A Taça do Ribatejo atinge a sua fase decisiva, com dois jogos das meias-finais que se afiguram muito abertos – envolvendo os clubes classificados em 6.º, 7.º, 9.º e 10.º lugares no campeonato –, em que qualquer desfecho que venha a verificar-se não deverá traduzir grande surpresa, perfilando-se, pois, como “jogos de tripla” – com a “nuance” de que, em caso de igualdade no termo dos 90 minutos, o desempate se processará por via da marcação de pontapés da marca de grande penalidade.

Não existindo histórico anterior recente relativamente aos jogos de hoje, a nível da Taça do Ribatejo, temos de recorrer a outros factores para esta antevisão.

Em Rio Maior, a equipa local (10.ª classificada no campeonato), representativa de um clube de formação ainda relativamente recente (prestes a completar cinco anos), estreia-se nas meias-finais da “prova-rainha” (não tinha conseguido ainda, aliás, chegar além dos 1/8 de final, fase em que se quedara em 2019 e em 2020), recebendo o União de Tomar (6.º classificado no campeonato), emblema que, por seu lado, marca presença mas meias-finais desta competição pela terceira vez nos últimos quatro anos.

Para chegar a esta fase, o Rio Maior começou por afastar o Amiense (4.º classificado do campeonato), ganhando em casa por 2-1, para, de seguida, golear o Alcanenense por 5-0, antes de, nos 1/4 de final, ir ganhar a Salvaterra de Magos, frente ao “tomba-gigantes” Salvaterrense (que eliminara o Cartaxo), por 3-2.

Quanto ao União de Tomar, soma três goleadas – obtidas, todas elas, ante clubes do escalão secundário – tendo acumulado um, ainda assim, assinalável “score” agregado de 15-1: 4-0 em Marinhais, 6-1 no Espinheiro e 5-0 ao Fátima, em casa.

Para o campeonato, em partida realizada em Rio Maior, já em Outubro do ano passado, registou-se um empate a um golo, entre os locais e os tomarenses.

Os unionistas poderiam ter, à partida, em função do potencial que lhes é reconhecido, algum favoritismo; porém, deve ter-se em atenção que o Rio Maior surgiu, após a retoma das competições, claramente reforçado, evidenciando grande pujança, tendo vencido seis dos sete jogos entretanto disputados (três deles com goleadas).

Veremos também até que ponto os jogadores de ambas as equipas poderão acusar alguma fadiga pela acumulação de jogos em tão curto período (será o 8.º jogo que disputam em menos de mês e meio, podendo o União beneficiar de ter rodado mais o plantel, inclusivamente em função do menor grau de dificuldade que enfrentou até agora nos jogos da Taça).

Em qualquer caso, o Rio Maior poderá igualmente procurar tirar algum benefício do factor casa, pelo que os nabantinos terão de estar ao melhor nível para voltar a atingir a ambicionada Final, visando repetir a presença no jogo decisivo de há três épocas, em que conquistaram o troféu.

Na Glória do Ribatejo, o grupo local (notável 7.º classificado no campeonato) terá a visita do Samora Correia (9.º), num confronto entre duas equipas que, na eliminatória precedente, afastaram dois “candidatos”.

De facto, para chegar a esta fase, o Glória do Ribatejo deixou pelo caminho, sucessivamente, o Benfica do Ribatejo (goleado por 4-1), o Entroncamento (vencendo por 2-1), e, de forma sensacional, o Abrantes e Benfica (2.º classificado do campeonato), com um triunfo por 3-2 em Abrantes – portanto, com todas as eliminatórias ganhas em terreno alheio.

Já a equipa do Samora Correia começou por beneficiar da desistência do Pontével, tendo eliminado o Moçarriense (triunfo por 3-0, em Samora, nos 1/8 de final), a que se seguiu o apuramento nas Fazendas de Almeirim, ante o Fazendense (clube mais titulado na competição, com quatro Taças do Ribatejo conquistadas, e semi-finalista na época passada), no desempate da marca de grande penalidade, dado ter-se mantido o nulo no marcador até final dos 90 minutos.

O emblema da Glória tem tradição na Taça, com cinco presenças nos 1/4 de final nos últimos oito anos, atingindo as meias-finais pela terceira vez nesse período, depois das participações de 2014 e 2015.

Quanto ao Samora Correia, marcou presença nos 1/4 de final por três vezes nos últimos quatro anos (apenas tendo falhado em 2019), repetindo a participação das meias-finais, alcançada no ano passado. Os samorenses contam com dois troféus da Taça do Ribatejo no seu palmarés, pese embora conquistados já em anos distantes, em 1983 e em 1994.

Tendo os visitados vencido, por tangencial 1-0, no desafio a contar para o campeonato, não haverá propriamente, no embate desta tarde, um “favorito” declarado, sendo que a formação da Glória procurará culminar com uma histórica presença na Final da Taça uma temporada já memorável, o que os samorenses tentarão, naturalmente, contrariar.

(Texto da rubrica da Rádio Hertz, com a perspectiva da jornada – 20.06.2021)