(“O Templário”, 24.11.2022)

Registando segunda goleada sucessiva (um total de nove golos marcados nos dois últimos jogos), e beneficiando da derrota sofrida pelo Fazendense em Amiais de Baixo, o U. Tomar recuperou a posição de liderança, a par do Samora Correia, que, findo o primeiro terço da prova, mantém a invencibilidade. Se os nabantinos se destacam pelo poderio ofensivo (somando 25 tentos em dez partidas), os samorenses têm no seu reduto defensivo o ponto forte (apenas cinco golos sofridos).

Por outro lado, em função dos desfechos da 10.ª ronda, o duo da frente abriu já uma vantagem interessante, de sete pontos, em relação ao 5.º lugar, repartido entre Alcanenense e At. Ouriense. Pese embora subsistam ainda 60 pontos em disputa, novos deslizes de Mação (empate), Ferreira do Zêzere e Abrantes e Benfica (ambos derrotados) colocam-nos já a distância muito dificilmente reversível (11 pontos de atraso para maçaenses e ferreirenses; 14 no caso dos abrantinos).

Destaques – A principal nota de realce do passado fim-de-semana vai para a vitória do Amiense ante o até então líder, Fazendense, por tangencial 1-0, num embate que deu azo a muitas queixas por parte dos visitantes, quer em relação à arbitragem (qualificada de inexperiente), como à atitude dos donos da casa. Os homens dos Amiais chegaram ao golo, que ditaria o desfecho do encontro, aos 35 minutos, preciosa vantagem que tudo fizeram para preservar até final.

As duas equipas estão agora separadas, entre si, por dois pontos, distando, respectivamente, quatro e dois pontos dos guias, completando, portanto, o quarteto de principais candidatos ao título.

Como referido, o U. Tomar voltou a golear; depois do 4-0 ao Amiense, foi ganhar ao Entroncamento, face ao “lanterna vermelha”, por categórica marca de 5-1. Num confronto desnivelado, com entrada avassaladora, os unionistas rapidamente decidiram a contenda, com três tentos em pouco mais de vinte minutos (após abrirem o marcador ainda antes do quarto de hora).

Na segunda metade, a turma da cidade ferroviária, procurando dar réplica animosa, ainda reduziu para 1-3, mas os tomarenses mantiveram-se imperturbáveis, com a contagem a subir, com naturalidade, até ao 5-1 final.

Em destaque esteve também o At. Ouriense, que, pese embora alguma irregularidade, continua a somar pontos, tendo ido ganhar a Fátima, num “derby” distrital, por 3-1, contribuindo para agudizar ainda mais a periclitante posição dos fatimenses, que continuam no penúltimo lugar.

Surpresas – Atendendo ao que poderia projectar-se, em função do potencial das forças em presença, por um lado, e do respectivo desempenho recente, por outro, assinalam-se duas “meias-surpresas”, com o Cartaxo e o Águias de Alpiarça a fazer valer o factor casa, para se imporem, respectivamente, face a Ferreira do Zêzere e Abrantes e Benfica.

O Cartaxo, ganhando por 3-1, subsiste invicto em casa (registando três vitórias e dois empates), condição apenas acompanhada pelo duo da liderança. Tratou-se, no caso dos ferreirenses, do quarto desaire nos cinco últimos encontros, voltando a registar balanço negativo entre vitórias e derrotas (4-5), assim como a nível do “score” global (11-15), posicionando-se a meio da tabela.

O Águias de Alpiarça conseguiu enfim colocar termo a uma sucessão de cinco derrotas, batendo o Abrantes e Benfica por renhido 3-2, com o tento decisivo a chegar mesmo em cima do minuto 90, depois de os locais terem operado reviravolta (após terem começado por inaugurar o marcador logo aos cinco minutos de jogo). Esta foi a quarta jornada seguida sem vitória dos abrantinos, após uma série de três empates, sendo que não conseguiram ainda ganhar fora.

Confirmações – Nos restantes três desafios os resultados podem considerar-se dentro da lógica. Começando pelo inequívoco triunfo (3-0) do Samora Correia, na recepção ao Torres Novas, com a particularidade de, apenas pela segunda vez, os torrejanos terem ficado em branco (tal como sucedera nas Fazendas de Almeirim); por seu lado, os samorenses averbaram a quarta vitória em casa (apenas o Amiense tendo evitado a derrota em Samora).

Nos outros dois jogos, outros tantos nulos, entre Alcanenense e Mação, e Benavente e Salvaterrense. No primeiro caso, o facto de nenhuma das equipas se ter conseguido superiorizar, neutralizando-se, traduz-se no alargar do fosso pontual em relação aos lugares de topo da pauta classificativa; no segundo, o ponto que ambas somaram poderá vir a ser importante para as contas da manutenção, até – desde logo – em termos anímicos, por terem evitado a derrota.

II Divisão Distrital – Com o Forense de folga, aproveitou o Moçarriense para, ganhando ao Rebocho por 3-0, se isolar no comando da série A. Porventura surpreendente, atendendo à classificação dos dois clubes, terá sido a vitória (3-1) do U. Almeirim no “derby” com o Paço dos Negros; tal como não seria expectável o deslize do Espinheirense ante o Benfica do Ribatejo, não tendo conseguido melhor do que a igualdade a uma bola.

Na série B o Riachense “soma e segue” (conta seis vitórias e um empate), não obstante tenha vencido a U. Atalaiense por magro 2-1. Beneficiou ainda do desaire do Pego, batido por 3-1 pelo Vasco da Gama, para se distanciar na frente, com a turma dos Riachos a dispor de vantagem de cinco pontos sobre os pegachos. O Tramagal, ganhando na Ortiga por 4-1, ascendeu à 3.ª posição.

Campeonato de Portugal – Foi uma jornada a “zeros”, em termos de golos marcados, para os três emblemas do Distrito, a 8.ª desta competição. A derrota 0-1 do Rio Maior no terreno do imprevisto líder, Mortágua, não surpreende – até pelas recentes notícias que nos chegam, dando conta da grave situação que os jogadores do clube vêm atravessando, com vários meses de salários em atraso. Já o 1-0 registado no Loures-Coruchense não deixa de constituir também um mau indício, dado que a equipa dos arredores de Lisboa se posiciona igualmente na cauda da tabela.

O U. Santarém, empatando a zero na Sertã, obteve, ainda assim, um resultado positivo, que lhe confere, por ora, o 8.º lugar (último acima da “linha de água”) em igualdade pontual, precisamente, com o Sertanense (7.º)… mas, também com o União da Serra (9.º).

Bastante pior estão: o grupo do Sorraia (10.º, mas já com cinco pontos de atraso); e, sobretudo, os riomaiorenses, últimos classificados, ainda sem ganhar, e a 11 pontos daquele trio, o que, a não haver uma rápida inversão de rumo, se poderá traduzir numa breve passagem pelos “Nacionais”.

Antevisão – Na 11.ª ronda o foco estará, sobretudo, no grande embate Ferreira do Zêzere-U. Tomar, uma espécie de “tudo ou nada” para os ferreirenses. O Cartaxo-Samora Correia apresenta o aliciante de avaliar até que ponto os samorenses conseguirão preservar a sua campanha invicta.

Na II Divisão, destaca-se o Paço Negros-Espinheirense e, a Norte, o Tramagal-Vasco da Gama.

No Campeonato de Portugal o U. Santarém tem um importante desafio, recebendo o União da Serra; tendo o Coruchense a visita do Alcains, em que somar os três pontos se afigura muito importante; o Rio Maior volta a jogar com o (outro) líder, 1.º de Dezembro, também no seu reduto.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 24 de Novembro de 2022)

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