Com (quase) tudo já decidido à entrada para a 15.ª e última jornada do campeonato, quer a nível do 1.º classificado, como dos três clubes que serão despromovidos (Entroncamento, Moçarriense e Riachense), resta essencialmente a definição do 2.º lugar, o qual proporcionará o acesso à próxima edição da Taça de Portugal.

Depois do confronto directo, na Taça do Ribatejo, há três dias, em que os abrantinos saíram vitoriosos, Abrantes e Benfica e Mação voltam a enfrentar-se, desta vez, em campos distintos, na disputa por essa posição de vice-líder. E, à partida, o emblema de Abrantes surge, novamente, em vantagem: desde logo, em caso de empate pontual, os abrantinos beneficiarão do facto de terem vencido em Mação; por outro lado, deparam-se, em princípio, com tarefa de menor grau de dificuldade.

Efectivamente, o Abrantes e Benfica receberá o Moçarriense, penúltimo classificado, já com o destino traçado. Num encontro sem historial anterior, os homens da casa serão amplamente favoritos.

Por seu lado, o Mação desloca-se ao terreno da “equipa-sensação” desta temporada, o Glória do Ribatejo, grupo que, no seu reduto, apenas sofreu uma derrota, ante o Alcanenense… logo na ronda inaugural da prova. A única vez, nos últimos anos, em que estes dois clubes se cruzaram na I Divisão Distrital foi já em 2012, então com triunfo dos maçaenses por 2-0. Esta tarde, mantendo os forasteiros algum favoritismo, não constituiria surpresa se o grupo da Glória conseguisse pontuar.

Há ainda um terceiro clube com aspirações – pese embora pouco mais que teóricas – a poder chegar ao 2.º lugar, o Cartaxo, dois pontos abaixo do par formado por Abrantes e Mação. Para tal necessitaria de uma combinação de resultados bastante improvável: que a formação abrantina perdesse, em casa, com o Moçarriense, e, adicionalmente, que o conjunto maçaense fosse também derrotado na Glória.

Isto, claro, pressupondo que os cartaxeiros – que vêm de duas imprevistas goleadas sofridas, por 4-1, a segunda, há três dias, consentida ante o Salvaterrense, líder do escalão secundário, em jogo da Taça – fossem ganhar a Amiais de Baixo.

Nas sete ocasiões em que, na última década, Amiense e Cartaxo se defrontaram, regista-se tendência de absoluto equilíbrio, com duas vitórias para cada lado e três empates. Tendo em conta que a formação de Amiais será a mais motivada, dado que a vitória lhe proporcionaria um absolutamente inesperado 4.º lugar, não surpreenderia se os três pontos acabassem por vir a sorrir aos homens da casa.

O U. Tomar, agora naturalmente focado na Taça, poderá, em função de uma desfavorável conjugação de resultados (triunfos da Glória do Ribatejo e do Samora Correia e não ganhando os unionistas em Torres Novas), vir ainda a cair significativamente na tabela, até ao 8.º lugar – sendo que, ao invés, já não conseguirá superar o 5.º posto.

Ainda assim, para tanto, necessitará “apenas” de vencer em Torres Novas – caso em que suplantaria na classificação, ou o Amiense (se este não ganhar aos cartaxeiros), ou, precisamente, o Cartaxo, se for a formação de Amiais a vencer aquela partida que opõe estes dois concorrentes.

Em caso de empate, o União poderia ainda ser 5.º classificado, mas só se o Amiense perdesse… e, ainda, tendo de esperar que, de entre Glória do Ribatejo e Samora Correia, nenhum deles saia também vencedor dos respectivos jogos.

No “clássico dos clássicos” do futebol distrital, Torres Novas e U. Tomar defrontam-se, em partidas de cariz oficial, a contar para campeonatos nacionais e distritais, e Taças (de Portugal e do Ribatejo), pela 94.ª vez! Em termos globais, regista-se grande equilíbrio, com uma ténue vantagem nabantina (38 vitórias contra 36 dos torrejanos).

Mas, nos embates disputados na cidade do Almonda, as coisas mudam substancialmente de figura: 27 triunfos dos torrejanos contra apenas nove dos unionistas (somente um dos quais na última década, já em 2014, em sete partidas realizadas, das quais o Torres Novas ganhou cinco).

Ainda assim, atendendo ao potencial actual das duas equipas, o União perfila-se como favorito, mas teria de contrariar a história num terreno tradicionalmente adverso.

Para o Samora Correia poder subir ainda na pauta classificativa, melhorando um já bem razoável 8.º lugar, teria, necessariamente, de vencer o seu encontro, sendo que se lhe depara um adversário poderoso, precisamente o vencedor da competição, Coruchense.

Aliás, nas três ocasiões em que se defrontaram em anos recentes, os samorenses nunca conseguiram ganhar, não tendo feito melhor do que o empate na época passada. Veremos como se apresentará a turma do Sorraia, depois de ter falhado a disputa da eliminatória da Taça do Ribatejo, competição da qual abdicou.

O Fazendense esperará ainda, nesta derradeira jornada, melhorar o decepcionante 10.º lugar que ocupa nesta altura – podendo, na melhor hipótese, chegar até ao 7.º posto –, para o que necessitará vencer o Ferreira do Zêzere, desfecho que parece ser o mais provável (nas últimas três partidas entre ambos, nos três anos mais recentes, o grupo das Fazendas de Almeirim ganhou dois, tendo empatado o outro, em 2018). Ficaria, ainda assim, dependente de Alcanenense e Samora Correia não ganharem, e de o Glória do Ribatejo perder o seu desafio.

Quem parece estar em grande forma neste final de época é o Rio Maior, que recebe o Alcanenense, em jogo em estreia entre ambos, na I Divisão, antevendo-se que os homens da casa possam inclusivamente triunfar, ou, pelo menos, pontuar.

Na última partida do dia, encontram-se dois clubes, Entroncamento e Riachense, cujo desempenho ficou aquém das necessidades, tendo sido ambos despromovidos. Também sem historial precedente, a equipa da cidade ferroviária apresenta-se como favorita, mas, num jogo que acabará por não ser mais do que “cumprir calendário” (não alterará em nada a sua classificação, 14.º lugar), o ânimo não poderá ser já o melhor.

(Texto da rubrica da Rádio Hertz, com a perspectiva da jornada – 06.06.2021)