(“O Templário”, 14.01.2021)

Pela quarta vez (em cinco vitórias até à data averbadas no presente campeonato) o União obteve uma goleada, numa ronda que, à partida, se previa já fosse apenas “meia jornada”… mas que acabaria por se ficar por “um quarto”, dado apenas terem sido disputados dois dos oito desafios inicialmente agendados. O que, em paralelo, começa a suscitar fortes dúvidas, não só sobre a possibilidade de levar a “bom porto” esta prova, até à sua conclusão, como, inclusivamente, sobre a pertinência e oportunidade de se continuar a jogar, nas actuais circunstâncias e condicionantes.

Destaque – Somente com dois jogos em análise, os respectivos desfechos proporcionam o cabal enquadramento de cada um deles nas secções de “Destaques” e “Surpresas”.

No primeiro caso, tivemos um afirmativo U. Tomar a golear por categóricos 5-0 a “equipa sensação”, Alcanenense, que, antes desta ronda, ocupava um notável 4.º posto na tabela (baixou, em função deste desaire, ao 5.º lugar, ultrapassado, precisamente, pelo emblema nabantino).

Por curiosidade, a eficácia, que tanta falta tem feito em vários dos encontros anteriores dos unionistas – o que lhes custou muito comprometedoras perdas de pontos, já com quatro empates cedidos, para além de duas derrotas –, foi atingida quase em pleno nesta partida.

Ao invés do que vem sendo habitual, as primeiras ocasiões soberanas de golo (duas, ainda nos dez minutos iniciais) surgiram a favor do grupo de Alcanena, em perigosos contra-ataques. Mas, como tantas vezes se repete: “quem não marca, sofre”. E foi o que sucedeu: de imediato, em dois lances sucessivos, num intervalo de pouco mais de um minuto, o União marcou dois golos, que muito desequilibraram a contenda a seu favor, tudo isto ainda no primeiro quarto de hora de jogo!

O terceiro tento, obtido ao cair do pano da primeira parte, praticamente selou o desfecho do desafio, acabando por não surpreender – atendendo também à juventude da equipa adversária – que o resultado continuasse a ser ampliado, fechando-se a contagem nos 5-0, com destaque especial para o “hat-trick” de Siaka Bamba… um médio defensivo. E, isto, porque, num dia em que “tudo saiu bem”, o guardião Nuno Ribeiro defenderia inclusivamente uma grande penalidade. Um resultado que poderá constituir um incentivo para o futuro…

Surpresa – Após uma sucessão de nove derrotas consecutivas, o Moçarriense tinha, no passado fim-de-semana, pontuado pela primeira vez (empate nos Riachos). Não obstante, poucos seriam os que arriscariam na possibilidade de uma vitória da turma da Moçarria – ainda “lanterna vermelha”, mas agora bem mais próxima dos seus mais directos concorrentes – em Rio Maior.

Pois, foi precisamente o que sucedeu, tendo bastado para tal um único golo. Três preciosos pontos conquistados pelo Moçarriense, que muito poderão moralizar igualmente a equipa.

II Divisão Distrital – Também a jornada (10.ª, primeira da segunda volta) do segundo escalão foi afectada pelo adiamento de vários jogos (neste caso, metade dos desafios), destacando-se a vitória do At. Ouriense frente ao Abrantes e Benfica “B”, por 3-1, que proporcionou aos oureenses ascender à liderança, assim como, por outro lado, o triunfo (4-1) do Caxarias sobre o Tramagal.

A Sul, tendo os dois primeiros (Benavente e Salvaterrense) “folgado”, o realce vai para a vitória (2-1) da equipa do Benfica do Ribatejo ante o Porto Alto, entrando assim também na disputa pelos três lugares cimeiros, que, normalmente, darão acesso à fase final, de apuramento de Campeão.

Campeonato de Portugal – Passo a passo, o U. Santarém vai fazendo o seu caminho, tendo, desta feita, obtido importante triunfo (2-0) em Sacavém, face ao Sacavenense, o que permite aos escalabitanos trepar até a uma muito boa 3.ª posição (partilhada com o Caldas, este com um jogo a menos), e, mais importante, dilatar para nove pontos a sua margem de segurança em relação à “linha de água”, mesmo que o U. Almeirim (9.º classificado), primeiro clube abaixo de tal divisória, tenha dois jogos a menos – tendo o seu desafio frente ao Lourinhanense sido adiado.

Antevisão – Subsiste, nesta altura, a incógnita sobre se poderá haver jogos no(s) próximo(s) fim(ns)-de-semana, em função das previstas medidas reforçadas para procurar minorar o impacto da pandemia, que deverão passar por novo confinamento geral, de duração ainda indeterminada.

O cenário que se afigura de maior probabilidade, para já, será o de nova suspensão das competições, eventualmente a retomar mais adiante, quando (e se) vier a haver condições mais propícias para tal, e em tempo oportuno para finalização da temporada.

Mas vai-se, aliás, intensificando o clamor – pelo menos por parte de responsáveis de alguns dos clubes – advogando o cancelamento dos campeonatos, atendendo às dificuldades em prolongar este contexto de “pára e arranca” e às implicações associadas à prossecução da disputa das provas, quer em termos sanitários, como dos próprios reflexos que daí poderão decorrer a nível da actividade profissional dos envolvidos (tratando-se, na essência, de jogadores amadores); isto para além, claro, das muito precárias condições de sustentabilidade de agremiações privadas de praticamente todas as suas fontes de receita há cerca de dez meses.

Num contexto de grande imprevisibilidade – e tendo necessariamente de ser privilegiado o factor saúde de todos os agentes e, em geral, as condições de saúde pública –, parece, pois, adivinhar-se a inevitabilidade de novo interlúdio (mais ou menos prolongado, temporário ou definitivo, será o que ficará para aquilatar mais tarde).

Em qualquer caso, e no que respeita à I Divisão Distrital, de entre os embates previstos para a 12.ª jornada, destacam-se o Alcanenense-Coruchense, Abrantes e Benfica-U. Tomar e Amiense-Fazendense, partidas que, a realizarem-se, poderão ajudar a clarificar posições.

A nível do escalão secundário, o realce vai para os jogos At.Ouriense-Caxarias, Tramagal-Fátima, Marinhais-Benavente e Porto Alto-Salvaterrense.

No Campeonato de Portugal, a ronda 12 prevê o confronto entre os dois clubes do Distrito, cabendo ao U. Almeirim receber o U. Santarém, portanto, um prélio de redobrado interesse.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 14 de Janeiro de 2021)