(“O Templário”, 15.10.2020)

Com o Distrital da I Divisão desta nova temporada a ser – logo na sua 2.ª jornada – directamente afectado pela situação de pandemia (isto, claro, para além da perturbação já decorrente da anormalidade da ausência de público), provocando o adiamento do jogo Cartaxo-Moçarriense (devido ao facto de um dos elementos da formação da Moçarria ter testado positivo em relação ao “COVID 19”), o realce vai para o facto de nada menos do que três dos principais candidatos aos lugares de topo terem sido derrotados: U. Tomar, Coruchense e Mação – com Abrantes e Benfica e o recém-promovido Alcanenense a serem os únicos clubes a conseguir bisar o triunfo.

Destaques – Eram conhecidas as dificuldades que a longa viagem a Samora Correia apresentava ao União de Tomar (três desaires nas quatro últimas visitas para o campeonato – que, passaram, portanto, a quatro derrotas nas cinco épocas mais recentes), e ainda não cabalmente firmado o grau de preparação da equipa para enfrentar este tipo de desafios, logo no arranque da prova.

Porém, não se esperaria de todo que a turma unionista – que tão boa conta de si havia dado na estreia, goleando outro candidato, Cartaxo – viesse a baquear com tal estrondo, como sucederia, também ela goleada, por pesados 4-0, num jogo completamente ao reverso do da semana passada.

Os nabantinos entraram em campo assumindo a sua condição de superior potencial, procurando, desde início, o ataque, mas, desinspirados, não só não conseguiriam – situação que se prolongaria até final – chegar ao golo, como, inclusivamente, permitiram ao adversário inaugurar o marcador.

Parecendo acusar em demasia o toque, o grupo tomarense enervou-se, desconcentrou-se e, pouco depois, num lance fortuito, de descoordenação entre defesa e guarda-redes, “ofereceu” o segundo golo. A partir daí, era já (demasiado) grande a “montanha” a transpor; em contraponto, os samorenses, praticamente em cada investida, marcavam, ampliando o “placard” para 3-0.

Também fruto dessa perturbação, o União voltaria – tal como sucedera há duas semanas – a ficar reduzido a dez unidades, acabando então por já não ser surpreendente que o Samora tivesse mesmo chegado ao 4-0, frente a um conjunto há muito impotente para “remar contra a maré”.

Um desfecho muito negativo que, naturalmente, não compromete nada – até porque, como referido, outros dois candidatos também ficaram a “zero” na pontuação nesta ronda –, mas que indica a necessidade de manter comportamento diverso, em situações de adversidade, procurando preservar a serenidade, continuando a explanar o seu futebol, de forma a conseguir “dar a volta”.

No “jogo grande” da tarde, o Fazendense (2.º classificado na temporada anterior), que vinha de um imprevisto empate cedido nos Riachos, recebeu o Mação – que tivera entrada fulgurante, goleando (8-0) o Entroncamento –, rectificando tal “passo em falso”, ganhando por 1-0, a mostrar que este será um campeonato (pese embora desequilibrado, a nível dos 16 concorrentes) muito disputado, com um leque amplo de equipas capazes de lutar pela vitória em qualquer terreno.

Surpresas – A maior surpresa da ronda foi a derrota de outro dos principais candidatos, Coruchense, na curta deslocação à vizinha Glória do Ribatejo, com o aguerrido grupo da casa – goleado, na estreia, também no seu reduto, ante o Alcanenense – a impor-se por inesperado 2-0.

Em Amiais de Baixo houve igualmente surpresa, com o Ferreira do Zêzere – também goleado, na semana anterior, em casa – a ir recuperar três pontos, no último minuto, ganhando ao Amiense por tangencial 1-0, beneficiando do facto de a formação visitada se ter visto em inferioridade.

Confirmações – Nos outros três encontros, a lógica imperou, desde logo com o segundo triunfo em dois jogos do par que reparte a liderança: o Abrantes e Benfica, na recepção ao Riachense, vencendo por 4-2, depois de se ter visto forçado a operar reviravolta no marcador, aproveitando também situação de desvantagem numérica do adversário; o Alcanenense, indo ganhar ao Entroncamento por 2-0, no reencontro entre os dois clubes recém-promovidos, com o conjunto de Alcanena, para já, a mostrar-se mais adaptado às exigências competitivas do principal escalão.

Mais incerto seria talvez o prognóstico do embate entre Rio Maior e Torres Novas, em que os donos da casa acabariam por vincar a sua superioridade, triunfando por 3-1.

II Divisão Distrital – Na jornada inaugural do campeonato da divisão secundária a equipa mais em realce na série a Norte, foi o Caxarias, que se impôs por categórica marca de 4-0 num compromisso que se antecipava difícil, no terreno do histórico Tramagal. O regressado At. Ouriense venceu pelos mesmos números, mas frente à equipa “B” do Abrantes e Benfica.

Na série a Sul, uma torrente de golos – total de 26, em cinco jogos, à média de 5,2 golos/jogo! –, com goleadas do Marinhais (5-1) e do Benavente (4-0), ante as formações “B” do Fazendense e do Samora Correia, respectivamente; também o Forense goleou (4-1) na recepção ao igualmente regressado à competição Águias de Alpiarça.

Taça de Portugal – Com a eliminação – em jogo em atraso, da 1.ª eliminatória, disputado a meio da passada semana – do Fazendense, pelo 1.º Dezembro (perdendo por 0-2), apenas subsiste um clube (dos cinco iniciais) em representação do Distrito… mas que ainda não se estreou na competição, dado ter o U. Santarém adiado igualmente o seu primeiro jogo, ante o Lourinhanense.

Antevisão – A 3.ª ronda da divisão principal tem como principal aliciante o confronto entre os candidatos Mação e Abrantes e Benfica, sendo também de especial interesse as partidas Alcanenense-Fazendense e Ferreira do Zêzere-Cartaxo, com os visitantes, teoricamente favoritos, a enfrentarem missões bastante arriscadas. Por seu lado, o U. Tomar, que deverá receber o Moçarriense, poderá voltar aos triunfos, confirmando as suas maiores credenciais.

Na II Divisão Distrital, o Caxarias recebe o At. Ouriense, em jogo de particular interesse, anotando-se ainda o Fátima-Tramagal; enquanto, a Sul, se salientam os confrontos Benavente-Marinhais e Salvaterrense-Porto Alto, desafios de grande proximidade e fortes rivalidades.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 15 de Outubro de 2020)