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Na I Divisão Distrital, com a questão do 1.º lugar já decidida, em favor do Coruchense, subsistem ainda dois pólos de atenção: a disputa pelo 2.º posto, que conferirá acesso à Taça de Portugal, e pela manutenção no principal escalão.

Esta tarde, destaca-se, em especial, nessa luta pelo 2.º lugar, o Cartaxo-Abrantes e Benfica, actuais 2.º e 3.º classificados, separados somente por um ponto. Estes dois clubes nunca se defrontaram em jogos a contar para a I Divisão (tendo o encontro previsto realizar na época passada sido cancelado devido à suspensão do campeonato). Antevê-se um desafio equilibrado, mas, tendo em conta o momento de forma das duas equipas, com os abrantinos a parecer atravessar alguma oscilação, os cartaxeiros terão algum favoritismo.

O Mação, que reparte a 3.ª posição com a turma de Abrantes, recebe o Rio Maior, ainda em activa procura de pontos, para escapar à zona perigosa da tabela. Na única vez em que se defrontaram, na última temporada, os maçaenses venceram por 3-1, sendo o desfecho mais previsível novo triunfo dos homens da casa.

Em Tomar, o União, que baixou entretanto ao 5.º lugar, agora apenas com bastantes remotas possibilidades de atingir ainda a vice-liderança, recebe o Amiense, no confronto de maior historial de entre as partidas desta ronda.

Estes dois emblemas cruzaram-se, no principal escalão, por oito vezes, na última década, com tendência claramente favorável aos tomarenses, que ganharam cinco desses jogos, apenas tendo sido derrotados numa ocasião, já no relativamente distante ano de 2013, para além de duas igualdades, tendo-se registado precisamente um nulo na última vez que se encontraram, já no final de 2018.

A formação de Amiais de Baixo não está ainda completamente tranquila na tabela, ocupando o 10.º lugar, vindo de três empates nos últimos jogos realizados. Mesmo que os unionistas possam começar a estar mais com a cabeça na Taça que no campeonato, mantêm favoritismo para o encontro de hoje.

Em Alcanena encontram-se duas equipas já tranquilas, com o Alcanenense a receber o Samora Correia. Na única vez em que se encontraram em anos recentes, os samorenses venceram por tangencial 1-0. Antevê-se também um jogo repartido, no qual os forasteiros deverão pontuar.

Na luta pela “sobrevivência”, o Ferreira do Zêzere-Entroncamento afigura-se um embate cujo desfecho poderá vir a revelar-se crucial, dado que estas duas equipas se posicionam, nesta altura, no 13.º e 14.º lugares, precisamente numa posição de charneira entre a manutenção e a despromoção, estando separadas por um ponto – faltando, a ambas, disputar ainda três jogos.

É de notar, aliás, que, com a descida do U. Almeirim do Campeonato de Portugal, a par com a desistência do Fátima SAD de tal competição, poderão ter de vir a ser quatro os clubes a despromover à II Divisão Distrital, num cenário em que a insolvente SAD fatimense pudesse vir entretanto a retomar a actividade, marcando, em tal hipótese, presença no principal escalão distrital.

Sendo o clube da cidade ferroviária de fundação recente, os dois emblemas também nunca se defrontaram. Em função do que as duas equipas vêm apresentando desde a retoma da competição, o Entroncamento parecia surgir mais forte, mas os ferreirenses terão certamente animado com o empate obtido na Glória do Ribatejo, onde, aliás, estiveram mesmo perto de vencer. Outro empate esta tarde não surpreenderia.

O Torres Novas, que volta a ver-se envolvido na luta pela manutenção, actualmente no 12.º lugar, só dois pontos acima da equipa de Ferreira do Zêzere, tem uma deslocação muito difícil, ao terreno do líder, Coruchense. Veremos se o grupo do Sorraia poderá ter, de alguma forma, entrado já em descompressão, após ter garantido matematicamente o 1.º lugar final.

Nas cinco ocasiões em que se encontraram em anos recentes, o Coruchense ganhou sempre – mesmo que, nas três últimas vezes, por margem tangencial –, pelo que, também por isso, seria surpreendente se os torrejanos conseguissem pontuar.

O Riachense, que pouco mais pode que “agarrar-se” ao ainda “matematicamente possível”, recebe a turma da Glória do Ribatejo, actualmente num excelente 7.º lugar, em igualdade pontual com o Fazendense.

Por curiosidade, nas duas ocasiões em que se defrontaram, com dois triunfos do grupo dos Riachos, Riachense e Glória protagonizaram dois espectáculos repletos de golos: uma goleada por 6-1 em 2012; um renhidíssimo desfecho de 5-4 há cerca de um ano.

Tendo o Riachense perdido sete dos últimos oito jogos que disputou – apenas conseguiu um empate, em casa, com o Moçarriense, no final de 2020 –, deverá ver sentenciada a sua despromoção, a menos que conseguisse vencer hoje, o que se afigura pouco provável.

Quem tem já o destino traçado, mesmo em termos aritméticos, é o Moçarriense, “lanterna vermelha” da prova, que terá a visita de uma equipa do Fazendense, esta época algo abaixo das expectativas. Os dois clubes defrontaram-se por seis vezes nos últimos dez anos, com ligeira tendência para a turma das Fazendas, que ganhou dois jogos, tendo empatado outros três, perdendo somente um, já no distante ano de 2011.

A formação da Moçarria surpreendeu, no início do ano – antes da paragem do campeonato – tendo ido vencer a Rio Maior, mas, após a retoma da competição, retomou também as derrotas, desfecho que será também o mais expectável para o encontro de hoje.

(Texto da rubrica da Rádio Hertz, com a perspectiva da jornada – 30.05.2021)