Taça Ribatejo


O pulsar do campeonato - 2018-19 - TPortugal-TRibatejo

(“O Templário”, 04.10.2018)

Repescado da 1.ª eliminatória, o Fátima foi uma das cinco equipas que mais se evidenciaram na 2.ª ronda da Taça de Portugal, a par de Pedras Salgadas, Águeda, Sacavenense e Limianos, tendo eliminado, respectivamente, os seguintes clubes da II Liga: Oliveirense, Académica, Famalicão, Varzim e Mafra. Por seu lado, na jornada inaugural da Taça Ribatejo, o Marinhais averbou, na Glória do Ribatejo, um resultado que ficará para a história de ambas as formações.

Destaques – Recebendo um adversário de escalão superior, o Fátima impôs-se à turma de Oliveira de Azeméis – o que nunca antes conseguira, nas quatro ocasiões em que se haviam cruzado na II Liga, nas épocas de 2009-10 e 2010-11 –, mercê de um solitário tento, o suficiente para passar a ser o único representante do Distrito entre os 64 clubes apurados para a próxima fase da Taça de Portugal, fase a partir da qual entrarão em cena as equipas primodivisionárias.

Na Taça do Ribatejo, no “derby” salvaterrense, entre dois recém-promovidos à divisão principal, de valia sensivelmente aproximada – que, aliás, haviam repartido triunfos por margem tangencial nos jogos que disputaram na época precedente –, o conjunto da Glória do Ribatejo foi desfeiteado, no seu próprio reduto, pela vizinha equipa de Marinhais, sofrendo um desfecho de todo imprevisível, uma rotunda goleada de 6-0, um resultado que, por boas e más razões (consoante a perspectiva…), certamente não será esquecido durante muitos anos.

Merecem ainda referência, pela robusta expressão do “placard”, as vitórias do Cartaxo, também no município de Salvaterra de Magos, ante o Salvaterrense (7-0), assim como do Pego, na recepção ao Aldeiense (5-0), ou do Coruchense (4-0 ao Espinheirense). Por outro lado, é igualmente de assinalar o empate (1-1) imposto pelo Moçarriense, face ao favorito U. Almeirim.

Confirmações – Quanto aos outros dois clubes do Distrito, que agora se despediram da Taça de Portugal, confirmaram-se as dificuldades já antecipadas, no confronto perante grupos de escalão e argumentos superiores: no caso do Torres Novas, foi também goleado, por 4-0, no seu terreno, pelo Maria da Fonte; tendo o U. Tomar sido igualmente batido, por 0-3, pelo Vilafranquense.

Sem, de todo, se questionar a justiça do resultado, este foi um desfecho pesado face ao que ambos os conjuntos apresentaram dentro das quatro linhas, com os tomarenses a registar a sua melhor exibição da temporada, encarando o adversário “olhos nos olhos”, assumindo a iniciativa, sem recear o superior potencial do oponente, nem se refugiar em tácticas defensivas.

Aliás, ao longo dos primeiros 45 minutos, e, à medida que o relógio avançava, e o grupo ia ganhando confiança – perante uma formação vilafranquense que sempre denotou respeitar o adversário – várias vezes a imagem que transpareceu foi a de que este terá sido o jogo no qual o U. Tomar se sentiu porventura mais “confortável” a explanar o seu fio de jogo, mais consentâneo face ao tipo de futebol praticado no escalão superior àquele em que milita. Assim, num encontro bastante repartido, sem que tivesse havido registo de soberanas oportunidades de golo, o nulo que se registava ao intervalo era um bom prémio ao esforço de todos os unionistas.

Para a segunda metade, era expectável que o conjunto de Vila Franca de Xira entrasse mais pressionante e a colocar maior intensidade no jogo. Não obstante, acabou por ser algo fortuita a forma como, ainda cedo, antes do quarto de hora, chegou ao tento inaugural, numa transição rápida, a “queimar” a linha de fora-de-jogo. Apesar da situação de desvantagem, o União não se ressentiu, prosseguindo a sua boa actuação, pese embora o guardião Nuno Ribeiro tenha sido, então, chamado a duas ou três notáveis intervenções, em salvaguarda da sua baliza, enquanto, na zona nevrálgica do terreno, o capitão Nuno Rodrigues ia pautando o jogo da sua equipa.

A quatro minutos do final, os nabantinos dispuseram de uma flagrante oportunidade para igualar o marcador, com a bola, com um efeito caprichoso, a “desviar-se” milimetricamente das redes contrárias. No lance imediato, outra vez muito rápido, e, também, a suscitar eventuais dúvidas sobre a sua regularidade, os visitantes ampliavam para 2-0, sentenciando a eliminatória. O terceiro golo, apontado em cima dos 90 minutos foi já castigo excessivo para o labor unionista, que, dentro das suas condicionantes, perdeu (bem) o jogo, mas terá ganho uma equipa…

Surpresas – Para além das proezas já antes referidas em relação à Taça de Portugal, que resultaram na eliminação de cinco equipas da II Liga (a que acresce o apuramento, perante equipas do Nacional, de Vila Real e Silves, ambos a militar nos Distritais), a principal surpresa da Taça do Ribatejo foi o empate do Ortiga frente ao U. Santarém (1-1), com os escalabitanos a evitar o desaire apenas já na fase derradeira do encontro.

De assinalar, ainda, igual desfecho no Benavente-Fazendense. Em relação ao 2-0 com que o Pontével derrotou os Empregados do Comércio – grupo recém-despromovido da I Divisão – só mais adiante será possível aquilatar se se terá tratado efectivamente de uma surpresa.

Antevisão – Neste fim-de-semana estão de regresso os campeonatos, com as atenções focadas num “clássico” entre dois históricos do futebol distrital, U. Santarém-U. Almeirim, de prognóstico reservado; assim como, em paralelo, no Fazendense-U. Tomar, com os tomarenses, em mais um difícil desafio, ansiando por colocar termo à “seca” de golos, assim como retomar o rumo dos resultados positivos, procurando colocar termo a uma prolongada série de desaires, já de quatro partidas (antes disso, agendado para o feriado de 5 de Outubro, os tomarenses disputarão o jogo que foi adiado da jornada inicial da Taça do Ribatejo, recebendo o Tramagal).

Na I Divisão, menção ainda a outros confrontos de especial interesse: Alcanenense-Cartaxo, Samora Correia-Torres Novas, para além da curiosidade de Amiense e Ferreira do Zêzere se reencontrarem (agora em Amiais de Baixo), imediatamente após, no passado domingo, os ferreirenses terem ganho, em casa, por 1-0, em jogo da Taça.

A II Divisão terá a sua jornada inaugural, com a estreia absoluta da equipa “B” do União de Tomar, a receber a regressada formação do Sardoal. Por seu lado, o Riachense defronta o Tramagal, enquanto o também revindo Abrantes e Benfica (no âmbito da fusão operada com a U. Abrantina) terá a visita do Aldeiense. A Sul, destaque para o Rio Maior-Moçarriense.

Por fim, no Nacional, o Fátima terá uma difícil deslocação a Sintra, onde encontrará o líder, Sintrense, enquanto o Mação, numa curta viagem até Oleiros, procurará – entretanto já com Rui Gaivoto a substituir José Torcato – quebrar o enguiço de cinco derrotas consecutivas.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 4 de Outubro de 2018)

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Série 1

Sardoal – Riachense – 2-3
Torres Novas – Abrantes e Benfica – 0-1 (03.10.2018)

1º Riachense e Abrantes e Benfica, 3; 3º Sardoal e Torres Novas, 0

Série 2

Ferreira Zêzere – Amiense – 1-0
Alcanenense – At. Ouriense – 1-1

1º Ferreira Zêzere, 3; 2º Alcanenense e At. Ouriense, 1; 4º Amiense, 0

Série 3

Ortiga – U. Santarém – 1-1
U. Tomar – Tramagal – (Adiado para 24.10.2018)

1º U. Santarém e Ortiga, 1; 3º U. Tomar e Tramagal, 0

Série 4

Pego – Aldeiense – 5-0
U. Atalaiense – Caxarias – 1-1

1º Pego, 3; 2º U. Atalaiense e Caxarias, 1; 4º Aldeiense, 0

Série 5

Pontével – Emp. Comércio – 2-0
Forense – Rio Maior – 0-2

1º Rio Maior e Pontével, 3; 3º Emp. Comércio e Forense, 0

Série 6

Folga: Samora Correia
Moçarriense – U. Almeirim – 1-1

1º U. Almeirim e Moçarriense, 1; 3º Samora Correia, 0 (desistência do Barrosense)

Série 7

Glória do Ribatejo – Marinhais – 0-6
Benavente – Fazendense – 1-1

1º Marinhais, 3; 2º Fazendense e Benavente, 1; 4º Glória do Ribatejo, 0

Série 8

Coruchense – Espinheirense – 4-0
Salvaterrense – Cartaxo – 0-7

1º Cartaxo e Coruchense, 3; 3º Espinheirense e Salvaterrense, 0

Serão apurados para os 1/8 de final os dois primeiros classificados de cada uma das séries.

Hertz

Após a disputa das duas primeiras jornadas do Distrital da I Divisão, o campeonato sofre este fim-de-semana um primeiro interregno, para dar entrada em cena às Taças, de Portugal e do Ribatejo.

No que respeita à “prova-rainha” do futebol nacional, Taça de Portugal, na sua 2.ª eliminatória, estão ainda em competição três representantes do Distrito (após a repescagem de Fátima e Torres Novas), mas a tarefa de qualquer um deles não se afigura nada fácil, não obstante – precisamente num reverso do sucedido na eliminatória inicial – todos eles actuarem nos respectivos redutos… todavia perante opositores de escalão superior.

O Fátima – que, de forma algo surpreendente, perdeu na eliminatória inaugural, em Oleiros, tendo tido a sorte de ser repescado – recebe a Oliveirense, da Liga de Honra, equipa que ocupa actualmente o 13.º posto, que reparte com outros quatro concorrentes, somente um ponto acima do “lanterna vermelha”, Arouca. A possibilidade de “haver Taça” existe, mas tal implicará um Fátima ao seu melhor nível.

Estas duas equipas cruzaram-se já, aquando da passagem dos fatimenses pelo segundo escalão, nas épocas de 2009-10 e 2010-11, sendo que, em quatro jogos, a turma de Fátima o melhor que conseguiu foi um empate (em casa), tendo perdido por três vezes.

Quanto ao Torres Novas, terá a visita do Maria da Fonte, um dos 7.º classificados da Série A do Campeonato de Portugal. Tendo em atenção o que tem sido o desempenho dos torrejanos neste arranque de temporada – derrotas na 1.ª ronda da Taça de Portugal, ante os “Amigos da Paz”, de Pousos, do Distrital de Leiria, e, no campeonato, na Glória do Ribatejo, a que se seguiu um nulo na recepção ao Alcanenense – , seria uma surpresa positiva se conseguisse passar à eliminatória seguinte.

Por fim, o U. Tomar – vencedor na Idanha-a-Nova, na estreia nesta edição da prova – será anfitrião do Vilafranquense, actual vice-líder da Série C do Nacional (a mesma na qual milita o Fátima), perfilando-se-lhe uma tarefa hercúlea, dado o diferencial de recursos entre ambas as formações.

Mas a Taça é festa, e, recuando à última vez que os dois clubes se cruzaram, na já distante época de 1994-95, os tomarenses causaram sensação, empatando em Vila Franca de Xira (2-2), com os donos da casa – que terminariam esse campeonato no 2.º lugar, em igualdade pontual com o vencedor (Mafra) –  a evitar a derrota (depois de ter estado a perder por 0-2) somente mercê de uma grande penalidade convertida por… Rui Vitória!

Aliás, na época anterior a essa, os unionistas haviam já empatado (então, a zero) em Vila Franca, tendo mesmo vencido em Tomar (1-0). Mas, no dia de hoje, as condições são bastante distintas, pelo que só um União a superar-se, conjugando com um dia menos conseguido do adversário, poderá permitir acalentar o sonho de avançar na prova.

Deverá ainda recordar-se, por outro lado, que o Vilafranquense começara inclusivamente por ser “afastado”, na primeira ronda, pelo Caldas, no desempate da marca de grande penalidade, tendo acabado por beneficiar igualmente da repescagem para chegar ao jogo de hoje.

Quanto à Taça do Ribatejo, que terá esta tarde a sua jornada de estreia, na fase de grupos, o actual detentor do troféu (União de Tomar) teve de adiar o seu jogo ante o Tramagal, chamando a atenção os seguintes quatro confrontos:

  • Alcanenense-At. Ouriense, entre duas equipas que integram o septeto da “liderança” no campeonato distrital. As últimas vezes que estas formações se defrontaram em Alcanena datam já das épocas de 2010-11 e 2011-12, com algum equilíbrio, traduzido em dois triunfos dos donos da casa, um empate e uma vitória dos forasteiros. Não surpreenderia se o At. Ouriense conseguisse hoje obter um resultado positivo.
  • Ferreira do Zêzere-Amiense, entre a equipa-sensação da temporada anterior, para já a denotar algumas dificuldades neste arranque de época, que a fazem partilhar com o U. Tomar a cauda da tabela, e um histórico do futebol distrital, já vencedor do troféu por três vezes. Na partida que disputaram, na temporada passada, a contar para o campeonato, os ferreirenses venceram, então por 1-0. Esta tarde, a tendência será também para um jogo equilibrado.
  • Moçarriense-U. Almeirim, entre um conjunto recentemente despromovido ao segundo escalão distrital – e que fará hoje o seu jogo de estreia, a nível oficial, na presente época – e um dos favoritos aos lugares cimeiros da I Divisão. No campeonato passado, os almeirinenses foram vencer à Moçarria por tangencial 1-0… mas, em 2015-16, haviam sido derrotados. Esta tarde, os visitantes são claramente favoritos, mas terão de o demonstrar no difícil reduto contrário.
  • Glória do Ribatejo-Marinhais, num “derby” do município de Salvaterra de Magos, entre dois recém-promovidos à divisão principal, que começaram por dar boa conta de si na estreia (os visitados derrotaram o Torres Novas, tendo os visitantes ido empatar a Samora Correia), mas que foram, ambos, batidos na passada semana. Na época precedente, então na II Divisão, defrontaram-se por duas vezes na Glória, com empate na primeira fase e triunfo do Marinhais na fase final. Em suma, um jogo de tripla.

(Texto da rubrica da Rádio Hertz, com a perspectiva da jornada – 30.09.2018)

Realizou-se esta noite o sorteio da Fase de Grupos da Taça do Ribatejo, esta época abrangendo um total de 32 clubes concorrentes (14 da I Divisão Distrital e 18 do segundo escalão), com o seguinte alinhamento das oito séries (indicando-se os encontros da 1.ª jornada, agendada para o próximo dia 30 de Setembro):

Série 1 – Torres Novas, Abrantes e Benfica, Riachense e Sardoal

Sardoal – Riachense
Torres Novas – Abrantes e Benfica

Série 2 – Alcanenense, Ferreira Zêzere, Amiense e At. Ouriense

Ferreira Zêzere – Amiense
Alcanenense – At. Ouriense

Série 3 – U. Tomar, U. Santarém, Tramagal e Ortiga

Ortiga – U. Santarém
U. Tomar – Tramagal

Série 4 – U. Atalaiense, Pego, Caxarias e Aldeiense

Pego – Aldeiense
U. Atalaiense – Caxarias

Série 5 – Emp. Comércio, Rio Maior, Pontével e Forense

Pontével – Emp. Comércio
Forense – Rio Maior

Série 6 – U. Almeirim, Samora Correia, Moçarriense e Barrosense

Samora Correia – Barrosense
Moçarriense – U. Almeirim

Série 7 – Fazendense, Marinhais, Glória do Ribatejo e Benavente

Glória do Ribatejo – Marinhais
Benavente – Fazendense

Série 8 – Coruchense, Cartaxo, Espinheirense e Salvaterrense

Coruchense – Espinheirense
Salvaterrense – Cartaxo

Nas restantes jornadas, o União de Tomar – actual detentor do troféu – desloca-se a Santarém (a 1 de Novembro), recebendo a Ortiga (jogo agendado para 25 de Novembro de 2018).

Serão apurados para os 1/8 de final os dois primeiros classificados de cada uma das séries.

Pulsar-TRibatejo-Final

(“O Templário”, 17.05.2018 – Clicar na imagem para ver o artigo completo)

Ao triunfar por 2-1, frente ao recentemente sagrado Campeão Distrital (Mação), na Final da Taça do Ribatejo, o União de Tomar sagrou-se vencedor, pela primeira vez no seu historial (na sua 19.ª participação na prova – que apenas passou a disputar de forma assídua desde a temporada 2002-03, após a estreia na época de 1985-86), do troféu em disputa, voltando assim, vinte anos depois, à conquista de um título no escalão de seniores (após ter averbado, há cinco anos, idêntico galardão, mas, então, no escalão de juniores)!

Destaque – No grande dia da “festa da Taça”, reencontravam-se, no Complexo Desportivo do Bonito, no Entroncamento, num Estádio repleto de público entusiasta, as duas equipas que dominaram esta temporada no futebol distrital, o Campeão e Vice-campeão, disputando também a supremacia, agora, igualmente, na final da Taça do Ribatejo, após os dois empates registados nos encontros a contar para o campeonato.

O Mação, que defendia o troféu obtido no ano anterior (bisando o sucesso alcançado dez anos antes), apresentava-se com maior experiência neste tipo de desafios decisivos (tendo, logo no início da época vencido também a “Supertaça Dr. Alves Vieira”), face a uma equipa do U. Tomar que se estreava na final da competição.

Não obstante, desde o pontapé de saída, seriam os unionistas a assumir a iniciativa do jogo, não obstante viessem a passar por um primeiro grande susto, apenas com um minuto decorrido de jogo, quando, na sequência de um livre, e beneficiando do vento que se fazia sentir, os maçaenses enviaram uma bola, que, com uma trajectória caprichosa, viria a embater no poste da baliza tomarense.

Não acusando o toque, os rubro-negros inaugurariam o marcador apenas com sete minutos jogados, na sequência de um lançamento de linha lateral para o interior da área, onde, muito oportuno, Luís Pedro Alves, com um toque subtil, mas pleno de convicção, colocou o União em posição de vantagem.

Todavia, à medida que o tempo ia avançando, até final da primeira parte, o Mação conseguiria obter algum predomínio a meio-campo, com maior controlo de jogo, e apresentando maior insistência nos lances ofensivos.

Na segunda metade, agora jogando a favor do vento, os unionistas pareciam entrar mais afoitos, dispostos a ampliar a sua vantagem, quando num atraso para o guardião, num lance fortuito de infelicidade, ao procurar dominar a bola com o pé, ela escapou-se-lhe ligeiramente, surgindo de pronto um avançado maçaense, tornando-se inevitável o contacto (pé contra pé), que o árbitro sancionaria com grande penalidade. Também à passagem do sétimo minuto, na conversão do castigo, o Mação restabelecia a igualdade.

Curiosamente, a partir daí, e após ter conseguido assentar o seu jogo, seria sempre o União a assumir o risco, indo em busca do segundo tento, enquanto o Mação parecia mais na expectativa, aguardando pelo erro adversário para procurar o contra-golpe.

Até que – também a cerca de sete minutos do final do tempo regulamentar –, em mais uma das diversas arrancadas de Wemerson Silva, a desmarcar-se em velocidade, na sequência de um lançamento em profundidade, para as costas da defesa contrária, e a surgir isolado frente ao guardião maçaense, o melhor marcador do Campeonato e da Taça, remataria inapelavelmente, forte e colocado, “fuzilando” a baliza, sem hipótese de defesa, recolocando os nabantinos em vantagem no marcador.

Um golo de belo efeito, a surgir no momento ideal, culminando uma magnífica temporada – na qual o avançado unionista somou 29 tentos (7 na taça e 22 no campeonato) –, fazendo a diferença, e não apenas pelos golos apontados, tendo o U. Tomar alcançado um total de 81 golos, confirmando a proeza, de cariz inédito para o clube, a este nível, de marcar em todos os 34 jogos disputados nesta época!

Haveria ainda tempo, já em período de compensação, para outra fantástica arrancada de Wemerson, correndo quase meio-campo, surgindo novamente isolado, a procurar contornar o guarda-redes, o qual, em “desespero de causa”, o derrubou com os pés, originando outra grande penalidade, desta feita a favor dos tomarenses. Na conversão do lance, o brasileiro, com a mira “demasiado afinada”, acertaria com estrondo no poste, assim se gorando a possibilidade do terceiro golo unionista.

Com inteira justiça, num merecido prémio ao labor de todo o grupo de trabalho no decurso da temporada, o União de Tomar confirmava a conquista do troféu, numa partida em que há a enaltecer a forma digna como ambas as equipas actuaram, e o “fair-play” demonstrado pelos maçaenses dentro e fora de campo, assim como o comportamento dos adeptos de ambas as partes, num encontro de verdadeira festa.

Em fecho de ciclo, o técnico Lino Freitas alcançou enfim, no seu último desafio ao “leme”, o título pelo qual tanto porfiou ao longo de vários anos (igualando o registo de seis épocas consecutivas como treinador, antes atingido por Eduardo Fortes, numa muito significativa demonstração de estabilidade do clube), após quatro lugares consecutivos no pódio no campeonato, duas vezes vice-campeão e duas vezes no 3.º lugar – galardão que junta ao título de Campeão de Juniores, conquistado em 2009-10.

Com seis vitórias, um empate e uma derrota, e um “score” global de 17-5, o U. Tomar torna-se no 24.º clube a conquistar a Taça do Ribatejo, na sua 41.ª edição. Um título que, pessoalmente, com grande gratidão – para além do obrigado a todo o grupo –, aqui gostaria de associar à memória de Faustino Chora, símbolo maior da mística unionista.

II Divisão Distrital – Com o quarto triunfo (2-0 em Rio Maior) em outros tantos jogos, o U. Santarém parece lançado para garantir a promoção ao escalão principal, com a disputa pelas outras duas vagas muito repartida, com vantagem da Glória do Ribatejo (1-0 em Marinhais).

Campeonato de Portugal – As duas equipas que representam a série em que militaram os clubes do Distrito protagonizaram a surpresa da 2.ª mão do “play-off”, garantindo a qualificação para a eliminatória decisiva: o Mafra foi vencer por 4-2 ao terreno do Vilaverdense, enquanto o Vilafranquense ganhou por 2-0 em Vizela. Defrontarão agora, respectivamente, o U. Leiria e o Farense, para decidir os dois apurados para a final e inerente promoção à II Liga.

(Artigo publicado no jornal “O Templário”, de 17 de Maio de 2018)

Cidade de Tomar - 18-05-2018 O Templário - 17-05-2018

(clicar nas imagens para ampliar)

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