Tem esta tarde início mais uma edição do Campeonato Distrital da I Divisão da Associação de Futebol de Santarém, que se deseja possa vir a ser disputado na íntegra, ao contrário do sucedido nas duas últimas temporadas, nas quais não foi possível completar os campeonatos.

No contexto actual, atendendo às várias vicissitudes que os clubes têm atravessado, em especial no último ano e meio, afigura-se ainda mais difícil fazer prognósticos sobre o que poderá vir a ser o desfecho da prova, quer a nível de candidatos ao título e lugares cimeiros, como à luta pela manutenção.

Assim, tendo em consideração o escalonamento das várias equipas na época passada, o primeiro grande polo de atracção deste campeonato, logo na sua ronda inaugural, será, indubitavelmente, o embate que coloca frente-a-frente o U. Almeirim e o Cartaxo.

Os almeirinenses dominaram amplamente a prova de há duas épocas, tendo sido então promovidos ao campeonato nacional, no qual, contudo, não lograram êxito, tendo sido despromovidos. Quanto ao Cartaxo, é, desde há anos, um habitual pretendente aos lugares de topo, tendo terminado no 5.º posto no campeonato precedente, em igualdade pontual com o surpreendente 4.º classificado, Amiense.

Nas cinco ocasiões em que estes dois emblemas se cruzaram, em Almeirim, nos últimos cinco anos, o registo é absolutamente repartido, com dois triunfos para cada lado e um empate. Um jogo de tripla, portanto…

O Abrantes e Benfica, 2.º classificado no último campeonato, desloca-se a Salvaterra de Magos, para defrontar o recém-promovido Salvaterrense, no que constituirá um bom teste para ambas as formações. Não havendo historial de encontros recentes entre ambos, os abrantinos terão maior dose de favoritismo, mas restará ver que peso poderá ter o factor casa.

O Mação visita Rio Maior, onde encontrará o desafortunado finalista da última edição da Taça do Ribatejo, que perdeu no desempate da marca de grande penalidade.

A turma de Rio Maior teve, na temporada anterior, “duas caras”: uma primeira na fase inicial, até à suspensão das competições; outra, bem mais forte, após a retoma das provas.

Estes dois clubes defrontaram-se por uma única vez em anos recentes, em Março de 2020, então com triunfo dos maçaenses por 2-0. O jogo de hoje antevê-se talvez mais repartido, parecendo plausível a possibilidade de empate, não esquecendo que o Mação se apresenta geralmente bem reforçado.

O Amiense, que obteve um excelente 4.º lugar no último campeonato, vai de viagem até Torres Novas, para defrontar uma equipa torrejana que se tem deparado com grandes dificuldades nos tempos mais recentes, envolvida na indesejada luta pela manutenção no principal escalão do futebol distrital, condição pouco condizente com o seu histórico.

Trata-se do confronto mais vezes repetido de entre os agendados para esta jornada, com sete partidas disputadas entre os dois clubes nos últimos oito anos – tendo sido, por outro lado, cancelado o jogo previsto na temporada de 2019-20.

Nesses sete desafios – e tal como sucede no caso do U. Almeirim-Cartaxo – regista-se um equilíbrio total, com três vitórias para cada emblema e um sensacional empate a quatro bolas na época passada (isto, depois de os torrejanos terem chegado a estar a golear por 4-0, vindo a colapsar drasticamente, acabando por sofrer três tentos já em período de compensação!).

Para esta tarde, e em função do desempenho recente das duas equipas, o grupo de Amiais de Baixo poderá ter algum teórico favoritismo, mas teremos de apreciar em que condição se apresentam os homens da casa neste início de temporada.

O União de Tomar, que vem de um 6.º lugar, bastante aquém das expectativas iniciais, recebe a visita do recém-promovido Benavente, vencedor da série Sul da II Divisão, impondo-se, quase sobre a linha de meta, ao Salvaterrense.

Num reencontro de dois emblemas históricos, que se defrontaram por cinco vezes nos últimos anos (entre 2012 e 2017), regista-se clara supremacia tomarense, com quatro vitórias, face a apenas um triunfo do Benavente, já na relativamente distante temporada de 2012-13. Mesmo que o União não se afirme, este ano, declaradamente como candidato, será favorito a somar os seus primeiros três pontos da época no encontro de hoje.

A equipa da Glória do Ribatejo – que vem da mais brilhante época de todo o seu historial, culminando com a inédita conquista da Taça do Ribatejo, qual “cereja no topo do bolo” de um já muito notável 7.º lugar no campeonato (em igualdade pontual com o U. Tomar) – desloca-se ao terreno de outro promovido do escalão secundário, neste caso um clube com grandes pergaminhos, o At. Ouriense, que se viu forçado a disputar tal prova, depois de, no final de 2018-19, ter suspendido a actividade.

O conjunto de Ourém, que exerceu forte predomínio na série Norte, terá talvez alguma maior dose de favoritismo no jogo desta tarde, mas o (escasso) histórico de confrontos entre os dois clubes aponta também para uma tendência de equilíbrio, com uma vitória tangencial dos visitados (já em 2012-13) e uma igualdade, precisamente em 2018-19.

O Ferreira do Zêzere, que se salvou “à justa” da despromoção, com uma prova muito irregular, recebe o Fazendense, clube que, com o 8.º lugar averbado, teve também um dos seus menos conseguidos desempenhos dos últimos anos.

Nas duas vezes que se defrontaram em anos recentes, os ferreirenses venceram em 2018-19, depois de se ter registado uma igualdade na época precedente. O grupo das Fazendas de Almeirim terá porventura superiores argumentos, mas o factor casa poderá também pesar.

Por fim, o Alcanenense será anfitrião do Samora Correia, com as duas equipas a pretenderem melhorar o modesto registo da temporada anterior (respectivamente 12.º e 9.º classificados). Nas duas vezes que se cruzaram, no final de 2018 e em Maio de 2021, os samorenses venceram ambas as partidas, e por igual marca: um tangencial 1-0. Esta tarde perspectiva-se a possibilidade de um encontro repartido.

(Texto da rubrica da Rádio Hertz, com a perspectiva da jornada – 19.09.2021)