Coruche com vista para o título

(“O Templário”, 23.02.2017)

A conjugação de uma excelente série de sete triunfos consecutivos, face a apenas uma vitória do Riachense nos seis jogos disputados na 2.ª volta do campeonato, culminando com o desaire da turma de Riachos em Fazendas de Almeirim, resultou no ampliar do avanço do líder Coruchense para oito pontos, o que, a sete jornadas do final da prova, aparenta ser já uma barreira intransponível, pelo que a turma do Sorraia poderá começar a pensar em encomendar as faixas de Campeão, sendo previsível que venha a repetir o título alcançado há dois anos.

Destaques – O principal destaque desta 19.ª ronda vai precisamente para a derrota imposta pelo Fazendense ao Riachense (2-1, depois de ter chegado ao intervalo já a vencer por duas bolas), afinal a confirmação de que algo não estará bem com o grupo de Riachos, que, em cerca de quinze dias, se vê afastado da Taça, e, agora, do objectivo principal, que seria a conquista do título e consequente promoção. Poderá, aliás, ter de começar a preocupar-se mais com a manutenção da 2.ª posição, dado ter o Amiense agora a quatro pontos.

De facto, a turma de Amiais de Baixo, recebendo o Torres Novas, não vacilou, impondo segundo desaire sucessivo aos torrejanos, ganhando pela margem mínima (1-0), e beneficiando também do facto de o seu mais directo perseguidor, Samora Correia, não ter conseguido vencer.

Surpresa – A surpresa da jornada corresponde à estreia do U. Almeirim a vencer em terreno alheio, não só pelo triunfo em si, mas, sobretudo, pela improvável marca com que foi consumado, com uma goleada de 4-0, em Ourém, face ao At. Ouriense, que, estranhamente, sofre dez golos em apenas dois jogos, assim dando um passo atrás na recuperação que vinha empreendendo, somando terceira derrota nas últimas quatro jornadas.

Confirmações – Os desfechos dos restantes quatro desafios da ronda seriam mais ou menos expectáveis, mas nem todos eles foram “evidentes”.

Desde logo, o provável futuro Campeão não foi além de um tangencial 1-0 na deslocação ao Pego, uma vitória “quanto baste”, mas a atestar algumas dificuldades sentidas.

Situação idêntica se viveu em Tomar, com o espectro do empate a subsistir até ao minuto 93, altura em que, desta vez, com a tal “pontinha de sorte”, o União conseguiria enfim chegar ao tento do triunfo, frente a um adversário que se tem revelado bastante difícil de ultrapassar para os nabantinos, apesar se não conseguir abandonar o penúltimo classificado, Cartaxo.

Como habitualmente, desde cedo assumindo a iniciativa do jogo, em busca do golo, a verdade é que continua a subsistir a pecha da ineficácia na concretização por parte do União de Tomar, e, tal como sucedera, por exemplo, nos encontros com a U. Abrantina (para a Taça) e com o Pego, em que, inclusivamente, foram os adversários a chegar primeiro ao golo, também neste caso, à medida que o cronómetro ia avançando, e o Cartaxo ia ganhando confiança, ia-se tornando mais ameaçador. O risco assumido pelos unionistas na fase final do jogo, em busca da vitória, nunca deixando de acreditar, acabaria por ser recompensado, o que mantém a equipa na disputa dos lugares da frente da tabela, agora a um ponto do Samora Correia, e a quatro pontos do Amiense.

Na Ribeira de Santarém, os “Caixeiros” deixaram escapar a vitória, concedendo o golo do empate do Samora Correia, também já mesmo ao “cair do pano”, fixando-se o resultado em 1-1.

Por fim, o Mação não teve efectivamente dificuldades para bater o “lanterna vermelha”, Benavente, por 3-0, tendo inclusivamente afrouxado o ritmo depois de chegar a tal marcador.

Temos agora um “pelotão” constituído por seis clubes, entre o 3.º e o 8.º lugares, separados por apenas seis pontos, com o Torres Novas em posição intermédia face à zona de perigo, três pontos mais abaixo em relação a tal grupo. Na parte baixa, com o Benavente já “condenado”, quatro pontos separam os Empregados do Comércio do Cartaxo, intervalados pelo At. Ouriense e Pego, sendo que sairá deste quarteto o outro clube a despromover ao escalão secundário.

II Divisão Distrital – Na série A, o principal destaque vai para o empate entre Rio Maior e Caxarias (1-1), um resultado que não foi o ideal para nenhuma das equipas, agora, respectivamente a três e a quatro pontos do 3.º classificado, U.Abrantina (3-0 ao Espinheirense), com o duo Ferreira do Zêzere (que folgou) e U. Atalaiense (2-0 ao Tramagal) a partilhar a liderança, com um ponto a mais que os abrantinos.

Na série B, Moçarriense (ganhando 2-0 na Barrosa) e U. Santarém (1-0 no terreno do Vale da Pedra) confirmaram desde já, ainda com três jornadas por disputar, o apuramento para a fase final, com a terceira vaga a decidir entre Benfica do Ribatejo (3-1 ao Forense) e Marinhais (surpreendido no “derby”, ante o Glória do Ribatejo, perdendo por 0-1), curiosamente dois clubes que disputarão como que uma “final” na derradeira ronda desta primeira fase.

Campeonato de Portugal – Na 2.ª jornada, na série de promoção, o Fátima obteve um resultado positivo, um nulo em Torres Vedras, partilhando a liderança com o Sacavenense e o Farense. Na série de disputa da manutenção, o Alcanenense, derrotado em V. Franca de Xira, mantém, não obstante, os cinco pontos de vantagem em relação à “linha de água”.

Antevisão – Na próxima ronda da I Divisão, destaque para os seguintes confrontos, envolvendo quatro dos seis primeiros da tabela: Riachense-Mação e Samora Correia-Amiense. Realce ainda para o “derby” U. Almeirim-Fazendense. Por seu lado, o guia, Coruchense, recebe o Cartaxo, enquanto o U. Tomar visita a Ribeira de Santarém, onde defrontará os “Caixeiros”.

Na II Divisão, a Norte, um desafio que deverá ser decisivo nas contas finais, com o Caxarias a receber a U. Abrantina, com o Ferreira do Zêzere com difícil saída, para jogar com o Aldeiense. A Sul, o destaque vai para o U. Santarém-Marinhais, com os visitantes a necessitar pontuar.

No Campeonato de Portugal, o Fátima tem nova saída, a Massamá, defrontando o Real; o Alcanenense recebe o Carapinheirense, na expectativa do triunfo que o afaste da zona de risco.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 23 de Fevereiro de 2017)

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