Centenário


Centenario - 40

(“O Templário”, 03.07.2014)

Na temporada de 1997-98, para conclusão de um campeonato disputado “ao milímetro”, chegava-se à última jornada, com os unionistas a visitar o terreno do principal rival, Ferroviários. A 24 de Maio de 1998, o ambiente era frenético; a esperança na conquista do título repartida entre ambos os contendores e respectivas massas adeptas:

«O União de Tomar partia em vantagem já que levava mais três pontos do que o seu adversário que, para se sagrar campeão, tinha de vencer a equipa tomarense por dois golos de diferença. Assim, a equipa do Ferroviários entrou no jogo a pressionar, e a imprimir muita velocidade, em especial nos primeiros 15 minutos de jogo. Com um futebol rápido e a procurar jogar junto da baliza do União, a equipa da casa conseguiu marcar logo aos 12 minutos por Nuno Légua. Este golo veio ainda dar uma maior emotividade ao jogo, já que, por um golo estava “presa” a decisão de se saber quem subia de divisão. […]

No último minuto da primeira parte, aconteceu então o momento do jogo que abriu quase por completo as portas da 3.ª Divisão ao União de Tomar. Rui Coelho, de um ângulo difícil, marcou para o União, igualando a partida, escassos instantes antes do apito do árbitro para o final do primeiro tempo. Este golo, importantíssimo para a equipa orientada po Mário Ruas, desmoralizou não só a equipa do Ferroviários como a sua massa associativa que também sentiu que a partir dali tudo estava muito mais complicado. […]

A partir do início do segundo tempo e até à meia hora, assistiu-se a um jogo mais calmo, com o domínio do Ferroviários a ser consentido, em parte, pelo União de Tomar. Finalmente, a 8 minutos do fim, o Ferroviários acabaria por marcar.

Este golo veio trazer, de novo, uma grande ansiedade ao jogo, já que o União não podia sofrer mais nenhum golo sem marcar e o Ferroviários ao longo do campeonato tem dado a volta aos jogos nos minutos finais. Talvez por isso, a ansiedade dos sócios e jogadores fosse ainda maior e como tal, a expectativa era grande até ao apito final […].»(1)

Sem ter evitado passar por alguns sustos, quando André Gralha apitou para o final do desafio, com o resultado em 1-2, foi a grande explosão de alegria entre os tomarenses. De forma inesperada no início da época, culminando uma excelente temporada de um jovem colectivo – em particular com uma fantástica primeira volta, com apenas 2 empates cedidos em 15 jogos – o União de Tomar sagrava-se Campeão Distrital pela quinta vez no seu historial, dez anos depois da conquista anterior, assim regressando à III Divisão Nacional.

O clube daria então início ao último ciclo, de quatro anos, nos Campeonatos Nacionais, de que se despediria em 2001-02, na aldeia da Bidoeira de Cima, a 11 de Maio de 2002, curiosamente o mesmo local onde, a 2 de Setembro de 2001, disputara a derradeira partida na Taça de Portugal.

De retorno aos Distritais, o União registaria como melhor série de resultados, 10 vitórias consecutivas no campeonato, sucessivamente, contra todos os adversários da prova (à excepção do Campeão, Riachense), entre Novembro de 2008 e Fevereiro de 2009, vindo a sagrar-se vice-campeão Distrital em 2008-09. Uma série que de alguma forma procuraria replicar no início do ano do Centenário, com 8 jogos de invencibilidade, nos meses de Janeiro e Fevereiro de 2014, numa época em que viria a fazer história, obtendo a maior goleada de sempre em jogos fora de casa, em todo o seu historial, ganhando por 8-0 em Santarém… aos Empregados do Comércio!

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(1) Cf. “Cidade de Tomar”, 29 de Maio de 1998 – Crónica de Paulo Faria

Centenario - 39

(“O Templário”, 26.06.2014)

Na época de 1990-91, regressado à II Divisão Nacional (para um ciclo final de três temporadas), o União de Tomar enfrentaria uma luta tenaz, até ao último minuto da derradeira jornada, para garantir a manutenção – num ano em que foram despromovidos os oito últimos classificados –, tendo averbado, não obstante, um registo de 12 jogos consecutivos de invencibilidade.Também na Taça de Portugal o clube teria uma carreira digna de menção… que culminaria com o regresso ao Estádio da Luz: a 27 de Fevereiro de 1991, dava-se o último reencontro com o Benfica.

Num jogo de festa, a resistência unionista não duraria contudo mais do que 21 minutos, altura em que sofreu o primeiro golo, para, logo de seguida, num intervalo de escassos segundos (entre o minuto 29 e 30) ver o marcador ampliar-se para 0-3, com dois tentos de Magnusson. O segundo tempo correria muito melhor, com o União a conseguir uma “igualdade”, a um golo: Moreno reduziu para 1-3, e só já no “cair do pano”, os benfiquistas voltariam a marcar, por Sanchez, fixando o resultado em 4-1, desfecho que denota ilusórias facilidades:

«Claro que não houve apenas amolecimento e desinspiração benfiquista mas também, em apreciável grau, mérito e qualidade de jogo por parte dos animosos visitantes, tacticamente conscientes, tecnicamente válidos, com personalidades em destaque como, por exemplo, o «te[e]nager» Moreno, mais aplaudido pelos sócios do clube da Luz do que quase todos os «craques» benfiquistas. […]

Quando, a meio do 2.º tempo, os «rubro-negros» de Tomar reduziram para 3-1, a reviravolta exibicional tornou-se chocante e a hipótese dos 2-3 pairou no estádio, entre assobios a Isaías e a Matts e palmas vibrantes para Moreno e para o generoso paraguaio [chileno] Romero.

Quem poderia supor!

Um bom «keeper» – e não só…

Boa impressão deixou a turma visitante nesta «saltada» original até Lisboa. Em 5x3x2, muito «arrumadinho», o U. Tomar botou figura nos primeiros 20 minutos de claro pendor atacante benfiquista, dando a conhecer um bom guarda-redes (Nélson) e resultando o expediente de trazer cá para trás um ponta-de-lança de bom arcaboiço e bastante «calo» como o «trintão» Plemen. […]

No 2.º tempo, sentindo-se menos secundária, a turma de Tomar ousou mais e, no minuto 61, Ferreira poderia ter marcado, assustando o «espectador» Silvino.

Da ameaça ao golo foi um quase-nada: em contra-ataque, Moreno «sprintou» muito bem, foi feliz no ressalto em choque com o «capitão» benfiquista e, completamente só, a 20 metros da linha de golo, vibrou à grande com a sua proeza, difícil de esquecer. […]

Bem esteve o União – tacticamente e em equilíbrio emocional. Nelson, Alexandrov, Ferreira e Moreno deixaram-nos bastante boa impressão. E também Eira, um defesa «mini» de atenção «maxi», um topa-a-tudo eficaz na cortina defensiva. Passar assim pela «Taça» valeu a pena…»(1)

«Parabéns a João Barnabé e à equipa, muito vistosa, muito disciplinada e com a preocupação de jogar bem.»(2)

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(1) Cf. “Gazeta dos Desportos”, 1 de Março de 1991 – Crónica de David Sequerra
(2) Cf. “A Bola”, 28 de Fevereiro de 1991 – Crónica de Aurélio Márcio

Centenario - 38

(“O Templário”, 19.06.2014)

Dando sequência a um trabalho de base que vinha desenvolvendo desde há três anos, o União de Tomar havia já intercalado – entre duas temporadas como que de “lançamento” (as de 1986-87 e de 1988-89, em que obtivera por duas vezes, respectivamente no Campeonato Distrital e no Nacional da III Divisão, o 3.º lugar na classificação final) –, a conquista (em 1987-88) do título de Campeão Distrital, à qual se seguiria, na época de 1989-90, mais um êxito para o seu palmarés.

A 25 de Abril de 1990, recebendo a equipa do Nazarenos, em partida a contar para a 30.ª jornada do Campeonato Nacional da III Divisão, e vencendo categoricamente, por 3-0, o União garantia – ainda com quatro jornadas por disputar – a promoção à II Divisão B, novo escalão que se estrearia precisamente na temporada seguinte, em função da introdução da então denominada II Divisão de Honra, interposta logo abaixo da I Divisão.

«Em tarde bastante perdulária, a turma tomarense, não só deixou fugir uma soberana oportunidade para golear o seu adversário, como também e apenas confirmou a vitória nos derradeiros minutos da contenda.»(1)

A 13 de Maio, com a disputa da 33.ª e penúltima ronda, vencendo em Ferrel por 1-0, os “rubro-negros” confirmavam enfim a conquista de mais um título – o segundo em três anos, ambos sob a direcção técnica de Vítor Esmoriz –, sagrando-se antecipadamente vencedores da Série D da III Divisão, um desfecho que vinham prometendo há já largos meses.

«O União já garantiu a vitória na Série D do Campeonato Nacional da 3.ª Divisão.

Na verdade, em jogo realizado no passado domingo com o Ferrel, os nabantinos ao vencerem por uma bola a zero desfizeram todas as dúvidas (se ainda as havia) acerca de quem seria o campeão da série D na época 89/90.»(2)

«Na parte complementar da contenda, a turma anfitriã, moralizada com o empate ao intervalo e com o forte vento pelas costas, tentou obter dividendos deste facto, só que o conjunto de Vítor Esmoriz, argumentando um futebol de outro gabarito, um futebol tecnicista e rente ao solo, não deu qualquer hipótese aos seus adversários e se o árbitro não anulasse aos 66 minutos de jogo, um golo a Dinis por pretenso fora de jogo, após grande confusão na área da turma da casa, o União de Tomar passaria nessa altura para o comando da partida, no entanto e com a paciência inerente a um campeão, chegou à vitória, quando faltavam 14 minutos para o final contenda, através de um golo de Bernardino, que acabado de entrar na equipa, por troca com Luís Alves, efectuou um primoroso chapéu a Damas.»(3)

Culminando mais uma brilhante temporada – em que liderou, de forma isolada, desde a 10.ª jornada, durante intermináveis seis meses (depois de ter já comandado a prova noutras quatro rondas), lutando principalmente “contra si próprio”, procurando bater, semana a semana, o seu record de invencibilidade, que perduraria durante 25 jornadas – o União,com os 54 pontos obtidos, foi a equipa mais pontuada da III Divisão; sofrendo apenas 14 golos (em 34 jornadas, tendo mantido a inviolabilidade da sua baliza em 22 dessas rondas), a turma unionista registava a defesa menos batida de entre todos os 180 clubes integrantes da I, II e III Divisões Nacionais!

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(1) Cf. “Cidade de Tomar”, 27 de Abril de 1990 – Crónica de José Duarte
(2) Cf. “O Templário”, 17 de Maio de 1990
(3) Cf. “Cidade de Tomar”, 18 de Maio de 1990 – Crónica de José Duarte

UT - Centenario - 37

(“O Templário”, 12.06.2014)

Ainda na temporada de 1987-88, terminada que fora a aventura da Taça, era altura de focalizar a atenção no objectivo prioritário, o campeonato, como salientara o Presidente unionista, Dr. Dinis Martins: «Meta é a III Divisão – o jogo da Taça é só festa.»(1), que expressava também uma curiosa opinião: «somos o Benfica ou o Porto deste distrital, pois enchemos os campos todos.»(2)

Como que a recordar outras memoráveis conquistas (em particular a da primeira subida à I Divisão Nacional, em 1967-68), a 8 de Maio de 1988, na 27.ª jornada, o União de Tomar recebia, em partida decisiva, qual “final” do campeonato, o rival Torres Novas, 2.º classificado (a par do Águias de Alpiarça), tendo assim a oportunidade de – tal como, curiosamente, sucedera há vinte anos, perante o mesmo adversário, embora então em terreno alheio – fazer enfim a grande festa, de nova subida e consequente regresso aos Nacionais.

E, embalado como estava, não a desperdiçaria, acabando por se impor por 2-0, golos de Vítor Romero e de Ferreira, obtidos, respectivamente, aos 73 e aos 78 minutos – pouco depois de o guardião Jorge ter defendido uma grande penalidade a favor dos torrejanos –, assim culminando da melhor forma os largos minutos de “sofrimento”, dando ainda mais sabor às comemorações do título: beneficiando também do inesperado desaire caseiro do Águias perante o Benavente, o União, agora com sete pontos de vantagem, faltando três jornadas, sagrava-se Campeão Distrital!

«O Torres Novas enquanto contou com a frescura física do veterano Fragata foi dominando o encontro mostrando-se a equipa mais perigosa pois só a vitória lhe interessava. No entanto a equipa tomarense dispondo as suas pedras de maneira a não ser surpreendido foi respondendo com alguns ataques que todavia não surtiram o efeito desejado. […]

No segundo tempo o cariz do encontro não se alterou, mantendo-se a equipa da casa na expectativa […]. Aproveitando a frescura de Leite que acertou com a marcação a Fragata até então o melhor homem do Torres Novas a equipa da casa começou a pressionar o último reduto dos torrejanos e através de um futebol rápido e incisivo foram na procura do golo que lhes desse a tranquilidade necessária e os dois pontos em jogo. […]

Com o resultado final de 2-0 favorável aos tomarenses e a derrota do Águias em casa foi a festa no Municipal de Tomar com o público, jogadores, treinador e direcção a festejarem efusivamente a subida à 3ª divisão nacional.»(3)

Estava cumprido o “destino” do União, que assim conquistava, pela quarta vez no seu historial, o título de Campeão Distrital.

Tendo finalmente conseguido – após três anos de intensa disputa – conquistar o direito de regressar aos Campeonatos Nacionais, o União de Tomar encetara um árduo caminho de ascensão, subindo “a pulso”, visando retomar o lugar que deveria ser o seu no panorama do futebol nacional.

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(1) Cf. “Record”, 16 de Fevereiro de 1988 – Entrevista a Dinis Martins, por Mendonça Ferreira
(2) Cf. Idem, Ibidem
(3) Cf. “Cidade de Tomar”, 13 de Maio de 1988

UT - 100 anos em imagens

(via)

Sábado, às 18h00, lançamento do livro “União de Tomar – Cem anos em imagens” com a presença de António Simões

Vai ser apresentado no próximo sábado, dia 14 de Junho, pelas 18h00, na Casa Vieira Guimarães, à entrada da Corredoura, o livro “União de Tomar – Cem anos em imagens”, uma edição do Município de Tomar, com texto de Leonel Vicente e concepção de Justo Realce, Comunicação e Imagem.

A iniciativa integra-se nas comemorações do centenário do clube tomarense, um histórico do futebol português, que esteve seis épocas na 1.ª Divisão Nacional, sendo até hoje o único clube do distrito de Santarém que conseguiu alcançar o patamar superior do futebol português.

A apresentação, no local onde até ao próximo domingo decorrerá a exposição comemorativa do centenário, contará com as presenças do autor e de António Simões, um dos nomes mais gloriosos do futebol nacional, que jogou, tal como Eusébio, na equipa nabantina.

Centenario - 36

(“O Templário”, 05.06.2014)

Infelizmente, a passagem pela II Divisão, na temporada de 1983-84, seria bem efémera, com uma traumática despromoção, na derradeira jornada, em situação de igualdade pontual com Beira-Mar e Caldas – com a equipa a ser surpreendida por um desempate a três, em que tinha desvantagem, quando se tinha “preparado” para um eventual desempate apenas a dois…

De regresso à III Divisão, a época de 1984-85 finalizaria de forma absolutamente inconcebível à partida, com segunda despromoção sucessiva, e o regresso ao Distrital, vinte anos depois, traduzindo uma verdadeira “queda no abismo”.

O clube encetaria então, nos anos seguintes, nova trajectória de recuperação de posições na hierarquia do futebol nacional, a qual culminaria com a excelente campanha na época de 1987-88, em que, para além da carreira no campeonato, de que trataremos na próxima semana, teve também desempenho meritório na Taça de Portugal, tendo sido a equipa dos Distritais que mais longe chegou na prova, única a atingir os 1/32 Final, eliminatória em que defrontaria o Salgueiros, então a militar na I Divisão, em desafio disputado na terça-feira de Carnaval, 16 de Fevereiro de 1988.

No “lançamento do jogo”, recordava e antecipava David Borges: «Não é um «distrital» qualquer o União de Tomar… É um clube com história no futebol português, acidentalmente caído no abismo. Já pertenceu à I Divisão, teve grandes jogadores nas suas equipas, mata, agora, saudades ao defrontar o Salgueiros, diante de quem tentará uma gracinha… possível.»(1)

E, no campo, quase esteve mesmo para haver “tomba-gigantes”! Perante uma assistência de dez mil espectadores (lotação praticamente esgotada), foi dia de festa em Tomar: «Quando Eira aos 23 minutos inaugurou o marcador levantando o público dos seus lugares, pensou-se que se estava a caminho da concretização do sonho.»(2)

«O União, tal como lhe competia, começou com precauções defensivas, actuando com o «capitão» Paulo Moura (belo jogador!) a «líbero», atrás dos centrais Bola e Eira, os quais não concediam um palmo de terreno, respectivamente, a Constantino e a Pita. E, perante este dispositivo táctico, o Salgueiros viu-se e desejou-se para chegar com êxito às balizas do sereno Jorge. […]

Perante a passividade dos salgueiristas, que lateralizavam os lances, os locais começaram a acreditar, tornaram-se atrevidos e (pasme-se!) puseram a nú todas as carências defensivas do clube da cidade invicta que, então, passou por momentos de grande apuro, vendo-se em sérias dificuldades para travar a velocidade de Ferreira, pelo flanco direito (Casimiro nunca esteve no lugar…), enquanto o chileno Vitor Romero, um jovem que actuou na Suécia, dava cartas a meio-campo. […]».»(3)

Porém, «quando já toda a assistência pensava na possibilidade do prolongamento Constantino partindo da posição irregular de fora de jogo obteve o segundo golo que ditaria a eliminação da equipa tomarense […].«(4) Titulava o jornal “A Bola”: «O golo (falso) de Constantino destruiu o sonho do União… que esteve quase a cometer a proeza de levar os salgueiristas a segundo jogo»(5).

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(1) Cf. “Record”, 16 de Fevereiro de 1988 – Artigo de David Borges
(2) Cf. “Cidade de Tomar”, 19 de Fevereiro de 1988 – Crónica de José Júlio
(3) Cf. “A Bola”, 18 de Fevereiro de 1988 – Crónica de Miguel Correia
(4) Cf. “Cidade de Tomar”, 19 de Fevereiro de 1988 – Crónica de José Júlio
(5) f. “A Bola”, 18 de Fevereiro de 1988 – Crónica de Miguel Correia

A exposição alusiva aos cem anos de história do União de Tomar continua patente ao público, na Casa Vieira Guimarães (na rua Serpa Pinto), até ao dia 15 deste mês de Junho. A iniciativa, que abriu portas a 3 de Maio, prolonga-se, desta forma, por mais cinco dias para além do que estava programado uma vez que ainda haverá lugar à apresentação do Livro do Centenário ilustrado no dia 14, precisamente no local da exposição que, sem sombra de dúvidas, fica para a história do clube já que deu a conhecer, a milhares de pessoas, um trajecto percorrido pelo União de Tomar, entre troféus e imagens, essencialmente.

Numa nota de imprensa enviada para a redacção da Hertz, Joaquim Cunha, um dos principais “obreiros” da exposição, sublinhou que «uma pequena parte do espólio será devolvida a todos os que gentilmente nos cederam lembranças, fotos e outros elementos ilustrativos do percurso do clube nas mais diversas modalidades. O restante, sobretudo troféus e registos fotográficos, irão ser levados para o espaço que está a ser recuperado para ser a “sede” do União de Tomar». A finalizar, ficou o repto: «Todos conhecem o nosso sonho e o sonho dos tomarenses que amam este clube: conseguir que, um dia, o União de Tomar tenha o seu lugar reconhecido na história do Concelho que o viu nascer e que o Museu do União de Tomar seja uma realidade».

(Rádio Hertz)

Centenario - 35

(“O Templário”, 29.05.2014)

A 25 de Julho de 1976, o União de Tomar teria ainda um último “contacto” (mesmo que já por via indirecta) com a I Divisão, no Campo Luís de Almeida Fidalgo, no Montijo, em partida da derradeira jornada do Torneio de Competência, qual “Final”, que daria acesso ao escalão maior. O empate poderia bastar, mas para tal seria necessário que o Salgueiros perdesse em Aveiro, frente ao Beira-Mar; uma eventual vitória garantiria automaticamente a manutenção na I Divisão…

Mas rapidamente as contas seriam “desfeitas”. Num período de pouco mais de um quarto de hora, entre os 20 e os 37 minutos, os montijenses – que o União havia deixado “para trás”, numa sensacional recuperação, no Campeonato da II Divisão de cinco anos antes, em que, também por via de uma “liguilla”, acabara por vir a ascender à divisão principal do futebol português –, marcando três golos, acabavam com as esperanças tomarenses. O resultado final, com uma pesada derrota por 0-4, seria uma infeliz forma de despedida da formação nabantina.

Passadas algumas épocas em que o clube militou na II Divisão – com especial referência à temporada de 1977-78, já aqui evocada, com as passagens por Tomar do “Rei” Eusébio e de António Simões – o União voltara a cair no escalão mais baixo do futebol nacional, a III Divisão.

Até que, enfim, depois de mais três anos de “travessia no deserto”, a 5 de Junho de 1983, ganhando por 4-1 em Nisa, o União sagrava-se vencedor da sua série da III Divisão, assim recuperando uma posição no segundo escalão do futebol em Portugal.

«Niza era palco para uma jornada que ficaria na já longa e gloriosa história do União de Tomar. Sabia-se que estava ali a última esperança da subida à 2.ª Divisão. Havia que aguardar resultados dos dois campos (Almeirim e Marinha) e havia que seguir o desenrolar dos acontecimentos neste jogo de Niza. A expectativa era enorme, por isso, Niza recebeu muitas dezenas de tomarenses, aqueles que apesar de tudo sempre acreditavam! E foi digno de se ver como apoiaram a equipa mesmo debaixo duma tremenda pancada de água! […]

Por volta da meia hora, o União marcava o seu primeiro golo. Era o caminho de uma vitória que valia uma subida de divisão, e a partir daí e com os jogadores mais descontraídos, o União nunca mais deixou de massacrar o reduto defensivo da equipa de Niza, que resistiu até ao intervalo sofrendo apenas um golo.

Na segunda parte, num terreno impróprio para jogar futebol, o União fez valer toda a sua pujança física, todo o seu melhor futebol de equipa superior em todos os aspectos. E foi um regalo ver esta equipa do União a lutar e correr na lama, na água, nos buracos! […]

O jogo entrentanto chega ao fim, era dramático ver nos rostos dos jogadores a expectativa em saber os resultados nos outros campos. E foi em pleno balneário que surgiram as primeiras informações: o União, beneficiando dos empates do Caldas e U. Santarém, estava de novo na 2.ª Divisão. Eram os gritos de euforia, eram jogadores, dirigentes e adeptos envolvidos em abraços e lágrimas, era a festa justa de uma vitória final que nunca esteve em dúvida por falta de capacidade, mas sim por contingências do futebol que pôs o União em perigo até ao último minuto da 30.ª jornada.»(1)

Melhor ainda: o União de Tomar não só garantia a subida à II Divisão, como, inclusivamente, sagrava-se vencedor da série, apurando-se para a fase final de disputa do título de Campeão. No termo de uma extasiante disputa, após sucessivas “reviravoltas”, atingia o almejado objectivo.

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(1) Cf. “Cidade de Tomar”, 9 de Junho de 1983 – Crónica de João Bernardino

Centenario - 34

(“O Templário”, 22.05.2014)

O dia 30 de Maio de 1976 marcaria a despedida do União de Tomar do principal escalão do futebol português, a I Divisão. Chegara-se à derradeira jornada com tudo ainda por decidir no que respeita à manutenção. Atente-se na pauta classificativa, começando de baixo para cima: a CUF caíra nas profundezas da classificação, ocupando o último lugar (16.º), a um ponto do Farense, a dois de Leixões, U. Tomar e Beira-Mar, a três do Atlético, e a quatro do Académico.

Eram de “vida ou de morte” (necessariamente entre aspas!) os jogos dessa última jornada, em que o União se deslocava às margens do Sado, para defrontar um tranquilo V. Setúbal (9.º). Com o grupo unionista a atravessar graves dificuldades financeiras, em campo – dando tudo o que tinham dentro de si, num grande sentido de esforço e abnegação –, os rubro-negros (que se haviam visto em posição de desvantagem, de 0-2, apenas com vinte minutos decorridos), revelando grande coração e capacidade de reacção, acabariam por chegar ao empate, a duas bolas, mercê dos tentos apontados por Camolas e Caetano, obtidos num intervalo de apenas quatro minutos.

«Agora, conhecendo-se o que aconteceu nos outros jogos em que participaram clubes da zona dos «aflitos», sabe-se que o União de Tomar não podia ter outro destino do que aquele que tem (disputa da «Liguilla»), qualquer que fosse o resultado que obtivesse […]. Mas, às 16 horas de ontem, tudo podia acontecer nos tais outros jogos, nada garantia que os nabantinos não tivessem necessidade de empatar (pelo menos) […] e compreende-se, por isso, o estado de espírito com que os seus jogadores iniciaram o duelo com o Vitória.

A necessidade, porém, se umas vezes aguça o engenho e faz das fraquezas forças, também noutras é bem capaz de diminuir possibilidades. E admitimos que tenha sido esse o caso dos tomarenses, tão mal actuaram em toda a primeira parte e tão incapazes se mostraram (até) de disfarçar e contrabalançar com «elan» o que lhes faltava em capacidade futebolística. Uma equipa triste, amorfa, como que tolhida no raciocínio e nos movimentos e, por isso, a ampliar as suas debilidades e a dar todas as hipóteses aos antagonistas – inclusivamente, na obtenção dos dois golos. […]

Os jogos, porém, têm hora e meia. E num lance, muitas vezes, podem mudar de rumo. Sobretudo, se esse lance corresponde a um golo e esse golo gera a tangente no resultado. E Camolas (que já aos 18 minutos tivera um «tiraço» ameaçador) fez o 2-1 num «livre» (ainda que em pura consequência da tabela que a bola encontrou no seu caminho) e, a partir daí, se não pode dizer-se que as posições se inverteram (evidentemente que não, por todas as razões), bem pode afirmar-se que ambas as equipas se transformaram muito.

Logo a seguir ao 2-1, uma «cabeça» de Caetano só não deu o 2-2 porque foi mal aplicada; dois minutos após, o mesmo Caetano fez o empate, resgatando bem aquela falha; dentro do último quarto de hora, dois lances de Bolota e um de Camolas estiveram perto de dar o triunfo aos tomarenses – excelentes, até, na forma como «seguraram» (a jogar e a bater-se) um curto período de «forcing» dos sadinos, pouco depois da igualdade.

O União de Tomar acabou por ter um «prémio» que começou a merecer quando decidiu acreditar um pouco mais em si próprio e na parte final do encontro, mostrou que as suas fraquezas não são tão grandes quanto o haviam parecido antes».(1)

Não se sabia ainda então, mas, infelizmente, chegara ao fim a participação do União de Tomar na I Divisão, fechando-se assim um ciclo de seis presenças em oito temporadas…

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(1) Cf. “A Bola”, 31 de Maio de 1976 – Crónica de Cruz dos Santos

Centenario-33

(“O Templário”, 15.05.2014)

Chegava-se então à temporada de 1975-76, que assinalaria a derradeira participação do União de Tomar na I Divisão. Atravessando uma época difícil, a sete jornadas do termo da competição, a formação tomarense ocupava a indesejada posição de “lanterna vermelha”, a três pontos dos lugares da “salvação”. Até que aconteceria uma das maiores surpresas do campeonato…

Um magnífico Boavista cedera entretanto a liderança (que ocupara durante a primeira fase da prova) ao Benfica, mas continuava a ocupar um estupendo 2.º lugar, e, sobretudo, não abdicara ainda da luta pelo título. Na 24.ª ronda, a 13 de Março de 1976, o União visitava o Estádio do Bessa e ninguém apostaria “um tostão” numa eventual possibilidade de triunfo unionista.

Bastaria porém um golo de Camolas, ao findar da primeira parte, para desmentir toda e qualquer lógica do futebol: os “rubro-negros” obtinham uma tão sensacional como absolutamente surpreendente vitória sobre o Boavista, em terreno alheio, que terá sido determinante para afastar o “Boavistão” de Pedroto da possibilidade de se vir a sagrar Campeão Nacional!

«Parecia fácil, por tudo isso e ainda porque os visitados, segundos da classificação, defrontavam o último da tabela. Realmente parecia fácil. Mas foi difícil. Parecia simples. E foi tremendamente complicado. Parecia de ganhar. E foi de perder. Sem um apelo, sem um reparo para o árbitro, sem outras atenuantes que fossem afinal, as ausências de Celso e de Alves. Celso que é dono do meio-campo, que aí segura o jogo, que aí mina o adversário, que o impede, aí, de se mostrar, de se organizar, de partir para o contra-ataque. Alves que é o estratega, o homem que constrói, que corre o campo, que mete a bola, quando não marca o golo, que disciplina os movimentos, o «empreiteiro» que faz os «alicerces» da actuação, que vê o lance, que faz jogar, que arrasta consigo a equipa, que lhe dá o balanço certo que é a «inteligência do «onze», o cérebro que o comanda, lá dentro, mesmo quando marcado, quando vigiado, quando policiado, quando perseguido em todos os terrenos, que tem sido o grande impulsionador do mesmo assim sensacional «Boavistão» de 1975-76, no sábado apenas «Boavistinha», confundido, desnorteado, descompassado, sem ritmo de início, depois nervoso, despistado, sempre ao ataque, um ataque porfiado, prolongado, constante, persistente, que deparou com todo um «União dos Defesas Unidos» que de Tomar foi até ao Bessa jogar uma cartada que se antevia difícil, quase impossível, mas que redundou num triunfo naturalmente surpreendente mas justificado, para não dizermos justo, sopesados bem os acontecimentos daqueles noventa minutos de nervos em franja para toda a gente, as duas equipas e todos os espectadores, sobretudo os interessados, os que sofreram mais com a derrota, por a ela não estarem habituados.

Não foi um jogo espectacular. Mas foi um espectáculo todo o jogo. Emotivo, emocionante, que prendeu toda a gente até ao derradeiro segundo do último minuto. […].

O União de Tomar acabou por vencer bem – por culpa alheia, também. E o Boavista perdeu mal – mas apenas porque jogou realmente mal. […]

Claro que o União, como já vimos, teve a sua tarefa de algum modo facilitada. Mas soube deitar a mão ao ensejo, soube aproveitar a oportunidade, soube construir, com abnegação e lucidez, o caminho que a conduziu ao êxito. Com certa dose de sorte, convenhamos. Mas o importante é que soube procurar essa sorte, soube agarrá-la, soube conquistá-la e, depois, soube guardá-la com determinação, soube segurá-la com unhas e dentes.»(1)

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(1) Cf. “A Bola”, 15 de Março de 1976 – Crónica de Álvaro Braga

Jornal Torrejano - 09-05-2014
(Jornal Torrejano, 09.05.2014 – Artigo de João Carlos Lopes, a quem agradeço a gentileza e as simpáticas palavras)

Centenario - 32

(“O Templário”, 08.05.2014)

No final da época de 1974-75, em que o União de Tomar registara a sua quinta participação na I Divisão Nacional, garantindo a permanência por mais uma temporada, a formação unionista atingia, também pela quinta vez na sua história, os 1/4 Final da Taça de Portugal. Ditara o sorteio que a turma “rubro-negra” recebesse no seu terreno, a 25 de Maio de 1975, a visita do Sporting.

E, de alguma forma, aconteceria surpresa: não obstante não terem faltado oportunidades de golo, para ambos os contendores, o nulo no marcador não se alteraria, mesmo após a disputa de um prolongamento de trinta minutos.

«Quis-nos parecer que o Sporting está num mau momento ou «procurou-o», por causas diversas, logo neste encontro de Tomar. E podia, por isso mesmo, já estar afastado da competição […]. O «leão» precisava de um banho no Nabão. Para despertar da letargia. […]

Como dissemos, várias circunstâncias podiam ter contribuído para a pouca inspiração colectiva dos sportinguistas. Duas delas: a lesão de Fraguito, e a figura de corpo presente que Yazalde fez durante uma grande mão cheia de minutos. Atenuantes? Até certo ponto. Atenuantes em relação à pouca dinamização da linha média e à falta de poder de concretização da dianteira, mas, no resto, parece-nos que será pôr demasiados condicionalismos à excelente resistência dos tomarenses, focando as desgraças sem lhes contar os méritos.

Durante a época, a defesa de Tomar tem sido muito mal tratada pela crítica. Ontem, antes do jogo, era também a grande incógnita e pareceu-nos que da sua actuação dependia o êxito da equipa ou o seu rápido aniquilamento. […]

Assim, sobre cinco homens [Silva Morais, Kiki, Calado, Zeca e Fernandes] estava suspensa uma acusação. Afinal, o gato não conseguiu comer as filhós, a defesa do União, umas vezes com uma certa tranquilidade, de outras perfeitamente desaustinada, pontapeando para fora, afastando a bola de qualquer jeito da sua área, não se portou nada mal. A começar no guarda-redes [Silva Morais], que fez duas ou três defesas de grande categoria e jogou muito bem, durante toda a partida, e a terminar no homem do lado esquerdo [Fernandes]. […]

Foi uma forma inteligente de actuação, foi, também, sentido das realidades. Da forma como jogou, batendo-se bem na defesa e tentando chegar à baliza de Damas através de lances rápidos de contra-ataque, os homens de Tomar disputaram o jogo e podiam ter perfeitamente eliminado o Sporting.»(1)

Este fora o momento em que o União terá estado mais próximo das ½ Finais da competição, fase que, porém, nunca conseguiria franquear. Tendo forçado o grupo “leonino” a um jogo de desempate, o qual seria disputado apenas dois dias depois, agora em Lisboa, no Estádio de Alvalade, e no termo de mais uma época desgastante em termos anímicos e físicos, sem um adequado período de recuperação, o conjunto nabantino acabaria por soçobrar, perante uma exibição de grande nível do adversário, sendo goleado por pesados 0-5.

Cumprido que fora o objectivo fundamental, de manutenção entre os grandes do futebol português, complementado com uma boa e digna campanha também na Taça de Portugal (tendo eliminado Famalicão e Montijo, ambos por 5-3), era tempo de pensar na temporada seguinte…

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(1) Cf. “A Bola”, 26 de Maio de 1975 – Crónica de Homero Serpa

Centenas de pessoas quiseram associar-se ao lançamento do livro «União de Tomar, cem anos de história» e lotaram, por completo, o café «Paraíso», um dos espaços mais emblemáticos da cidade nabantina. Antigas figuras do clube, desde dirigentes, jogadores e treinadores, passando aos actuais elementos que fazem o dia-a-dia do emblema, sem esquecer sócios, adeptos e diversas entidades do concelho, todos quiseram associar-se a um momento que serve de memória ao que têm sido os cem anos de um clube reconhecido à escala nacional.

De entre essas presenças, saliência para a de Fernando Mendes, antigo presidente do União de Tomar, que fica para a história do clube como o dirigente que contratou Eusébio. Também Manuel José, um nome que dispensa apresentações no panorama futebolístico nacional, quis associar-se a esta apresentação. Vítor Serpa, director do jornal «A Bola» e autor do prefácio do livro, explicou as razões que o levaram a apoiar a obra de Leonel Vicente.

(via Rádio Hertz)

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