O pulsar do campeonato - 2018-19 - TRibatejo-Final

(“O Templário”, 16.05.2019)

Depois do Amiense (em 1976-77), Samora Correia (1982-83 e 1993-94), Águias de Alpiarça (1984-85), Benavente (1990-91), Rio Maior (2001-02), Abrantes FC (2002-03), Monsanto (2003-04), Riachense (2008-09 e 2009-10) e Coruchense (2014-15), também o U. Santarém conseguiu agora obter a chamada “dobradinha”, juntando, numa mesma época, o título de Campeão Distrital e a conquista da Taça do Ribatejo.

Destaque – Tal como se poderia perspectivar, no desafio da “festa da Taça”, disputado no passado Domingo no Entroncamento, os escalabitanos acabaram por impor o seu actual maior ânimo, vencendo o Coruchense por 2-0, exponenciando, em paralelo, as fragilidades decorrentes do “trauma” sofrido pela formação do Sorraia, ao ver escapar-se sobre a “linha de meta” o título de uma competição em que liderara durante meses a fio (ao longo de 20 das 26 jornadas).

Procurando atacar de frente essa teórica debilidade, o técnico da turma de Coruche, Gonçalo Silva adoptou uma estratégia de assumpção da iniciativa, logo desde os minutos iniciais do jogo, procurando surpreender o adversário, que, contudo, fazendo valer a sua experiência, encarou essa fase com a devida serenidade, sem vacilar.

Com pouco mais de vinte minutos decorridos do primeiro tempo, num lance imprevidente, um defesa do Coruchense teve de recorrer à falta para travar a perigosa progressão de um contrário, o que lhe custaria um cartão vermelho, que se viria a traduzir em mais de 70 minutos em inferioridade numérica. Um rude golpe nas aspirações da sua equipa, que acusou sobremaneira mais esta adversidade, agravada com a obtenção do tento inaugural por parte dos escalabitanos.

Para a segunda metade, tendo operado alterações tácticas no xadrez do seu grupo, reforçando o sector defensivo e intermediário, a verdade é que o conjunto do Sorraia, não virando a cara à luta, voltou a tentar tudo o que, em tais circunstâncias, seria possível para chegar ao golo.

Mas, do outro lado, Mário Ruas preparara a sua equipa para, de forma concentrada, mesmo que aparentemente algo na expectativa, aproveitar qualquer oportunidade que viesse a surgir para desferir o golpe decisivo nesta final. O que – outra vez, em momento nevrálgico do desafio –, aconteceria também a meio dessa segunda parte, percebendo-se, desde logo, que seria missão quase impossível a hipótese de reversão do resultado por parte do Coruchense.

No termos dos noventa minutos, o triunfo assenta bem a um personalizado colectivo de Santarém, a patentear, de novo, a sua superioridade no panorama do futebol distrital na presente temporada.

No palmarés da prova, após 42 edições disputadas, o Fazendense continua a ser o único emblema já com quatro troféus conquistados, mantendo-se o Coruchense no quarteto de perseguidores, cada um com três Taças ganhas (a par de Tramagal, Riachense e Amiense), enquanto o U. Santarém – que repetiu a proeza averbada há precisamente quarenta anos – passou a integrar um “pelotão” de sete clubes, cada um com dois títulos na “prova rainha”.

Resta, aos homens de Coruche, ainda uma terceira possibilidade de alcançar um título esta época, já no próximo Domingo, enfrentando, outra vez, “olhos nos olhos”, o mesmo oponente…

Campeonato de Portugal – De forma absolutamente imprevista ao longo de vários meses, ficou reservado para a 34.ª e derradeira jornada desta maratona que é o Campeonato Nacional promovido pela Federação Portuguesa de Futebol, um “golpe de teatro”, em prol do Sertanense, deveras penalizador para o Nogueirense, que, felizmente, não afectou as pretensões do Fátima.

Indo por partes: os fatimenses, que dependiam apenas de si próprios, cumpriram a sua missão, ganhando por 3-1 ao antepenúltimo classificado Alcains, acabando por subir duas posições nesta última ronda, fixando-se no 11.º posto final, garantindo assim a manutenção no Nacional.

Por seu lado, o Sertanense – que, durante semanas, se perfilou como a grande ameaça do Fátima –, recebendo o penúltimo, Peniche, goleou por 4-0, vindo a beneficiar das derrotas do Loures (0-1 em Alverca) e do Nogueirense (1-2 em Vila Franca de Xira) para igualar pontualmente estes adversários, conseguindo transpor, pela primeira vez ao fim de 14 jornadas, a “linha de água”, abaixo da qual caiu inapelavelmente a equipa de Nogueira do Cravo (esbanjando uma vantagem de treze pontos de que chegou a dispor já na segunda volta – e de nove pontos, a quatro jornadas do fim!), com a turma da Sertã a conseguir assim, “in extremis”, a salvação.

Quanto ao Mação, acabou por ter uma desalentada despedida desta sua época de estreia nos Nacionais, goleado pelo Sintrense por 5-0, quedando-se como “lanterna vermelha”, a oito pontos dos adversários mais próximos, afinal a longínquos 26 pontos do Sertanense. Uma experiência ingrata que não deixará de traduzir uma aprendizagem para este clube do Distrito.

No topo da pauta classificativa, U. Leiria (vencedor desta Série C) e Vilafranquense garantiram o apuramento para o “play-off” de apuramento de Campeão Nacional e de promoção à II Liga, que disputarão com os dois primeiros classificados das restantes três séries: Vizela, Fafe, Sp. Espinho, Lusitânia de Lourosa, Praiense e Real (ou Casa Pia).

Antevisão – Mudando o cenário, do Entroncamento para Torres Novas, Campeão e vice-campeão, vencedor da Taça e finalista vencido, respectivamente U. Santarém e Coruchense, voltam a encontrar-se, este fim-de-semana, para encerramento da temporada, em mais um duelo, na disputa da Supertaça Dr. Alves Vieira, esperando-se que ambas as equipas possam surgir agora mais libertas da pressão competitiva, proporcionando um bom espectáculo de futebol, sem que, “a priori”, se possa apontar um claro favorito.

A II Divisão Distrital entra na segunda volta da fase final de apuramento de Campeão – a qual se prolongará ainda por mais um mês, com cinco jornadas até ao dia 16 de Junho –, estando agora já confirmado que serão quatro os clubes premiados com a promoção ao escalão principal.

Esta 6.ª ronda está recheada de desafios de interesse, com o líder incontestado, Abrantes e Benfica, já próximo de garantir matematicamente o título, a deslocar-se a Rio Maior, enquanto, nos outros dois jogos, o Forense, recebendo o Moçarriense, e o Riachense, visitando o Pego, terão testes cruciais às respectivas aspirações à subida, numa contenda bastante nivelada.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 16 de Maio de 2019)

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O pulsar do campeonato - 2018-19 - 26jornada

(“O Templário”, 09.05.2019)

No longo historial do futebol distrital era, até à data, caso único a acumulação, em dois anos sucessivos, dos títulos de Campeão Distrital da II Divisão e da I Divisão: o Clube Desportivo “Os Águias” de Alpiarça fora vencedor de tais competições nas temporadas de 1983-84 (escalão secundário) e de 1984-85 (divisão principal).

No passado fim-de-semana o U. Santarém reeditou tal proeza; após ter conquistado o título da II Divisão na época passada, sagrou-se agora Campeão da I Divisão Distrital, uma estreia na sua cinquentenária história (apenas na sua 9.ª participação neste escalão, e depois de ter suspenso a competição de 2008 a 2013 e de ter militado entretanto quatro anos na divisão secundária).

De facto, a União Desportiva de Santarém, fundada em Agosto de 1969 – decorrendo da junção do Sport Grupo União Operária e do Sport Grupo Scalabitano “Os Leões”, clubes com grandes pergaminhos, ostentando no seu palmarés, respectivamente 8 e 5 títulos de Campeão Distrital, conquistados sobretudo nas décadas de 20 e 30 do século passado –, registara, ao longo de 32 anos (de 1969 a 2001) presença ininterrupta nos Nacionais (13 participações na II Divisão e 19 na III Divisão), a que retornará agora, no actualmente denominado Campeonato de Portugal.

Destaques – A derradeira e decisiva jornada, no que respeita à disputa do título e à luta pela manutenção, acabou por ser bem mais “tranquila” do que se poderia esperar, se atendermos a que praticamente tudo ficou “definido” logo nos minutos iniciais dos desafios.

Em Almeirim, o União local, já sem nada a ganhar ou a perder, dignificando a 3.ª posição obtida, cedo inaugurou o marcador, na recepção ao líder Coruchense, que, com o avançar dos ponteiros do relógio, ia denotando incapacidade de reagir, não tendo o marcador sofrido qualquer outra alteração até final. A tangencial derrota sofrida (0-1) custaria à turma do Sorraia nova ultrapassagem “in extremis”, outra vez suplantada pelo U. Santarém, tal como sucedera no final da primeira volta (igualmente em função de desaire caseiro ante os almeirinenses…), deixando assim escapar o que poderia ter sido o seu terceiro título nas três últimas participações.

Por seu lado, o U. Santarém, recebendo o Torres Novas, asseguraria a sua parte na tarefa (afinal, até o empate lhe teria bastado), tendo-se colocado igualmente em vantagem ainda na fase inicial da partida. O tento da tranquilidade demoraria ainda, mas, no final, o marcador de 3-0 a favor dos escalabitanos espelhava a superioridade que, de forma mais lata, se pode aplicar também à globalidade do campeonato – com os homens da capital do Distrito a registarem o ataque mais concretizador (62 golos) e a defesa menos batida (22 golos), tendo consentido uma única derrota (nas Fazendas de Almeirim, logo à 9.ª ronda), nunca tendo abdicado da perseguição ao grupo que liderou durante praticamente toda a temporada, apresentando em geral exibições mais convincentes que o rival, sendo de justiça reconhecer-lhes o mérito na conquista deste título.

Em Alcanena, o Marinhais entrou “a todo o gás”, alcançando vantagem substancial (de três golos) logo nos minutos iniciais, praticamente selando a sua vitória, que era imprescindível para que pudesse acalentar ainda a esperança na manutenção. O desfecho saldar-se-ia num 5-3 a favor dos visitantes, que, não obstante, acompanharão o Alcanenense na descida à II Divisão.

Isto porque, na Glória do Ribatejo, a turma da casa – com a vantagem de depender apenas de si própria e de lhe bastar o empate –, recebendo o U. Tomar, porfiando de início a fim, lutou, pelo menos, pela preservação do nulo, começando por suster o ímpeto ofensivo inicial dos tomarenses, gradualmente ganhando confiança, perante um adversário também compreensivelmente menos disponível física e animicamente à medida que o tempo ia avançando, tendo o 0-0 final servido na perfeição os objectivos dos donos da casa, ao contrário dos unionistas que, deste modo, ficaram “a um golo” da meta do 6.º lugar, numa época pautada por múltiplas condicionantes, com ponto alto na notável série invicta frente aos cinco primeiros na recta final da prova (depois de outros resultados bastante meritórios na primeira metade da temporada, em especial os empates averbados em Santarém, frente ao Campeão, e no Cartaxo).

Confirmações – Numa jornada sem especiais surpresas a assinalar, o Amiense fechou da melhor forma a muito boa campanha realizada, ganhando ao Fazendense por 3-2, confirmando um assinalável 4.º lugar na tabela final – não obstante em igualdade pontual com o 5.º classificado, Cartaxo (vencedor em Ferreira do Zêzere por 3-1), cujo desempenho geral não deixa de consubstanciar-se na maior decepção da prova, que, perante o significativo investimento realizado, iniciara com assumida ambição de candidatura ao título. A conquista, pelo segundo ano sucessivo, do troféu de melhor marcador do campeonato, por parte de Wemerson Silva (19 golos, depois dos 22 apontados na edição anterior, ao serviço do U. Tomar), será parco lenitivo ante tal desapontamento do conjunto cartaxeiro a nível colectivo.

Em Samora Correia, em encontro realizado no Sábado, a igualdade a um golo averbada pelo visitante At. Ouriense, proporcionou-lhe um porventura inesperado 6.º posto, primeiro de entre os “não candidatos”, pese embora a significativa distância de dez pontos face à 5.ª posição.

II Divisão Distrital – Após a disputa da primeira volta da fase final, o Abrantes e Benfica (tendo goleado por 6-2 na deslocação ao terreno do Forense) prossegue a sua carreira 100% vitoriosa, com a promoção já “segura” por uma vantagem de nove pontos em relação ao 4.º e 5.º classificados, e o título de Campeão igualmente “prometido”, dado o avanço de sete pontos em relação ao mais directo perseguidor, agora o Moçarriense (vencedor na recepção ao Riachense, por 2-1). Talvez algo inesperada (pela expressão do marcador) a goleada (5-1) imposta pelo Rio Maior ao Pego, agora com quatro clubes “embrulhados” num intervalo de apenas dois pontos.

Campeonato de Portugal – O Fátima terá de sofrer até ao fim para poder alcançar o objectivo “mínimo” da manutenção no Nacional: tendo perdido por 1-2 em Oliveira do Hospital, viu o Sertanense ir ganhar a Loures (3-2), pelo que a sua vantagem se reduziu, à entrada para a derradeira ronda, a dois pontos, que, todavia, não lhe permitem qualquer “margem de erro”.

Não obstante dependam de si próprios (bastar-lhes-á vencer na recepção ao já despromovido Alcains), qualquer outro resultado implicará a necessidade de recorrer à “calculadora”, numa situação também deveras ensarilhada, podendo dar-se mesmo o caso de se verificar, no final, uma igualdade entre nada menos de quatro clubes (em caso de empate do Fátima, vitória do Sertanense ante o Peniche e derrota do Loures e Nogueirense) – os fatimenses evitarão a descida em qualquer combinação de empate pontual… excepto num único cenário, a de igualdade exclusivamente com o Sertanense, em que teriam desvantagem na diferença global de golos.

Por seu lado, o Mação – que se despedirá do Nacional em Sintra, com o Sintrense –, sofreu mais um desaire caseiro (0-1), permitindo ao Caldas ficar desde já liberto de qualquer preocupação.

Antevisão – No Domingo os principais protagonistas do Distrital, U. Santarém e Coruchense, respectivamente Campeão e vice-campeão, enfrentam-se no primeiro de dois “rounds”, na disputa directa de outros dois troféus: primeiro, a Taça do Ribatejo; de seguida, a Supertaça. No imediato, os escalabitanos, com o ânimo em alta, aparentam dispor de teórico favoritismo…

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 9 de Maio de 2019)

O pulsar do campeonato - 2018-19 - 25jornada

(“O Templário”, 02.05.2019)

Não sucedia desde 2012: o título de Campeão Distrital da I Divisão apenas será decidido na derradeira jornada da competição, sendo que os dois candidatos entrarão nessa última ronda separados por um único ponto, tendo entretanto o Coruchense recuperado a liderança, beneficiando do empate cedido em Tomar pelo U. Santarém – com os nabantinos a completar um notável ciclo de cinco resultados positivos ante os cinco primeiros classificados, nos últimos seis jogos que disputaram, num período de mês e meio (vitórias frente ao Amiense e U. Almeirim; empates com o Cartaxo, Coruchense e U. Santarém)!

No outro pólo, Glória do Ribatejo e Marinhais subsistem ainda na luta pela permanência, situação também a definir apenas no último dia da prova. A única certeza é, desde já, a despromoção (segunda em dois anos sucessivos, desde o Nacional até ao escalão mais baixo do futebol distrital) do Alcanenense, por curiosidade, o clube que se sagrara Campeão em 2011-12.

Destaques – A primeira nota de realce vai, uma vez mais, para o desempenho do U. Tomar, ao impor ao até agora líder, U. Santarém, uma igualdade a duas bolas. Os tomarenses tiveram uma entrada em campo bem afirmativa, surpreendendo os escalabitanos, tendo criado algumas ocasiões de perigo logo nos vinte minutos iniciais, porém não materializadas em golo.

Gradualmente, a turma de Santarém viria a equilibrar a toada de jogo, acabando mesmo por obter o tento inaugural da partida, na conversão de uma grande penalidade. Não acusando o toque, os “rubro-negros” teriam excelente reacção, operando, em escassos minutos, a reviravolta no marcador, aproveitando também um castigo máximo a seu favor.

Não deixando nunca de porfiar, a formação da capital do Distrito viria ainda a restabelecer o empate, mas, até final, jogando já “mais com o coração que com a cabeça”, denotando alguma falta de discernimento, não conseguiria alterar o desfecho a seu favor, o que lhe custou, já na penúltima ronda, uma inopinada perda do comando, deixando, pois, de depender de si própria.

Tendo atravessado uma fase algo “titubeante”, com três empates cedidos entre a 19.ª e a 23.ª jornadas, o Coruchense voltou a dizer “presente” nesta altura crucial do campeonato, fazendo o seu trabalho, goleando por categórica marca de 5-0 uma equipa do Amiense agora já em natural descompressão. Não tendo deixado de acreditar, o grupo do Sorraia vê-se novamente em posição privilegiada para poder chegar ao que seria o seu terceiro título consecutivo nas três últimas participações na competição. Tudo dependerá do que conseguir fazer no último desafio.

Destaque ainda para o triunfo, por números algo inesperados (4-1), do Cartaxo frente ao U. Almeirim – que, não obstante, beneficiando do desaire do conjunto de Amiais de Baixo, garantiu já a sua posição no pódio final e consequente apuramento para a Taça de Portugal –, com Wemerson Silva, autor de dois dos tentos, tendo passado a somar 18 golos no campeonato, prestes a confirmar a condição de melhor marcador da prova, pelo segundo ano sucessivo.

Surpresa – O Alcanenense lutou (quase) até ao fim para evitar o destino que, desde há muito, se vinha antecipando, tendo ainda conseguido um resultado que não deixa de constituir surpresa, atenta a lógica do potencial dos dois clubes, ao empatar (1-1) na deslocação a Ourém, face ao At. Ouriense. Um desfecho, contudo, insuficiente para escapar à despromoção à II Divisão Distrital, agora já matematicamente consumada.

Confirmações – Num jogo-chave para o destino dos dois clubes do município de Salvaterra de Magos, Marinhais e Glória do Ribatejo empataram também a um golo no “derby”, um desfecho mais do agrado do grupo da Glória (que, todavia, deixou escapar a vantagem que chegou a ter, o que lhe teria garantido já a manutenção), que depende de si próprio para alcançar tal objectivo.

Nos restantes dois encontros, resultados dentro do expectável, com o Fazendense a redimir-se de um ciclo bastante negativo, recebendo e batendo o Samora Correia por 2-0, enquanto os também já tranquilos Torres Novas e Ferreira do Zêzere repartiram os pontos, empatando 1-1.

II Divisão Distrital – À quarta jornada desta fase final, pela primeira vez, regista-se predomínio das equipas da casa, desta feita tendo vencido todas elas: o Abrantes e Benfica, por tangencial 1-0, frente ao Moçarriense, mantendo o pleno de triunfos, e, agora, já uma vantagem de nove pontos face ao 5.º classificado, pelo que terá a promoção praticamente assegurada; o Pego, com um afirmativo 3-0 na receção ao Forense, também a seguir um bom trilho para tal objectivo; o Riachense, goleando o Rio Maior por 4-0 em partida de grande importância para marcar posições, um desfecho que lhe augura boas hipóteses, na perspectiva de virem a subir 4 clubes.

Campeonato de Portugal – Tal situação cruza-se directamente com o comportamento do Fátima no Nacional, tendo averbado uma crucial vitória (3-1) na recepção ao Loures, o que, conjugado com a derrota caseira (0-1) do Sertanense perante o B. C. Branco, lhe proporciona ampliar novamente a margem de segurança em relação à “linha de água” para cinco pontos, quando restam disputar duas jornadas. Assim, caso a turma da Sertã não vença os seus dois jogos, os fatimenses manter-se-ão no Campeonato de Portugal; por seu lado – e independentemente dos resultados do seu concorrente – bastará ao Fátima ganhar um dos jogos.

Quanto ao Mação, sofreu mais uma derrota (1-3), no reduto do também já despromovido Santa Iria, tendo agora já confirmada a sua posição final de “lanterna vermelha” da sua série.

Antevisão – Chegando-se a última ronda da I Divisão, subsiste a incerteza quanto ao Campeão e em relação à equipa que acompanhará o Alcanenense na descida ao escalão secundário.

O Coruchense, dependendo apenas de si próprio, enfrenta contudo uma deslocação de elevado grau de dificuldade, a Almeirim, para defrontar o 3.º classificado… E apenas a vitória lhe garantirá, automaticamente, a reconquista do título. De facto, recebendo o U. Santarém o Torres Novas, caso vença, seria a turma escalabitana a sagrar-se Campeã se a formação do Sorraia não conseguir ganhar o seu desafio. Os escalabitanos poderão até “fazer a festa”, mesmo com um empate, num cenário em que o Coruchense viesse a perder. Numa combinação de resultados que se afigura de prognóstico reservado (especialmente no confronto de Almeirim), veremos como lidarão os homens de Coruche com a pressão da necessidade de ganhar…

À equipa da Glória do Ribatejo, que recebe o U. Tomar, um eventual empate garantirá a manutenção, podendo, inclusivamente, perder, desde que o Marinhais não ganhe em Alcanena; um possível triunfo do Marinhais e a derrota da Glória relegaria esta equipa para a II Divisão.

Na II Divisão, o Rio Maior, recebendo o Pego, e o Moçarriense, visitado pelo Riachense, disputam partidas de grande importância para as respectivas aspirações à subida de escalão.

No Campeonato de Portugal, o Fátima terá uma difícil saída até Oliveira do Hospital (5.º classificado), na expectativa de que o Sertanense não vença em Loures (ainda a necessitar de pontuar para garantir a sua posição); o Mação despede-se do Nacional, em termos de jogos em casa, com o Caldas, que, inesperadamente, se vê também envolvido na luta pela permanência.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 2 de Maio de 2019)

O pulsar do campeonato - 2018-19 - 24jornada

(“O Templário”, 18.04.2019)

A antepenúltima ronda do Distrital da I Divisão foi a mais profícua de toda a competição na presente época, com um total de 31 golos (média de 4,4 golos/jogo!), fruto de quatro goleadas (em sete jogos disputados). A nível do duo da frente, nada de novo; na cauda da tabela, Torres Novas e Ferreira do Zêzere garantiram, matematicamente, a permanência no principal escalão, enquanto o Alcanenense deu boa “prova de vida”, agarrando-se ainda à esperança.

Destaques – O principal destaque da jornada vai, desta feita, para o At. Ouriense, que impôs uma retumbante goleada por 6-1 no reduto da Glória do Ribatejo (formação que tinha sido já “brindada”, no início da temporada, com um 6-0, pelo rival Marinhais, em desafio da Taça do Ribatejo, e, para o campeonato, com um 4-0, pelo Ferreira do Zêzere). O marcador é tão mais notável se atendermos ao facto que a turma da Glória vinha de um excelente triunfo em Fazendas de Almeirim, podendo ter consolidado a sua posição acima da “linha de água”. Ao invés, com a vitória averbada, o conjunto de Ourém ascendeu à 6.ª posição da tabela.

Precisamente pelos mesmos números (6-1), o líder, U. Santarém, superou, com mais facilidades do que seria expectável, o Marinhais, afinal, replicando as goleadas que obtivera na época transacta, então na divisão secundária (4-0 e 6-0). Dois jogos apenas (em Tomar, com o União, e em casa, ante o Torres Novas) separam agora os escalabitanos do que poderá ser a conquista do título de Campeão Distrital pelo segundo ano sucessivo, depois de, em 2018, se terem sagrado Campeões da II Divisão Distrital.

Também o U. Almeirim, ainda com a perspectiva de poder chegar ao 2.º lugar (recebe o Coruchense na derradeira ronda), mas, no mínimo, de garantir o 3.º posto (que – em função dos finalistas da Taça do Ribatejo – lhes dará acesso à Taça de Portugal), não se mostrou afectado pelo desaire sofrido em Tomar, goleando o Torres Novas (que mantém uma das defesas menos batidas da prova) por categórico 4-0.

Surpresa – A atravessar uma fase má (tendo sofrido terceira derrota sucessiva, o que lhe custou, para já, a baixa até ao 9.º lugar), o Fazendense faz parte, pela segunda semana seguida, do realce pela negativa. Depois do desaire caseiro, sofrido pelo grupo das Fazendas ante a Glória do Ribatejo, a (enorme) surpresa desta jornada foi protagonizada pelo Alcanenense, que, enfim, colocou termo a uma longuíssima “travessia do deserto”, sem vencer desde a ronda inaugural, há sete meses (22 jogos para o campeonato e três para a Taça do Ribatejo), goleando o Fazendense pelo absolutamente imprevisto marcador de 4-1, adiando a eventual despromoção.

Confirmações – O Coruchense, depois de, em duas semanas, ter visto escapar-se a liderança (com empates com o U. Tomar e Torres Novas) reagiu positivamente, vencendo o já conformado Cartaxo por 2-0. Ao grupo do Sorraia nada mais resta que tentar transpor os (muito) difíceis obstáculos que se lhe apresentam ainda (recepção ao Amiense e deslocação a Almeirim), na expectativa de um deslize do U. Santarém.

Em Samora Correia, os visitados repartiram os pontos com o Amiense, empatando a duas bolas, com o grupo de Amiais de Baixo a reforçar o 4.º lugar, mirando ainda a hipótese de poder chegar um degrau mais acima. Por seu lado, em Ferreira do Zêzere, num encontro de “final de estação”, o U. Tomar conseguiu, no derradeiro minuto, e a jogar em inferioridade numérica, arrancar o golo da igualdade (1-1), desfecho que, não obstante, foi o suficiente para os donos da casa garantirem o objectivo da manutenção.

II Divisão Distrital – Reforçou-se, na terceira ronda, a curiosa tendência, que se vem verificando nos jogos desta fase final, de resultados positivos para as equipas visitantes: em nove partidas, somente um triunfo dos visitados! Abrantes e Benfica, que segue com o pleno de três vitórias, impôs-se por 2-0 nos Riachos, o mesmo resultado registado pelo Rio Maior no reduto do Forense; na Moçarria, o empate (2-2) favorece mais o Pego, pese embora o Moçarriense seja, por agora, o vice-líder. Com a perspectiva de poderem subir de Divisão quatro clubes (caso o Fátima consiga manter-se no Nacional), os abrantinos dispõem já de um avanço de seis pontos (aliás, quer em relação ao 5.º, como face ao 4.º classificado).

Campeonato de Portugal – O Fátima, mesmo a jogar em inferioridade numérica desde o quarto de hora inicial, não desperdiçou a soberana ocasião de voltar aos triunfos, ao receber o “lanterna vermelha”, Mação, ganhando mercê de um solitário tento apontado, o bastante para ampliar para cinco pontos a margem de segurança em relação ao Sertanense (primeira equipa abaixo da “linha de água”), derrotado em casa pelo Nogueirense, quando restam agora disputar quatro jornadas.

Com calendários teoricamente de grau de dificuldade equivalente (inclusivamente, com três adversários comuns até final, embora alternando a condição de visitado/visitante), os fatimenses conseguiram, assim, um determinante “balão de oxigénio”, mas nada está ainda decidido…

Antevisão – A penúltima jornada da I Divisão decorrerá apenas após a quadra pascal, com os dois candidatos ao título a serem fortemente colocados à prova: o U. Santarém, visitando Tomar, com o União a pretender concluir da melhor forma o excelente ciclo de resultados averbados ante os (então) cinco clubes que aspiravam ainda ao lugar cimeiro da pauta classificativa; o Coruchense, recebendo a visita de um desinibido e sempre ambicioso Amiense.

Outro encontro de interesse será o que opõe o Cartaxo e U. Almeirim, dois dos clubes que mais apostaram nesta época, agora já afastados do objectivo máximo, mas ainda a pretender alcançar a melhor posição possível, em especial no caso dos almeirinenses, visando manter-se no pódio.

Na disputa pela manutenção, teremos como que uma final, num escaldante “derby” entre Marinhais e Glória do Ribatejo, com a curiosidade suplementar de os visitados terem de enfrentar, nas duas últimas jornadas, os seus dois opositores em tal contenda (encerram o campeonato em Alcanena). Quanto ao Alcanenense, só outra (pouco provável) vitória em Ourém lhes permitirá evitar, desde já, o consumar da despromoção.

Na II Divisão, o Riachense-Rio Maior poderá vir a revelar-se crucial nas contas finais da subida.

No Campeonato de Portugal, com a ronda 31 agendada para Sábado de Aleluia, o Fátima tem uma difícil saída até Castelo Branco, onde encontrará um conjunto “ferido” pela pesada derrota sofrida (0-3) com o vizinho e já despromovido Alcains; por seu lado, o Mação recebe a também próxima equipa da Sertã, sendo parte directamente interessada em poder contribuir para que não venha a descer, ao campeonato em que militará na próxima época, outro clube do Distrito.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 18 de Abril de 2019)

O pulsar do campeonato - 2018-19 - 23jornada

(“O Templário”, 11.04.2019)

Numa jornada em que se antecipava que o perigo pudesse estar à espreita dos três candidatos ao título, todos com deslocações de alto risco, apenas os escalabitanos conseguiram sair incólumes, o que lhes proporciona, não só recuperar a liderança, culminando uma longa e incessante perseguição, ao longo de toda a segunda volta, como – conjugando as dificuldades teóricas do calendário dos dois clubes que agora subsistem em tal disputa, nas três derradeiras rondas, com a quebra que o Coruchense vem denotando e, por outro lado, com o impacto psicológico que esta ultrapassagem poderá ter em ambos – assumir agora o estatuto de principal favorito.

Destaques – Pela quarta semana consecutiva, o União de Tomar defrontava um candidato ao título. Após a derrota sofrida em Torres Novas, há cerca de um mês, e antevendo as grandes dificuldades que as sete jornadas restantes apresentavam, poderia pensar-se que os unionistas – então, aparentemente, já sem especiais objectivos a visar –, viriam a enfrentar um demasiado longo e, eventualmente, até algo penoso final de época.

A reforçar a relevância que o aspecto mental assume no futebol, a verdade é que, entretanto, a situação se modificou de forma radical, passando o grupo, já liberto de pressões, a desfrutar o momento, experimentando verdadeiro e acrescido prazer a cada jogo que vai disputando, não sendo descabido afirmar que, nesta altura, os jogadores teriam forte vontade, se tal fosse possível, de dar continuidade a esta série de jogos com as equipas do topo da tabela (resta-lhes apenas receber o novo líder…). E tal reflecte-se também na pauta classificativa, com o 6.º lugar que o clube agora atingiu a passar a ser um objectivo concreto para o fecho da temporada.

No desafio do passado Domingo, ante o U. Almeirim, os tomarenses, face a argumentos desiguais, contrapuseram estratégias diferenciadas, oferecendo a iniciativa ao adversário, para o qual era imperioso vencer. E, pese embora o natural maior pendor ofensivo dos forasteiros, a verdade é que, em lances de bola parada, tendo beneficiado de cinco cantos em curto período de tempo, os “rubro-negros” tiveram duas boas ocasiões para marcar. O golo não surgiu nesses lances, mas materializar-se-ia ainda antes do final do primeiro tempo.

Na segunda metade, os almeirinenses procuraram intensificar a pressão, mas a turma nabantina, com forte espírito de grupo, muito tranquila e quase sempre bastante concentrada, não concedeu grandes possibilidades, vindo, ao invés, a ampliar a vantagem para 2-0, aproveitando, com eficácia, o contra-ataque. Na ponta final, o U. Almeirim reduziria ainda para 2-1, mas já não conseguiria alterar o desfecho do encontro.

Lino Freitas soube armar a equipa para extrair o máximo rendimento do colectivo, com algumas individualidades a destacar-se, casos do guardião Nuno Ribeiro – para além das excelentes intervenções dentro de campo, também com uma atitude digna de registo, ao ofertar a um jogador adversário (a passar momento pessoal muito difícil, pelo falecimento da mãe, mas não abdicando de dar o seu contributo à equipa neste jogo decisivo), o prémio de “melhor jogador em campo” com que tinha sido distinguido – e do ponta-de-lança Handerson Lacerda, um muito bom reforço nesta fase final da época, somando agora já sete golos em seis jogos.

Outro grande destaque da jornada vai, naturalmente, para o Torres Novas, que fez com que o então líder voltasse a perder pontos e, por conseguinte, também a posição que ostentava. A formação do Sorraia começaria da melhor forma, entrando praticamente a ganhar, marcando logo ao 2.º minuto, mas os torrejanos não se mostrariam afectados, vindo a restabelecer a igualdade com pouco mais de um quarto de hora de jogo; o marcador não se alteraria até final.

Na luta pela manutenção, realce para a notável reacção do Marinhais, que, em partida de importância crucial, depois de ter chegado a estar em desvantagem por dois golos, conseguiu operar fantástica reviravolta, ganhando ao Ferreira do Zêzere por 4-3, no que constitui apenas a sua segunda vitória em toda a prova, dando boa “prova de vida” em momento determinante.

Surpresa – A grande surpresa da jornada ocorreu, todavia, em Fazendas de Almeirim, onde a equipa da Glória do Ribatejo alcançou também um importantíssimo triunfo (2-1), o que, a par da vitória do vizinho e rival Marinhais, praticamente implica a inevitabilidade da despromoção do Alcanenense, que, a consumar-se, descerá de divisão em dois anos consecutivos, desde o Nacional, até ao escalão mais baixo do Distrital!

Confirmações – O U. Santarém, evidenciando forte vitalidade, confirmou o seu favoritismo, na difícil deslocação a Ourém, onde se impôs, ante o At. Ouriense, por 3-1. Por seu lado, em Amiais de Baixo, Amiense e Cartaxo, em disputa directa pelo 4.º posto, terminaram a partida igualados a um, no quarto empate sucessivo dos cartaxeiros. Por fim, o Samora Correia venceu, sem grande dificuldade, o “lanterna vermelha”, Alcanenense, por convincente marca de 4-1.

II Divisão Distrital – Após as duas primeiras jornadas, em seis jogos já disputados, regista-se a curiosidade de ter ocorrido uma única vitória caseira (do Abrantes e Benfica, que, assim, é já líder isolado, dado ter sido o único clube a vencer os dois desafios disputados). De facto, no passado Domingo, os visitantes saíram vencedores: o Abrantes e Benfica, no Pego, e o Riachense, ante o Forense, ambos por tangencial 1-0; o Moçarriense, em Rio Maior, por 2-1.

Campeonato de Portugal – Como, de alguma forma, seria expectável, Fátima e Mação registaram mais uma ronda negativa, perdendo os respectivos jogos: os fatimenses, em Vila Franca de Xira, frente ao agora vice-líder, Vilafranquense, por 0-3; os maçaenses, no seu próprio reduto, ante o Oliveira do Hospital (que integra o grupo dos 5.º classificados), por 0-1. A situação do Fátima vai-se tornando deveras preocupante, somente com dois escassos pontos de vantagem em relação à zona de despromoção (14.º lugar, ocupado pelo Sertanense).

Antevisão – Na I Divisão, agora com o caminho para o título a estreitar-se decisivamente, destaca-se o Coruchense-Cartaxo, mais um sério teste ao conjunto da casa, que não pode sofrer deslizes; o problema é que os cartaxeiros já não perdem há 13 jornadas! Em teoria, de menor grau de dificuldade será o obstáculo a transpor pelo U. Santarém, recebendo o Marinhais, porém com este oponente também em acesa luta pelos pontos que lhe permitam a “salvação”. Nota ainda para um sempre aliciante “quase derby”, Ferreira do Zêzere-U. Tomar, com os visitados, algo inesperadamente, a necessitar ainda pontuar para confimar em definitivo a tranquilidade.

Na II Divisão, realce para o Moçarriense-Pego e para o Riachense-Abrantes e Benfica.

No Campeonato de Portugal, esta poderá ser uma jornada determinante, com o confronto entre os dois clubes do Distrito, estando o Fátima, a jogar em casa, “obrigado” a ganhar ao Mação.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 11 de Abril de 2019)

O pulsar do campeonato - 2018-19 - 22jornada

(“O Templário”, 04.04.2019)

Não há duas sem três… Depois de ter retirado pontos ao Cartaxo (empate) e ao Amiense (vitória), o União de Tomar – porventura a atravessar a melhor fase da época –, volta a alcançar um resultado positivo, desta feita empatando no terreno do comandante, Coruchense, tendo travado, pois, em três semanas sucessivas, três dos candidatos ao título (por curiosidade, caber-lhe-á receber ainda, nos dois jogos que restam por disputar em Tomar na presente temporada, os outros dois candidatos, U. Almeirim e U. Santarém).

Destaques – Assim, a primeira nota de realce vai, uma vez mais, para a igualdade (2-2) averbada pelo U. Tomar em Coruche. Os unionistas, com uma excelente entrada em campo, muito confiantes e personalizados, surpreenderam o líder do campeonato, tendo criado, logo na fase inicial da partida, as melhores ocasiões de perigo, pelo que o tento dos nabantinos, inaugurando o marcador, acabaria por ser a consequência lógica dessa fase do desafio.

Sempre mais apostada em jogar em profundidade, a turma do Sorraia só à passagem da meia hora conseguiria assentar o seu jogo, tendo então restabelecido o empate. Na segunda metade do desafio, o Coruchense procurou impor o seu estatuto, tendo, por volta dos 65 minutos, operado a reviravolta no marcador, colocando-se em vantagem, na conversão de uma contestada grande penalidade. Apesar do golpe sofrido, o grupo unionista – com todo o colectivo a exibir-se a bom nível – não vacilou, reagindo positivamente, tendo tido ainda a capacidade de igualar novamente, assinalando-se os dois golos apontados por Handerson Lacerda, passando a somar já seis tentos nas últimas cinco jornadas.

Outro candidato, U. Almeirim, apresentou bem melhor desempenho nesta ronda, recebendo o Marinhais, pese embora tenha começado por ser também surpreendido com o tento dos visitantes, acabando por golear por categórico 6-1, assim se desforrando das desfeitas sofridas ante este mesmo adversário, na primeira volta do campeonato e na Taça do Ribatejo (dois empates, tendo o segundo custado a eliminação da “prova rainha”). Os almeirinenses somaram a terceira vitória consecutiva, registando actualmente a melhor série em curso.

É ainda digno de sublinhado o triunfo (2-1) alcançado pelo At. Ouriense – que seguia com três desaires sucessivos – em Ferreira do Zêzere, o que lhe proporcionou ascender ao 6.º posto.

Surpresa – Para além do desfecho registado pelo U. Tomar, a surpresa da jornada foi protagonizada pelo Torres Novas, a impor um nulo no Cartaxo (terceira igualdade sucessiva dos cartaxeiros no campeonato, agora já sem aspirações ao ambicionado lugar de topo nesta competição, tendo inclusivamente baixado à 5.ª posição).

Confirmações – O grande vencedor do passado fim-de-semana terá sido – em paralelo com o U. Almeirim – o U. Santarém, novamente a recolar ao líder, somente a um ponto, mercê do expectável triunfo registado na recepção ao Fazendense, pese embora por tangencial 1-0.

No pólo oposto, no que respeita à acesa disputa da permanência no principal escalão do futebol distrital, os aflitos Glória do Ribatejo (há dez jogos sem ganhar) e Alcanenense (que não vence há 21 jornadas!) não conseguiram impedir que os seus opositores – dispondo de maiores argumentos competitivos –, Samora Correia e Amiense, somassem os três pontos em jogo, com os samorenses a impor-se por 2-1, enquanto o conjunto de Amiais de Baixo, ganhando por 3-2, voltou a posicionar-se no 4.º lugar da pauta classificativa, todavia a sete pontos do líder.

A quatro rondas do seu termo, o campeonato mantém-se bem vivo, se atentarmos nos aliciantes confrontos que se avizinham, especialmente: o guia, Coruchense receberá o Amiense (4.º) e o Cartaxo (5.º), deslocando-se a Almeirim (3.º) e a Torres Novas (10.º); o U. Santarém enfrentará também duas difíceis saídas, a Ourém (6.º) e Tomar (8.º); o U. Almeirim (para além de receber o Coruchense no derradeiro dia da prova) terá de deslocar-se ao Cartaxo e a Tomar.

Por seu lado, na luta pela manutenção, o Marinhais receberá ainda o Ferreira do Zêzere e o rival Glória do Ribatejo, deslocando-se a Alcanena, pelo que terá o seu destino nas mãos, sendo que, em teoria, Alcanenense e Glória enfrentam calendário de mais elevado grau de dificuldade.

II Divisão Distrital – Na jornada de abertura da fase final, de apuramento de Campeão e dos (3 ou 4) clubes que serão promovidos à I Divisão, o Abrantes e Benfica, dando boa sequência à excelente campanha que vem realizando, entrou a ganhar, por 3-1, na recepção ao Rio Maior (vencedor da série Sul), mas o principal realce vai para o importante triunfo (2-0) do Pego em terreno alheio, nos Riachos. Na Moçarria, os donos da casa repartiram os pontos com o Forense, tendo empatado a uma bola.

Campeonato de Portugal – A seis jornadas do final da competição, consumou-se a despromoção, em termos matemáticos, do Mação, derrotado em Loures por 0-3, agora – mantendo a 18.ª e última posição – já a 19 pontos do Fátima… que é, nesta altura, a primeira equipa acima da “linha de água”. De facto, tendo sido também batidos (0-2), no seu próprio reduto, pelo Oleiros, os fatimenses caíram para um muito perigoso 13.º posto, apenas cinco pontos acima do Sertanense, necessitando urgentemente de somar mais alguns “pontinhos”.

Antevisão – Na I Divisão Distrital, os três da frente deparam-se com deslocações arriscadas, onde a probabilidade de ocorrência de algum deslize será considerável: o Coruchense viaja até Torres Novas, que, em nove jogos na segunda volta perdeu uma única vez (em Amiais de Baixo), vindo de um positivo empate no Cartaxo; o U. Santarém defronta o At. Ouriense, que pretenderá defender a 6.ª posição; enquanto o U. Almeirim vai de longada até à cidade do Nabão, onde encontrará uma formação do U. Tomar bastante motivada para enfrentar as equipas do topo da tabela. Por seu lado, Amiense e Cartaxo disputam, em confronto directo, o 4.º lugar.

Na II Divisão, destaca-se o encontro entre os vencedores da ronda inaugural, Pego-Abrantes e Benfica, os quais, também pelo desempenho evidenciado ao longo da primeira fase do campeonato, aparentam ser dois dos mais fortes candidatos à promoção.

No Campeonato de Portugal, a próxima jornada não se augura poder vir a ser muito positiva para os clubes do Distrito, com o Fátima a viajar até Vila Franca de Xira, para defrontar o 3.º classificado, a um único ponto dos líderes (Anadia e U. Leiria), cabendo ao Mação receber o Oliveira do Hospital (que ocupa um tranquilo 8.º lugar, dez pontos acima da “linha de água”).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 4 de Abril de 2019)

O pulsar do campeonato - 2018-19 - TRibatejo-1-2finais2

(“O Templário”, 28.03.2019)

Validando o estatuto de favoritos que lhes era atribuído, os dois primeiros classificados do Campeonato Distrital da I Divisão confirmaram a presença na Final da Taça do Ribatejo, ficando assim agendado outro aliciante embate entre os dois clubes que mais se têm evidenciado ao longo desta temporada – o qual, aliás, poderá vir igualmente a repetir-se, no fecho da época, na Supertaça Dr. Alves Vieira. Mas, em fim-de-semana de acerto de calendário no Distrital, o facto digno do maior realce acabou por registar-se na partida entre Amiense e União de Tomar.

Destaque – O desafio aproximava-se do seu termo em Amiais de Baixo quando, apercebendo-se que, na bancada, uma jovem adepta do Amiense se estava a sentir mal, o jogador unionista Rafael Faustino, sem hesitar, prontamente saiu de campo para prestar os primeiros socorros, iniciativa que poderá ter sido crucial para salvar uma vida, num notável exemplo de carácter, a traduzir também um claro sentido das prioridades.

Dentro das quatro linhas, este foi um encontro em que praticamente tudo saiu bem ao U. Tomar, apesar de, logo nos minutos iniciais, ter começado por se ver em desvantagem, com um auto-golo… A turma unionista tivera um bom início, procurando repartir a iniciativa com o adversário, vindo depois a acusar um pouco o tento sofrido, fase que, todavia, o Amiense não aproveitou para ampliar a vantagem.

Com o decorrer do tempo, o grupo nabantino voltou a estabilizar, tendo ainda reforçado os seus níveis de confiança ao alcançar o golo da igualdade. Quando se esperaria que o Amiense – à entrada para este confronto ainda com aspirações ao primeiro lugar –, pudesse retomar o ascendente no marcador, ao invés, foi o União a conseguir operar a reviravolta no marcador.

A partir daí o jogo entraria numa toada de risco total por parte do conjunto de Amiais de Baixo, com os tomarenses, com extrema eficácia, a concretizar em golo parte substancial das oportunidades que se lhes propiciaram, na sequência de rápidos lances de contra-ataque. Uma boa estratégia de Lino Freitas, premiada com uma goleada histórica – 5-1, o melhor resultado de sempre do União em 25 partidas disputadas em Amiais de Baixo, desde o encontro inicial entre os dois prestigiados emblemas do futebol distrital, há 36 anos –, num reduto em que o Amiense se mantinha invicto há mais de um ano (desde 25 de Fevereiro de 2018, ante os “Caixeiros”).

Um desfecho que em nada deslustra o excelente desempenho da formação de Amiais de Baixo ao longo da competição, sendo de sublinhar também a hombridade com que o seu técnico, Jorge Peralta, assumiu a derrota, em função da táctica de alto risco adoptada após o 1-2, num gesto revelador de um líder, um dos principais responsáveis pela bela campanha realizada.

Curiosamente, em fim-de-semana de Taça, parece ter-se convertido também o campeonato, de certa forma, numa prova “eliminatória”, em que, em duas semanas sucessivas, o U. Tomar afastou das aspirações ao título, primeiro o Cartaxo e, agora, o Amiense. O U. Almeirim passa a subsistir agora como único resistente ao predomínio que vem sendo evidenciado por Coruchense e U. Santarém.

Surpresa – Não se tratou, é certo, de uma surpresa “completa”, uma vez que não teve impacto a nível da qualificação para a Final da Taça, mas o Abrantes e Benfica, dominador incontestado do escalão secundário, “puxou dos galões”, dando mais uma boa demonstração do seu potencial impondo uma igualdade a uma bola em Coruche, no terreno do líder da I Divisão. Valeu ao Coruchense a vitória na 1.ª mão, por tangencial 1-0, para confirmar, pela margem mínima (um “score” agregado de 2-1), o apuramento para o grande dia de “festa da Taça”.

Confirmação – Porventura por resultado global (4-2), no conjunto das duas mãos, mais equilibrado do que se poderia supor – numa eliminatória que colocava frente-a-frente o vice-líder e o penúltimo classificado do campeonato –, também o U. Santarém confirmou a qualificação para tal confronto decisivo, repetindo, em Marinhais, o triunfo pela marca de 2-1, à semelhança do que se registara, três semanas antes, no “Chã das Padeiras”.

Campeonato de Portugal – Esta foi mais uma ronda de resultados muito negativos para os clubes do Distrito, muito aquém do que seriam as expectativas, tendo em consideração que os adversários se apresentavam relativamente acessíveis. O Fátima perdeu com o então antepenúltimo classificado, Peniche, por 0-2, tendo o Mação, que recebia o “lanterna vermelha”, Alcains, averbado resultado ainda pior, derrotado por 0-3.

Se, no que respeita aos maçaenses, a implicação deste desaire foi a troca de posição com o seu opositor, baixando ao último lugar da pauta classificativa, a derrota dos fatimenses traduz-se em novo “passo atrás” na luta que se vê obrigado a enfrentar, semana a semana, pela permanência no Nacional, posicionando-se agora no 11.º posto, outra vez com a vantagem face à “linha de água” a reduzir-se, agora a cinco pontos, quando restam disputar sete jornadas.

Antevisão – Na retoma dos campeonatos Distritais, o principal escalão terá a sua 22.ª ronda, com o trio da frente a actuar na condição de visitado: o Coruchense recebe o U. Tomar, cabendo ao U. Santarém defrontar o Fazendense, enquanto o U. Almeirim encontra o Marinhais. Pese embora os grupos que jogam em casa sejam favoritos a somar mais três pontos, nesta fase determinante da prova, em que qualquer deslize poderá ser decisivo, não deverão esperar facilidades, seja porque enfrentam equipas já tranquilas na tabela, mais libertas para “jogar o jogo pelo jogo” (casos das turmas das Fazendas de Almeirim e de Tomar), seja porque a situação do Marinhais continua a ser de grande necessidade de pontos.

De interesse, nessa disputa pela manutenção, serão também os desafios Glória do Ribatejo-Samora Correia e Alcanenense-Amiense.

A II Divisão Distrital dá início à sua fase final, de apuramento do Campeão e dos (3 ou 4) clubes a promover, com o seguinte cartaz: Abrantes e Benfica-Rio Maior, Moçarriense-Forense e Riachense-Pego. Veremos se se confirmam as indicações da primeira fase, ou se poderá haver alguma inversão na relação de forças, a par do aliciante que decorre do confronto entre as equipas das zonas Norte e do Sul do Distrito.

No Campeonato de Portugal, o Fátima recebe um já tranquilo Oleiros (8.º classificado), sendo muito importante pontuar; o Mação desloca-se ao terreno do também “aflito” Loures (12.º), em mais uma tarefa em que se antecipam algumas dificuldades.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 28 de Março de 2019)