(“O Templário”, 01.10.2020)

Depois de uma época abortada – na qual não foi possível concluir a generalidade das competições –, e com algum atraso em relação ao calendário habitual, arrancou a nova temporada futebolística, por agora restringida ao escalão de seniores (não sendo previsível, por precaução, e em função das restrições de saúde pública vigentes, antecipar a oportunidade do recomeço da prática desportiva competitiva ao nível das camadas jovens, de formação).

No passado fim-de semana teve início mais uma edição (a 81.ª) da designada “prova-rainha”, a Taça de Portugal, contando com a participação de cinco clubes do Distrito: Fátima, U. Almeirim e U. Santarém (a militar no Campeonato de Portugal) e Fazendense e U. Tomar (representantes da Associação de Futebol de Santarém, na condição, respectivamente, de 2.º classificado do Distrital e de semi-finalista da Taça do Ribatejo, à data da suspensão de tais competições).

Actuando em cenários ainda despidos de público, impedindo o ambiente de festa que caracteriza este torneio, e numa verdadeira “tarde não”, as equipas que entraram já em campo (sendo que Fazendense e U. Santarém adiaram os seus compromissos, para o próximo dia 7 de Outubro) foram, todas elas, eliminadas logo na ronda de abertura, tendo sofrido, cada uma, nada menos de três golos, com os nabantinos a serem os únicos que deram efectiva réplica ao antagonista.

Destaque – Ainda assim, tendo o União sido derrotado, em Tomar, por tangencial 2-3, ante o Portomosense (3.º classificado no Distrital de Leiria na ocasião da interrupção do campeonato), o jogo viria a traduzir-se na mostra mais cabal dessa “tarde não”, em que tudo saiu mal, no “pontapé de saída” de uma época em que são grandes as expectativas acalentadas pelo clube e seus adeptos, com objectivos ambiciosos, mercê de um atempado trabalho de reforço do plantel.

Frente a um adversário perante o qual os visitados tinham tudo para poder seguir em frente – atendendo às vicissitudes evidenciadas pelo grupo de Porto de Mós, tardiamente (re)constituído e em atrasado processo de preparação – o U. Tomar praticamente “entrou a perder”, vendo-se em inferioridade numérica logo aos 2 minutos de jogo! Em função de uma rigorosa expulsão, contando com os períodos de compensação, foram mais de 90 minutos a jogar 10 contra 11…

Apesar de fortemente condicionados por esse factor, os unionistas começaram por reagir bem a tal contrariedade, assumindo a iniciativa, controlando o jogo, e tendo beneficiado mesmo de uma soberana oportunidade para inaugurar o marcador, na sequência de uma grande penalidade, contudo com o guardião contrário a ter excelente intervenção, na preservação da sua baliza, a dois tempos (tendo a bola desferido um efeito caprichoso após a defesa inicial), a negar o golo.

Com o “vento a soprar” a seu favor, o Portomosense começou a acreditar que poderia obter desfecho positivo, vindo a colocar-se em vantagem, na conversão de outra grande penalidade, a sancionar um sempre controverso contacto com o braço, após remate a curta distância.

E, num frenético final de primeira parte (já expirados os 45 minutos regulamentares), os visitantes ampliariam a contagem, numa rápida transição, com o marcador do golo a “empurrar” a bola praticamente em cima da linha da baliza, num lance que deixou também bastantes dúvidas sobre a regularidade do seu posicionamento; paradoxalmente, haveria ainda tempo, antes do intervalo, para o U. Tomar reduzir a desvantagem, para 1-2, no que se esperava pudesse constituir tónico determinante para a segunda metade.

No regresso das cabinas, a história como que se repetiria, com os nabantinos a desperdiçarem segunda (!) grande penalidade, desta feita por “excesso de pontaria”, com a bola a embater com estrondo na base do poste, já com o guarda-redes fora do lance. E, quase de imediato, em mais um momento de alguma desconcentração, o Portomosense a dilatar o “placard”, para 3-1.

Não desistindo nunca, continuando a porfiar, o União voltaria a restabelecer a diferença mínima, reduzindo para 2-3. Restavam ainda (considerando o tempo de compensação) cerca de 15 minutos, mas, até final, pese embora ter empurrado o adversário para a zona defensiva, jogando-se já mais “com o coração”, faltaria alguma serenidade e uma “pontinha de sorte” para, pelo menos, concretizar uma de entre um par de claras ocasiões de golo de que dispôs (com o guardião de Porto de Mós, com soberba intervenção, “in extremis”, praticamente no derradeiro lance do desafio, a salvar a sua equipa do prolongamento – no qual, a verificar-se, não deixariam de se fazer sentir, ainda com maior acuidade, as dificuldades físicas do seu “onze”).

Em síntese, um desfecho absolutamente inglório para os tomarenses, nesta fase a evidenciar um potencial muito superior ao do adversário, mas que, em função de algumas falhas próprias, a par de uma boa dose de infelicidade – num dia em que os “astros se parecem ter alinhado” em seu desfavor (com a expulsão logo a abrir, as duas grandes penalidades desperdiçadas, para além de alguns lances em que subsistiu a dúvida) – não conseguiram materializar tal ascendente.

Por sua vez, o Fátima (a atravessar gravíssimos problemas, batido em “casa emprestada”, pelo Oleiros) e o U. Almeirim (derrotado em Torres Vedras, pelo Torreense) registaram categóricos desaires (0-3) que ditaram também o consequente afastamento da prova.

Antevisão – Finda esta (curta) passagem pela competição de índole nacional – apesar de tudo, com boa resposta do grupo em termos de atitude perante a adversidade e de que deverão retirar-se alguns ensinamentos – o U. Tomar terá agora de se focar no seu objectivo primordial, desde logo, com as difíceis rondas iniciais do Campeonato Distrital (recepção ao Cartaxo na estreia, no próximo Domingo, deslocações a Mação e à Moçarria, nas semanas imediatas).

Para além do confronto entre dois dos clubes com maiores ambições (U. Tomar e Cartaxo – integrando um lote amplo de candidatos aos lugares cimeiros, que integra também, principalmente, as formações do Fazendense, Coruchense, Mação e Abrantes e Benfica), destacam-se, na jornada inaugural, o Ferreira do Zêzere-Abrantes e Benfica e o Moçarriense-Mação, assim como o encontro entre dois históricos: Torres Novas-Samora Correia.

Coruchense (recebendo o Rio Maior) e Fazendense (em deslocação aos Riachos) são claros favoritos a entrar a ganhar, num campeonato esta época alargado – de forma inédita – a 18 clubes, mas que principiará já “coxo”, dada a entretanto anunciada desistência do Pego.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 1 de Outubro de 2020)

P.S. Já após o fecho da edição de “O Templário”, e dada também a desistência do Pontével, a Associação de Futebol de Santarém procedeu a rearranjo do calendário do campeonato, retomando apenas 16 clubes concorrentes, portanto, com 30 jornadas, tendo, sempre que possível, mantido o alinhamento dos jogos que haviam sido sorteados para a 1.ª jornada (excepto nos casos dos clubes que estava previsto defrontarem o Pego e o Pontével, ou seja, o Entroncamento AC e o Amiense – sendo que a equipa da cidade ferroviária se desloca agora a Mação, enquanto a formação de Amiais de Baixo visita a Moçarria, pelo que o previsto encontro entre Mação e Moçarriense foi reagendado para ronda posterior).