxo (3-2), a proporcionar aos torrejanos – na sequência de um ciclo de quatro vitórias sucessivas (incluindo o jogo que estava em atraso com o Pego, curiosamente com o mesmo desfecho) – subir ao 9.º posto, enquanto os cartaxeiros caíram na zona perigosa da tabela, repartindo agora a antepenúltima posição com a equipa de Ourém.

Num duelo entre dois clubes que vêm atravessando sérias crises de resultados, o Mação conseguiu enfim voltar aos triunfos (após quatro derrotas consecutivas), ganhando também por tangencial 3-2 aos Empregados do Comércio, que, desta forma, acumulam já uma série de seis desaires sucessivos, começando a descolar perigosamente da “linha de água”, agora já a quatro pontos.

Nos restantes encontros, para além do expectável empate (nulo) entre Pego e Samora Correia, os dois primeiros classificados confirmaram as suas pretensões na disputa pelo título, de forma mais afirmativa o Riachense (ganhando por categórico 3-0 em Benavente, perante o “lanterna vermelha”); com maior dificuldade no caso do Coruchense, com uma vitória pela diferença mínima (2-1) na recepção ao U. Almeirim, frente a uma outra equipa que tarda em “encontrar-se”, ocupando discreto 8.º lugar.

Na jornada de hoje do Distrital da I Divisão, o “jogo grande” é o que opõe União de Tomar e Riachense, um encontro desafiante para ambas as turmas. De facto, prejudicados por falhas próprias e por erros alheios, os tomarenses vêem-se agora já a oito distantes pontos de atraso, tendo inclusivamente baixado à 6.ª posição. Nos últimos anos as duas equipas apenas se cruzaram por duas vezes em Tomar, em jogos do campeonato, com uma vitória do grupo de Riachos e um empate a zero, na época passada. De realçar que, até agora, nos seis jogos que disputou fora de casa neste campeonato, o Riachense saiu vitorioso em todos eles, nos três últimos, com goleadas.

Por seu lado, também o Coruchense terá uma bem difícil saída, ao terreno do Torres Novas, mais um sério teste, ficando também a expectativa de ver se os torrejanos conseguirão dar sequência aos bons resultados que vêm averbando ultimamente, somando já um total de cinco vitórias consecutivas (incluindo também a Taça do Ribatejo). Por coincidência, também neste caso as equipas registam dois confrontos nos anos mais recentes, e igualmente com os visitantes a registar um triunfo e um empate.

Em Amiais de Baixo, defrontam-se dois clubes históricos do Distrital (os quais, a par do União de Tomar, são os que somam mais presenças na competição nos últimos 15 anos, com um total de 14 participações), com o Amiense a receber o Mação, com clara tendência de favoritismo para os “donos da casa”, que somam, nas últimas seis temporadas, 4 vitórias, 3 empates e um único desaire, por curiosidade, sofrido na época passada, e por categórico 3-0 (depois da goleada de 4-0 imposta pelo Amiense no ano anterior).

Outra partida de interesse será a que opõe Samora Correia e Cartaxo, duas equipas que têm revelado trajectórias distintas, mas cujo valor, porventura, não será tão desequilibrado como a posição na pauta classificativa parece fazer transparecer. Nos últimos seis anos, apenas por uma vez se encontraram, já em 2010-11, então com triunfo dos cartaxeiros por 2-1. No jogo de hoje, um eventual empate não surpreenderia.

Em alta parecem estar as equipas do Fazendense e do At. Ouriense, que se defrontam em Ourém, onde, curiosamente, o grupo das Fazendas tem sido mais afirmativo, somando três vitórias (com destaque para a goleada de 5-2 imposta na época passada), dois empates e duas derrotas. Outro desafio que se afigura tendencialmente equilibrado.

O conjunto dos Empregados do Comércio, a necessitar desesperadamente de quebrar a senda de insucessos que vem acumulando, recebe o Pego, na expectativa de poder voltar aos triunfos, num desafio que assume, desde já, cariz determinante para o futuro das equipas na prova, em especial no caso dos “Caixeiros”. Será uma estreia absoluta, dado que estes dois clubes nunca antes se cruzaram na I Divisão Distrital.

Por fim, o U. Almeirim, bastante aquém das expectativas com que abordou o campeonato, recebe o “lanterna vermelha”, Benavente, também, por casualidade, um encontro entre duas equipas que já não se encontravam, no principal escalão, desde a já longínqua época de 2008-09. O favoritismo recai, por completo, nos visitados. Veremos se os benaventenses – já a seis pontos da “linha de água” – estarão “pelos ajustes”…

(Texto da rubrica da Rádio Hertz, com o balanço e perspectiva da jornada – 04.12.2016)

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