Assembleia Geral


Exm.º Senhor Presidente da Assembleia Municipal de Tomar, Dr. José Pereira;

Exm.º Senhor Vice-Presidente da Câmara Municipal de Tomar, Dr. Hugo Cristóvão;

Exm.º Presidente da Associação de Futebol de Santarém, Eng.º Francisco Jerónimo;

Exm.º Presidente da Direcção do União de Tomar, Sr. Abel Bento, e restantes membros da Direcção;

Caros sócios, atletas, técnicos, minhas senhoras e meus senhores.

Começo por saudar e agradecer, em nome do União de Tomar, a vossa presença neste jantar comemorativo do 102.º aniversário do nosso clube.

Se na mensagem que aqui deixei no ano passado, me centrei, com alguma extensão, sobretudo no passado, recordando muitos dos nomes de figuras que contribuíram para engrandecer a centenária história do União, é altura de, agora de forma bastante mais breve, me focar no presente e, principalmente, no que constitui já um promissor futuro.

Dando início a esta menção com o futebol sénior, depois de, na época anterior, o União ter sido vice-campeão distrital, registando o seu melhor desempenho dos últimos cerca de 15 anos – o que proporcionou o regresso do clube a uma competição de cariz nacional, a Taça de Portugal, onde somou já a sua 35.ª participação, desde a estreia em 1965 –, é de enaltecer o muito digno comportamento de toda a equipa, que, superando múltiplas adversidades, conseguiu manter-se no pódio pelo segundo ano consecutivo, com um bem honroso 3.º lugar, um justo prémio para o esforço e dedicação de todos. Está, pois, de parabéns, todo o grupo unionista: directores, equipa técnica, jogadores, corpo médico e patrocinador, parabéns que aqui corporizo nas pessoas dos principais responsáveis pelo departamento de futebol, Paulo Moura e Lino Freitas.

Mas, este ano, uma outra formação do União de Tomar é merecedora de especial destaque, igualmente na modalidade de futebol: a do escalão de Juvenis, que, culminando uma magnífica temporada – em que comandou o campeonato de princípio a fim, sempre com larga vantagem sobre todos os concorrentes – conquistou o título de Campeão Distrital, uma proeza que não se registava há quase 25 anos, garantindo, paralelamente, a promoção ao campeonato nacional. Excelentes sinais de esperança no futuro do clube! Cumpre-me endereçar também uma palavra de agradecimento a todo o grupo, aqui expressa na pessoa do seu treinador, Hélder Lopes.

Para além do futebol, o União tem vindo, desde há vários anos, a desenvolver muito meritório trabalho na sua secção de atletismo (actualmente com cerca de uma centena de atletas em actividade), em que destaco o papel de Paulo Saldanha, enquanto responsável e treinador, assim como, em especial, nesta última temporada, de dois atletas – curiosamente, ambos também integrando ainda o escalão de Juvenis –, Manuel Dias (Campeão nacional e recordista nacional do Heptatlo e Vice-campeão Ibérico de Provas Combinadas) e Carolina Ribeiro (Vice-Campeã nacional de Pentatlo, que, também no mesmo torneio internacional, em Espanha, igualmente em representação de Portugal, numa prova de superação, bateu os seus records pessoais em todas as cinco provas que compõem o Pentatlo, melhorando paralelamente o seu record distrital), e, também, necessariamente, do respectivo treinador, Tiago Madureira.

Menciono ainda os nomes de Leandro Francisco, Tatiana Santos, Carlota Gonçalves, Sofia Rodrigo, Alexandra Aleixo e Sandra Simões, todos jovens atletas que alcançaram já honrosas marcas, nas respectivas disciplinas, que lhes proporcionaram disputar os campeonatos nacionais dos seus escalões (Juniores e Juvenis).

Por fim, ainda uma última referência – “last but not least” – a Helder Ferreira, neste caso já um atleta com vasta experiência, Campeão nacional de ultra-maratona, tendo sido também o melhor português no Campeonato do Mundo de ultra-maratona.

Prosseguindo uma trajectória realista, com os “pés bem assentes na terra”, o União de Tomar vem, sustentadamente, consolidando a sua posição de referência no panorama desportivo do Distrito e, também, a nível nacional, honrando os seus compromissos, tendo prestes a ser concluído um moroso e difícil processo de recuperação financeira, uma base primordial para que, de forma sã, se possa projectar para plano mais ambicioso.

O que, paralelamente – num clube amador, em que ganha maior fundamento a expressão do “amor à camisola”, partilhado por dirigentes, técnicos, atletas e pais –, requer reforço em termos de estruturação, recursos e meios disponíveis, desde a sede à melhoria das condições a nível de campos de jogos, equipamento de transporte das diversas equipas, até ao material de apoio às modalidades.

Tais metas apenas serão possíveis de alcançar com uma maior aproximação e crescente envolvimento da comunidade em que o União se insere, e na qual, ao longo dos anos, continua a assumir papel de grande relevância em termos da formação dos jovens da nossa terra, não só a nível desportivo, mas, acima de tudo, como homens e cidadãos.

Assim, termino, recuperando as palavras finais do ano passado: o União será o que nós, sócios e adeptos, e todos os tomarenses em geral, quisermos.

Viva o UNIÃO DE TOMAR!

Leonel Vicente

Tomar, 7 de Maio de 2016

(texto completo da mensagem que ontem apresentei no jantar comemorativo do 102.º aniversário do União de Tomar)

Exm.ª Senhora Presidente da Câmara Municipal de Tomar, Dra. Anabela Freitas

Exm.º Senhor Presidente da Junta de Freguesia de São João Baptista e Santa Maria dos Olivais, Sr. Augusto Barros

Exm.º Presidente da Direcção do União de Tomar, Sr. Abel Bento, e restantes elementos da Direcção

Caros sócios, atletas, técnicos, minhas senhoras e meus senhores,

A todos o meu obrigado por terem comparecido. Em nome do União de Tomar, dirijo-vos uma saudação muito especial de boas vindas a este jantar comemorativo do 101.º aniversário do União, um pretexto para reforçar os laços de amizade, em prol do engrandecimento do nosso clube.

Como sabem, há pouco mais de um mês, no final de Março, foram eleitos os novos Órgãos Sociais do União para o mandato 2015/17. Abel Bento mantém-se como Presidente da Direcção, tal como Jerónimo Capelão como Presidente-Adjunto. Prossegue igualmente em exercício a generalidade dos membros da Direcção, tendo a equipa directiva – à qual expresso os meus votos dos maiores sucessos – sido ainda reforçada com alguns novos Directores, que recentemente entraram em funções.

Nessa ocasião, e na sequência do honroso convite do Presidente da Direcção, Abel Bento, e em função da votação dos sócios, assumi a responsabilidade pela Presidência da Mesa da Assembleia Geral, função que grata satisfação me dá, dado o seu papel primordial, de representação dos sócios do União de Tomar.

Nestas minhas primeiras palavras, queria reiterar o agradecimento à anterior Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Dra. Graça Costa, que me habituei, ao longo dos últimos oito anos, a ver, dando a cara, assumindo, e cumprindo com grande dignidade, em múltiplas ocasiões, esse papel de representação dos sócios do União, mais em especial, pessoalmente, por via do contacto directo que tive oportunidade de estabelecer a propósito das comemorações do Centenário, da Exposição e das sessões de apresentação dos livros editados também nesse âmbito.

Esperando estar à altura das responsabilidades e de prosseguir o trabalho desenvolvido pela anterior Presidente, por meu lado, posso dizer que sou, com muito orgulho, sócio do União de Tomar há mais de 20 anos, vibrando, desde a infância, com os sucessos do clube, e sofrendo com ele nos momentos difíceis.

Tendo deixado de viver em Tomar já lá vão quatro décadas não deixei de acompanhar, desde menino, e pese embora à distância, a vida do União.

Apesar de não ter grandes memórias vivas dos tempos áureos de I Divisão – lembro-me da maior goleada aplicada pelo União, frente ao Beira-Mar, por 8-1, a que assisti ao vivo, em 1973 – nem das conquistas na II Divisão, recordo não obstante alguns dos nomes que elevaram o nome do clube e da cidade aos mais altos patamares, a nível nacional, alguns deles que se tornaram verdadeiros símbolos, ainda agora regularmente evocados.

Uma famosa linha defensiva do União perdura na mente de muitos, e não só em Tomar: Conhé, Kiki, Caló, Faustino e Barnabé – que, em 1969, empataram 2-2 no Estádio das Antas. Como faz parte do imaginário de tantos, e ainda hoje é frequentemente citada, a célebre expressão de António Medeiros, em 1972, de que «Até os peixes do Nabão se hão-de curvar à nossa passagem».

Porque entendo que a memória do passado é um rico património que deve ser preservado e valorizado, muitos foram os nomes que, nesses tempos, contribuíram para o engrandecimento do clube; destaco em especial, com particular gratidão pessoal, três símbolos maiores da mística unionista: FAUSTINO, TOTÓI e MÁRIO PINTO.

Mas diversas outras grandes figuras do futebol português envergaram também a camisola rubro-negra do União: Nascimento, Calado, Fernandes, Ferreira Pinto, Zeca, Pavão, Vieira, Camolas, Raúl Águas e Manuel José (todos, estes dez, Campeões nacionais, ao serviço do Benfica!), Caló, Carlos Pereira e Gonçalves (todos eles também Campeões nacionais, mas pelo Sporting), o célebre Bolota (melhor marcador do União na I Divisão, com 30 golos), ou os treinadores Óscar Tellechea, Fernando Cabrita, o já referido Medeiros, Artur Santos e Francisco Andrade.

Foram, então, nomes que faziam parte do meu imaginário, sobretudo por ouvir os relatos na rádio, mas, também, por via dos famosos cromos – nos primeiros tempos, de início dos anos 70, embrulhando caramelos, em busca do inatingível “cromo da bola” –, os quais agora recuperamos, adaptados aos modernos tempos actuais, numa iniciativa a todos os títulos louvável e à qual aqui deixo o meu convite a todos para aderir, coleccionando, trocando os cromos, num salutar exercício de convivência em família e entre amigos.

Para além daqueles, lembro igualmente os de alguns outros, “tomarenses” por adopção, como: Bastos Nunes, Cardoso, João Carlos, Fernando Luís, Silva Morais, Florival, Barrinha, Dui ou Tito.

Mas, também, naturalmente, os tomarenses por nascimento: Raul, Alberto, Caetano, Bilreiro, Alexandre, Morado, Ernesto e Mário Consciência, tal como, anos mais tarde, Jorge Vital, que se notabilizaria ao mais alto nível, ao serviço do Sporting.

Assim, como, noutro plano, o de dirigentes de grande gabarito, relembro os nomes dos três “mosqueteiros” (que, tal como na história de Alexandre Dumas, eram efectivamente quatro): Mário Gonçalves, João Lopes da Costa, Fernando Carrão, e o Presidente José Júlio Garcia.

E, claro, não poderia esquecer uma palavra alusiva a esses dois vultos maiores do futebol em Portugal: o “rei” Eusébio e António Simões, que, só à sua conta, acumularam 21 títulos de Campeão Nacional e dois de Campeão Europeu.

Como disse, não tendo tido possibilidade de acompanhar de perto esses tempos gloriosos, recordo com especial relevo o 1.º lugar obtido pelo União na III Divisão, nas épocas de 1982-83 e de 1989-90, e os títulos de Campeão Distrital, em 1987-88 e em 1997-98.

Destas ocasiões, muitos outros são os nomes que aqui poderia evocar, nomeadamente, e correndo o inevitável risco de me esquecer de outros tantos: João Segorbe, Carlos Alberto, Boavida, Rafael, Jacob, Paulo Moura, Ferreira, Abreu, Ulisses Morais; Jorge, Nelson, Paulo Simões, Eira, Cajada, Paulo Santos, Zé-Tó, João Alvalade, Quim, Marco Marques, David, Luís Filipe, Luís Alves, Rui Coelho, Bernardino, ou Victor Romero, e, ainda, o já antes mencionado Mário Pinto, assim como os treinadores Vítor Esmoriz e Mário Ruas.

Na sua centenária existência, integrando um selecto lote de cerca de vinte dos mais antigos clubes em actividade na modalidade de futebol, o União tem um historial preenchido e um palmarés rico – com um total de 14 títulos averbados no escalão de seniores (dois deles de Campeão Nacional da II e da III Divisão), a que soma ainda mais de vinte títulos conquistados a nível dos escalões de formação –, ostentando a glória de ter sido o único clube do Distrito a militar (durante seis temporadas) no escalão máximo do futebol português.

Na época finda, tendo sido vice-campeão distrital, o União alcançou o seu melhor desempenho dos últimos cerca de 15 anos, num ressurgimento que se saúda, como antecâmara para o possível regresso a mais altos voos… Para já, tal possibilitou o apuramento para a Taça de Portugal da próxima época, prova de índole nacional a que regressa 14 anos depois da sua última participação. Mas também a nível de Campeonato, o regresso aos Nacionais poderá vir a tornar-se uma realidade a breve trecho…

O União de Tomar – entidade declarada instituição de utilidade pública em 1992, tendo sido também agraciado pelo Governo com a medalha de bons serviços desportivos –, sempre assumiu, ao longo dos seus 101 anos, um importante papel no desenvolvimento de objectivos de intervenção social, em particular a nível da formação dos jovens, como desportistas, mas, principalmente, como homens, um serviço público que presta à comunidade, sendo um dos mais ilustres representantes do associativismo desportivo da nossa cidade. Creio que todos nesta sala reconhecemos a importância que clubes da dimensão do nosso representam no dia-a-dia da sociedade nabantina.

As perspectivas de futuro do clube são inevitavelmente condicionadas pelas necessidades de meios e recursos e pelas infra-estruturas de que continua a carecer, em particular a nível de instalações, sendo prioridade imediata, no mencionado cenário de promoção aos Campeonatos nacionais, a vedação do campo de futebol, única forma de potenciar as receitas de bilheteira, assim como a bancada e a questão dos balneários. Mas, de uma forma mais global e integrada, a caminhada ascensional do União só poderá prosseguir e desenvolver-se com o apoio da comunidade tomarense, reaproximando-se do clube, ajudando-o a projectar-se a mais alto nível.

Porque o União não é apenas futebol, é devida também uma justa menção ao atletismo, e um agradecimento ao esforço desenvolvido pelos seus dirigentes, técnicos e atletas em prol do clube, num período em que se assinala o forte dinamismo desta secção.

Quero ainda deixar uma palavra final de grande apreço a todos os que, de forma desinteressada, voluntária e com amor à camisola, asseguram a vida do clube, no dia-a-dia, com sacrifício pessoal, abdicando dos seus tempos livres em família, começando pelos Directores, quais “formiguinhas” de trabalho, procurando superar todas as dificuldades e obstáculos, mas também aos diversos elementos das equipas técnicas, que se constituem em exemplos para os mais jovens, para além, claro, de todos os jogadores e atletas, nos diversos escalões, em ambas as modalidades, futebol e atletismo.

E, ainda, por fim, enaltecer o exemplo que constitui o sócio n.º 1 do União, Sr. Fernando Henriques Lopes.

Concluo, reiterando que acredito que o União será o que nós, todos, sócios e tomarenses, quisermos.

Viva o UNIÃO DE TOMAR!

Leonel Vicente

Tomar, 9 de Maio de 2015

(texto completo da mensagem que ontem apresentei na gala do 101.º aniversário do União de Tomar)

União de Tomar

Em Assembleia Geral ontem à noite realizada, foram eleitos os órgãos sociais do clube, para o biénio 2015/2017. É a seguinte a lista dos elementos que compõem os novos órgãos sociais do clube:

Mesa da Assembleia Geral

Presidente – Leonel Vicente; Vice-Presidente – José Alberto Dias Vieira; Secretária – Sílvia Alexandra Ferreira Marques

Direcção

Presidente – Abel Rosa Bento; Presidente-Adjunto – Jerónimo Manuel Marques Capelão; Vice-Presidente para o Património – António Manuel Duarte Lopes; Vice-Presidente para o Futebol senior – Paulo Jorge P. Moura; Vice-Presidente – José Jorge Mendes Sousa; Vice-Presidente para o Atletismo – Pedro Pereira; Tesoureiro – Marco António Pastor Silva; Secretário – José Vítor Carvalho Ferreira; Vogais – João Paulo Oliveira da Silva, Luís Manuel Silva Honório, Jorge Lopes, Filipe Silva e Jorge Manuel Pereira

Conselho Fiscal

Presidente – Paulo Renato Carecho Silva Ferreira; Vice-Presidente – João da Cunha Machado; Secretário – Lino Rosário Confraria Freitas; Relator – Marisa Guido

Conselho Geral

Rui Manuel Dias da Costa, Pedro Alexandre Ramos Marques, Luís Filipe Boavida, João Manuel Henriques Simões, Dinis Martins, Joaquim Patrício, José Tapadas, Joaquim Segorbe, João Paulo Patrício, Manuel Sousa Dias, José Martins, Alexandrino Campos, Carlos Carrão, Ivo Santos, Pedro Oliveira, Paulo Saldanha e Jorge Santos

A título pessoal, é com muita honra que integro esta lista, agradecendo o convite que me foi dirigido pela Direcção, na pessoa do seu Presidente, Abel Bento, assim como o trabalho desenvolvido em prol do clube pela anterior Presidente da Mesa da Assembleia Geral, Dra. Graça Costa, que, ao longo de cerca de oito anos, cumprindo o seu papel de representação dos sócios do União de Tomar, deu importante contributo para dignificar o nome e a história do clube, esperando estar à altura do desafio, e poder dar a devida continuidade a tal trabalho.

Os sócios do União de Tomar poderão contactar com a Mesa da Assembleia Geral por via do seguinte e-mail: ufcitcentenario@gmail.com

Boa noite a todos e um enorme bem haja, por se terem predisposto a partilhar este memorável momento connosco.

O União Futebol Comércio e Indústria de Tomar, o nosso União, faz 100 anos e eu encontro-me aqui, com a enorme responsabilidade de dizer alguma coisa que faça justiça a um século de história de um clube, que quando eu nasci era já “homem feito”.

Confesso-vos que não me sinto com grande competência para o fazer, porque falar do União de Tomar é falar de milhares de histórias dentro da história e o risco de dar mais ênfase a uma vertente do que a outra é um risco enorme e que eu não quero, de todo, correr.

Por outro lado, falar do União de Tomar e de Centenário acaba por ser redundante, quando no âmbito das comemorações temos eventos representativos das modalidades actualmente existentes no Clube; temos uma exposição absolutamente espantosa, onde novos e menos novos podem aprender, vivenciar, reviver, sonhar, ver o que foi, ou melhor o que é este enorme clube; e temos um livro escrito com amor, dedicação e paixão, onde quase tudo o que diz respeito ao clube está compilado.

Fico portanto, aparentemente com a tarefa facilitada, mas só aparentemente, porque ter a responsabilidade de tentar partilhar convosco a parte intangível, aquela que os olhos não vêem e as mãos não tocam, mas que é a identidade do nosso clube, é tarefa árdua e à qual as palavras poderão dar, apenas, uma pequena ajuda.

Porque é de Paixão e de Amor que eu vos quero falar. Paixão e Amor por um clube, que orgulhosamente ostenta o nome desta terra que me viu nascer e crescer e que eu vi crescer e quase morrer. Vou, portanto, falar-vos de afectos.

Começo por vos dizer que foi na fase de quase morte, que alguns de nós que hoje estamos aqui e outros tantos que por cá passaram, assumiram que deixar morrer o União de Tomar, era permitir que uma parte da memória colectiva deste Concelho morresse também e resignarmos-nos, seria sermos coniventes com essa morte, por inércia e cobardia.

Felizmente a família Unionista não é das que se resigna, pelo que agarrámos nas palavras do poeta, atreve-mo-nos a sonhar e metemos mãos à obra.

Pois bem…em boa hora o fizemos, pois se não o tivéssemos feito, certamente não estaríamos hoje aqui a desfrutar deste momento único e estou certa, inesquecível para a maioria dos presentes.

Pessoalmente, tenho dificuldade em falar do União de Tomar sem me emocionar e quem me conhece sabe que se tal acontecer hoje, não será a primeira vez. Nada de que me envergonhe, antes pelo contrário.

Manter ao longo dos anos a capacidade de nos emocionarmos é sinal que sentimos, de que temos a alma e o coração à flor dos olhos. Sentir, é sinal de vida, do pulsar dos sentidos, força motriz do agir.

Falar deste clube sem nos emocionarmos é não ser digno de o fazer, porque o União é obra, sem dúvida, mas é sobretudo amor, arrepio, devoção, sentimento, paixão

Mas, como se mede a paixão ou o amor por um clube?

Pelo tempo que lhe dedicamos?

Pela forma como celebramos as vitórias e choramos as derrotas?

Quando sentimos aquele delicioso aperto no peito ao vermos os atletas beijar a camisola, numa demonstração de orgulho e respeito pelo emblema que trazem no peito?

Pela tristeza que sentimos quando o vemos humilhado e injustamente maltratado?

Tudo isto vejo diariamente neste clube e só por isso tenho a certeza de que o clube está vivo e tem futuro.

Porque o União de Tomar não é só um emblema, é uma marca, é carisma e estes 100 anos de história são a prova viva disso mesmo.

Para além do inestimável serviço público que presta à comunidade do concelho, carrega em si o peso de uma história que se funde com a da terra que lhe serviu de berço e a ternura que nos envaidece quando noutras paragens o seu nome é reconhecido e proferido com solenidade, respeito e consideração.

Por tudo isto e o muito mais que fica por dizer mas que se intui nas minhas palavras, permitam-me que assuma o enorme orgulho por ter nascido no mesmo dia deste enorme clube, que me viu crescer e que cedo aprendi a amar pelas mãos e voz do meu pai.

Por tudo isto e o muito mais que fica por dizer, permitam-me que vos lance o desafio de se deixarem emocionar.

Este centenário, tem o sabor de batalha vencida e nunca como hoje o grito de “guerra” que os nossos atletas evocam antes de cada jogo fez tanto sentido. Para os que não sabem, o “grito de guerra “ é simples mas significativo – Unidos venceremos…União, União, União.

Este centenário é obra do esforço, do amor e da dedicação de muitas dezenas de pessoas.

Não esquecemos, obviamente e agradecemos desde já, todo o apoio do Município de Tomar, do Instituto Politécnico de Tomar e de todas as entidades que, de forma directa ou indirecta, contribuíram, a maioria graciosamente, para que os eventos que fazem parte das comemorações do nosso Centenário, ganhassem vida.

Mas, perdoem-me a imodéstia, os verdadeiros heróis deste centenário são os sócios, os atletas, os dirigentes e os amigos deste enorme clube que ousaram desafiar o destino e não se poupando a esforços, olharam para estes 100 anos de história e decidiram que ela tinha que ter uma imagem de marca e que esta apenas podia ter um nome – DIGNIDADE.

Sei que este é um valor em vias de extinção, no mundo insane em que vivemos, mas para nós é um valor indissociável do marco que hoje celebramos.

Porque é de dignidade e respeito que se trata quando se restaura uma taça, se limpa uma medalha, se recupera uma foto, se coze um estandarte, se evoca um nome, se compila em livro 100 anos de vida.

Porque é de dignidade e respeito que se trata quando se monta uma exposição que permita aos mais jovens beber com os olhos a grandeza do clube que representam e que desconheciam; e aos mais velhos, reviver momentos que certamente marcaram as suas vidas.

Podem ter-nos tirado quase tudo, mas não conseguiram tirar-nos a identidade, a paixão e o sentir; no fundo o alimento que nos faz continuar a caminhar e que sentimos diariamente em todos os que, a troco de nada nada, dão tudo para manter o União vivo – atletas, pais, dirigentes, sócios e amigos…tantos amigos.

No dia 4 de Maio de 1914 cumpria-se o sonho de fundar em Tomar um Clube que, trazendo na matriz do seu nome o que de grande o Concelho tinha na época, o Comércio e a Indústria, trazia também a vontade de, através do desporto, levar o nome de Tomar, até onde a alma, a coragem e o orgulho Tomarenses fossem capazes.

Agora, 100 anos volvidos, depois de glórias e tormentas, quisemos mostrar aos tomarenses e ao país a alma Unionista, de forma simples, mas com a Dignidade a que nos propusemos desde o início.

Modestamente, creio termos conseguido cumprir o objectivo.

Na Gala de encerramento das comemorações do Centenário, no próximo Setembro, tudo faremos para, com chave de ouro, fechar este capítulo da história do clube, que é nosso e de todos vós.

Obrigada pela vossa presença e por se terem associado a este dia histórico para o União de Tomar, para a Cidade, para o nosso Concelho e um até sempre.

Viva o União de Tomar.

A Presidente da Assembleia Geral do União de Tomar

Graça Costa

Tomar, 4 de Maio de 2014

Somente homens excepcionais conseguem congregar em torno da sua vida e da sua morte tanto consenso. Eusébio da Silva Ferreira, o Pantera Negra, que o nosso país teve a honra de ter como atleta é uma dessas excepções. Faleceu hoje aos 71 anos mas ficará perpetuado para sempre na memória dos portugueses.

Este atleta, o maior de sempre do futebol português, deu também o seu contributo ao União de Tomar, clube onde terminou a sua carreira. Neste ano em que o Clube comemora o seu centenário, temos esta perda, que marca o clube, todos os que amam o futebol, e o Benfica, obviamente de forma particular.

A este grande senhor do futebol mundial, que Tomar teve a sorte de ter como jogador, a minha sentida homenagem e que descanse em paz.

Sentidas condolências à família directa e à grande família do futebol mundial, que hoje não tem clube em memória do grande Pantera Negra.

Obrigada Eusébio.

A presidente da Assembleia Geral do União de Tomar.

Graça Costa

Na vida, há coisas que dinheiro nenhum do mundo pode comprar…

Como o dia cheio, repleto de emoções, como que um sonho irreal, que me foi proporcionado no Sábado – ao longo do dia dei por mim a interrogar-me, por várias vezes, se “aquilo” estava mesmo a acontecer; se era realmente eu que estava ali, ao lado de ídolos da minha meninice, de quem coleccionei os famosos cromos (alguns ainda do tempo das figurinhas enroladas em rebuçados!…) e cujos nomes ouvi em tantos relatos pela rádio.

Os mesmos cromos que Conhé conserva ainda na sua carteira, com uma mini-colecção de diversos exemplares retratando os seus tempos de glória e que, orgulhosamente, me mostrava.

Ao regressar 36 anos no tempo, foi também como se regressasse à minha infância, ao meu próprio passado, à época em que morava ali, a “dois passos” do Estádio onde tantas tardes de festa se viveram.

Ou, também, como a emoção e a extraordinária alegria do reencontro que, conforme pude testemunhar, vi estampada nos rostos daquelas estrelas do futebol dos anos 70: foi impossível não vibrar com as carinhosas saudações que, em especial, foram atribuídas – e largamente retribuídas – por um Camolas, feliz que nem um menino! E, também, por Bolota, viajando expressamente desde o Canadá, onde se encontra radicado.

Ainda outro, de muitos momentos de emoções fortes, também a partir do Canadá, com a intervenção em directo para o Cine-Teatro Paraíso, via telemóvel, do capitão João Carlos, saudando os seus colegas Campeões ali reunidos (no que seria seguido também por Fernandes, a partir de França).

Intervenções bem complementadas pelas palavras da Presidente da Assembleia Geral do União de Tomar, Graça Costa, assim como pela emocionada alocução de Maria Júlia Filipe, recordando o seu pai João Lopes da Costa, e dando o grito de alerta de que o União irá prosseguir, a caminho e para além do centenário, com vitalidade reforçada.

O dia começou cedo, pelas 10 horas, com a inauguração da Exposição “Os Campeões de 1974”, patente na Galeria Templários, onde, em plena Rua Serpa Pinto, se começaram a juntar os Campeões, com oportunidade para apreciar as fotos e outro material alusivo ao evento – com destaque para a taça de Campeão Nacional -, também com a passagem em écran de imagens disponibilizadas pela RTP referentes à Final disputada a 23 de Junho de 1974, no Estádio Municipal de Coimbra, entre o União de Tomar e o Sporting Clube de Espinho, com o triunfo tomarense por 4-3, com três golos de Bolota e um do capitão João Carlos.

Seguindo-se para o Estádio Municipal, iniciar-se-ia o torneio triangular de veteranos, entre as equipas do União, do Espinho e do Benfica (“Sport Lisboa e Saudade”), que esta última, dirigida por Artur Santos, treinador da equipa do União que se sagrou campeã em1974, viria a vencer.

A começar a tarde, a sessão especial comemorativa, de homenagem aos Campeões, no Cine-Teatro Paraíso, com a excelente apresentação de Paulo Pereira, que, como referi já, teve oportunidade de dialogar via telefone com João Carlos e Fernandes.

De regresso ao Estádio, tempo para animadas conversas, recordando os “bons velhos tempos”, com inúmeras e curiosas histórias, como as que o sempre esfusiante Kiki (um entusiasmo contagiante) me contava, também com a participação de Faustino, recordando o dia em que passou de “não ter carro nenhum a ter dois carros e meio!…”, ou como, na célebre “liguilla” de 1970-71, num jogo disputado com o Marinhense, após ser substituído, teve de “fugir” do campo, ainda equipado, dadas as intenções “pouco amistosas” da claque da equipa adversária…

Assim como a recordação do generoso Faustino, ainda a propósito do jogo da Final de 1974, em que – dado que apenas os jogadores que jogavam recebiam o prémio de jogo – e com o marcador em 4-1, favorável ao União, “simulou” uma lesão para ser substituído, de forma a possibilitar que Fernando fosse também premiado…

Ou as histórias de Manuel José, com um magnetismo especial, que lhe é conferido – não só pelo seu estatuto no futebol nacional e internacional – também, talvez principalmente, pelas suas origens algarvias, sempre congregando à sua volta um grupo ávido de ouvintes, também com tempo para recordar junto com a comitiva espinhense, os tempos passados naquele clube, como jogador e o seu início como treinador.

Tendo vindo também à baila algumas das brincadeiras que, no fundo, contribuíram para uma grande união de grupo, factor chave nas conquistas do União, como o dia em que Raul Águas descobriu que tinha um gafanhoto dentro da camisola, a passear pelas costas…

Tal como, passando na rua, a caminho do Cine-Teatro, um tomarense se dirigir de forma espontânea a Nascimento, questionando-o se tinha vindo visitar a “sua baliza”…

Ocasião ainda para assinalar a simpatia com que fui tratado por Alexandre (proveniente da velhinha CUF) ou por José Jorge, grande unionista, árbitro do torneio.

Com o jantar de encerramento e entrega de troféus, no Hotel dos Templários, ficou reforçado o espírito de sã convivência que se viveu durante todo o dia, com a glória aos vencedores e a honra aos vencidos, os convidados espinhenses, também a caminho do centenário em 2014, curiosamente tal como o União de Tomar, quais “equipas-gémeas”.

Depois das intervenções dos Presidentes da Câmara Municipal de Tomar e de Espinho e dos vereadores da Câmara Municipal de Tomar, assim como dos representantes das equipas de veteranos do Espinho e do Benfica (Artur Santos), a derradeira intervenção ficaria a cargo de Raul Águas que manifestou a sua alegria pela ocasião – a par da tristeza em ver o Estádio sem bancada -, lembrando os que partiram já (Quim Pereira, João Lopes da Costa, Florival e Pavão) e deixando um apelo às autoridades no sentido de continuarem a apoiar o União de Tomar.

“Last but not least”, endereço os meus Parabéns à magnífica organização, da responsabilidade dos veteranos do União de Tomar, superiormente coordenados pelo incansável José Martins, com a excelente colaboração de outras figuras do clube, como Paulo Moura ou Ferreira, entre muitos outros, traduzindo um verdadeiro espírito de equipa.

Pessoalmente, é com imenso gosto que expresso o meu sentido agradecimento por esta inolvidável experiência que me foi proporcionada, grato pelo tratamento que me foi dispensado, que a todos apresento, nas pessoas do José Martins (a quem reitero o obrigado pelo amável convite) e do José Tapadas.