Depois de um interregno de duas semanas, a propósito da quadra festiva, de Natal e Ano Novo, está de regresso o Distrital da I Divisão, para disputa da 15.ª jornada da prova.

Uma ronda com algumas particularidades: desde logo, o facto de se defrontarem os quatro primeiros classificados; assim, como, por outro lado, também as quatro equipas do fundo da tabela se encontram esta tarde. Por exclusão de partes, necessariamente, os seis clubes do meio da pauta classificativa cruzam-se também.

O líder Riachense, depois de um deslize caseiro, tendo cedido um empate ante o rival Torres Novas, desloca-se agora ao terreno do 4.º classificado, Samora Correia, num confronto sem historial recente, dado que a última vez que estas duas formações se encontraram foi na já distante temporada de 2008-09 (isto, exceptuando o encontro da primeira volta, em que os samorenses surpreenderam, vencendo nos Riachos, no que constitui, aliás, o único desaire sofrido pelo líder até agora). Dada a tendência repartida deste desafio, aparenta tratar-se de um jogo de “tripla”, pese embora a eventual vitória dos samorenses não deixasse de causar alguma surpresa.

Por seu lado, o outro dos principais candidatos ao título, Coruchense, visita o sempre difícil reduto de Amiais de Baixo, casa do seu actual mais directo perseguidor, Amiense. A turma de Coruche, por curiosidade, a única que triunfou nos dois últimos encontros realizados na competição, enfrenta portanto um sério obstáculo, não obstante até ter registado duas vitórias nas últimas viagens ao terreno do adversário (a última delas por concludente 3-0), tendo sido batida por uma vez (em 2012-13). Tal como o anterior, esta é uma partida de difícil prognóstico, com tendência para o equilíbrio.

Fica, ainda, uma chamada de atenção adicional: na eventualidade de vitória dos visitados nos dois encontros referidos, tal recolocaria o campeonato “ao rubro”, com o quarteto da frente concentrado num intervalo de apenas 3 pontos… Ao invés, em caso de triunfos dos visitantes, ficaria desde já praticamente definido o par que disputaria o título, uma vez que o 2.º e 3.º classificados passariam, nesse cenário, a estar separados por um fosso de 8 pontos.

Passando para a parte baixa da pauta classificativa, o At. Ouriense recebe o Cartaxo, em encontro que poderá assumir contornos determinantes para a tranquilidade dos oureenses, os quais, em caso de vitória, poderão dilatar a sua vantagem sobre a “linha de água” para confortáveis sete pontos. Por seu lado, os cartaxeiros, a atravessar uma “série negra” de seis desaires sucessivos, necessitam pontuar como de “pão para a boca”… Nos últimos seis anos, em quatro ocasiões que estas equipas se cruzaram na I Divisão, a vantagem pende para a equipa da casa, com 2 vitórias e 2 igualdades.

Outro desafio em que muito estará em jogo será o que opõe os dois últimos classificados, Empregados do Comércio e Benavente, que se perfila como verdadeiramente decisivo para os benaventenses, que, em caso de derrota (e apresentam, nesta altura, também um registo negativo, de quatro desaires consecutivos), se poderá antecipar que dificilmente conseguirão escapar à despromoção à II Divisão. Nas duas vezes que se defrontaram no principal escalão, em Santarém, duas vitórias para os “Caixeiros”, que obtiveram mesmo uma goleada (5-1) em 2013-14.

No “miolo” da tabela classificativa, temos ainda a particularidade de mais outros três cruzamentos de interesse, seguindo a hierarquia da classificação, com os três mais bem classificados a defrontar as três equipas posicionadas já na segunda metade da classificação.

Efectivamente, o Fazendense (actualmente no 5.º lugar) recebe o 10.º classificado (Pego), sendo claro favorito, apesar de vir de três jogos sem vitória. Por paradoxal que possa parecer, curiosamente, na única vez em que se defrontaram nas últimas seis temporadas (já em 2010-11), até foram os pegachos a obter então o triunfo, por 2-1, o que, a repetir-se, seria a grande surpresa desta ronda. Em qualquer caso, o grupo das Fazendas estará já prevenido, dado que foi desfeiteado no terreno deste mesmo adversário, no desafio da primeira volta.

Por seu lado, o 6.º classificado (U. Almeirim) desloca-se a Torres Novas, para defrontar o clube que ocupa actualmente a 9.ª posição, o qual – depois de cinco derrotas na seis primeiras jornadas – não mais voltou a perder, mantendo-se invicto há 8 jogos. Estes dois conjuntos apenas se encontraram na temporada passada, então com vitória torrejana por 3-1. Esta tarde, o encontro poderá ser algo mais equilibrado.

Finalmente, o 7.º e 8.º classificados, encontram-se em Tomar, com o União a receber o Mação, que, depois de um ciclo de quatro derrotas sucessivas, não perde há… quatro jogos. Um contraponto vincado em relação aos unionistas, que, nas últimas quatro partidas disputadas no campeonato foram desfeiteados por três vezes, apenas tendo vencido em Fazendas de Almeirim, no fecho da primeira volta. Neste confronto entre dois “habitués” da I Divisão Distrital – ambos com presença ininterrupta na prova nos últimos 11 anos –, a tendência das últimas seis épocas até é favorável aos maçaenses, que por três vezes ganharam em Tomar, apenas tendo sido derrotados numa ocasião (em 2013-14). Têm a palavra os unionistas, de forma a começar a procurar inverter já hoje este pendor…

(Texto da rubrica da Rádio Hertz, com a perspectiva da jornada – 08.01.2017)

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