Taça Ribatejo


O pulsar do campeonato - 2018-19 - TRibatejo-Final

(“O Templário”, 16.05.2019)

Depois do Amiense (em 1976-77), Samora Correia (1982-83 e 1993-94), Águias de Alpiarça (1984-85), Benavente (1990-91), Rio Maior (2001-02), Abrantes FC (2002-03), Monsanto (2003-04), Riachense (2008-09 e 2009-10) e Coruchense (2014-15), também o U. Santarém conseguiu agora obter a chamada “dobradinha”, juntando, numa mesma época, o título de Campeão Distrital e a conquista da Taça do Ribatejo.

Destaque – Tal como se poderia perspectivar, no desafio da “festa da Taça”, disputado no passado Domingo no Entroncamento, os escalabitanos acabaram por impor o seu actual maior ânimo, vencendo o Coruchense por 2-0, exponenciando, em paralelo, as fragilidades decorrentes do “trauma” sofrido pela formação do Sorraia, ao ver escapar-se sobre a “linha de meta” o título de uma competição em que liderara durante meses a fio (ao longo de 20 das 26 jornadas).

Procurando atacar de frente essa teórica debilidade, o técnico da turma de Coruche, Gonçalo Silva adoptou uma estratégia de assumpção da iniciativa, logo desde os minutos iniciais do jogo, procurando surpreender o adversário, que, contudo, fazendo valer a sua experiência, encarou essa fase com a devida serenidade, sem vacilar.

Com pouco mais de vinte minutos decorridos do primeiro tempo, num lance imprevidente, um defesa do Coruchense teve de recorrer à falta para travar a perigosa progressão de um contrário, o que lhe custaria um cartão vermelho, que se viria a traduzir em mais de 70 minutos em inferioridade numérica. Um rude golpe nas aspirações da sua equipa, que acusou sobremaneira mais esta adversidade, agravada com a obtenção do tento inaugural por parte dos escalabitanos.

Para a segunda metade, tendo operado alterações tácticas no xadrez do seu grupo, reforçando o sector defensivo e intermediário, a verdade é que o conjunto do Sorraia, não virando a cara à luta, voltou a tentar tudo o que, em tais circunstâncias, seria possível para chegar ao golo.

Mas, do outro lado, Mário Ruas preparara a sua equipa para, de forma concentrada, mesmo que aparentemente algo na expectativa, aproveitar qualquer oportunidade que viesse a surgir para desferir o golpe decisivo nesta final. O que – outra vez, em momento nevrálgico do desafio –, aconteceria também a meio dessa segunda parte, percebendo-se, desde logo, que seria missão quase impossível a hipótese de reversão do resultado por parte do Coruchense.

No termos dos noventa minutos, o triunfo assenta bem a um personalizado colectivo de Santarém, a patentear, de novo, a sua superioridade no panorama do futebol distrital na presente temporada.

No palmarés da prova, após 42 edições disputadas, o Fazendense continua a ser o único emblema já com quatro troféus conquistados, mantendo-se o Coruchense no quarteto de perseguidores, cada um com três Taças ganhas (a par de Tramagal, Riachense e Amiense), enquanto o U. Santarém – que repetiu a proeza averbada há precisamente quarenta anos – passou a integrar um “pelotão” de sete clubes, cada um com dois títulos na “prova rainha”.

Resta, aos homens de Coruche, ainda uma terceira possibilidade de alcançar um título esta época, já no próximo Domingo, enfrentando, outra vez, “olhos nos olhos”, o mesmo oponente…

Campeonato de Portugal – De forma absolutamente imprevista ao longo de vários meses, ficou reservado para a 34.ª e derradeira jornada desta maratona que é o Campeonato Nacional promovido pela Federação Portuguesa de Futebol, um “golpe de teatro”, em prol do Sertanense, deveras penalizador para o Nogueirense, que, felizmente, não afectou as pretensões do Fátima.

Indo por partes: os fatimenses, que dependiam apenas de si próprios, cumpriram a sua missão, ganhando por 3-1 ao antepenúltimo classificado Alcains, acabando por subir duas posições nesta última ronda, fixando-se no 11.º posto final, garantindo assim a manutenção no Nacional.

Por seu lado, o Sertanense – que, durante semanas, se perfilou como a grande ameaça do Fátima –, recebendo o penúltimo, Peniche, goleou por 4-0, vindo a beneficiar das derrotas do Loures (0-1 em Alverca) e do Nogueirense (1-2 em Vila Franca de Xira) para igualar pontualmente estes adversários, conseguindo transpor, pela primeira vez ao fim de 14 jornadas, a “linha de água”, abaixo da qual caiu inapelavelmente a equipa de Nogueira do Cravo (esbanjando uma vantagem de treze pontos de que chegou a dispor já na segunda volta – e de nove pontos, a quatro jornadas do fim!), com a turma da Sertã a conseguir assim, “in extremis”, a salvação.

Quanto ao Mação, acabou por ter uma desalentada despedida desta sua época de estreia nos Nacionais, goleado pelo Sintrense por 5-0, quedando-se como “lanterna vermelha”, a oito pontos dos adversários mais próximos, afinal a longínquos 26 pontos do Sertanense. Uma experiência ingrata que não deixará de traduzir uma aprendizagem para este clube do Distrito.

No topo da pauta classificativa, U. Leiria (vencedor desta Série C) e Vilafranquense garantiram o apuramento para o “play-off” de apuramento de Campeão Nacional e de promoção à II Liga, que disputarão com os dois primeiros classificados das restantes três séries: Vizela, Fafe, Sp. Espinho, Lusitânia de Lourosa, Praiense e Real (ou Casa Pia).

Antevisão – Mudando o cenário, do Entroncamento para Torres Novas, Campeão e vice-campeão, vencedor da Taça e finalista vencido, respectivamente U. Santarém e Coruchense, voltam a encontrar-se, este fim-de-semana, para encerramento da temporada, em mais um duelo, na disputa da Supertaça Dr. Alves Vieira, esperando-se que ambas as equipas possam surgir agora mais libertas da pressão competitiva, proporcionando um bom espectáculo de futebol, sem que, “a priori”, se possa apontar um claro favorito.

A II Divisão Distrital entra na segunda volta da fase final de apuramento de Campeão – a qual se prolongará ainda por mais um mês, com cinco jornadas até ao dia 16 de Junho –, estando agora já confirmado que serão quatro os clubes premiados com a promoção ao escalão principal.

Esta 6.ª ronda está recheada de desafios de interesse, com o líder incontestado, Abrantes e Benfica, já próximo de garantir matematicamente o título, a deslocar-se a Rio Maior, enquanto, nos outros dois jogos, o Forense, recebendo o Moçarriense, e o Riachense, visitando o Pego, terão testes cruciais às respectivas aspirações à subida, numa contenda bastante nivelada.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 16 de Maio de 2019)

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Taça Ribatejo - Décadas - 2019

Fazendense...... 4     Alferrarede.. 2     Lag. Sardoal 1     Azinhaga...... 1
Tramagal........ 3     S. Correia... 2     Pego........ 1     Abrantes FC... 1
Riachense....... 3     Cartaxo...... 2     Vasco Gama.. 1     Monsanto...... 1
Amiense......... 3     Rio Maior.... 2     F. Zêzere... 1     Ouriquense.... 1
Coruchense...... 3     Mação........ 2     Benavente... 1     Torres Novas.. 1
Ág. Alpiarça.... 2     U. Santarém.. 2     Ferroviários 1     União Tomar... 1   
 Edição      Época        Vencedor         Finalista

XLII        2018-19     U. Santarém      Coruchense       2-0
XLI         2017-18     U. Tomar         Mação            2-1
XL          2016-17     Mação            Coruchense       2-2  (4-3 g.p.)
XXXIX       2015-16     Fazendense       Riachense        0-0  (4-3 g.p.)
XXXVIII     2014-15     Coruchense       Amiense          3-2
XXXVII      2013-14     Fazendense       At. Ouriense     1-0
XXXVI       2012-13     Amiense          At. Ouriense     0-0  (3-2 g.p.)
XXXV        2011-12     Fazendense       Emp. Comércio    4-1
XXXIV       2010-11     Torres Novas     Cartaxo          1-1  (4-3 g.p.)
XXXIII      2009-10     Riachense        Alcanenense      0-0  (4-3 g.p.)
XXXII       2008-09     Riachense        Alcanenense      1-0
XXXI        2007-08     Mação            Riachense        2-1
XXX         2006-07     Ouriquense       U. Santarém      1-0
XXIX        2005-06     Fazendense       U. Santarém      2-1
XXVIII      2004-05     Amiense          Coruchense       0-0  (4-3 g.p.)
XXVII       2003-04     Monsanto         U. Figueirense   4-0
XXVI        2002-03     Abrantes FC      Ág. Alpiarça     2-1
XXV         2001-02     Rio Maior        Alcanenense      v-d
XXIV        2000-01     Cartaxo          Monsanto         v-d
XXIII       1999-00     Rio Maior        Benavente        v-d

Hertz

Depois de uma contenda “taco a taco” ao longo de oito meses pelo título de Campeão Distrital, que acabou por sorrir aos escalabitanos, União de Santarém e Coruchense enfrentam-se hoje no primeiro de dois “rounds” sucessivos, em disputa directa de outros dois troféus: primeiro, a Taça do Ribatejo, em partida a disputar no Entroncamento; logo de seguida, já na próxima semana, a Supertaça Dr. Alves Vieira, que terá por palco o Estádio com o mesmo nome, em Torres Novas.

Nas 41 edições anteriores da “prova rainha” do futebol distrital, o emblema do Sorraia conquistou já por três vezes o respectivo troféu, em 1996 e 1997 e, mais recentemente, em 2015, sendo superado, a nível de palmarés, apenas pelo Fazendense (com quatro Taças conquistadas). Por seu lado, os homens da capital do Distrito contam com uma única vitória na competição, há precisamente 40 anos.

Estes dois clubes históricos marcaram igualmente presença em finais da Taça noutras edições relativamente recentes da prova: nos últimos 15 anos cada um deles perdeu por duas ocasiões o desafio decisivo da “festa da Taça” (o Coruchense, em 2005, frente ao Amiense, e em 2017, ante o Mação; o U. Santarém em 2006 e 2007, desfeiteado pelo Fazendense e pelo Ouriquense).

Na edição da presente temporada, o Coruchense começou por deixar para trás, na fase de grupos, o Cartaxo e o Salvaterrense, numa série em que participou também o surpreendente Espinheirense, tendo a formação do Sorraia vencido os três encontros disputados, incluindo no Cartaxo.

Por coincidência, voltaria a cruzar-se com o conjunto do Espinheiro nos 1/8 de final, vencendo novamente, agora por 3-0 (depois de 4-0 na fase inicial). Nos 1/4 de final, com uma exibição algo frouxa, tendo empatado a um golo, no seu reduto, com o actual detentor do troféu, União de Tomar, valeu-lhe a maior experiência no desempate da marca de grande penalidade.

Por fim, nas meias-finais, o Coruchense começou por ir vencer a Abrantes, a equipa sensação desta época no escalão secundário, por 1-0, repetindo depois a igualdade a uma bola, na 2.ª mão.

Já o U. Santarém superiorizou-se igualmente na fase de grupos, tendo sido vencedor da sua série, à frente do União de Tomar (que bateu por 4-1), depois de uma “entrada em falso” com um surpreendente empate (1-1) no terreno da Ortiga, tendo ganho ainda por tangencial 1-0 no Tramagal.

Nos 1/8 de final, outro empate a uma bola, no Pego, foi desfeito também por via dos pontapés da marca de grande penalidade, para, nos 1/4 de final, num “derby” municipal, a formação de Santarém derrotar o Amiense por 2-0.

Nas meias-finais, depois de um triunfo por margem pouco cómoda (2-1), em casa, ante o Marinhais, o grupo escalabitano confirmaria a presença na final, ganhando pela mesma marca fora de casa.

Não existindo histórico recente de confrontos entre ambos os clubes em jogos da Taça, nas duas ocasiões em que se defrontaram para o campeonato, registaram-se igualmente dois empates, sempre a um golo.

No imediato, a equipa de Santarém, com o ânimo em alta, pela conquista do título de Campeão, alcançado com uma ultrapassagem em cima da “linha de meta”, aparenta dispor de teórico favoritismo para o desafio desta tarde. Veremos como reagirá o Coruchense à adversidade de ter deixado escapar, na derradeira ronda, o 1.º lugar no campeonato, e que resposta poderá dar ao desaire sofrido em Almeirim.

Em qualquer caso, antecipa-se um aliciante embate entre os dois principais protagonistas do futebol distrital nesta temporada.

(Texto da rubrica da Rádio Hertz, com a perspectiva da jornada – 12.05.2019)

                                   2ª mão           1ª mão           Total
Coruchense - Abrantes e Benfica      1-1              1-0             2-1
Marinhais - U. Santarém              1-2              1-2             2-4

As equipas do Coruchense e do U. Santarém garantiram o apuramento para a Final da Taça do Ribatejo no escalão de Seniores.

Hertz

A Taça do Ribatejo tem esta tarde a sua última etapa antes da grande festa da Final da prova rainha do futebol distrital, com a disputa da 2.ª mão das meias-finais da competição.

Os favoritos Coruchense e U. Santarém – dois primeiros classificados do campeonato da I Divisão – entram em campo em vantagem, obtida nas partidas da 1.ª mão, há três semanas, mas, em ambos os casos, por números tangenciais.

O líder do escalão principal, Coruchense, recebe o vencedor da série mais a Norte da primeira fase do campeonato da II Divisão, o Abrantes e Benfica, tendo a turma do Sorraia vencido em Abrantes por 1-0, quebrando assim a magnífica série de 22 jogos de invencibilidade dos abrantinos.

Não havendo histórico recente de confrontos entre ambos os clubes, em Coruche, em jogos da Taça, as últimas vezes que se cruzaram na I Divisão, datam já da época de 2012-13, com um empate a três bolas, e da temporada imediata, de 2014-15, com uma goleada de 5-0 para o Coruchense, na altura com o conjunto de Abrantes ainda com a denominação de U. Abrantina.

Numa eliminatória ainda não resolvida, não podendo de todo subestimar o poderio do seu adversário (que eliminou já, anteriormente, outros dois clubes da I Divisão, Torres Novas e Ferreira do Zêzere), a formação de Coruche deverá confirmar hoje – salvo grande surpresa – a sua terceira presença na Final da Taça na última década, visando a conquista do troféu pela quarta vez no seu historial.

Em Marinhais, o U. Santarém terá de defender a magra vantagem de 2-1 averbada em casa, numa eliminatória que se antevia bem mais desequilibrada, mas que, por agora, subsiste em aberto.

Os dois emblemas defrontaram-se em Marinhais, na época passada e já na presente temporada, num total de três vezes, com dois triunfos dos homens da casa em 2017-18, então no escalão secundário, por 3-2 na fase regular da prova e por 3-0 na fase final, de apuramento de Campeão, tendo, nesta época, num contexto distinto, os escalabitanos vencido por 1-0, na primeira volta do campeonato da I Divisão.

Frente a uma equipa que, na presente temporada, conta uma única vitória em 21 jogos disputados no campeonato (frente ao At. Ouriense), a missão do grupo da capital do Distrito parece ter o risco minorado, atendendo também ao facto de o regulamento da competição não prever como critério de desempate os golos marcados fora de casa, pelo que um hipotético cenário de derrota por 0-1 não implicaria, automaticamente, a eliminação, mas, sim, a necessidade de desempate.

Não podendo esperar facilidades – recorde-se que o Marinhais eliminou já, nos 1/8 de final, o U. Almeirim, para além do facto de as equipas encararem estes jogos a eliminar com outra perspectiva –, o U. Santarém não deverá desperdiçar a possibilidade de superar a campanha realizada no ano passado, em que foi eliminado nas meias-finais, pelo União de Tomar, clube que se viria sagrar então vencedor da prova.

Precisamente, ao mesmo tempo dos desafios da Taça, Amiense e União de Tomar aproveitarão para colocar o calendário da I Divisão em dia, realizando – um mês depois – o encontro que se encontrava em atraso da 19.ª jornada, num embate de maior responsabilidade para o grupo de Amiais de Baixo, na óptica de poder voltar a encurtar distâncias face aos lugares de topo da classificação.

Trata-se de um embate frequentemente repetido, já disputado em Amiais de Baixo por nove vezes nas últimas oito temporadas, curiosamente com uma tendência global de absoluto equilíbrio: quatro vitórias para cada lado e um único empate, já na distante época de 2010-11. Antes do triunfo dos donos da casa na época passada, os unionistas tinham vencido no reduto do adversário em três anos sucessivos.

Perfilando-se o Amiense como favorito, dada a posição que ocupa na tabela, antevendo-se que possa fazer imperar o factor casa, o histórico dos últimos anos aponta, também, para o facto de se tratar de um jogo de tripla, em que não seria de todo surpreendente se pudesse até vir a repetir-se o desfecho que mais tem rareado nos confrontos anteriores entre ambos, isto se atentarmos igualmente no desempenho dos tomarenses esta temporada nos terrenos de outras equipas de topo, tendo empatado fora com o Coruchense (para a Taça), U. Santarém e Cartaxo.

(Texto da rubrica da Rádio Hertz, com a perspectiva da jornada – 24.03.2019)

O pulsar do campeonato - 2018-19 - TRibatejo - 1-2-finais

(“O Templário”, 07.03.2019)

Após uma fantástica série de 22 jogos consecutivos sem derrota – todos os que disputou desde que se operou a fusão com a U. Abrantina –, o Abrantes e Benfica viu, enfim, quebrada a sua invencibilidade, pelo Coruchense, numa eliminatória (1.ª mão das meias-finais da Taça do Ribatejo) caracterizada por um inesperado equilíbrio, com triunfos tangenciais dos favoritos, a deixar tudo por decidir quanto à confirmação da presença na final da prova para a 2.ª mão.

Destaque – Embora não se possa considerar que tenha havido surpresa, nesta “cimeira de líderes”, em que se defrontavam os comandantes do escalão secundário, Abrantes e Benfica, e da I Divisão Distrital, Coruchense, com a turma do Sorraia a ganhar mercê de um solitário tento, não deixa de constituir motivo de destaque o feito dos homens de Coruche, a impor a primeira derrota (e em Abrantes) à formação que, até agora, tinha um percurso praticamente imaculado (vinte e uma vitórias e um único empate, em 17 jogos realizados no campeonato e cinco na Taça do Ribatejo, em que afastara já os primodivisionários Torres Novas e Ferreira do Zêzere).

Recorde-se que, até à data, apenas o Caxarias conseguira escapar à derrota ante o poderoso grupo abrantino, desempenho agora superado pelo guia do escalão principal, o qual, “puxando dos galões”, não conseguiu, todavia, resolver já a seu favor a eliminatória, tendo de confirmar, em casa, a vantagem agora adquirida, devendo manter o foco para evitar ser surpreendido.

Isto, sem esquecer que se trata da primeira vez que o ambicioso conjunto de Abrantes atinge – na última década –, as meias-finais da competição, enquanto o Coruchense regista quatro presenças nesta fase da prova no mesmo período, tendo jogado duas finais, conquistando o troféu em 2014-15 (repetindo as proezas dos anos de 1996 e 1997).

Surpresa – Por seu lado, e apesar de o vice-líder da I Divisão, U. Santarém, ter também vencido o seu confronto ante o penúltimo classificado, Marinhais, a surpresa está no marcador tangencial registado: uma magra vantagem, de 2-1, a favor dos escalabitanos.

O histórico U. Santarém, que regista segunda presença sucessiva nas meias-finais (depois de ter sido eliminado, na época transacta, pelo União de Tomar, emblema que se viria a sagrar vencedor da prova) – já vencedor do troféu, há quarenta anos, logo na segunda edição da Taça do Ribatejo – terá assim de se aplicar a fundo, na segunda mão, em Marinhais, face a um opositor que, à semelhança da formação de Abrantes, alcança pela primeira vez esta fase da competição, nos últimos dez anos, em ordem a confirmar o seu favoritismo.

Em qualquer caso, a expectativa continua a ser a de poder assistir, na final da competição, a um novo duelo entre os dois clubes que têm liderado o futebol distrital na presente temporada.

Campeonato de Portugal – Atingindo-se já a 24.ª jornada da prova, o Mação deu sequência à sua caminhada de resultados positivos, empatando a zero ante a vizinha equipa de Oleiros, a qual vem ocupando tranquila posição a meio da tabela (9.º lugar), num ciclo que leva já três desafios sem derrota, todavia sem efeitos relevantes a nível da classificação: os maçaenses mantêm o penúltimo posto (apenas à frente do Alcains), a onze pontos da “linha de água”.

Bem melhor conseguiu, desta feita, o Fátima, ao ganhar (3-2) ao 5.º classificado, Sintrense, desfecho que custou à turma de Sintra descolar dos lugares de acesso ao “play-off” de apuramento de Campeão e de promoção, agora já a sete pontos do Anadia (novo 2.º colocado).

Uma vitória que poderá vir a revelar-se determinante para a fase final do campeonato, esperando-se que possa consubstanciar um ponto de inflexão na carreira dos fatimenses, após quatro desaires sucessivos (dois deles, não obstante, ante os actuais dois primeiros da tabela).

Desta forma, quando ficam a faltar dez rondas para o final da competição, o Fátima voltou a poder “respirar um pouco melhor”, agora com sete pontos de vantagem em relação à zona de descida. Poderá bastar somar – aos 31 pontos que averba nesta altura – talvez mais “meia dúzia” de pontos nesses dez jogos, para assegurar a manutenção no patamar nacional do futebol.

Antevisão – No regresso dos campeonatos Distritais, para disputa da 20.ª jornada da I Divisão, os cinco candidatos ao lugar de topo perfilam-se como lógicos favoritos, pese embora em encontros de grau de dificuldade teoricamente diferenciado.

De facto, Cartaxo e U. Santarém, recebendo os dois últimos classificados, respectivamente Marinhais e Alcanenense, terão tal estatuto reforçado, sem esquecer a cada vez mais aguda necessidade de pontos por parte das equipas do fundo da tabela classificativa. Em situação intermédia, o Amiense, que enfrenta deslocação ao sempre difícil reduto da Glória do Ribatejo.

Por seu lado, o Coruchense, e, sobretudo, o U. Almeirim, terão tarefas potencialmente mais complexas, não obstante actuarem, ambos, em casa, recebendo o At. Ouriense e o Fazendense, no último caso num “derby” almeirinense de desfecho sempre imprevisível.

Nota final ainda para o “clássico dos clássicos” do futebol distrital, entre Torres Novas e U. Tomar, que se cruzam em jogos a contar para Campeonatos (nacionais e distritais) e Taças (de Portugal e do Ribatejo) pela 92.ª vez (com um balanço ligeiramente favorável aos unionistas – 38 vitórias, contra 35 triunfos dos torrejanos, para além de 18 empates).

Na II Divisão, que atinge a derradeira ronda da fase preliminar da competição, o interesse maior estará noutro embate também entre clubes históricos, envolvendo a equipa “B” do U. Tomar (que, em caso de vitória, poderá ainda arrebatar o 4.º posto ao seu adversário) e o Tramagal.

No Campeonato de Portugal, os representantes do Distrito viajam até à região do “Oeste”, com a expectativa de poder pontuar, cabendo ao Fátima e Mação defrontar, respectivamente, o Caldas (11.º classificado, imediatamente abaixo dos fatimenses, somente a um ponto) e o Peniche (16.º classificado, ocupando, pois, a posição precisamente acima da dos maçaenses).

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 7 de Março de 2019)

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