Concluído que está o campeonato distrital da I Divisão – esta época reduzido a metade da sua extensão normal, apenas com 15 jornadas –, o final de temporada foi reservado para a disputa da Taça do Ribatejo. Depois de, no feriado de 10 de Junho, ter sido completada a anterior eliminatória, realizam-se hoje os jogos dos 1/4 de final, envolvendo seis clubes do primeiro escalão e os dois “resistentes” da II Divisão, Fátima e Salvaterrense.

O jogo de maior cartaz será o que coloca frente-a-frente o Fazendense e o Samora Correia, por curiosidade duas das equipas que tinham atingido as meias-finais na (então suspensa) edição da época passada.

Estes dois emblemas apenas se cruzaram uma única vez na Taça do Ribatejo, em anos recentes, em 2016-17, em encontro da fase de grupos, então com um nulo – sendo, aliás, o único embate com histórico precedente de entre os quatro da eliminatória desta tarde.

Para o campeonato, num jogo disputado em Novembro do ano passado, registou-se um tangencial 3-2 a favor dos homens das Fazendas de Almeirim.

O Fazendense é o clube com melhor palmarés na competição, tendo conquistado já o troféu por 4 vezes (em 2006, e, depois, em anos alternados, em 2012, 2014 e 2016), atingindo esta fase da prova pela 6.ª vez nos últimos 13 anos. Por seu lado, o Samora Correia ganhou a Taça em duas ocasiões, já em épocas distantes (1983 e 1994), disputando os 1/4 de final pela 5.ª vez nos últimos 13 anos, mas sendo presença assídua em anos recentes (3 vezes nas últimas quatro edições).

No campeonato deste ano classificaram-se ambos a meio da tabela, o Fazendense em 8.º e o Samora Correia em 9.º lugar, separados por um único ponto. Numa eliminatória que se antecipa dividida, o Fazendense – que vem de uma retumbante goleada por 7-0, há três dias, ante o Riachense, nos 1/8 de final –, pretendendo rectificar o modesto desempenho no campeonato, será favorito.

No outro desafio entre primodivisionários, o 2.º classificado, Abrantes e Benfica – já qualificado para a Taça de Portugal via campeonato – recebe uma das equipas-sensação desta época, o Glória do Ribatejo (que alcançou notável 7.º lugar naquela prova).

A turma da Glória tem tradição de presença em fases relativamente adiantadas da Taça, disputando os 1/4 de final pela 5.ª vez nos últimos 8 anos. Quanto ao Abrantes e Benfica – considerando também o período em que competiu sob a denominação de U. Abrantina – disputa esta eliminatória pela 3.ª vez.

Os abrantinos conseguiram, na ronda anterior, eliminar uma forte equipa do Mação, ganhando por renhido 3-2. O grupo da Glória do Ribatejo foi vencer, há apenas três dias, ao Entroncamento, por 2-1. Para o campeonato, as duas equipas defrontaram-se, na Glória, com triunfo dos visitados, também por 2-1. Hoje, a formação de Abrantes é, naturalmente, favorita, mas terá de estar precavida para evitar qualquer eventual surpresa, em que jogos deste cariz, a eliminar, são férteis.

O Salvaterrense – que goleou, há 3 dias, a equipa “B” do Fazendense, por estrondosa marca de 10-0, em jogo do campeonato da II Divisão Distrital, de que lidera a série Sul, estando, portanto, muito bem posicionado para ascender ao principal escalão – recebe o Rio Maior, equipa que, com um muito bom desempenho após a retoma das competições, há cerca de um mês, terminou o campeonato da divisão principal no 10.º posto.

O grupo de Salvaterra de Magos repete a presença que tivera, pela última vez, em 2012, nos 1/4 de final da Taça, fase da prova para a qual os riomaiorenses se apuraram pela primeira vez.

Para tal, o Salvaterrense assumiu já o papel de “tomba-gigantes”, tendo afastado, nos 1/8 de final, o favorito Cartaxo; enquanto o Rio Maior goleou, também apenas há 3 dias, o Alcanenense, por 5-0 (depois de, há precisamente uma semana, ter fechado o campeonato, ganhando, precisamente ao mesmo adversário, por tangencial 1-0).

Este afigura-se um jogo de tripla, em que qualquer dos desfechos não surpreenderá, restando saber se o Salvaterrense conseguirá, nas circunstâncias presentes, potenciar a seu favor o factor casa, cenário em que poderá ter alguma vantagem.

No quarto e último desafio desta eliminatória, o U. Tomar recebe o Fátima, actual 2.º classificado da série Norte da II Divisão, também empenhado na disputa pela subida de escalão, mesmo que, para tal, provavelmente, tenha de procurar ser o melhor dos 2.º classificados das duas séries, uma vez que está a distância do líder (At. Ouriense), que não deverá ser já passível de recuperação.

Por curiosidade, os fatimenses só agora irão estrear-se na presente edição da prova, já nos 1/4 de final, dado que, depois de terem começado por ficar isentos na pré-eliminatória, viram os seus adversários das duas eliminatórias anteriores (Tramagal e Coruchense) desistirem ambos!

Esta é, aliás, a primeira vez que o Fátima marca presença nos 1/4 de final da Taça do Ribatejo nos últimos 13 anos. Quanto ao U. Tomar, tem sido assíduo, participando nesta fase pela 8.ª vez nesse período, quarta consecutiva.

Nas eliminatórias precedentes, os tomarenses foram categóricos, goleando em Marinhais (5.º classificado da série Sul da II Divisão) por 4-0 e no Espinheiro por 6-1, ante o Espinheirense (3.º classificado da série Norte).

Visando, para já, repetir a presença nas 1/2 finais da época passada, tendo em mira a possibilidade de reconquistar o troféu que venceram em 2018, os unionistas, defrontando terceiro adversário do segundo escalão, desta feita em Tomar, serão favoritos, sabendo de antemão que o oponente procurará ao máximo contrariar tal tendência, pelo que terão de aplicar-se, de forma a superar os maus resultados registados na fase final do campeonato.

(Texto da rubrica da Rádio Hertz, com a perspectiva da jornada – 13.06.2021)